Número total de visualizações de páginas

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Putin: Onde estava a Comissão Europeia quando os anteriores governos da Grecia violavam as leis?


Segundo Putin, a Comissão Europeia devia ter ajustado a actividade económica da Grécia, acrescentando que a União Europeia não devia ter fixado tais taxas de juros e empréstimos sem ter em consideração o endividamento do país
“Claro que agora todas as culpas são para os gregos. Mas se houve violações na sua acção, onde esteve a Comissão Europeia? Porque é que não pressionaram alterações à política económica dos anteriores governos gregos?”

Segundo o Russia Today (RT) o governo grego apresentou agora à EU um plano que foi rejeitado no referendo do passado domingo. E vai levar a manutenção na EU à Assembleia Nacional.
De acordo com o presidente russo, quando uma moeda forte circula em países de diferentes níveis económicos, estes países acabam por não conseguir controlar as suas finanças e a política económica. Os problemas da Grécia não afectam directamente a Rússia mas influenciam indirectamente toda a Europa, incluindo a Rússia, em resultado das grandes trocas comerciais entre a Rússia e a EU.

Putin insistiu em que a Rússia pode ajudar qualquer outro estado. Mas a Grécia não pediu até ao momento qualquer apoio financeiro. Apesar de não dar esse apoio financeiro directamente, a Grécia assino, no mês passado, um acordo de 2 mil milhões de gás no Forum Económico Internatcional Economic de S. Petersburgo, que ajudará a Grécia a sair da sua crise de dívida.
A Russia e a Grécia assinaram um acordo de criação de uma empresa mista para a construção da conduta do Turkish Stream no seu atravessamento da Grécia. A conduta tem uma capacidade de 47 mil milhões de metros cúbicos e os custos da construção são cerca de 2 mil milhões de euros. Em Dezembro de 2014, a Rússia acabou por cancelar o projecto da conduta do South Stream que iria abastecer toda a Europa com 63 mil milhões de métricos cúbicos, depois dos percursos através da Ucrânia terem sido inviabilizados.       

Pintura de Modigliani



Amedeo Clemente Modigliani , nasceu no Livorno (Itália) em 12 de Julho de 1884.
Artista plástico e escultor  viveu em Paris, onde trabalhou muitos anos. Faleceu ainda jovem com 35 anos, na pobreza e muito doente.
Artista principalmente figurativo, tornou-se célebre sobretudo por seus retratos femininos caracterizados por rostos e pescoços alongados, à maneira das máscaras africanas.

«Jardins» de Santa Apolónia: a acção convergente e articulada de PS, PSD e CDS


jardinsantapoloniaA CDU realizou hoje uma acção de propaganda na Estação de Santa Apolónia, alertando para as intenções de destruição desta Estação e denunciando os objectivos e a prática convergente de PS, PSD e CDS, «há 39 anos ao serviço da especulação imobiliária». A CDU considera que é preciso uma ruptura com o caminho que está a ser imposto e deixou um apelo claro: «Você sabe o que precisa de fazer para que isto mude. Faça-o! Dê mais força à CDU!» 

"Tomoko Iemura no banho", foto de Eugene Smith (EUA, 1918-1978), por Jorge

Denúncia dos efeitos do mercúrio de Minamata


quinta-feira, 9 de julho de 2015

O Qipao, vestido nacional das mulheres chinesas

Na Dinastia Qing, o Cheongsam era o vestido da nobreza da etnia Manchu da China. O Cheongsam moderno nasceu nos anos 20, em Shanghai, e teve bom acolhimento pelas mulheres chinesas nos anos 30 e 40. Em particular nos anos 30, o desenvolvimento de Cheongsam chegou ao seu apogeu e tornou-se popular em todo o país. Naquele período, por causa do estilo de vida ocidental em Shanghai, o Qipao mais moderno apareceu na cidade, como uma combinação do Cheongsam tradicional chinês com características de vestido ocidental. Desde essa altura o Qipao tornou-se o “vestido nacional” para mulheres chinesas em múltiplos e muito belos estilos.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Com o oxi popular à austeridade, a Grécia vai ter que ser uma vez mais firme face ao directório de Bruxelas

Foi com grande satisfação que grande parte dos portugueses assistiram ao NÃO dos gregos à austeridade. Os gregos não estão sós, os portugueses também não. A Europa abalou, a UE e o euro perderam terreno. O sinal global é muito positivo.
Desta vez as brutais ingerência e chantagem da troika não tiveram o resultado das cambalhotas eleitorais a que obrigaram irlandeses, holandeses e dinamarqueses foram obrigados "democraticamente" pelos protagonistas não eleitos de Bruxelas.
 
