terça-feira, 6 de setembro de 2016

As Filipinas em rota de colisão com os EUA

O presidente das Filipinas Rodrigo Duterte decretou ontem o estado de emergência no país, a pretexto da crescente onda de "violência ilícita". O regime entra em vigor a partir de hoje e será mantido até que seja revogado pelo presidente. Como comandante-em-chefe Duterte pode accionar o Exército, que deverá, nesse caso, agir em conformidade com a lei do país.
 
Na passada 6ª f, dia 2, uma explosão num mercado da cidade de Davao, situada na região sul das Filipinas, onde nasceu o presidente que, na altura estava na cidade, provocou pelo menos 14 mortos e 60 feridos, informou no próprio dia um porta-voz do presidencial. A explosão foi reivindicada pelo movimento islamista Anbu Sayyaf.
 
Segundo o Público, "fontes da Casa Branca tinham dito aos jornalistas que Obama se preparava para, na reunião da ASEAN, ( depois da do G20), confrontar Duterte com as suas políticas de combate à droga, que já passou até por encorajar cidadãos a matarem toxicodependentes e traficantes. Em resultado deste apelo, pelo menos 2400 pessoas foram mortas, 900 das quais em operações policiais e muitas outras às mãos de grupos de vigilantes. Duterte não gostou de saber desta intenção e contra-atacou. "Quem é que ele pensa que é? Eu não sou um fantoche americano. Sou o Presidente de um país soberano e não respondo a ninguém a não ser ao povo filipino", disse o Presidente das Filipinas, referindo-se a Obama como um “filho da puta”, do que se retratou mais tarde, quando, como aconteceu, Obama duvidava, depois do insulto, ter a reunião prevista com Duterte.
 
Esta atitude por parte de Obama não resulta de uma suposta defesa dos direitos humanos, objectivo justo na relação com as Filipinas, mas do facto de Duterte ter rompido com a anterior política dos Aquinos de fazerem das Filipinas a base de confrontação com a China a propósito de reivindicações de alguns países relativamente à soberania nos Mares do Sul da China. E que animaram a política de colocação de mísseis americanos contra a China, tal com o fizeram em países do leste europeu contra a Rússia, aqui a "pretexto" da suposta expansão russa, decorrente da anexação da Crimeia à Rússia por vontade inequívoca dos seus habitantes. A diplomacia chinesa tem, entretanto, estabelecido contactos com os países da região para a consideração das divergências, o que tem dado resultados positivos.
 
No fim do século XIX, ocorreu a Revolução Filipina, e a criação da primeira república do país. Contudo, a Espanha não reconheceu a independência filipina e cedeu o território aos Estados Unidos. A Guerra Filipino-Americana eclodiu pouco tempo depois, seguida por um breve período de ocupação japonesa, durante a Segunda Guerra Mundial. A soberania das Filipinas só foi reconhecida em 4 de julho de 1946, pelos Estados Unidos, sendo desde então um dos mais fortes aliados dos EUA no Sudeste Asiático.
A elevada população do país (103 milhões de habitantes em 2014, mais 9% em cinco anos) e o potencial económico  levaram a que fosse classificada como uma das potências regionais do Sudeste Asiático. Entretanto, o país ainda enfrenta notáveis problemas sociais, além do baixo PIB per capita (cerca de 2900 dólares) e a elevada dívida pública.


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