quarta-feira, 17 de julho de 2019

Os maiores gastos e maiores arsenais nucleares do mundo, por António Abreu


Os dados abaixo referidos foram obtidos pelo SIPRI - Instituto Internacional de Investigações para a Paz, de Estocolmo

 
1. Estados Unidos da América
> Arsenal nuclear: 6.185 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 1945
>  Gastos militares de 2018:  648,8 mil milhões de dólares
> PIB de 2018:  20,5 milhões de milhões de dólares

2. Rússia
> Arsenal nuclear: 6.500 ogivas (2.170 das quais em fase de desmantelamento)
> Ano do primeiro teste nuclear: 1949
> Gastos militares de 2018:  61,4 mil milhões de dólares
> PIB de 2018: 1,7 milhões de milhões

3. França
> Arsenal nuclear: 300 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 1960
> Gastos militares de 2018:  63,8 mil milhões
> PIB de 2018:  2,8 milhões de milhões de dólares


4. China
> Arsenal nuclear: 290 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 1964
> PIB de 2018:  13,6 milhões de milhões de dólares

5. Reino Unido
> stock nuclear: 200 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 1952
> Gastos militares de 2018: 50,0 mil milhões de dólares
> PIB de 2018: 2,8 milhões de milhões

6. Paquistão
> Arsenal nuclear: 150-160 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 1998
> Gastos militares de 2018: 11,4 mil milhões de dólares
> PIB de 2018:  312,6 mil milhões de dólares

7. Índia
> Arsenal nuclear: 130-140 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 1974
> Gastos militares em 2018: 66,5 mil milhões de dólares
> PIB de 2018: 2,7 milhões de milhões de dólares


8. Israel
> Arsenal nuclear: 80-90 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: Não se conhece
> Gastos militares de 2018:  15,9 mil milhões
> PIB de 2018: 369,7 mil milhões

9. Coreia do Norte
> Stock nuclear: 20-30 ogivas
> Ano do primeiro teste nuclear: 2006
> Gastos militares em 2018: dados não obtidos pelo SIPRI
> PIB de 2018: idem

terça-feira, 16 de julho de 2019

Bom fim de semana, por Jorge

"They always say that time changes things, but you actually have to change them yourself."

"Dizem sempre que o tempo muda as coisas, mas agora somos nós que temos de as mudar."


Andy Warhol (artista plástico norte-americano, 1928-1987)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

O afastamento da India dos EUA e a aproximação com a China e a Rússia




A Declaração de Bishkek, emitida após a reunião da cimeira de 14 e15 de junho da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) fez uma apreciação positiva à Iniciativa Cinturão e Rota da China: “A República do Cazaquistão, a República do Quirguistão, a República Islâmica do Paquistão, a Federação Russa, a República do Tadjiquistão e a República do Usbequistão reafirmam o seu apoio à Iniciativa do Cinturão e da Rota da China e elogiam os resultados do Segundo Fórum de Cooperação Internacional da Faixa e da Rota (realizado em 26 de abril). ”


Segundo escreveu MK Bhadrakumar no passado 17 de junho de 2019 no Indian Puchline, a Índia manteve-se distante. O comportamento teve a ver com alguma grosseria com que responsáveis indianos trataram dirigentes chineses e o próprio Xi-Jimping
Mas os tempos mudaram. Nem a Índia bloqueou a Declaração de Bishkek, nem outros países membros tentaram empurrar o projeto chinês pela garganta abaixo da Índia. Eles nem precisaram concordar em discordar. O fato é que a condenação do BRI por parte da Índia se reduziu a críticas ao longo do tempo e aumentou progressivamente para um silêncio ensurdecedor ao longo do último ano. O Primeiro Ministro Narendra Modi não prestou atenção ao BRI no discurso que proferiu na cimeira da SCO.
Modi preferiu trabalhar no “Espírito Wuhan”, transmitindo a Xi Jinping na reunião “extremamente frutífera”, que manteve com ele em Bishkek em 13 de junho que no período desde abril do ano passado, a comunicação estratégica entre os dois países “melhorou” a todos os níveis e, nesse contexto, apenas algumas das questões pendentes, como a designação de Masood Azhar como terrorista global, poderiam ser resolvidas.

