sábado, 13 de outubro de 2018

Jacques Brel, mais um tombo na canção francesa de um intérprete-autor que nos acompanhou desde a nossa juventude

Dias depois de Aznavour deixa-nos agora Brel. Dois estilos e poesias bem diferentes. Duas vozes inconfundíveis. Quem sensibilidade para a poesia e a música teríamos nós sem alguns intérpretes e autores portugueses mas também franceses, norte-americanos, ingleses e galegos, que fizeram esta viagem connosco?
Referir aqui "Dans le Port d'Amsterdan" resulta de ser a sua canção mais popular, como outras, brejeira, aqui muito voltada para a a frugalidade, os sonhos e a bebedeira dos marinheiros e a infidelidade feminina que os procura no final do repasto.



Dans le port d'Amsterdan


Dans le port d'Amsterdan
Y a des marins qui chantent
Les rêves qui les hantent
Au large d'Amsterdam

Dans le port d'Amsterdam

Y a des marins qui dorment
Comme des oriflammes
Le long des berges mornes
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui meurent
Pleins de bière et de drames
Aux premières lueurs
Mais dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui naissent
Dans la chaleur épaisse
Des langueurs océanes


Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui mangent
Sur des nappes trop blanches
Des poissons ruisselants
Ils vous montrent des dents
A croquer la fortune
A décroisser la lune
A bouffer des haubans
Et ça sent la morue
Jusque dans le coeur des frites
Que leurs grosses mains invitent
A revenir en plus
Puis se lèvent en riant
Dans un bruit de tempête
Referment leur braguette
Et sortent en rotant


Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dansent
En se frottant la panse
Sur la panse des femmes
Et ils tournent et ils dansent
Comme des soleils crachés
Dans le son déchiré
D'un accordéon rance
Ils se tordent le cou
Pour mieux s'entendre rire
Jusqu'à ce que tout à coup
L'accordéon expire
Alors le geste grave
Alors le regard fier
Ils ramènent leur batave
Jusqu'en pleine lumière


Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d'Amsterdam
De Hambourg ou d'ailleurs
Enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps
Qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Dans le port d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Bom fim de semana, por Jorge



"Think of how stupid the average person is, and realize half of them are stupider than that."

"Pensemos na estupidez média das pessoas e notemos que metade delas é mais estúpida ainda."


George Carlin (humorista americano, 1937-2008)

(pensamos nos brasileiros...)

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Adeus Aznavour, as tuas canções ficam






 
"La bohème"
 
Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans
Ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là
Accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres
Et si l'humble garni
Qui nous servait de nid
Ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine
Et toi qui posais nue
La bohème, la bohème
Ça voulait dire
On est heureux
La bohème, la bohème
Nous ne mangions qu'un jour sur deux
Dans les cafés voisins
Nous étions quelques-uns
Qui attendions la gloire
Et bien que miséreux
Avec le ventre creux
Nous ne cessions d'y croire
Et quand quelque bistro
Contre un bon repas chaud
Nous prenait une toile
Nous récitions des vers
Groupés autour du poêle
En oubliant l'hiver
La bohème, la bohème
Ça voulait dire
Tu es jolie
La bohème, la bohème
Et nous
La bohème, la bohème
Ça voulait dire
Tu es jolie
La bohème, la bohème
Et nous avions tous du génie
 
La bohème, la bohème
Ça voulait dire
On a vingt ans
La bohème, la bohème
Et nous vivions de l'air du temps
La bohème, la bohème
Et nous avions tous du génie
La bohème, la bohème
Ça voulait dire
On a vingt ans
La bohème, la bohème
Et nous vivions de l'air du temps
 
Quand au hasard des jours
Je m'en vais faire un tour
À mon ancienne adresse
Je ne reconnais plus
Ni les murs, ni les rues
Qui ont vu ma jeunesse
En haut d'un escalier
Je cherche l'atelier
Dont plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts


La bohème, la bohème

On était jeunes


On était fous
La bohème, la bohème
Ça ne veut plus rien dire du tout

sábado, 29 de setembro de 2018

São tendências? por António Abreu

 
Nas últimas semanas não pararam de actuar diferentes actores com influências diversificadas, por vezes contraditórias, nos cenários políticos internacionais, para permitir identificar uma linha dominante futura, uma tendência uniforme, aspecto frequentemente desejado por analistas mas raramente verificáveis na realidade.

A confrontação entre diferentes sectores

da administração norte-americana e a tentativa do seu impeachment de Trump por Obama e sectores dos partidos democráticos e republicanos mais belicistas, as relações entre as duas Coreias e da Coreia do Norte com os EUA, a expansão da influência da China na economia e infraestruturas da Ásia, África e América Latina, as tensões e fragmentação dentro da União Europeia, a campanha dos sectores mais conservadores da Igreja contra o Papa Francisco e o esforço permanente de alguns governos para apoiarem terroristas que fazem tardar o fim da guerra na Síria e as tensões no Médio Oriente, as eleições dentro de dias no Brasil, são alguns dos factores que influenciam tendências de evolução.

