terça-feira, 16 de junho de 2015

Cipriano Dourado


Conheci o artista plástico pela sintonia política com meu pai nos movimentos da oposição e na sua casa na Rua Augusto Gil, onde vivia com a sua companheira e o filho. Não faltavam às passagens de ano que os meus pais organizavam,  na nossa casa, ali também para os lados da Avenida de Roma, com o contributo de todos, com dezenas de amigos da oposição - estou certo que muitos deles militantes do Partido, como o Cipriano.
A sua simplicidade no trato marcou-me.

Cipriano Dourado nasceu em Penhascoso, Mação, em 1921. Começou a trabalhar muito jovem, como desenhador-litógrafo, mas o seu talento e vocação para as artes plásticas levaram-no a sonhar mais alto. Assim, anos mais tarde, frequentou a Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, como aluno do curso nocturno.

Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière ( Paris).
E veio a destacar-se através da gravura e da aguarela.
Cipriano Dourado foi um dos pioneiros da Gravura Portuguesa Contemporânea e teve intensa actividade como gravador e membro fundador da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956).
Auto-retrato

A mulher e a terra são as temáticas mais recorrentes da sua obra, que se enquadra claramente no movimento estético neo-realista.com influências líricas.

Desde 1947 foi participante assíduo das Exposições Gerais de Artes Plásticas.

Em 1953, a partir do Ribatejo, juntamente com Júlio Pomar, Rogério Ribeiro, António Alfredo e Alves Redol, participou na experiência colectiva, que ficou conhecida como Ciclo do Arroz.

Em 1957 esteve presente na Bienal de Gravura de Tóquio.

Leccionou na Escola de Artes Decorativas António Arroio.

Morreu em Lisboa, em 1981.

Cipriano Dourado encontra-se representado no Museu de Arte Contemporânea e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Plantadoras de arroz

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