O transporte comercial através da Rota do Mar do Norte da Rússia

Curiosamente, quando a comunicação social indiana insistia em que são os americanos omnipresentes que mudaram a designação de Azhar para a Índia em ataque a Pequim, Modi deu crédito à comunicação estratégica Índia-China! Os ventos da mudança são palpáveis. Para citar o Secretário de Relações Exteriores Vijay Gokhale, “Então vemos isso (encontro de Modi-Xi em Bishkek) como o início de um processo após a formação do governo na Índia, para lidar agora com as relações Índia-China de ambos os lados num contexto mais amplo, do século 21 e do nosso papel na região da Ásia-Pacífico a este respeito.
A cimeira da SCO tem sido uma grande surpresa. Modi passou a ter dois parceiros - com Xi Jinping e o presidente russo, Vladimir Putin, respetivamente, e eles destacam que as relações da Índia com esses dois países passaram a ser muito fortes. Modi e Xi devem-se reunir três vezes durante os seis meses restantes do ano - além, é claro, da esperada cimeira informal de Xi com Modi no outono (em Varanasi) em data a definir.
Igualmente, Modi aceitou o convite de Putin para ser o convidado principal do Fórum Económico Oriental em Vladivostok, no início de setembro, e os dois líderes também se encontrarão em Osaka na Cimeira do G20 e na Cimeira dos BRICS. Putin também deve visitar a Índia este ano para a cimeira anual e há também algumas conversas no ar sobre outra cimeira “informal”.



Terá ficado pouco evidente fora da cimeira da SCO que as lideranças da Rússia, Índia e China concordaram em ter uma reunião trilateral também no formato RIC, juntamente com as suas cimeiras bilaterais. E o local será em Osaka - à margem da cúpula do G20 (que terá o presidente Trump e onde se esera uma galáxia de líderes ocidentais).

Trump sabe da aproximação à Rússia e à China que, de acordo com os EUA, estão a trabalhar cada vez mais para assumirem poder à escala mundial A cúpula da SCO em Bishkek torna-se assim um momento decisivo na política externa da Índia. Modi molhou os dedos no eurasianismo. O seu desencanto com a "parceria definidora" com os EUA só, em parte, pode  explicar isso. O cerne da questão é que Modi está afastando a diplomacia indiana de sua obsessão pela geopolítica e tornando-a servidora das suas políticas nacionais. Tanto Xi quanto Putin percebem isso.

Segundo a agência Xinhua refere que o encontro de Xi com Modi teve uma abordagem  geoeconómica. Igualmente, um dos destaques da reunião de Putin-Modi foi o convite russo à Índia para se envolver na cooperação no Ártico. Agora, a China também é um país parceiro chave para a Rússia criar uma “Rota da Seda Polar” no Mar Ártico. Pequim anunciou que a China procurará investimentos em toda a Rota Ártica para encorajar o transporte comercial através da Rota do Mar do Norte da Rússia como parte da Iniciativa Faixa e Estrada.

Trata-se, na verdade, de um grande empreendimento que envolve programas de investimento. Segundo um despacho da agência Xinhua sobre o encontro de Xi com Modi refere que fez uma abordagem geoeconómica. Igualmente, um dos destaques da reunião de Putin-Modi foi o convite russo à Índia para se envolver na cooperação no Ártico.
Agora, a China também é um país parceiro chave para a Rússia criar uma “Rota da Seda Polar” no Mar Ártico. Pequim anunciou que a China procurará investimentos em toda a Rota Ártica para encorajar o transporte comercial através da Rota do Mar do Norte dRússia como parte da Iniciativa Faixa e Rota no valor de milhões de milhões de dólares, destinados à ligação entre a Ásia e a Europa por via marítima, para promover mais comércio entre os continentes. 