Referimo-nos aqui hoje a dois deles.

Há cerca de um mês, na parte terminal da guerra contra a Síria, em que os terroristas foram sucessivamente mortos, fugiram para outro países ou se acantonaram na cidade de Idlib, concertaram-se as vontades de governos de vários países da NATO para fazerem, de novo, a História andar para trás.

Mas em cimeira do passado dia 16 entre Vladimir Putin, e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, ambos concordaram na instauração de uma “zona desmilitarizada” na província síria de Idlib, que será patrulhada pelas polícias militares turca e russa.
 

A zona desmilitarizada, que deve ser criada antes de 15 de Outubro, vai separar as posições das forças governamentais e das milícias da oposição, e terá uma extensão entre 15 a 20 quilómetros.

O MI6 do Reino Unido, sob a direção de Theresa May começou a encenar a vitimização de crianças num falso ataque químico.

Operacionais da sociedade Olive foram enviados para o local e armas químicas foram encaminhadas para a província de Idlib. Os Capacetes Brancos raptaram 44 crianças. O MI6 previa sacrificá-las e atribuir o seu assassínio a um ataque químico do Exército Árabe Sírio contra os «rebeldes».

O MI6 havia antecipadamente organizado a difusão desta intoxicação a partir do testemunho futuro de uma criança que chamou de Hala. Criou uma conta de Twitter em seu nome, a 29 de Julho, e uns trinta média subscreveram-na de imediato, esperando o seu sinal  para começarem a operar “Eyes on Idlib” (“Olhos sobre Idlib”). Entre estes conta-se a BBC, a Radio Europa Livre/ Rádio Liberdade, o BuzzFeed et oThe Huffington Post. Tudo gente insuspeita…

Simultaneamente, o Pentágono deslocou para o Golfo o contra-torpedeiro The Sullivans com 56 misseis de cruzeiro a bordo e enviou um bombardeiro estratégico В-18 equipado com 24 misseis de cruzeiro terra-ar para a base aérea Al-Udeid no Catar.

Se a responsabilidade da Primeira-ministra britânica Theresa May está clara em relação aos actos do MI6, ignora-se quem ordenou o destacamento militar dos EUA…onde o desrespeito pelas ordens do Presidente é requente nos serviços secretos e CIA. Emmanuel Macron, sempre a reboque justificou a retoma da guerra perante os seus embaixadores reunidos em Paris

Os autores deste plano sabem muito bem que já perderam a guerra se a considerarmos unicamente de um ponto de vista sírio. O seu novo objectivo parece ir bem para além disso. Trata-se para eles de provocar um conflito com a Rússia; isto é, uma guerra que se tornaria rapidamente mundial.

A Síria e a Rússia reagiram revelando os factos porque os seus serviços secretos não andam a brincar…E, por seu lado a Rússia reforçou a sua presença militar ao largo da Síria, realizando mesmo grandes manobras militares

O Departamento de Estado acabou por enviar o Embaixador James Jeffrey, e um oficial da inteligência militar para acalmar os países da região e garantir a todos os seus interlocutores que Washington não se preparava para bombardear a Síria com um pretexto fabricado.

O parlamento alemão rejeitou a participação de Berlim numa agressão ocidental contra Damasco, contrariando a tendência da Ministra alemã da Defesa. Esta questão causou divisões na coligação que governa a Alemanha, com o SPD a descartar qualquer envolvimento em tal interferência, a menos que fosse aprovada pelas Nações Unidas. A Alemanha está sob pressão dos Estados Unidos para aumentar seus gastos com defesa e assumir mais responsabilidades no âmbito da NATO.
 
Tudo isto aconteceu em simultâneo com uma grande pressão sobre a Síria e a Rússia para não bombardearem Adlib ou, pelo menos, para evitarem mortes civis, e para abrirem saídas de fuga humanitárias da cidade e da região (Adlib é capital de uma região com o mesmo nome), com apoio aos refugiados de maneira a não deixarem degradar excessivamente as suas condições. Idênticos cuidados foram tomados na reconquista de outras cidades, apesar das encenações dos capacetes brancos da Sra May.

Por cá os Senas Santos e tantos que tais foram verdadeiras carpideiras por uma causa não verificável no terreno, verdadeiros capacetes brancos ao serviço do MI5.

A Turquia é vizinha de Adlib e quer evitar refugiados. Por outro lado apoiou até agora um dos movimentos de oposição (a que chama moderado mas que se misturou já tanto com os outros que nenhum se distingue do outro…). O PKK já não é um movimento curdo que confiras perigosidade para a Turquia desde que se vendeu a serviços secretos ocidentais.

