domingo, 19 de junho de 2016

Depois da grande manifestação de dia 14 em Paris, govereno francês aceita conversar


A manifestação promovida pela CGT em Paris na passada 3ª feira terá juntado cerca de um milhão de trabalhadores, segundo o secretário-geral da CGT Philippe Martinez. Tratou-se da oitava jornada nacional de luta desde que o governo “socialista” de Hollande-Valls decidiu avançar com nova legislação laboral que seria um rude golpe dos direitos e condições de vida dos trabalhadores.

Os trabalhadores têm sido de uma grande firmeza na afirmação das suas razões e todas as tentativas do governo os dividir, inclusivamente com a ameaça à requisição civil. Depois de dia 14 um grupo de provocadores causou sérias perturbações no funcionamento do Hospital de Vecker, em Paris. Hollande e Valls ameaçaram proibir futuras manifestações “analisando-as caso a caso”.

O governo francês não tem dado ordens à polícia para isolar os grupos provocadores das manifestações, apesar da CGT, insistentemente o ter solicitado. Foi, por isso, de um grande cinismo o comentário de Hollande de que a CGT tinha uma atitude “ambígua” face à vandalização promovida por esses grupos. Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, tem repetidamente condenado essas acções violentas e afirmado que nada têm a ver com a CGT.

Estes grupos, com é sabido internacionalmente, são não só tolerados mas também criados e infiltrados por agentes da polícia, que se fazem passar por manifestantes, com bandeiras e dísticos seus. A sua função é a vandalização e darem oportunidade para jornalistas fazerem fotos, que criam na opinião pública uma pressão contra os manifestantes e os seus objectivos de luta. No caso de França, estas acções podem ser aproveitadas para medidas repressivas, previstas no “estado de emergência” que há muitos meses vigora no país.

A amálgama entre o acto terrorista cometido na segunda-feira em Magnanville  (Yvelines), as acções de grupos de hooligans no Euro 2016, e as acções destes provocadores ao lado de manifestações sindicais, Pode o governo querer aproveitar para ir mais longe no cerceamento das liberdades.

Como o Le Monde de sábado refere, um deputado do Partido Socialista, Christian Paul lembrou “a liberdade de manifestação não é negociável e “não pode ser sacrificada às provocações. Criticando a "teimosia" do governo, e  seu camarada Benoît Hamon aconselhou este a "reabrir as negociações", e afirmando que” o serviço de ordem da CGT não pode fazer o trabalho que a própria polícia não faz”.  

A Ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, foi, nestas circunstâncias, e depois da grande manif de dia 14 e de estarem agendadas para dias 23 e 28 manifestações ainda mais firmes, forçada a abrir a porta ao diálogo, convocando o líder da CGT para uma reunião que teve lugar neste sábado.

Antes da reunião, Philippe Martínez congratulou-se com a proposta, vendo-a como «um progresso» na posição do governo. «Há três meses que pedimos para discutir com o governo. Registamos com satisfação que agora isso é possível», disse o dirigente sindical, sublinhando que há trabalhadores em greve há mais de 20 dias. Já depois da reunião, representantes da CGT referiram que tinham pedido a suspensão da proposta de lei do governo em debate no parlamento e a abertura de negociações para voltar a escrever um diploma e que entregaram à Ministra como contributo para essa discussão uma proposta da CGT sobre o Código do Trabalho para o século XXI. A Ministra afirmou Aos dirigentes sindicais que essas eram propostas sérias e construtivas.

Apesar desta aparente abertura, e porque fica a aguardar resposta às suas propostas, a CGT decidiu manter as jornadas de dias 23 e 28, esta última data em que está previsto ser entregue ao Presidente da República o resultado da votação cidadã que a CGT tem estado a promover em todo o país sobre o sim ou não à proposta de Código de Trabalho do governo