Mas, poucas horas depois já os mandantes da UE mostram os dentes, parecendo falar ainda mais grosso, com à procura da revanche sobre os gregos, resultante da sua desautorização.
Roubada ao José Goulão no Mundo Cão de hoje
 O encontro de soluções que não aprofundem a austeridade por parte do governo grego no quadro desta UE e do euro, no antidemocrático desenho que sucessivos tratados lhe conferiram nos últimos anos, é uma equação de difícil solução. Mas é o mandato popular que tem, terminado que foi no passado dia 30 o 2º resgate da  autoria do anterior "arco da governação".
Varoufakis ter sido sacrificado para "facilitar" novas negociações, não foi acompanhado da queda do brutal e autoritário ministro alemão das Finanças ou do irritante e pérfido presidente do Eurogrupo nem do boçal presidente do Parlamento europeu, "socialista", nem da presidente do FMI, de perfl galinácio.
 
Dizem que é a Grécia que deve tomar a iniciativa de nova proposta e tudo se perfila nesse sentido. O que digo a seguir não é meter a foice em seara alheia. É a minha opinião com base naquilo que julgo conhecer.
 
O Siryza e o governo grego terão que contrariar a tendência dos anteriores resgates em que o PASOK e a Nova Democracia ofenderam gravemente os salários e pensões, o emprego e a produção fazendo cair o PIB em 25% e deixando subir a dívida para valores não susceptíveis de ser pagos.
 
Importa  reestruturar a dívida, com cortes elevados nos seus valores e com maturidades e taxas, que permitam deixar disponíveis recursos para investimentos produtivos e não para pagar dívida.
 
O recurso ao Banco de Investimento em Infraestruras chinês, de que a Grécia é sócia, assim como os restantes países da União Europeia, concentrando os empréstimos do BCE no funcionamento do sistema bancário, enquanto não encontrar alternativas, como mo Banco Central Russo, sob boicote da UE e enquanto a Grécia aceite os prejuízos resultantes da quebra comercial com esse parceiro natural.
 
A procura interna terá que ser estimulada, com a recuperação do poder de compra dos salários, pensões e outras prestações sociais, com vista a acompanhar esses investimentos produtivos.
 
A redução das despesas de funcionamento do Estado não devem gerar desemprego e privatizações mas afectar o que é social e economicamente mais supérfluo nestas circunstâncias
 
As receitas deverão ser procuradas entre os que mais têm e empresas que mais lucros apresentam, no esforço de exportação (equacionando a ruptura com os boicotes à Rússia, para além das receitas que advirão da construção do novo gasoduto russo, vindo das Grécia). Indo buscar aos grandes grupos económicos para canalizar para a agricultura, pescas e indústria mais vocacionada para exportação.
 
Se a UE continuar com a agressividade actual, Atenas terá que abandonar o euro, passando a imprimir um novo dracma, e expondo a situação difícil daí decorrente ao povo grego (custo da desvalorização face ao euro e inflação) durante talvez uns dois anos até poder respirar melhor numa soberania recuperada.
Este caminho suscitará alterações mais de fundo na UE, num futuro que não será brilhante a curto prazo mas que evitará o afundamento da Europa e do seu papel junto de outros polos de desenvolvimento.
 
Desculpem a ousadia.

domingo, 5 de julho de 2015

Não, não estou velho!!! Não sou é suficientemente novo para já saber tudo!

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.
E lembro-me do texto de Jorge de Sena….
Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.
Sou dos que acreditam na invenção desta crise
 
Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.
Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.
 
Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se
 
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida.
E ainda têm que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.
Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue, 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
Há carros topo de gama para sortear e autoestradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.
Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.
Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
E aprendemos neologismos como “in conseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.
Mas há os penaltis escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.
E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…
Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.
E as mães que vão ao banco alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.
É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

Ponta de Areia, de Esperanza Spalding


Consequências dos acontecimentos na Grécia

Naturalmente que o resultado do referendo de hoje na Grécia terá consequências diversas se ganhar o não ou ganhar o sim.
Mas, independente do resultado, algumas consequências vai ter na consciência dos gregos e outros povos. Passemo-las em revista:

·         Ficou claro que a troika interveio de forma abusiva, de grande agressividade, contra o governo legítimo de um país e sobre um referendo interno que só aos próprios diria respeito, tomando partido por uma das opções, espalhando o medo e alguma corrida aos bancos.

·         E que esta atitude foi tomada por políticos não eleitos pelos povos e que mandam nessas instituições. Só apoiados pelos dirigentes da Alemanha e de Portugal. Passos Coelho numa atitude de decúbito, genuflexão e lambebotismo que nos envergonha.

·         Tendo espalhado este que “já demos muito dinheiro à Grécia e que não está certo continuarmos a dar”, mentiu. Uma vez mais. Porque ninguém dá dinheiro a ninguém. Empresta e obtém juros, mais ou menos agiotas mas sempre usando a dívida para condicionar a liberdade de quem o pediu.

 
·         Também se não tem visto destes “dirigentes” preocupações com os regimes fascistas da Hungria e da Croácia da UE, ou com os fascistas que, por golpe de estado, tomaram o poder em Kiev. Neste caso, bem pelo contrário, a tentativa de lhes abrir os caminhos para a UE e a NATO foram franqueados, com provocações e um bloqueio contra a Rússia. Passos Coelho já falou ao país para dizer as consequências que este bloqueio teve para vários sectores exportadores portugueses, que ficaram sem encomendas com as respectivas consequências económicas e sociais para o nosso país? Já teve uma palavra para com Angola, também vítima da outra “retaliação” da queda dos preços do petróleo e das consequências que isso teve no despedimento de trabalhadores e encerramento de empresas portuguesas naquele país?

·         A reacção da troika será a mesma quando e se a Inglaterra fizer um referendo sobre a UE?

·         A troika fingiu negociar. Para ela negociar era exigir mais austeridade, menos segurança social e saúde, era essa a imposição. A dívida grega impagável (tal como aliás a nossa), as alterações das modalidades do seu pagamento e dos seus montantes não foram objecto de proposta dos “credores”. Quis-se a reforma (redução de condições de vida e direitos mas não a reestruturação da dívida. A necessidade da reestruturação da dívida é hoje quase universalmente aceite.

·         Não foi o governo do Syrisa, com seis meses de vida particularmente ocupados com estas pseudo-negociações, o responsável pelo estado de austeridade nos últimos 6 anos, em que 25% do PIB grego desapareceu. Foram o PASOK e a Nova Democracia, que foram os responsáveis e pagaram por isso eleitoralmente, daí tendo saído o actual governo.

A austeridade imposta pela troika comprovou, tal como em Portugal, não ter resultado:

o país empobreceu, o património público foi sendo vendido, a dívida aumentou, a queda drástica do PIB acarretou a queda da receita fiscal. Todas as promessas do primeiro acordo com a troika em 2010 (depois de um ano de contração deveria seguir-se um período de recuperação e queda do desemprego) foram por água abaixo.

Como sublinhou Paul Krugman, “Se a troika tivesse sido verdadeiramente realista, teria reconhecido que estava a exigir o impossível. Dois anos depois de o programa ter começado, o FMI procurou exemplos históricos em que programas do género do grego, tentativas para pagar dívidas através da austeridade sem um grande perdão da dívida ou inflação, tivessem sido bem-sucedidos. Não encontrou nenhum.

·         Finalmente, e sem procurar esgotar essas consequências, este episódio provou que a construção europeia, se alguma vez foi democrática, o deixou de ser de todo. Estamos perante organismos autistas, repressivos, sem ética, uma verdadeira quadrilha que obtém da dívida crescente dos países o reforço dos grandes grupos, instalados na Alemanha e num reduzido número de países, que acabarão também por ser engolidos na voragem.

No caso de o sim ganhar a Grécia vai agravar a sua situação actual numa dinâmica de humilhação. Se o não ganhar a situação será também muito difícil mas numa dinâmica de dignidade, de patriotismo de soberania ferida mas não perdida.