Estes grupos fustigaram, de forma imprudente as forças sírias como que a pedir resposta e destruíram mesmo quatro pontes para impedir a população de fugir, acentuando nesse gesto o carácter de reféns que tinha para com elas.
 

No passado 18 de Setembro, os presidentes das duas Coreias voltaram a reunir-se para implementar a Declaração de Panmunjom para a paz, a prosperidade e a reunificação da península da Coreia. Dois dias depois do fogoso John Bolton ter feito saber que um segundo encontro Donald Trump-Kim Jong-un, desejado pela Coreia do Norte, dependeria do cumprimento por esta da promessa da desnuclearização. Os dois chefes de Estado debateram agora a desnuclearização da península coreana e a possibilidade de retoma do diálogo entre a RPDC e os EUA.
 

Foi a terceira vez que os dois líderes coreanos se reuniram este ano, depois dos encontros de 27 de Abril e de 26 de Maio.

Na cimeira de Abril passado, Kim e Moon assinaram a Declaração de Panmunjom, visando alcançar a desnuclearização da península da Coreia, pôr fim às ações hostis de parte a parte, recomeçar as reuniões das famílias separadas pela guerra (1950-1953) e melhorar as relações bilaterais entre Pyongyang e Seul.

As imagens históricas do encontro de 13 de Junho entre os presidentes dos EUA e da Coreia do Norte ainda estão vivas na memória do mundo.

Para o presidente Donald Trump reunião foi perfeitamente positiva, chegando a postar no seu regresso a Washington: “A ameaça nuclear da Coreia do Norte não existe mais”. “Durmam bem esta noite”. Mas onde Trump viu apenas vitórias, a generalidade da grande imprensa que se lhe opõe apontou para incertezas e Obama quase lhe chamou traidor. Por outro lado, imprensa da Coreia do Norte sublinhou que conseguiu importantes concessões dos Estados Unidos, como o fim dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul e a eliminação gradual das armas nucleares. E afirmaram que os Estados Unidos poderiam suspender as sanções contra a Coreia do Norte se a relação entre dois países melhorasse. O secretário de Estado, Mike Pompeou, reconheceu que ainda há muito trabalho pela frente para acabar com as armas nucleares da Coreia do Norte. Irritado com as críticas da imprensa americana, Trump chegou a afirmar que “O grande inimigo do nosso país são as fake news”.

Já antes da primeira cimeira entre as duas Coreia que se viria a realizar realizar em Panmunjon, na zona desmilitarizada da fronteira comum, o líder de Pyongyang declarou o fim de "todos os ensaios nucleares e do lançamento de mísseis balísticos intercontinentais. A viragem ocorreu no discurso de Ano Novo de Kim, em que este se apresentou disposto ao diálogo com a Coreia do Sul e abriu caminho à participação do seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyongiang, realizados em Fevereiro no sul, o que veio a suceder. Na imediata sequência dos Jogos, nos quais estiveram presente o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e a filha do presidente Donald Trump, Ivanka, Kim sugeriu a realização de uma cimeira com o dirigente americano.

É conhecido nos meios diplomáticos que a prioridade de Kim não era o desenvolvimento do alcance dos seus mísseis nucleares mas, sim, o desenvolvimento da economia nacional, o progresso económico, chegar à normalização de relações com outros Estados e o reconhecimento da comunidade internacional.

Com uma economia sujeita a sanções internacionais, e dependendo de mercados paralelos e noutros meios para se equipar na maioria dos sectores, a Coreia do Norte sofreu enormes bloqueios económicos que lhe limitaram o seu desenvolvimento.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Bom fim de semana, por Jorge

"The history of science is a marvelous history. It makes you proud to be a human being.”
"A história da ciência é uma história maravilhosa. Faz-nos orgulhosos de sermos humanos."
Karl Popper (filósofo austro-britânico, 1902-1994) em entrevista de 1992.
 
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A confrontação dentro da Igreja com o Papa Francisco

A modéstia e humildade que Francisco tem transmitido com o seu mandato conferiram-lhe grande popularidade entre a generalidade dos crentes mas também acordaram a fúria dos sectores mais conservadores.
 

