Há muito que está planeado, e nos últimos 25 anos realizado, pelos centros de
decisão imperialista, fazer do corredor do Médio e Próximo Oriente, Cáucaso e
Magrebe terra de ninguém com o duplo sentido de ficar com a exploração dos
recursos petrolíferos de vários países e aproximar-se das fronteiras do Irão, da
Rússia e da China.
Quando milhões de refugiados
demandam a Europa, fugindo das guerras que isso tem provocado, o nosso dedo
acusador deve ou não estar dirigido aos EUA, às grandes potências da UE, à
NATO, à Arábia Saudita, Qatar, Turquia e Israel que as têm realizado? Devemos ou
não exigir aos dirigentes desses países que falem claro aos seus povos e
assumam a principal responsabilidade na resolução das respectivas consequências
desses conflitos e respectivos êxodos, em vez de andarem a “distribuir o mal
pelas aldeias”?
Não é espantosamente evidente que
seja a Turquia, que mais treinou terroristas de diversas seitas para lutarem
contra o povo sírio e lhes destruir centenas de milhares de vidas, casas, níveis
de vida, tornando as suas vidas num inferno, o principal receptador de
refugiados para negociar os seus destinos e permitir que das suas costas operem
traficantes de seres humanos que ganham fortunas com os recursos dos infelizes,
largados no mar em direção principalmente à Grécia?
A solidariedade internacional,
que em muitos países está disponível para receber esses refugiados e pagar
custas associadas ao fenómeno, pode ser confundida com igualdade das responsabilidades
a jusante, e passagem de uma esponja sobre as responsabilidades?
Podemos aceitar que sejam os
dirigentes responsáveis desses países que decidem de onde aceitam refugiados ou
que exigência de grau de instrução lhes fazem?
O despejar sem condições de
dignidade em alguns países europeus tem ou não também a intenção de provocar
reacções de rejeição das populações locais e favorecer a xenofobia e a subida
em flecha dos partidos de países da União Europeia?
É esta a Europa, cuja
federalização e perdas de soberania de consequências dramáticas tem vindo a ser
realizada desde Maastricht, que está a ser pensada em algumas instâncias de
estrategas? Que vão construindo um mundo de um só governo bem à imagem dos
pesadelos de Orwell?