quinta-feira, 23 de julho de 2015

Mostrengos

Nos últimos dias, esta espécie multiplicou-se em declarações, procurando conter a derrota que se avizinha.
 
Luísa Albuquerque diz que está com os cofres cheios, o que não admira face à razia em salários, pensões, impostos, reduções de apoios à Educação e Saúde e Segurança Social, envelopes de miséria nas transferências de competências para as autarquias, execuções fiscais aos que menos têm, etc.
Falta de vergonha de quem nos andou a esmifrar para...(a ver vamos)...
Luís Montenegro e o jornalista António Costa, ambos do PSD, a sublinhar que Cavaco Silva tinha feito um apelo ao voto útil da esquerda no PS. Cada um tem que jogar papéis a favor da política de direita. Eles jogaram este. Papel menor, bafiento e rasteirinho.
Podiam ter discorrido sobre os recursos públicos desviados para privados na banca e noutros sectores como a Saúde, mas não só. Podiam ter discutido as reduções dos subsídios de desemprego e de outras prestações sociais. Podiam ter falado sobre o "efeito positivo" das privatizações, da exportação de dividendos. Tudo para justificar a "sensação" de maior desafogo económico que as famílias e as empresas estarão a experimentar (certamente apurado por uma sondagem feita lá em casa, que excluísse os "criados" dos respectivos lares).
Cavaco Silva, que jurou fazer aplicar e defender a Constituição, fez uma arenga ao apelo a soluções de governo que esta não consagra já que define como os votos se transformam em deputados e que é na Assembleia da República que se estabelecem as maiorias ou minorias que sustentam o governo. Cavaco chantageou, sem base na verdade constitucional, os portugueses a votarem como ele quer, chegando a definir linhas de política futura.
Só quem anda de braço dedo com este mostrenguinho, sem aceitação popular, é que poderia condicionar a campanha eleitoral à discussão das maiorias, arcos, alternâncias que há muito borregaram para que nela não se sinta, com força, a voz dos portugueses. Que, na sua grande maioria, têm sido vítimas desta cegueira pertinaz de quem não sabe ser governo com apoio popular, recolhe os votos para os meter nas gavetas, de quatro em quatro anos, faz o contrário do que prometeu e se queixa dos protestos que percorrem os mandatos.
Passos Coelho, que não se livra da Tecnoforma nem de mentirolas sobre o seu desempenho, de baixo nível, a propósito da Grécia, nem da denúncia do Tribunal de Contas que martelou as contas do ano passado, continua convicto que os portugueses ^"não vão querer deitar fora o que conquistaram nestes anos" (Mas o quê, criatura? Continua a delirar...). Agora desafiou a oposição. "Digam lá onde vão buscar recursos para a Educação, Saúde e Segurança Social". João Ferreira respondeu-lhe bem hoje, no Conselho Superior da Antena Um. A pergunta não esconde a raiva deste pm contra as funções sociais do Estado e o Estado Social. E João Ferreira referiu que com a decidida tributação financeira de dividendos, das especulações bolsistas, do património mobiliário e das grandes fortunas  e o fim dos desastrosos "negócios" do Estado como as PPs e SWAPS, a renegociação da dívida e o correspondente acesso ao serviço da dívida que se pouparia, o país pouparia cerca de 15 mil milhões de euros por ano!!!

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