O arcebispo Carlo Maria Vigano pediu há dias ao Papa Francisco que renunciasse, por ter encoberto na Igreja dos EUA o caso do cardeal Theodore McCarrick. Mas fê-lo já depois deste ter renunciado no mês passado e após ter sido comprovadamente denunciado por pedofilia. Vigano negou, vários dias depois, ter sido motivado por vingança pessoal. De facto, tinha sido referido na imprensa italiana que a sua não ascensão a cardeal poderia ter estado por detrás dessa sua inusitada intervenção.
O arcebispo fez publicar a declaração inicial através do blogue de um jornalista da televisão italiana, Aldo Maria Valli, quando há dias o Papa estava na Irlanda e fazia a crítica da pedofilia no clero, pedindo, às vítimas e ao mundo, perdão. Vigano não incluiu nenhum documento comprovativo da sua contundente declaração, limitando-se a referir que os encobrimentos na Igreja estavam a assemelhar-se a «uma conspiração de silêncio não muito diferente da que prevalecia na máfia».
No avião de regresso da Irlanda, Francisco não se quis pronunciar sobre a declaração de Vigano. E pediu aos repórteres que o acompanhavam: «leiam o documento cuidadosamente e julguem por vós mesmos».

O que move o arcebispo Carlo Vigano?

Para quem conhece os meios do Vaticano, outra das afirmações do arcebispo Vigano, ex-embaixador do Vaticano em Washington, de que decidira falar porque «a corrupção atingiu os níveis mais altos da hierarquia da Igreja», só se pode compreender como querendo desconsiderar uma luta que Francisco estava a travar, desde o início do seu mandato – tal como acontecera com Bento XVI –, contra essa corrupção e outros fenómenos muito negativos em que está envolvida boa parte da Cúria, pelo menos desde o papado de João Paulo II.
Dois sacerdotes do Vaticano acusaram posteriormente Vigano de não ter tido consciência do impacto do encontro com uma activista contra o casamento entre homossexuais, que organizou sem prestar contas disso, quando da visita do Papa a Washington. O único encontro marcado que Francisco esperava ter era com um ex-aluno, homossexual, e o seu parceiro. Atitude que é perfeitamente coerente com a sua declaração, de há poucos dias, sobre a aceitação nas famílias e na Igreja dos jovens homossexuais.
Vigano afirmou que Bento XVI referira a Francisco, em 2013, a condenável conduta sexual de McCarrick, a quem tinha imposto sanções. E referiu que Francisco o ignorara. Ora no período em que ele referiu que McCarrick estaria sancionado, o «sancionado» acompanhara em actos religiosos Bento XVI, o que revela uma falha da narrativa de Vigano…Mas sobre isto, nada disse.
Está hoje claro que Vigano1 se escondeu por detrás de meios de comunicação conservadores para publicar a declaração, onde chega a dizer que existe no Vaticano «uma rede homossexual» que promove os homossexuais na Igreja…

As eminências do conservadorismo e a «demissão» do Papa

De acordo com as leis da Igreja Católica, os Papas podem resignar mas por decisão própria. Foi o que aconteceu com Bento XVI quando, ao chegar aos 85 anos, concluiu que já não tinha forças bastantes para o desempenho do papado. Nunca ninguém o levou a resignar, o que torna esta declaração de Vigano duvidosa.
Não se percebe como poderia o Papa renunciar livremente quando existem pessoas a fazer campanha para isso. Não existe no Direito Canónico algo semelhante ao impeachment. Mesmo que a pressão psicológica sobre ele se tornasse insuportável ele não a aceitaria. Face a uma inesperada aceitação, muitos a entenderiam como resultado de uma coacção.
No entanto existem eminências do conservadorismo na Igreja que entendem que o Papa é um bispo como os outros que poderia renunciar «por causas justas ou graves». Outros entendem que os Papas Bento XVI e Francisco foram mal aceites e confundiram os fiéis e a fé.
No último encontro mundial de bispos, quase um quarto do Colégio dos Cardeais, expressou a ideia de que o Papa se aproxima da heresia. E em Setembro do ano passado 62 católicos descontentes, nos quais se incluem um bispo já retirado e um antigo director do Banco do Vaticano, publicaram uma carta aberta em que apontam a Francisco sete acusações específicas de ensinamentos heréticos.
Edward Peters, um conservador canonista de Detroit, disse no seu blogue que Francisco não deve ser considerado de forma diferente de outros bispos que, segundo a lei canónica, podem renunciar por causas justas ou graves e que o Papa também é bispo (de Roma)…

