sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ainda a propósito da questão grega

Dia 15 durante a discussão e votação do novo resgate da Grécia
A questão grega no que respeita às expectativas que se podem tirar desta União, desta construção e instrumentalização do euro, destes dirigentes, desta interligação e interdependência entre instituições comunitárias e grandes multinacionais, deu-nos nestes dias muitas lições práticas para, com o povo grego continuarmos o combate por uma Europa dos Povos.
Neste quadro actual, que sofreu um grande embate nestes dias pela luta dos gregos, a resistência do governo grego até à opção de Tsipras por este acordo de Bruxelas, e a solidariedade prestada em muitos países, não é aceitável para a esquerda continuar a apoiar a manutenção no euro da Grécia (os gregos que decidam) e dos outros países. É certo que os dirigentes da Alemanha, da Áustria e da Finlândia querem pôr a Grécia fora do euro e que até o FMI vem falar perdão da dívida. Mas não são os interesses do povo grego que animam estas atitudes (podemos falar destes significados noutro momento).
Havendo na Grécia desilusões com comportamentos individuais de certos dirigentes, que estão a reflectir-se em divisões semelhantes noutros países, entendo que não deveria ser por aí que as atitudes de esquerda devam ir, antes deveriam continuar a valorizar o movimento destes cinco meses, pelo que de muito importante ele deu para fazer tremer a deriva antidemocrática da UE, para gerar entusiasmos, para abrir novas possibilidades.
As lutas dos trabalhadores em todos os países contra a austeridade, a firmeza das camadas médias na sua combatividade, são, como em muitas outras situações, absolutamente necessárias para a consistência das lutas.
Noutros países a questão da saída do euro só não está na agenda dos respectivos governos porque estes estão disponíveis para apoiar uma Europa que fosse uma espécie de IV Reich. Têm que ser agitados, sabendo nós que não importa dizê-lo apenas, mais importa fazê-lo.

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