segunda-feira, 6 de julho de 2015

Com o oxi popular à austeridade, a Grécia vai ter que ser uma vez mais firme face ao directório de Bruxelas

Foi com grande satisfação que grande parte dos portugueses assistiram ao NÃO dos gregos à austeridade. Os gregos não estão sós, os portugueses também não. A Europa abalou, a UE e o euro perderam terreno. O sinal global é muito positivo.
Desta vez as brutais ingerência e chantagem da troika não tiveram o resultado das cambalhotas eleitorais a que obrigaram irlandeses, holandeses e dinamarqueses foram obrigados "democraticamente" pelos protagonistas não eleitos de Bruxelas.
 
Mas, poucas horas depois já os mandantes da UE mostram os dentes, parecendo falar ainda mais grosso, com à procura da revanche sobre os gregos, resultante da sua desautorização.
Roubada ao José Goulão no Mundo Cão de hoje
 O encontro de soluções que não aprofundem a austeridade por parte do governo grego no quadro desta UE e do euro, no antidemocrático desenho que sucessivos tratados lhe conferiram nos últimos anos, é uma equação de difícil solução. Mas é o mandato popular que tem, terminado que foi no passado dia 30 o 2º resgate da  autoria do anterior "arco da governação".
Varoufakis ter sido sacrificado para "facilitar" novas negociações, não foi acompanhado da queda do brutal e autoritário ministro alemão das Finanças ou do irritante e pérfido presidente do Eurogrupo nem do boçal presidente do Parlamento europeu, "socialista", nem da presidente do FMI, de perfl galinácio.
 
Dizem que é a Grécia que deve tomar a iniciativa de nova proposta e tudo se perfila nesse sentido. O que digo a seguir não é meter a foice em seara alheia. É a minha opinião com base naquilo que julgo conhecer.
 
O Siryza e o governo grego terão que contrariar a tendência dos anteriores resgates em que o PASOK e a Nova Democracia ofenderam gravemente os salários e pensões, o emprego e a produção fazendo cair o PIB em 25% e deixando subir a dívida para valores não susceptíveis de ser pagos.
 
Importa  reestruturar a dívida, com cortes elevados nos seus valores e com maturidades e taxas, que permitam deixar disponíveis recursos para investimentos produtivos e não para pagar dívida.
 
O recurso ao Banco de Investimento em Infraestruras chinês, de que a Grécia é sócia, assim como os restantes países da União Europeia, concentrando os empréstimos do BCE no funcionamento do sistema bancário, enquanto não encontrar alternativas, como mo Banco Central Russo, sob boicote da UE e enquanto a Grécia aceite os prejuízos resultantes da quebra comercial com esse parceiro natural.
 
A procura interna terá que ser estimulada, com a recuperação do poder de compra dos salários, pensões e outras prestações sociais, com vista a acompanhar esses investimentos produtivos.
 
A redução das despesas de funcionamento do Estado não devem gerar desemprego e privatizações mas afectar o que é social e economicamente mais supérfluo nestas circunstâncias
 
As receitas deverão ser procuradas entre os que mais têm e empresas que mais lucros apresentam, no esforço de exportação (equacionando a ruptura com os boicotes à Rússia, para além das receitas que advirão da construção do novo gasoduto russo, vindo das Grécia). Indo buscar aos grandes grupos económicos para canalizar para a agricultura, pescas e indústria mais vocacionada para exportação.
 
Se a UE continuar com a agressividade actual, Atenas terá que abandonar o euro, passando a imprimir um novo dracma, e expondo a situação difícil daí decorrente ao povo grego (custo da desvalorização face ao euro e inflação) durante talvez uns dois anos até poder respirar melhor numa soberania recuperada.
Este caminho suscitará alterações mais de fundo na UE, num futuro que não será brilhante a curto prazo mas que evitará o afundamento da Europa e do seu papel junto de outros polos de desenvolvimento.
 
Desculpem a ousadia.

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