O Wall Street Journal informou na semana passada que “a China está invadindo de transportes o Ártico por meio de uma joint venture entre a maior transportadora marítima do país, a Cosco Shipping Holdings Co. e a sua parceira russa PAO Sovcomflot para transportar gás natural da Sibéria para os mercados ocidentais e asiáticos. "
O despacho da Xinhua acrescenta: “O novo empreendimento vai transportar gás natural liquefeito do gigantesco projeto Yamal LNG da região norte da Sibéria até uma lista de destinos que incluem o norte da Europa, o Japão, a Coreia do Sul e a China. A iniciativa começará com uma frota de uma dúzia de petroleiros quebra-gelo, e a China Shipping LNG Investment Co., da Cosco, operará com outros nove petroleiros.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Gokhale divulgou, numa entrevista à imprensa em Bishkek, que Modi decidiu que a Índia deveria envolver-se com a Rússia na região ártica de petróleo e gás e afirmou “que já começou esse envolvimento. Uma delegação do Ministério do Petróleo e Gás Natural já discutiu com o lado russo no mês passado e isso fez com que os líderes assumissem levar adiante o projeto.” O vice-primeiro-ministro russo e o representante especial do Presidente Putin para a região do Ártico, Yury Trutnev chegaram à Índia em 18 de junho para conversar a esse respeito. O Diálogo Económico Estratégico Indiano-Russo, que por sua vez, é liderado pelo Vice-Presidente do NITI Aayog, será realizado em julho.
É suficiente dizer que o grande quadro que surge de tudo isso é que Modi está ligando os pontos e criando sinergias entre a comunicação estratégica da Índia com a China e a Rússia, respetivamente. É uma estratégia audaciosa, mas contém infinitas possibilidades. Considere o seguinte.
A entente China-Rússia está se desenvolvendo rapidamente como uma aliança. Por outro lado, as relações da Índia com a Rússia não só se recuperaram da negligência da era da UPA, mas estão a transformar-se numa parceria verdadeiramente estratégica em sintonia com o século 21, graças à amizade calorosa entre Modi e Putin. De forma sucinta, a Rússia está em posição privilegiada para ajudar a fortalecer os sinais incipientes do Espírito Wuhan, amadurecendo um entendimento estratégico duradouro entre a Índia e a China como duas potências emergentes com muitos interesses comuns.

O fato de Modi e Xi transpirarem confiança para acelerar as negociações para um acordo de fronteira, só evidencia que o triângulo Rússia-Índia-China se tornou muito dinâmico. Realmente, a cúpula do RIC em Osaka fornece suporte para o entendimento das três potências asiáticas. Certamente o “Ocidente”, não vai gostar do que está a acontecer.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Bom fim de semana, por Jorge


"En la lucha del Bien contra el Mal, 
siempre es el pueblo quien pone los muertos."

"Na luta do Bem contra o Mal, 
os mortos são sempre por conta do povo."

Eduardo Galeano 
jornalista e escritor uruguaio, 
1940-2015

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Um debate com quase um século e as mentirolas de Alan Greenspan, por António Abreu (*)



