quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Sobre as eleições presidenciais norte-americanas


Todas as situações da envergadura das eleições norte-americanas são complexas. O percurso do conhecimento do que ficou para trás e das suas consequências ainda vai no adro e terá que de coexistir em nós com uma evolução rápida da situação (em baixo a Time Square ontem).
 Mesmo que Trump tenha referido que poderia evoluir para situações de cooperação com a Rússia ou a China, as suas referências anteriores agressivas em relação a situações internacionais, que são pedras de toque de uma efectiva expansão da cooperação internacional, do fim de conflitos e das perspectivas de paz mais duradoura, comportam perigos adicionais enormes. Ninguém esquecerá que há semanas atrás a tensão entre EUA e Rússia nos aproximou de uma nova guerra mundial.
  O conteúdo reaccionário das suas intervenções orais expressou sentimentos enraízados e não meras cedências populistas.
 
  Mas também teve a inteligência de chegar a temas caros aos americanos (mas não só):  o reerguer da economia americana, o regredir na desindustrialização, o criar de milhões de novos empregos, o querer uma relação pacífica e não conflituante com todos os países que tenham atitude recíproca,  o não continuar a apoiar países e instâncias internacionais que estão a contribuir para a quebra de recursos internos dos Estados Unidos (com citações sobre a Arábia Saudita e a Comissão Europeia), o mudar o relacionamento com a Rússia, o pôr em causa o TTIP.
 
  A responsabilidade de os EUA chegarem a esta situação - mesmo, sendo certo, que o sistema eleitoral permitiu mais uma vez que os votos à escala nacional tenham dado um resultado superior a Hillary e uma grande maioria dos membros do colégio eleitoral a Trump - cabe às anteriores administrações Clinton e Bush.
 
  Ambos os partidos aplicaram as teorias neoliberais ao seu comportamento económico e financeiro, dividindo profundamente o país entre os que mais têm, e mesmo os que têm oportunidades, e os deserdados cuja voz calada se fez sentir nas urnas. Ambas as administrações lançaram os EUA e a NATO num novo ciclo de guerras, agressões e ameaças, que, entre outras coisas, provocou um anormal fluxo de imigrantes não documentados da África e Médio Oriente para países europeus e para a América do Norte.
 
  A camada dirigente norte-americana é a grande derrotada destas eleições  as políticas que realizou.
 
  Grande derrotada foi também a esmagadora máquina mediática que pôs em marcha uma campanha à escala (quase mundial) contra o novo presidente.
 
  Mas também saiu derrotada a habitual dominação política da cena política americana pelos tradicionais partidos republicano e democrata, com uma voz nova de uma grande camada descontente, afastada da política e das oportunidades. Ambos irão ter sobressaltos internos e a falência dos partidos tradicionais será uma oportunidade para uma oposição de esquerda ao novo governo se constitua.
 
Em Portugal, os directores de informação da generalidade dos mídia foram também grandes derrotados. Importaram acrìticamente tudo o que lhes impingiram.
 
Ninguém esquecerá que há semanas a tensão entre EUA e Rússia nos aproximou de uma nova guerra mundial.
 
A vigilância e a intervenção são essenciais para encarar uma nova situação potencialmente mais perigosa.

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