segunda-feira, 27 de junho de 2016

Que viva Mexico!


Ontem a cidade do México foi percorrida por uma impressionante manifestação, a “Marcha do Silêncio” contra o governo de Peña Nieto. Na fila da frente seguiam representantes das organizações de trabalhadores e o candidato presidencial derrotado, Lopez Óbrador.

No decorrer   do desfile, convocado “em defesa dos professores ultrajados, feridos, perseguidos ou que perderam a vida”, Andrés Manuel López Obrador, presidente nacional do Morena (Movimento de Regeneração Nacional), propôs  que na última terceira parte do seu mandato, o presidente Peña Nieto dirija um governo de facto de transição, com uma nova atitude que inclua o diálogo e a reconciliação, que permita entregar o poder em 2018 num ambiente de tranquilidade e paz social. A intervenção foi escutada ao longo do Paseo de la Reforma em altifalantes montados em gruas.
Esta manifestação vem na sequência de protestos, alguns dos quais com carácter insurrecional depois do Estado de Oaxaca, no sul do México, ter tornado a viver no dia 19 o pesadelo que o afligiu durante mais de metade do ano de 2006.  Desta vez cenas de guerra entre professores insatisfeitos e as forças de segurança. Após uma semana de bloqueios de estradas por parte dos professores, a polícia dispersou-os com gás lacrimogénio, enquanto os manifestantes reagiram com pedras. Destes acontecimentos resultaram 6 mortes e mais de cem feridos, incluindo 55 policias e pelo menos 50 professores e transeuntes. Houve 25 detenções, que se continuaram a registar nos dias seguintes.

Ainda ontem se organizaram manifestaçõs de apoio aos principais dirigentes  da CNTE, presos em Sonora num Centro de Readaptação Social Federal,  e foi recolhido apoio material para as suas famílias.

A reacção popular foi imediata e os desejos de revolução voltaram a ser expressos nas ruas.
 
A manifestação dos professores contra a dupla avaliação obrigatória, não está isolada no panorama social do país decorrente da política neoliberal do governo, particularmente após a assinatura nos finais de 2013 do Tratado de Livre Comércio entre os Estados Unidos, o Canadá e o México, que mudou radicalmente a situação da economia, do estado e das classes sociais neste país que  é a fronteira latino-americana com o Império. Durante anos o México figurou como um "exemplo" a seguir por todos os países do continente, por supostamente beneficiar das “consequências positivas do comércio livre”. Após a assinatura do Tratado de Livre Comércio entre esses Estados, as desigualdades acentuaram-se, o retrocesso nos direitos e garantias dos trabalhadores e a perda de direitos das populações índias tornaram-se prioridades governamentais.  

Na quarta-feira, segundo a Telesur, membros da organização médica “Yo Soy Medico 17”, de 32 estados, uniram-se ao protesto. Foram 200 mil os que manifestaram a sua oposição também às reformas na Saúde de Peña Nieto, presidente de direita eleito nas últimas presidenciais à tangente contra o candidato apoiado pela esquerda, Lopez Óbrador. Os médicos denunciaram estas reformas como um disfarce para privatizar a saúde no México”. Continuando a citar estes médicos, a Telesur, deu conta de que a violência tem crescido no México e que os seus habitantes têm sofrido as consequências de crimes como sequestros, desaparecimentos forçados e assassinatos que não são punidos.

A Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) – que representa os educadores dos estados do sul predominantemente rurais e indígenas – tem realizado nestes dias manifestações carregadas de um grande dramatismo e bloqueios de estradas contra novas avaliações obrigatórias dos professores, as quais dizem ignorar os desafios das suas regiões enquanto podem conduzir a demissões em massa.
Manifestações idênticas realizaram-se em nove estados com a participação de camponeses, operários e estudantes do magistério.
A comunicação social portuguesa calou-se bem caladinha.