(*) Originalmente publicado em 29/05/2019 em www.abrilabril.pt





Entre 1920 e 1950, ocorreu um debate que definiu o futuro da economia capitalista na segunda metade do século XX.
De um lado estavam John Maynard Keynes1 e Frank H. Knight. Do outro, Frank P. Ramsey e Leonard Jimmie Savage.
Knight e Keynes acreditavam na omnipresença da «incerteza radical». Não só não sabíamos o que iria acontecer, mas tínhamos uma capacidade muito limitada de descrever as coisas que poderiam acontecer. Eles distinguiram o risco, que poderia ser descrito com o auxílio de probabilidades, da incerteza real que não poderia ser assim descrito. No mundo de Knight, tais incertezas deram origem às oportunidades de lucro que eram a dinâmica de uma economia capitalista. Keynes viu essas incertezas como a raiz da inevitável instabilidade nestas economias.
Os seus oponentes insistiram, contrariamente, que todas as incertezas poderiam ser descritas em termos probabilísticos. E estes seus oponentes venceram, até porque o seu mundo probabilístico era conveniente: poderia ser descrito axiomaticamente e matematicamente. É difícil exagerar a consequência prática do resultado desse argumento técnico. Reconhecer o papel da incerteza radical é derrubar as fundações da teoria das finanças e da macroeconomia modernas. Mas o consenso reinante está envolvido em fraquezas gritantes.
Segundo o analista de economia John A. Kay, estes anos revelaram que Keynes e Knight estavam certos e que os seus oponentes estavam errados. E o reconhecimento disso é uma questão prévia necessária à reconstrução de uma teoria económica mais relevante.
«Knight e Keynes acreditavam na omnipresença da «incerteza radical». Keynes viu essas incertezas como a raiz da inevitável instabilidade nestas economias. Reconhecer o papel da incerteza radical é derrubar as fundações da teoria das finanças e da macroeconomia modernas»
Dentro desta linha de pensamento dominante, e já depois dos colapsos a que conduziu a globalização capitalista, o mundo teve que passar pela crise da bolha imobiliária. O ex-presidente do Fed2Alan Greenspan, foi identificado como o principal culpado na criação de condições para a crise financeira, em particular por se opor a uma maior regulamentação e promover uma bolha imobiliária. Hoje, Greenspan já está no Capitólio. E desta vez fala em termos que todos nós podemos entender: admite alguma responsabilidade, mas furta-se à culpa final.
Em afirmações recentes, declarou que estava «em estado choque de descrença» com a crise financeira, um «tsunami de crédito que ocorre em cada século». O deputado Henry Waxman, perguntando a Greenspan se ele tinha cometido um erro e se sua ideologia tinha falhado com ele. Greenspan admitiu que «cometeu um erro» ao acreditar que as empresas financeiras poderiam administrar seus riscos, sendo «mais capazes de proteger os seus próprios accionistas». Em particular, disse estar errado sobre o perigo representado pelos contratos swap de crédito3.
O colapso «chocou-me», disse. «Eu ainda não entendo completamente por que isto aconteceu. E, obviamente, onde isso aconteceu e por que devo mudar os meus pontos de vista. Se os factos mudarem, então mudo».
Como se vê o mea culpa de Greenspan e é muito limitado. Ainda por cima por não aceitar a ideia de que suas políticas ajudaram a promover uma bolha. E quando pressionado sobre seus comentários públicos exaltando a atractividade das hipotecas de taxa ajustável, ele disse que nunca disse que tais empréstimos não eram arriscados ou preferíveis a empréstimos com taxas fixas...
Mais tarde, Greenspan disse que ficou claro para ele que os Estados Unidos estavam com uma bolha imobiliária no início de 2006 e que não previam um declínio significativo nos preços dos imóveis porque «nós nunca tivemos esse problema». O que é certo é que os economistas vinham alertando sobre a bolha imobiliária há vários anos, e a bolha em alguns relatos estalou em 2006. Como pode um presidente da Reserva Federal mentir tanto e enjeitar tanto a incapacidade (?) de tomar medidas atempadas?
A explosão dos empréstimos subprime, especialmente o tratamento febril na securitização desses empréstimos, foi a raiz do problema, argumentou Greenspan, mas disse que isso não era óbvio para os reguladores da Reserva Federal. «Como pessoas não fomos suficientemente espertos e não conseguimos prever os acontecimentos com muita antecedência. E é muito difícil dizer retrospectivamente por que o não conseguimos.»
É importante «não esperar infalibilidade» dos funcionários do governo, disse Greenspan, ele próprio um ex-funcionário do governo…
E é a tais políticos norte-americanos que nomeiam tais presidentes da Fed que o mundo deve continuar exposto?
  • 1.
    John Maynard Keynes (1883-1946). Economista britânico cujas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem como as políticas económicas instituídas pelos governos. Um dos economistas mais influentes do século XX e o fundador da macroeconomia moderna. O seu trabalho é a base para a Escola Keynesiana. Na década de 1930, Keynes opôs-se às ideias da economia neoclássica que defendiam que os mercados livres ofereceriam automaticamente empregos aos trabalhadores contanto que eles fossem flexíveis na sua procura salarial. As suas ideias serviram de base à política do presidente Franklin D. Roosevelt para o combate à Grande Recessão de 1929, a maior crise do capitalismo na primeira metade do século XX. Durante e após a Segunda Guerra Mundial as ideias económicas de Keynes foram adoptadas pelas principais potências económicas do Ocidente.  O advento da crise económica global do final da década de 2000 causou um ressurgimento do pensamento keynesiano. Joseph Maynard Keynes defendeu uma política económica de estado intervencionista, através da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar os efeitos adversos dos ciclos económicos.
  • 2.
    Sistema de Reserva Federal (em inglês, Federal Reserve System, também conhecido como Federal Reserve ou simplesmente como The Fed) é o sistema de bancos centrais dos Estados Unidos.
  • 3.
    Os contratos swap são contratos de cobertura de risco no financiamento que fixam uma taxa de juro a pagar por um empréstimo, ficando uma das partes obrigada a pagar a diferença entre a taxa fixa e a variável, implicando assim perdas para uma das partes.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Ramaphosa confirmado como novo presidente da África do Sul, por António Abreu



