sábado, 7 de novembro de 2015

A Revolução Russa de 1917 (1)

Passam hoje 98 anos sobre a conquista do poder na Rússia pelos bolcheviques.

O afastamento do czar em Março de 1917 , pelas forças políticas de oposição (liberais, burgueses e socialistas) foi consequência imediata do início da Revolução Russa em Fevereiro. Entretanto, o Soviete de Petrogrado reivindicava para si a legitimidade para governar. Já em 1 de Março, o Soviete pedira ao exército que estivesse com ele, em vez de obedecer ao Governo Provisório. O Soviete queria dar terra aos camponeses, um exército com disciplina voluntária e oficiais eleitos democraticamente, assim como o fim da guerra, objectivos que correspondiam às aspirações mais sentidas da população ao contrário do que era o programa do governo provisório.
Soviete de Petrogrado

O confronto de posições entre o Governo Provisório, cujo Ministro da Guerra era Kerenski, e
o Soviete de Petrogrado,  situados paredes meias no Palácio Tauride, acentuou-se face à recusa do governo em dar resposta aos anseios da população. A 25 de Agosto o general Kornilov, em torno do qual se agrupavam os conservadores, lançou sobre a capital o 3ºCorpo de Cavalaria. Com uma energia inesperada, e respondendo ao apelo dos bolcheviques o golpe é derrotado.
Na sequência destes acontecimentos altera-se a correlação de forças com a maioria dos sovietes das grandes cidades (Petrogrado, Moscovo) passa a apoiar o programa dos bolcheviques, o mesmo acontecendo em vários pontos da frente e até no mundo rural. A maioria dos deputados ao II Congresso Pan-russo dos Sovietes (convocados para 24 de Outubro) apoia os bolcheviques.
Lenin regressa à Rússia em Abril.
O processo de desintegração do Estado russo continuava. A comida era escassa, a inflação chegava aos 1.000 %, as tropas desertavam da frente fuzilando os seus oficiais, a nobreza latifundiária via propriedades suas saqueadas e algumas queimadas. Nas cidades foram criados conselhos operários na maioria das empresas e fábricas. Mas a Rússia ainda continuava na guerra.
O Comité Executivo Central dos Sovietes, eleito no Congresso de todos os Sovietes de Junho, organiza em Petrogrado, uma enorme manifestação, como demonstração de força. Avisado que seria acusado pelo Governo de ser um agente ao serviço da Alemanha, Lenine fugiu para a Finlândia. Em Petrogrado, os bolcheviques enfrentavam uma imprensa hostil que os acusava de traição ao exército e de organização de um golpe de Estado.
Manifestação em Petrogrado
Da Finlândia, Lenine começou a preparar a rebelião armada. Havia chegado o momento em que o Soviete enfrentaria o poder. A rebelião deveria coincidir com o II Congresso dos Sovietes, convocado para 7 de novembro, ocasião em que seria declarado que o poder estava sob o domínio dos Sovietes.

Na Noite de dia 6 a Guarda Vermelha ocupa os principais pontos da cidade, o Palácio   de Inverno é atacado e os ministros presos, apesar de Kerenski ter escapado. 
É declarada a transferência do poder para os Sovietes.

Assalto ao Palácio de Inverno
O poder supremo, na nova estrutura governamental, ficou reservado ao Congresso dos Sovietes de toda a Rússia. O cumprimento das decisões aprovadas no Congresso ficou a cargo do Soviete dos Comissários do Povo, primeiro Governo Operário e Camponês, de que Lenine foi eleito presidente (continua).