Um papado popular e que desagrada aos poderosos

A modéstia e humildade que Francisco transmitiu desde o início do mandato conferiram-lhe grande popularidade entre a generalidade dos crentes mas também fúria contra ele, inicialmente dissimulada, por parte dos sectores mais conservadores das hierarquias, nomeadamente em alguns países da Europa Central e nos EUA, acabou por vir à luz do dia.
O facto de ser o primeiro Papa não europeu agradou a todos os que não se conformavam com uma Igreja apenas dirigida por papas europeus, que ignorasse os sinais dos tempos, e a necessidade de dar resposta a novas e não tão novas questões, como a opção pelos pobres e a condenação do capitalismo global, as crescentes desigualdades sociais, a pompa e ostentação da riqueza no Vaticano, a continuidade do combate à corrupção e criminalidade no seio da Cúria e outras estruturas eclesiásticas, o divórcio entre casais católicos e o dificultar da sua normalização de direitos e deveres no seio da sua Igreja, o acolhimento na Igreja e na família dos homossexuais, a exigência do apoio dos estados ao fenómeno, que se acentuou dramaticamente, da imigração clandestina.
Francisco imprimiu acções práticas nas orientações para a Igreja. E também houve gestos simbólicos, mas que falaram por si, como conduzir um Fiat, transportar as próprias malas, pagar a conta em hotéis, receber um casal homossexual no México ou lavar os pés a refugiadas muçulmanas.
Como é evidente, o Papa não está a introduzir alterações revolucionárias, de ruptura, na Igreja. Por exemplo, em quase todo o mundo, os casais que se divorciam e voltam a casar têm acesso à comunhão apesar de ainda haver padres ultraconservadores que o recusam a fazer. Noutras questões há uma crescente abertura no seio dos fiéis e do clero.
«No último encontro mundial de bispos, quase um quarto do Colégio dos Cardeais, expressou a ideia de que o Papa se aproxima da heresia»
A discussão conduzida pelos sectores mais conservadores está inquinada. Para eles, as reformas cautelosas de Francisco põem em causa a crença de que as verdades da Igreja são intemporais. E que assim continuam, porque se não são, então qual o seu valor? Para eles, a doutrina afirma que o Papa não pode estar errado quando se pronuncia sobre questões centrais da fé, e que, portanto, se está errado, não pode ser Papa. Por outro lado, se este Papa está certo, todos os seus antecessores têm de ter estado errados. É uma pescadinha de rabo na boca alimentada por uma teologia dogmática mas que não colhe significativamente entre os fiéis e boa parte do clero.
Esta intervenção do Papa nas chamadas «questões difíceis» pode levar à abertura de outra – que em rigor nunca tem estado fechada – a do celibato dos padres. A não-aceitação do casamento de padres. Se outras intervenções se dirigem mais para a abertura perante a sociedade, esta tem seguramente a ver com o pretendido aumento das vocações sacerdotais e a própria sobrevivência da Igreja.
«[o Papa Francisco] compreende por que estão as pessoas frustradas com a globalização»
Austen Ivereigh, New York Times
Em matérias internacionais, não seria de esperar de Francisco uma confrontação clara com os EUA e outras potências ocidentais, mas foi quebrada a santa aliança de João Paulo II com Reagan e Tatcher na guerra conjunta contra o comunismo. A nomeação do Cardeal Woytila como João Paulo II ocorreu na sequência da morte de João Paulo I, estranha pelas muitas dúvidas que ainda hoje suscita. João Paulo I identificava-se com as causas dos países emergentes e mais pobres, mais caras a Paulo VI.
A condenação da continuidade da guerra da Síria, pelo Papa Francisco, em Fevereiro deste ano, foi dirigida a todos os responsáveis intervenientes no conflito. Depois, em Abril, fez referência a que as populações devam ter acesso às ajudas de que têm urgente necessidade e apelou à cessação imediata da violência, para que seja dado o acesso à ajuda humanitária – alimentos e remédios – e se retirem os feridos e os doentes, nas situações de combate com os terroristas sitiados. Foi o caso presente de Idlib.
Em Bari, em Julho passado, promoveu uma cimeira ecuménica pelo Médio Oriente, com vários responsáveis cristãos, perante os quais recordou o «grande sofrimento» dos fiéis cristãos na Terra Santa, temendo a eliminação desta sua presença histórica.
No que respeita ao processo de reunificação da Coreia, afirmou, em mensagem do final de Março, que na Coreia se vive um processo de distensão após dois anos de escalada da tensão provocada pelos testes nucleares e balísticos da Coreia do Norte. «Que os que têm responsabilidades directas actuem com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e para gerar confiança na comunidade internacional».
Ao falar sobre o Iémen, país devastado por três anos de guerra de agressão saudita, pediu «diálogo e respeito mútuo». Francisco citou, ainda, a Venezuela, país ao qual desejou uma saída «justa, pacífica e humana» para a crise política e humanitária.
O presidente russo e o líder da Igreja Católica, em Dezembro de 2016, tinham trocado pareceres «sobre a proteção dos cristãos na área de conflitos regionais e a importância do diálogo inter-religioso construtivo para preservar a base ética das questões de paz». Falaram ainda das relações entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa, dominante na Rússia.
Em Maio deste ano, o New York Times citava Austen Ivereigh, autor de The Great Reformer: Francisco and the Making of a Radical Pope (Francisco, o grande reformista e a realização de um papado radical), como tendo dito que as opiniões de Francisco se formaram na Argentina, influenciadas por uma vertente do nacionalismo latino-americano mais voltada para a resistência às forças multinacionais, e não para uma nostalgia europeia ligada a um passado de pureza mítica. «Ele compreende por que estão as pessoas frustradas com a globalização».2
Francisco tem tido a capacidade, no quadro de uma de uma situação geoestratégica hoje muito mais policentrada, de fazer pontes para que a paz possa progredir entre muitos actores. Não se lhe pode pedir, porém, que seja outra pessoa e trabalhe com outro Vaticano.
Na minha opinião, o seu papel tem sido construtivo para se atingir a paz em várias situações muito graves.
  • 1. Uma sucinta biografia do arcebispo Vigano e das suas controvérsias pode ser encontrado em «Who is Archbishop Carlo Maria Vigano?», National Catholic Reporter, 28 de Agosto de 2018.
  • 2. Ao contrário, a direita populista, pela voz de «Steve Bannon – ele próprio católico – gosta de chamar a Francisco “comunista”, pela sua política econômica». Em «Pope Francis in the wilderness», New York Times, 29 de Abril de 2018.
Publicado originalmente no dia de hoje em www.abrilabril.pt