O parlamento da África do Sul confirmou ao fim da manhã de hoje Cyril Ramaphosa, do ANC, como o presidente do país devidamente eleito, depois da sua nomeação ter sido contestada por outros partidos políticos.
Ramaphosa, que também é o líder do ANC, deverá contar com o apoio como presidente dos 400 deputados da Câmara dos Deputados, onde o seu partido é majoritário. Tomará posse no sábado.
O presidente do parlamento, Thandi Modise, do ANC, foi confirmado nessas funções depois de obter 250 votos contra o candidato da oposição democrata, Richard Majola.
Modise instou seus colegas legisladores a respeitarem as vozes dos sul-africanos que representam e a serem "justos em todos os momentos”.
O ANC venceu com facilidade as eleições gerais da África do Sul em 8 de maio, mas o seu número de votos de votos caiu, refletindo a raiva pelos escândalos de corrupção e desigualdades raciais que permanecem arreigadas em grande parte de uma geração depois que o partido assumiu o poder.
Mabuza, ex-governador de Mpumalanga, província nordestina, produtora de carvão, tem lutado para ignorar as antigas denúncias de corrupção no país. Um relatório da Comissão de Integridade do ANC sugeriu que ele havia desacreditado o seu partido.
"O vice-presidente indicou que gostaria de ter a oportunidade de abordar essas alegações", disse Ramaphosa em uma declaração do ANC.
"O vice-presidente acredita que o ANC como partido do governo deve promover o mandato eleitoral num ambiente de confiança pública".
Mabuza desempenhou um papel fundamental em assegurar que Ramaphosa fosse eleito numa disputa acesa para substituir Jacob Zuma, predecessor atormentado por escândalos, na conferência eleitoral do ANC, em dezembro de 2017.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Bom fim de semana, por Jorge


"Men prefer to believe what 
they prefer to be true."

"As pessoas preferem acreditar naquilo 
que preferiam ser verdade."

Francis Bacon 
filósofo, cientista e político inglês 
1561-1626 

quinta-feira, 9 de maio de 2019

O previsível crescimento dos preços do petróleo, por António Abreu


Como chegaram os EUA, com Trump, a primeiros produtores mundiais?

