sexta-feira, 17 de junho de 2016

O exercício militar na Polónia da NATO, Anakonda 16, terminou mas a provocação continua


Começou dia 6 e terminou hoje, dia 17, na Polónia o Anakonda 16, "o maior exercício aliado deste ano".
Nele participaram mais de 25.000 homens de 19 países da NATO (EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, Turquia e outros) e 6 parceiros: Geórgia, Ucrânia e Kosovo (reconhecido como um estado), na verdade sob o comando dos Estados Unidos; a Macedónia, que ainda não está na NATO apenas porque a Grécia se opõe à utilização do nome do nome (o mesmo que o de uma província grega, que a Macedónia poderia reivindicar); A Suécia e a Finlândia, que estão a ficar cada vez mais perto da NATO (e que participaram na reunião de Maio de chefes de governo da Aliança).
Formalmente o nome do exercício foi induzido pela Polónia (a partir do "k" no nome), para atender ao orgulho nacional de Varsóvia.
Numa escola primária polaca o Anaconda 16 instrumentalizou cranças
 
Na realidade o comando do exército dos EUA/ Europa, com uma "área de responsabilidade '' que compreende 51 países (incluindo toda a Rússia), tem a missão oficial de" promover os interesses estratégicos americanos na Europa e Eurásia. " Anualmente realiza mais de 1.000 operações militares em mais de 40 países da região.
O  exército dos EUA/Europa participa no exercício, com as suas 18 unidades, incluindo a 173ª Brigada Aerotransportada em Vicenza, na Itália. O Anakonda 16, que decorreu até hoje, foi claramente dirigido contra a Rússia. Incluiu "missões de combate das forças multinacionais no ar" e também na área do Báltico, perto do território russo. Na véspera do Anakonda 16, Varsóvia anunciou que em 2017 vai expandir as forças armadas polacas de 100 para 150 000 homens, formando uma força para-militar de 35.000 homens chamada "força de defesa territorial." Esta estará distribuída em todas as províncias começando com a oriental, que terá a tarefa de "impedir a Rússia de se apoderar do território polaco, como fez na Ucrânia."
Os membros da nova força, que receberá um salário mensal, serão treinados, a partir de Setembro, por instrutores dos EUA e da NATO de acordo com o modelo adotado na Ucrânia, onde treinam os batalhões da Guarda Nacional que incluem neo-nazis. A associação paramilitar polaca Strzelec, com mais de 10.000 homens vai constituir a espinha dorsal da nova força, e já começou a treinar participando no Anakonda 16. A criação da força paramilitar, que fornece internamente ao presidente Andrzej Duda uma nova ferramenta para suprimir a oposição, é parte do referido crescimento militar da Polónia, com um custo estimado de 34 mil milhões de dólares até 2022, e é encorajada pelos EUA e NATO na função anti-russa.
Já começou o trabalho para instalar na Polónia uma bateria de mísseis terrestres do sistema norte-americano Aegis, semelhante à que já opera na Roménia, que pode lançar dois mísseis mísseis interceptores de um ataque nuclear.

Tudo à espera  da cimeira da NATO em Varsóvia (8 e 9 de Julho), que formalizará a escalada anti-Rússia, o Pentágono está a preparar-se para implantar na Europa uma brigada de combate de 5.000 homens  entre a Polónia e os países bálticos.
O Ministério da Defesa de Portugal, no seu site, não se refere à operação Anaconda 16 nem à participação que nela terão tido as nossas forças armadas, referindo, sim,  que "a reunião dos Ministros da Defesa" que terminou no passado dia 15 "antecede a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da NATO, que irá ter lugar em Varsóvia nos próximos dias 8 e 9 de ´Julho, e que  se constituiu, assim, num momento essencial de preparação das principais decisões que definirão os rumos da Aliança Atlântica para o futuro. A“Cimeira de Varsóvia” será a 27ª desde que a aliança foi criada em 1949; a última, teve lugar no País de Gales, no Reino Unido, em 2014. Nada é referido no site sobre o carácter anti-russo desta cimeira.
Intensificaram-se ao mesmo tempo, os exercícios da NATO/EUA contra a Rússia: em 5 de junho, dois dias antes do Anakonda 16 ter começado, iniciou-se no mar Báltico a Baltops 16, com  6100 militares, 45 navios e 60 aviões de guerra de 17 países (incluindo a Itália), sob o comando dos EUA. Neles também participaram os bombardeiros estratégicos americanos B-52. A cerca de 100 milhas do território russo de Kalininegrado...
Uma nova escalada da estratégia de tensão, que empurra a Europa para um confronto não menos perigoso do que a Guerra Fria. Sob o silêncio política político-mediático das "grandes democracias ocidentais."