Bom fim de semana

"Saber que não se sabe é bom. Pensar que se sabe aquilo que não se sabe é doença."
Lao Tse (filósofo lendário da China Antiga, séc. VI - IV aC)
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Alterações na política de planeamento familiar na China


Segundo o China Daily da passada 2ª feira, três departamentos responsáveis pela implementação de políticas de planeamento familiar foram substituídos na nova estrutura da Comissão Nacional de Saúde (CNS).

Os departamentos foram substituídos por um novo enfoque na monitorização populacional e no desenvolvimento da família, e serão responsáveis por apresentar conselhos sobre políticas de nascimento.

E três novos departamentos foram criados para cuidar da família, dos idosos e da saúde ocupacional.

A CNS especificou ainda 14 responsabilidades particulares da comissão após a reestruturação organizativa, incluindo a formulação de políticas nacionais de saúde, a coordenação e o aprofundamento dos cuidados médicos e as reformas do sistema de saúde, prevenção e controle de doenças e formulação de políticas farmacêuticas.

 Enfatizou a importância de construir um sistema abrangente de prevenção de doenças e de enfrentar os desafios decorrentes do envelhecimento da população.

Em Março, o "planeamento familiar" foi retirado do nome da comissão como parte de uma ampla reforma do governo para reformar os departamentos oficiais e reduzir a burocracia.

"A reestruturação não significa que o planeamento familiar deixe de existir" segundo Yuan Xin, especialista em estudos da população da Universidade Nankai, da cidade de Tianjin.

"Mas na nova era, as principais tarefas deixam de ser o controlo de nascimentos, proporcionando a prestação de serviços reprodutivos abrangentes no desenvolvimento das famílias."

Em 2017, 16,2%por cento da população tinha 60 ou mais anos

Cerca de um terço da população do país terá mais de 60 anos em 2050, segundo o Comitê Nacional de Trabalho sobre Envelhecimento da China.

Em comparação, o número de pessoas em idade activa deverá cair para 700 milhões - um declínio de quase um quarto.

Alarmado pelo envelhecimento da população e pela redução da força de trabalho, o governo abrandou a política de planeamento familiar, que foi introduzida em 1979, e implementou uma política para dois filhos em 2016."

Yuan referiu ainda que "O estabelecimento do novo departamento para corresponder ao envelhecimento da população mostra a atenção do governo para os idosos. Mas as questões relacionadas com o envelhecimento da população não podem apenas ser resolvidas aumentando a taxa de natalidade. Em vez disso, temos que aumentar a nossa competitividade no mercado global e manter um crescimento económico estável é a solução.

Além da CNS, vários outros departamentos ministeriais emitiram recentemente planos de reestruturação, como o Ministério da Cultura e Turismo e o Ministério de Ecologia e Meio Ambiente.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

"Quem, no vosso lugar, lutou contra o terrorismo não vai ceder às vossas ameaças..."



Fica aqui registada a intervenção do delegado permanente da Síria nas Nações Unidas, Bashar al-Jaafari, na sequência do relatório mensal sobre as armas químicas da OIAQ na Síria, no passado dia 6, e de discussões entre os membros do Conselho de Segurança presidido pela representante dos EUA.

 
Bashar al-Jaafar no Conselho de Segurança da ONU no passado dia 6

 
 
 
 
 
Obrigado, Senhora Presidente.

Ai intenções de alguns sobre armas químicas na Síria são enganosas e irresponsáveis porque não existem armas químicas na Síria, desde que, aqui mesmo neste Conselho de Segurança, o declarou Sigrid Kaag, em 2014.

