domingo, 3 de setembro de 2017

BRICS: cinco anos depois…


Depois de no ano passado por esta altura os BRICS terem realizado a sua última cimeira em Goa, na India, está neste momento a terminar hoje a 9ª Cimeira, em Xiamen, na província de Fujian, na China.

Embora o tema da 9ª Cúpula BRICS tenha sido "Uma Parceria mais Forte para um Futuro Mais Brilhante", esteve presente alguma tensão entre os participantes.

As rivalidades entre países da Eurásia, como as disputas de fronteiras, não são novas, é claro, mas, mais uma vez, mostraram que os desentendimentos não impedem a cooperação. Além disso, como potencias emergentes que desejam ter uma peso na abordagem dos assuntos globais, e com capacidade alavancagem em pontos críticos de conflito, como o da Península Coreana, os membros do BRICS certamente irão usar esta plataforma para propor um caminho a seguir para quebrar a espiral atual.

Na frente económica, a China e a Índia continuam a ser motores importantes do crescimento da economia mundial, tendo beneficiado de um sistema de comércio aberto ao longo dos anos. Sem dúvida que esta cimeira BRICS irá refletir a unanimidade no compromisso dos membros com um sistema económico global aberto, que, no quadro das relações comerciais comandadas pelo imperialismo, contribuiu para grandes desigualdades mas que os BRICS, se pesarem de outra forma nesses processos poderão fazer um acerto de agulha, vencendo inclusivamente barreiras defensivas por parte dos que perderam protagonismo, usando inclusivamente esse comando que ainda partilham para sabotar economias e decretarem bloqueios com objectivos políticos contra os países que consideram ser o "eixo do mal".

A China, a Índia, o Brasil e a Rússia ratificaram o acordo de facilitação do comércio da Organização Mundial do Comércio (com a África do Sul a preparar-se para o fazer). Isso é importante porque a "conectividade" promovida pela Iniciativa "Cinturão e Rota", proposta pela China, não respeita apenas à construção de portos, estradas e ferrovias, mas também sobre os mecanismos institucionais suaves que ajudem o comércio em todo o mundo.

A Índia não se juntou a essa iniciativa chinesa, e anunciou uma nova iniciativa com o Japão denominada "Corredor de Crescimento Ásia-África" (AAGC), que também procura melhorar a conectividade entre os dois continentes. A AAGC foi, de facto, lançada na reunião anual do Banco Africano de Desenvolvimento na Índia, 10 dias após o Fórum Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional realizado em Pequim nos dias 14 e 15 de Maio passado. Tal como aconteceu com a iniciativa União Económica Eurasiática de Moscovo, em que o presidente russo Vladimir Putin em 2015 concordou cooperar com a Iniciativa Cinturão e Rota, a AAGC oferece muitas oportunidades de complementaridade.

O fato de que as três iniciativas são lideradas por membros do BRICS pode ajudar a fortalecer os vínculos práticos entre o agrupamento e outros países - uma forma de "BRICS Plus". No entanto, isso exigiria esforços concertados para colmatar as diferenças e remover as suspeitas mútuas sobre maquinações geopolíticas.

A África do Sul foi o primeiro país nos BRICS a iniciar uma ponte para outros países quando presidiu à cimeira de 2013. Com ele e com as presidências seguintes, foi-se facilitando o envolvimento entre os BRICS e outras economias em desenvolvimento.

Cinco anos depois de criados, os BRICS, esta instância não gerou iniciativas próprias mas tem-se constituído como plataforma para discutir a cooperação a nível bilateral ou multilateral com os resultados já referidos

Os estados africanos reconhecem as oportunidades oferecidas pela AAGC e a Iniciativa Cinturão e Rota para o seu desenvolvimento, embora esta ainda precise de definir o que isso pode significar para todo o continente além da costa leste africana. Os países africanos valorizam as suas parcerias com a Índia e a China e percebe-se que irão trabalhar em complementaridades em vez de rivalidades. Há projetos suficientes para se iniciarem ou continuarem.

Além desses planos, o que é crucial para o desenvolvimento de África numa era de incerteza global é que as maiores potências do mundo em desenvolvimento desempenhem um papel ativo e construtivo na redução de pontos críticos de conflito, enquanto gerem as suas próprias rivalidades regionais.

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