Os EUA tornaram-se no maior produtor mundial de petróleo de petróleo no final de 2018.
Os EUA atingiram altos níveis de produção, mas a principal razão pela qual os EUA são os maiores produtores é porque a Rússia e a Arábia Saudita limitaram sua produção. Esta estratégia deve continuar, especialmente na Arábia Saudita, que tem altas prioridades nacionais de gastos e está envolvida numa dispendiosa guerra de agressão no Iémen, fazendo com que seja do interesse do país manter o preço do petróleo mais alto.
O que acontece não é, pois, apenas etar a aumentar a produção dos EUA. Há outros fatores em jogo, como a estratégia de preços da OPEP. A organização do petróleo tem atrasado a oferta para manter os preços à superfície, com valores entre os 60 e os 80 dólares por barril.
A produção de petróleo dos EUA cresceu quatro vezes de 2017 para 2018, com uma produção que terá chegado a a 10,7 milhões de bpd (barris por dia) este ano. Sem sinais de desaceleração da produção, esperava-se que os Estados Unidos chegassem a primeiros produtores mundiais antes do final do ano passado.

O petróleo de xisto

O aumento é em parte devido à bacia do Permiano e às suas peças de xisto que continuam a produzir em ritmo alucinante. A Energy Information Administration previu que a produção da bacia em maio do ano passado seria de 3,183 milhões de bpd - um aumento esperado de 73 mil bpd a partir de abril e um quarto mês consecutivo de aumentos.
O petróleo de xisto é um petróleo não convencional produzido a partir de fragmentos de xisto 
betuminoso e através da sua pirólise, hidrogenação ou dissolução térmica. Estes processos convertem a matéria orgânica no interior da rocha (querogénio) em petróleo e gás sintéticos. O petróleo que resulta deste processo pode ser imediatamente utilizado como combustível ou então pré-refinado de modo a poder ser usado como matéria-prima em refinarias. A pré-refinação consiste no acréscimo de hidrogénio e na remoção de impurezas como o enxofre ou o nitrogénio. Os produtos refinados podem ser utilizados para os mesmos fins dos derivados de crude.
Até agora, a extração de petróleo de xisto é mais cara que a extração de petróleo tradicional. Além disso, as jazidas do novo sistema extrativo se esgotam mais rápido. Além disso o processo de passagem do xisto a petróleo implica a produção de diversos produtos químicosque se infiltram no subsolo e a afectam os lençóis freáticos.

O peso no mercado mundial do petróleo off-shore e do de xisto

A exportação de óleo de xisto pelos EUA nestes últimos anos está a alterar a dinâmica mundial dos preços e a retirar o papel regulador que a OPEP (1) tem tido, no que respejta ao preço do barril. 
Nos últimos anos não vemos nenhum acordo de corte de produção que seja respeitado por todo mundo. Alguns membros dependem totalmente do petróleo e temem perder esse mercado para os EUA com o preço do barril mais elevado e uma indústria mais robusta, os Estados Unidos despontam como um dos maiores produtores mundiais de petróleo.Entretanto, um grupo de investigadores do Instituto Tecnológico de Massachusetts considera que o aumento da produção de petróleo nos últimos anos não tem tido a ver com o progresso tecnológico alcançado pelos EUA: as empresas norte-americanas simplesmente têm tido acesso a jazidas com muito potencial. Isso lhes permitiu aumentar a produção até mesmo quando os preços do petróleo eram baixos. 
A produção offshore também teve aumentos. Os poços offshore dos EUA aumentaram a produção entre setembro e dezembro em 220.000 barris por dia, segundo o relatório da CNBC.
Os produtores dos EUA reiniciaram as suas operações e aumentaram sua produção devido à viabilidade do preço atual do petróleo e os lucros que permitem. Quanto mais o preço aumenta, mais a extração se torna viável para os produtores desempenharem um papel ainda mais ativo.

.Segundo Aaron Brady, da IHS Markit, tornando-se os EUA no maior produtor, apenas manterá os preços do petróleo sob controle, segundo afirmou em meados do ano passado, mas “A matriz de decisão é da Arábia Saudita, que ainda é a “produtora de swing” porque tem as maiores reservas e um par de milhões de barris por dia que pode trazer ao mercado rapidamente” (2).

