domingo, 6 de dezembro de 2015

O que querem os EUA e a UE da Síria?













A “grande coligação” como Hollande chama ao pretender que a Rússia se junte aos EUA, Inglaterra, França e talvez Alemanha, nos ataques ao Daesh na Síria não tem objectivos inocentes. Até à Rússia passar a eliminar cirurgicamente as bases e membros do grupo terrorista, alguns destes países faziam outras coisas. Fizeram alguns bombardeamentos “faz-de-conta” que nem provocavam cócegas, antes cobriam outros apoios ao grupo terrorista Os EUA apoiavam logisticamente as operações do Daesh na Síria.
A França jogava com a Arábia Saudita, a Turquia e Israel na formação, armamento, compra do petróleo vendido pelos terroristas de poços sírios roubados à sua soberania, a metade do preço, para financiarem a sua actividade. O abate de um caça russo envolvido nos bombardeamentos às bases terroristas perto da fronteira norte com a Turquia, não provocou protestos da França num contraste gritante com os protestos iniciais destes países e dos EUA por os ataques russos estarem a atingir “forças rebeldes anti-Assad”, incluindo operacionais ocidentais que trabalhavam com eles, como se não fossem do Daesh…
Os "projectos ocidentais” para a Síria são vários e não necessariamente alternativas de uns em relação aos outros:

1.     Destruir a Síria e fazerem dela o que fizeram no Iraque e Afganistão, alargando o projecto do “caos” que garanta aos EUA um espaço ainda maior para a expansão dos seus actos de guerra e para controlar a definição de gasodutos em relação à Europa.     
      Numa  intervenção que seria sempre ilegal se o governo sírio os não convidasse  para esse efeito como tinha feito ao convidar a Rússia.
      Porém, as potências ocidentais aproveitaram uma iniciativa russa para a paz no Conselho de Segurança da ONU para imporem na resolução 2249 a possibilidade de ingerência das grandes potências a pretexto de lutar contra o Daesh. E é claro que esta intervenção não pretende reconstituir a soberania síria no norte do seu território mas para aí proclamarem um estado independente sob a autoridade curda, na linha de criar tantos estados independentes, com base em etnias únicas, tantos quantos lhes dê jeito tal como aconteceu com o Kosovo, depois do desmembramento da federação jugoslava;
 
2.  Criar uma emigração massiça, em que a parte mais culta e com mais habilitações técnicas, especialmente da Síria, Iraque e Afganistão,  pressionando os respectivos mercados de trabalho, e deixando os restantes noutros territórios como o Líbano, o Iraque, a Grécia ou Itália;

3    Insistirem ainda no objectivo de afastarem Assad do poder, onde está por vontade democraticamente expressa do seu povo, enquanto criam com a progressão novos “grupos rebeldes”, mercenários destinados ao Daesh mas que já não tivessem o seu selo, para tomarem o poder em Damasco.
      Cientes de que não conseguiam derrotar a Síria, mesmo com o Daesh, na criação de um Sunistão, agora apostam na cartada curda, como apostaram em 2012 na criação do Sudão do Sul; 
 
4     Criação de um Curdistão que só em 30% do território corresponde ao Curdistão histórico e onde os curdos estão em minoria. Importa ter em conta que nem EUA nem UE reagiram à kurdização à força das populações não-curdas do norte da Síria, realizada este ano,  que provocou levantamentos entre os árabes e cristãos assírios e a ira de Damasco.  O mesmo tinha acontecido quando da anexação dos campos petrolíferos de Kirkouk pelo governo regional curdo do Iraque no ano anterior. Nessa altura as grandes potencias também não condenaram esse governo e propuseram-se fornecer-lhe directamente armas, a pretexto da luta contra o Daesh. É bom lembrar que o governo regional curdo do Iraque é uma ditadura, dirigida com mão de ferro por Massoud Barzani, que se manteve no poder depois de terminar o mandato em 2013, agente da Mossad israelita e posto no cargo pela Inglaterra e pelos EUA.;
 
5     Distrair a opinião pública das consequências do estados de emergência decretado na França a pretexto de ataques terroristas (feitos por nacionais de países europeus) , como a limitação das liberdades e a expulsão dos estrangeiros e a rejeição em aceitarem refugiados das guerras provocadas pelos seus amigos americanos. 
      A esse propósito é de referir aqui a declaração do Dr. Paul Craig Roberts, anterior Secretário Adjunto do Tesouro dos EUA sobre a posição de Paris:
      "Os povos europeus querem ser franceses, alemães, holandeses, húngaros, checos,ou ingleses. Não querem que os seus países sejam outra Torre de Babel criada pelos milhões de refugiados das guerras de Washington.
      Percebendo a sua vulnerabilidade, é perfeitamente possível que os dirigentes franceses tomem a decisão, para manterem a sua permanência no poder, de um ataque de falsa bandeira que lhes permitiria  fechar as fronteiras da França e, assim, privar Marine Le Pen do seu trunfo político principal. "