sexta-feira, 25 de março de 2016

Desespero e derrotas dos golpistas do Brasil nos últimos dias

Início da agressão a D. Odilo

O juiz do STF , Gilmar Mendes, um dos principais ativistas do golpe em marcha no Brasil, e que organiza em Lisboa o IV Seminário Luso-Brasileiro de Direito Constitucional, a partir do próximo dia 31, para apresentar a Portugal e à Europa, a componente do poder judicial brasileiro que participa nesse golpe. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, previsto falar na sessão de encerramento, manifestou "indisponibilidade de agenda” para estar presente. O mesmo aconteceu com o Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Miguel Prata Roque. O Seminário era organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, de que Gilmar é proprietário e várias organizações patronais daquele país.

Por outro lado, o juiz do mesmo Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, criticou, na passada quinta feira, 24, as ameaças e pressões sofridas após decisão de outro juiz  do STF, Teori Zavascki, de enviar para o mais alto tribunal do país o processo de investigações contra o ex-presidente Lula, no âmbito da Lava Jato, que tem estado com o juiz Sérgio Moro, um dos principais operacionais da perseguição a Lula e do golpe contra a presidência. Incitadas pela ignorância e violência, cerca de 300 pessoas, inconformadas com a decisão do Supremo, reuniram-se no início da noite desta quarta-feira,23,  para protestar em frente ao prédio do STF. "Será difícil conter o ânimo da população contra Teori. A revolta começou agora e vai piorar",  tinha escrito, por exemplo, o editor-chefe da revista Época, da editora Globo.

O cardeal de São Paulo, D. Odilo Pedro Scherer, foi atacado, também na quarta-feira, na Catedral da Sé por uma mulher que o acusou e à conferência episcopal do Brasil (CNBB) de serem comunistas infiltrados na Igreja Católica. Aos gritos, ela dizia: “Você a CNBB são comunistas infiltrados, não podem fazer isso com a minha Igreja”. Avançou sobre o cardeal e arrancou-lhe a mitra,  provocando a  queda do arcebispo e ferindo-o no rosto. D. Odilo levantou-se com ajuda das pessoas em volta e seguiu caminhando e abençoando as pessoas na catedral que estava completamente cheia. Tudo isto  aconteceu durante a missa dos Santos Óleos, que abre as celebrações do Tríduo Pascal.

Estes são desenvolvimentos esclarecedores e negativos para os que têm trabalhado para a condenação, sem julgamento, não dos criminosos do golpe de 1964, ainda impunes, nem da grande corrupção que tem sido a forma de vida dos dirigentes dos partidos da direita e do centro e de grandes empresários mas daqueles que ajudaram a mudar a realidade política e social do Brasil e fizeram perigar a dependência do Brasil em relação aos EUA.

Com a agravante de que quem conduz tal “condenação” são esses outros que da corrupção beneficiaram durante décadas e não aceitam que os que menos recursos tiveram até há pouco hoje tenham subido na escala social em termos de condições de vida e feito eleger os seus representantes que têm assumido o poder durante mais de uma dúzia de anos. E o terem feito com evidente sucesso interno e externo até o Brasil sofrer os embates da crise internacional do capitalismo e da queda política dos preços do petróleo.

Já tinha assistido num outro país da América Latina, de grandes tradições revolucionárias, a como os grandes meios de comunicação social são usados de forma maciça contra governos eleitos democraticamente, mentindo sobre eles, invocando comportamentos que devessem ser objeto do foro judicial, não recuando perante a formação de milícias armadas que cometiam assassinatos políticos. No caso do Brasil isso foi e vidente a partir da Globo, do Record, dos Bandeirantes, da Folha de S. Paulo e outros meios de grande audiência.
Mal Dilma foi eleita da segunda vez, contra um dos personagens sobre os quais, mais suspeitas de corrupção pendem, Aécio Neves, começou de imediato um processo de “impeachement” com cenas graves no Parlamento, dirigido por outro desses personagens, Eduardo Cunha. Com um recuo imposto pelo Supremo Tribunal Federal, foi agora relançado em força, com inclusivamente, o não escondido objetivo de atingir os Jogos Olímpicos, depois do insucesso de em fase anterior atingir a Copa.

A corrupção atingiu responsáveis do PT. Alguns deles “compraram a redução da pena” através de múltiplas denúncias, incluindo de Lula da Silva mas sem provas ou suspeitas comprovadas pelo poder judicial. Sobre Dilma, também ela não foi objeto de qualquer acusação. Em desespero de causa o responsável da Operação Lava Jato divulgou escutas feitas a Dilma e Lula, das quais não se vislumbra prova de nada e em que se pretendeu impedir a tomada de posse de Lula como membro do governo. Há dois dias o juiz de STF Teori Zavaski decidiu retirar a Operação Lava Jato das mãos de Sérgio Moro e afetá-la ao próprio STF, o que provocou ontem arruaças de bandos fascistas contra esta decisão em frente ao STF.
Neste processo uma parte do poder judicial do Brasil tem sido um dos elementos ativos da conspiração. Vários procuradores de S. Paulo, o juiz Sérgio Moro que tem encabeçado a Operação Lava Jato, para afastar a operação das culpas dos mais poderosos e procurar incriminar Lula ou Dilma sem matéria de facto, alguns dos juízes do Supremo Tribunal Federal, como Gilmar Mendes, que têm articulado a sua ação com dirigentes do PSDB e do PMDB são alguns dos exemplos disso. Apesar da pressão dos poderosos a que estão sujeitos, alguns dos juízes do STF, têm resistido e tomado decisões que impeçam a politização do poder judicial.

Se se desse o caso da Presidenta Dilma cair face aos esforços dos golpistas, como um cronista disse, isso significaria “a derrota da esperança e da dignidade perante lacaios de sempre que tornaram o Brasil numa das sociedades mais injustas do mundo”.