Quando falamos de OPEP, quer-se dizer Arábia Saudita e, até certo ponto, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos e Rússia, que, não sendo membro da OPEC, faz parte do acordo.
“Depois da produção, com colapso de preços ter caído, passou a crescer bem novamente por duas razões: os preços do petróleo passaram a ficar mais altos e para os produtores do petróleo de xisto, uns 50 dólares por barril propicia-lhes um crescimento robusto, eficiências e redução das despesas de serviço.”
E acrescentou: “O offshore é comparável, mas com prazos de entrega mais longos e maiores volumes de capital. Um grande projeto offshore é de milhares de milhões de dólares, enquanto um poço individual na Bacia Permiana pode ficar abaixo de 10 milhões”.
Brady diz que pode até haver um atraso no investimento em projetos de ciclo de chumbo mais longos, com offshore, inclusivamente em águas profundas, se os operadores e investidores ainda acharem que o xisto manterá os preços mais baixos no longo prazo.
No entanto, acrescenta que é importante lembrar que, embora contribuindo para o crescimento, o xisto ainda representa apenas 6% da participação no mercado mundial.

A rutura pelos EUA do acordo nuclear com o Irão (JCPOA) e as sanções ao comércio com a Venezuela

A denúncia por Trump do acordo feito com o Irão em 2015 para limitar o programa nuclear deste país teve aspetos nocivos em vários planos em que se caminhara para um progresso nas relações entre diversos países.
A estrutura do acordo nuclear do Irão foi um acordo-quadro preliminar alcançado em 2015 entre a República Islâmica do Irão e um grupo de potências mundiais – o P5+1 (os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – EUA, Reino Unido, Rússia, França e China e a Alemanha mais a União Europeia.
Os EUA arvoraram-se em capatazes do conjunto dos países envolvidos, impondo multas aos países e empresas que rompessem com a sanção da recusa de importação do petróleo do Irão.
Apesar dos EUA terem renunciado a multar oito desses países, as sanções reduziram muito a oferta global de petróleo, já que as exportações do Irão caíram em março deste ano para 1,1 milhões de barris quando em junho do ano passado tinham sido mais do dobro (2,3 milhões), de acordo com dados da Agência Internacional de Energia.
Na passada 5ª feira a UE declarou estar empenhada em manter o acordo com o Irão de 2015 (JCPOA), não aceitando quaisquer ultimatos.  E o Irão anunciou deixar de cumprir algumas cláusulas do acordo, aguardando que a UE cumpra com os compromissos assumidos perante o seu país. Nomeadamente  os membros da UE criarem um mecanismo financeiro especial que permitiria fazer negócios no Irão, fazendo escapar aos “radares” dos EUA todos os queiram negociar com o país se por isso se virem abrangidos por sanções. Por seu lado a UE pediu ao Irão para continuar a cumprir os compromissos na base do JCPoA, abstendo-se de quaisquer medidas de escalada.
A UE rejeitou qualquer tipo de ultimato e declarou que irá avaliar a conformidade dos passos dados pelo Irãoaelativamnte aos seus compromissos nucleares no âmbito do JCPOA e do TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares).
A oferta de petróleo foi também afetada com as tentativas de golpe e sanções impostas pelos EUA à Venezuela.

Entretanto, apesar destes esfolrços dos EUA, tudo vai depender da  procura mundial deste combustível e da capacidade das novas tecnologias compensarem o custo de extração de um barril de petróleo de xisto e de um barril de petróleo tradicional.



(1) Quando falamos de OPEP, quer-se dizer Arábia Saudita e, até certo ponto, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos e Rússia, que, não sendo membro da OPEC, faz parte do acordo.