Na sua intervenção de hoje de hoje, a Sra. Nakamitsu - Alta Representante para Assuntos de Desarmamento da ONU - saudou a destruição de todas as 27 instalações de produção de armas químicas sírias e a assinatura dum documento tripartido autorizando o Bureau de Projetos Especiais a continuar seu trabalho na Síria.

Parece que suas palavras não foram ouvidas por alguns colegas que, nesta câmara, persistem em se incomodar em esperar por Godot, perdidos por décadas no teatro do absurdo de Samuel Beckett.

A linguagem de guerra não é digna deste Conselho, Senhora Presidente. É inútil especialmente quando é praticado pela sua presidência. Nós somos diplomatas. A nossa missão é impedir guerras, proibir ameaças e procurar soluções diplomáticas para as crises internacionais. Essa é a nossa concepção de diplomatas e embaixadores. O Conselho de Segurança não é uma arena de guerra. Ele cometeu erros em várias ocasiões, particularmente no que diz respeito ao Iraque e à Líbia. É hora de aprendermos com os nossos erros.

 

Senhora Presidente

Desde que a minha delegação e algumas outras delegações tomaram conhecimento do programa de trabalho previsto para este mês, as análises e convicções partilhadas são que alguns membros permanentes do Conselho de não reconhecem a sua missão de proteger o paz e segurança internacionais e estão agora prontos para ir ao limite da exploração do Conselho de Segurança, das instituições da ONU e de instituições internacionais, para obter benefícios políticos para si mesmos à custa de suas missões.

Sucintamente, continuamos a considerar que os governos de alguns estados, membros permanentes do Conselho de Segurança, abandonaram suas responsabilidades e se tornaram política, moral e legalmente incapazes de defender a paz e a segurança internacionais.

E para ser mais preciso no que digo, aqueles que protegem e cobrem o arsenal nuclear, biológico e químico de Israel, que inventam falsos pretextos para manter o seu próprio arsenal químico, que destruiu o Iraque usando a mentira das Armas de Destruição Massiva, que se retiraram do acordo internacional com o Irão, que suspenderam os financiamentos para a UNRWA, que se retiraram da UNESCO, que continuam a pressionar a ONU pela via do seu financiamento, que ameaçam retirar-se da Organização Mundial do Comércio... Digo que quem comete tudo isso não tem o direito de fazer acusações falsas e fabricadas sobre o uso de armas químicas para com o meu país, a Síria, especialmente porque a sua própria história é rica em provas reais e não comprovadas do uso de armas nucleares, químicas e biológicas contra civis em muitas partes do mundo.
Fuga de cidade libertada das mãos dos terroristas que fazem reféns, enquanto podem, a população residente

 
Quanto a mentiras e falsificações, sempre me lembro do relato desavergonhado e ridículo, preparado pelo correspondente da CNN Arwa Damon, durante sua reunião na Turquia sobre supostas vítimas que fugiam do chamado ataque químico da Duma, em Abril de 2018. O pretenso ataque químico serviu de pretexto para os governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França realizarem um ataque tripartido contra a Síria no sábado, 14 de Abril de 2018, após o qual solicitamos a reunião de este Conselho.

Este relatório filmado mostra a correspondente da CNN, uma jornalista, a meter o nariz numa mochila escolar, em pleno território turco, a centenas de quilómetros da Duma e uma semana depois do suposto incidente. Ela cheira e o seu olfato é activado para a fazer dizer nos écrans da CNN, apesar de uma semana de diferença e centenas de quilómetros do local do suposto ataque químico, sem sinais visíveis de qualquer desconforto, que ela sentiu o estranho cheiro de produtos químicos. Ela disse "fedorento", em inglês.

Um relatório divulgado como parte da justificação da agressão militar na Síria. Veja-se o nível de regressão política e mediática!...

 

Senhoras e Senhores

Como todos sabem, a Síria e seus aliados lutaram muito e conseguiram um sucesso real na guerra contra organizações terroristas, incluindo o Daesh, a al-Qaeda e outras organizações terroristas suas associadas. E todos vocês estão convencidos, conduziu batalhas ferozes e alcançou sucesso real na guerra contra organizações terroristas, em primeiro lugar Daesh, e Al Qaeda (a Frente Al-Nusra) e outras organizações terroristas associadas. E vocês estão todos convictos, aberta ou implicitamente, que nunca tivemos e ainda não temos nenhuma necessidade de usar armas proibidas internacionalmente para eliminar o terrorismo. Além disso, vocês não tendes nenhuma dúvida em absoluto de que os que iniciaram esta guerra contra o terrorismo internacional, em vez dos vossos povos e dos vossos governos, se possa submeter hoje à chantagem política escandalosa ou ameaças de agressão militar directa pelos governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, cujos governos se comprometeram rodos os actos proibidos na Síria, começando pelo apoio ao terrorismo, dando instruções para a organização da Frente Al-Nusra (Al Qaeda) e outras organizações suas filiadas, começando pelos " Capacetes Brancos", convidando-os a usar armas químicas contra civis sírios para acusar o governo sírio e criar um pretexto para uma nova agressão militar.

