terça-feira, 15 de março de 2016

O golpe e o fascismo pairam sobre o Brasil

O presidente estadual de S. Paulo do Partido Comunista do Brasil, também deputado, Orlando Silva, repudiou o vandalismo contra a sede estadual do partido no decurso da manifestação contra Dilma e o seu governo de que faz parte o PCdoB, referindo nomeadamente
“O PCdoB vem de longe e tem história de luta. Nós atravessamos muitos invernos e sabemos que a primavera sempre chega. Não nos intimidarão. Fascistas não nos intimidarão. Golpistas não passarão!”.
Há dias uma reunião de sindicalistas metalúrgicos nas suas instalações foi interrompida por uma invasão policial…
As manifestações de há dois dias, estão directamente ligadas às declarações de um de três procuradores da Justiça deste estado,  que “justificou” a condução coerciva pela polícia do ex-presidente Lula para prestar declarações (!), ao arrepio do Código de Processo Penal, já que Lula nunca fora intimado e, depois, com o pedido da prisão preventiva (!) por parte do Ministério Público de São Paulo, que aguarda deliberação judicial.
A saída de Lula de sua casa, rodeado de polícia, foi um acto preparado mediaticamente, em articulação nomeadamente com a Globo, da família Marinho, para poder ser uma humilhação. As declarações do referido procurador não tiveram nada de jurídico, sendo apenas um despropositado ataque político ao ex-presidente. Para um comentário sobre a cobertura mediática, ver

Segundo Honofre Gonçalves, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)  referiu no dia das manifestações “A direita tem usado um grande aparato para bloquear o poder democrático que o povo construiu ao longo dos anos, que garantiu benefícios a classe trabalhadora, tirou milhares de brasileiros da miséria e que incomoda a elite brasileira. A direita fala em moralidade, mas nós sabemos que o que está por trás do pano são planos estratégicos norte-americanos para controlar o país e derrubar uma presidenta democraticamente eleita”.
A onda de ódio que se alastra contra tudo que soa a progressista está a recolheras apoios numa certa burguesia urbana que passou a ter que dividir o assento do avião ou o banco da universidade com os pobres, com o acesso destes à saúde e educação e outros apoios sociais. Mas a questão é mais complexa.
Parte do poder judicial também defronta a pressão popular para uma justiça não classista e entende isso como a invasão do seu estatuto, não de autonomia e isenção, mas de superioridade.
O aparato repressivo do Estado, especificamente as polícias militar, civil e federal (além do mercado da segurança privada), sempre foi formada para se opor às reivindicações elementares dos direitos dos cidadãos.
O Parlamento foi também alvo de uma tentativa de golpe político- constitucional que milhões de brasileiros na rua e o Supremo Tribunal rejeitaram.
Nestas últimas manifestações contra Dilma, os dirigentes da oposição já não conseguiram aproveitar-se delas, sendo inclusivamente vaiados. Mas estiveram presentes muitas saudações fascistas e o apelo explícito ao golpe militar. Também o grande patronato patronato reforçou a sua presença na tentativa golpista, com a Fiesp (Federação das Indústrias do estado de S. Paulo) que já tinha apoiado o golpe militar de 1964. Fiesp que, curiosamente é presidida por um “empresário” sem empresa.
Este movimento golpista no Brasil pode estar a querer “justificar” o estado de excepção, um golpe maior, apoiado em interpretações extravagantes, ao arrepio das normas jurídicas constitucionais. É um golpe querer tirar a presidenta eleita democraticamente, que tem um mandato de quatro anos, mas esse golpe maior, está a caminhar ao arrepio do estado democrático de direito.

Uma outra causa que  está por detrás deste movimento golpista foi a integração do Brasil nos BRICS, o apoio à criação de um Banco Mundial de Desenvolvimento,  que ameaçou seriamente os interesses da Nova (Velha, de facto) Ordem Mundial.  Esta ordem, ano após ano, está a  traduzir-se na clivagem entre países ricos e pobres através da globalização e processos de integração económicos e políticos e a destruir o sistema produtivo de muitos países, a que se quer reservar o papel de mercados a serem inundados pela produção estrangeira, com medidas políticas coercivas que impedem a expressão da soberania dos povos e os mantêm presos ao garrote de dívidas impagáveis e juros colossais.


O cientista político e historiador Moniz Bandeira denunciou a acção do Departamento de Estado dos EUA na escalada desestabilizadora e no clima de ódio galopante no país, enquanto mais de 120 biliões de reais vão para os juros da dívida pública. Leia-se capital rentista. Para ele a  nação está a ser levada, meticulosamente, de forma planeada, para a confrontação geral, à deposição da presidente da República, para a instauração de um regime e um modelo econômico que desarticule a cadeia produtiva nacional, promova o saque das riquezas naturais, e a completa dependência à Nova Ordem, ao capital rentista.

Não pode deixar de se sublinhar que muita da comunicação social portuguesa, com destaque para os grandes canais de televisão e de rádio , estão empenhados neste confronto com o governo do país irmão e em que este golpe se desenvolva...