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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Uma vez mais um golpe da extrema direita é derrotado na Venezuela, por António Abreu


Na madrugada de ontem (30), forças golpistas acompanhadas por Juan Guaidó , contando com cerca de trinta militares e polícias tentaram tomar a base militar de La Carlota, na Venezuela, mas foram impedidos disso por forças leais ao governo de Nicolás Maduro. A comunicação social “ocidental” inicialmente procurou confundir a população afirmando que a intentona golpista teria tido sucesso. Antes convidou a população a aderir

Apoiantes de Guaidó retiraram um dirigente oposicionista preso que estava em prisão domiciliária, por promover a violência para se juntar a ele no palanque de onde fez o apelo ao golpe para as televisões internacionais. Toda esta operação decorreu num único ponto exterior à base militar de La Carlota, junto de um distribuidor de transito. Daí Guaidó fez um apelo patético para as forças armadas se juntarem a ele.
Santos Silva, MNE português, disse então em Pequim que estava a acompanhar a situação e convidando os lusodescendentes 
da Venezuela a não sair às ruas de Caracas por estarem muito perturbadas com os acontecimentos…Santos Silva devia pedir desculpa porque os conflitos promovidos por este grupo golpista ocorreram apenas no local referido e no resto da cidade nada aconteceu nem os correspondentes estrangeiros deram conta disso para poderem gravar imagens e recorrendo
O grupo, com pedras e gás lacrimogénio tentou entrar no perímetro da base, mas a guarda nacional impediu-o, recorrendo a conversas com ele. Quando a ação desses cerca de cento e cinquenta golpistas se tornou mais agressiva, os guardas em quatro veículos blindados fizeram uma aproximação deles, mas o grupo, com cocktails molotov, incendiou um dos veículos e um outro carregou sobre manifestantes ferindo seguramente alguns dos golpistas. Destes não saíram só pedras. Houve ouve espingardas e metralhadoras. Um autocarro foi incendiado
Vinte cinco dos “seus militares” e o dirigente da oposição libertado por eles, pediram asilo em embaixadas, abandonando os seus num gesto de cobardia política.
Por essa altura Santos Silva já pedia que não houvesse excesso de força contra os oposicionistas, mas antes da derrota da tentativa golpista não acautelou para o banho de sangue a que poderia ter dado origem onde os lusodescendentes seriam, certamente envolvidos.
Guaidó não teve apoiantes nem as forças armadas, e hoje falou num novo palanque para um número reduzido de pessoas enquanto em apoio da revolução se manifestaram em Caracas centenas de milhares de pessoas no 1º de Maio valorizando o papal dos trabalhadores na revolução Chavista.
A cobertura mediática[   em Portugal foi miseravelmente  parcial, mentirosa e até nos faz vergonha ter um José Rodrigues dos Santos a fazer diatribes como a da abertura do telejornal de ontem à noite. Um autêntico palhaço…
Os recentes movimentos de Guaidó mostram que ele perdeu dinâmica e força depois do golpe a propósito da ajuda humanitária americana que o governo não aceitou com o descontrole cum que tinha sido preparada, mas principalmente desde que desafiou o líder venezuelano Nicolas Maduro como presidente interino autodeclarado em janeiro.
Agora é a vez da administração norte-americana ser mais assertiva no tocante a uma invasão para tirar Maduro do poder. E ter os seus homens nos locais certos depois de umas supostas eleições por eles organizadas quando tivessem feito correr rios de sangue. Se é que tal coisa se pudesse realizar depois das posições de solidariedade com o governo venezuelano por parte da Rússia, da China, do Irão, da Turquia, de Cuba, da Bolívia.
O governo venezuelano pediu já à Procuradoria Geral da República que destacasse procurados para apurar reponsabilidades pelos aconcimentos com vista a decorrerem os processos judiciais contra os responsáveis.


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Bom fim de semana, por Jorge


"The brain is wider than the sky"                      


"O cérebro é mais vasto do que o céu"

Emily Dickinson (poetisa americana, 1830-1886) 

lema da excelente exposição da Gulbenkian, 
a ver até 10 junho