 

Senhora Presidente

 

Na Síria, estamos lutando al Qaeda no nosso solo, não em Washington, Londres ou Paris. Estamos lutando contra a mesma Al Qaeda que perpetrou os ataques de 11 de setembro em Nova Iorque. Lutamos contra a mesma Al Qaeda que realizou ataques em Paris, Londres e muitas outras capitais europeias. E a nossa recompensa foi que vocês se transformaram em força de apoio da Al Qaeda contra nós, nós que a estamos a combater em vez de vocês e dos vossos povos.

 

Perguntem a vós mesmos, vocês que são garantes da soberania do direito internacional e legitimidade da Carta:

• O que poderia pressionar a Síria a fazer uso de armas internacionalmente proibidas que já não tem e sem qualquer valor militar, a não ser o fornecer às três forças agressoras citadas o pretexto de conduzirem agressões, umas atrás de outras, contra nós?

• Como é que a arma química alegadamente usada atinge apenas mulheres e crianças, sem beliscar os terroristas?

• Como e porquê essas três forças agressoras são as únicos capazes de prever a localização, hora e tipo de armas químicas que serão utilizadas na Síria?

• Porquê tal capacidade de previsão milagrosa é compartilhada pelos três governos assaltantes e terroristas da Frente Al Nusra (Al Qaeda) e dos "Capacetes Brancos"?

• Por que é que o Conselho de Segurança e a OIAQ até agora não conseguiram levar em conta as informações contidas em 156 cartas enviadas pela Síria nos últimos anos?

A este propósito, informações sobre substâncias químicas tóxicas que foram recebidas por organizações terroristas armadas, armazenadas, embaladas e usadas contra civis para acusar o exército sírio. Essas 156 cartas, aqui estão elas. Nós as enviamos para vocês e também para a OIAQ. Mas ninguém as leu. Ninguém as quis ler. E ninguém quer cooperar com o governo sírio para lutar contra o terrorismo e impedir que os grupos terroristas usem armas químicas. Porquê? Porque algumas pessoas não querem resolver o problema na Síria. Porque alguns exploram o terrorismo.

As perguntas são muitas e as respostas são conhecidas. Em relação ao tempo que me foi atribuído e com confiança no vosso julgamento, direi apenas que estes três governos falharam nos últimos oito anos para conseguir o que queriam, apoiando o terrorismo. É por isso que agora, de forma mais límpida, lideram uma agressão militar directa, instalando ilegalmente as suas forças armadas em partes do território de meu país. Eles impedirão o progresso do processo político em Genebra, Astana e Sochi. Eles tentarão impedir a eliminação do que resta do terrorismo em Idlib e noutros lugares. Continuarão a impor um cerco económico sufocante ao povo sírio. Trabalharão para bloquear o financiamento da reconstrução, a recuperação do país e o retorno de pessoas deslocadas e refugiadas aos seus lares para aí viverem com dignidade, segurança e paz.

Senhora Presidente, gostaria de salientar que, na sequência da destruição das duas últimas instalações mencionadas pela senhora deputada Nakamitsu e da verificação feita pela OIAQ sobre a destruição e evacuação dos destroços, a Síria cumpriu todos os seus compromissos em relação aos locais de produção de armas químicas.

Finalmente, o Governo do meu país afirma ter enviado aos membros do Conselho de Segurança, anteontem, uma carta oficial contendo informações precisas e credíveis sobre os preparativos dos grupos terroristas armados presentes em Idlib e nos campos de Latakia e Aleppo, pelo uso em larga escala de produtos químicos tóxicos contra civis com o objetivo de impedir a operação militar antiterrorista nessas áreas.

E para concluir, Senhora Presidente, digo que é absolutamente escandaloso e muito lamentável que alguns delegados de Estados membros, permanentes deste Conselho, incluindo a Presidente, tenham confundido a questão da sessão de hoje com a da sessão de amanhã (a ser continuado...).

 

Obrigado, Senhora Presidente.

Dr. Bashar al-Jaafari, Delegado Permanente da Síria para as Nações Unidas, em 2018/09/06

 

 


 

 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Bom fim de semana, por Jorge

"As festas do Avante!, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas."
Miguel Esteves Cardoso, numa revista Sábado de há uns anos (cit)

Sendo assim, só posso desejar...
um magnífico fim de semana!
(seja ele onde fôr!)
Jorge