domingo, 17 de abril de 2016

À conversa com João Monge


Na passada semana, a meu convite e no âmbito da disciplina que lecciono, João Monge conversou com os meus alunos da universidade intergeracional UNIESTE (no Clube Estefânia, em Lisboa).
Foi uma conversa muito interessante em que nos foi proporcionado navegar no mundo da nossa música e no processo criativo do autor que, além de ser talvez o letrista mais interpretado, é compositor e dramaturgo, é um autor que não escreve de acordo com outras agendas que não sejam o sentir-se bem a fazer o que gosta, considerando-se um autor privilegiado em relação a outros que têm menos saídas profissionais e, em alguns casos vivem em grande isolamento e débeis condições.
João Monge considera que as letras e demais trabalho criativo têm autores que foram fonte inspiradora como José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto, mas também José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Jorge Palma.
Por me ter proporcionado alguns elementos biográficos, que corrigem e completam outras biografias dispersas na net, mais do que fazer aqui a notícia da conversa, deixo-vos esses elementos, a propósito dos quais a conversa correu com grande empatia, falando-se sobre as circunstâncias que rodearam cada um destes trabalhos.
João Monge iniciou a actividade de letrista no início dos anos 80 com o grupo Trovante tendo participado em vários álbuns até à extinção do grupo. Com Manuel Paulo, João Gil e Nuno Guerreiro esteve depois na fundação da Ala dos Namorados de que é autor de parte significativa das letras de todos os discos.
Foi autor do projecto Rio Grande, em co-autoria com João Gil que contou com a participação de João Gil, Rui Veloso, Tim, Vitorino e Jorge Palma. Foi ainda autor do disco O Assobio da Cobra em parceria com Manuel Paulo editado em Novembro de 2004. Este disco conta com as participações de Zeca Baleiro, Manuela Azevedo, Vozes da Rádio, Arto Lindsay, Vitorino, Tim, Filipa Pais, Rui Veloso, Arnaldo Antunes, Dany Silva, Graça Reis, Jorge Palma, Camané, Sérgio Godinho e Carlos Guerreiro. Participou como autor de textos no disco Estrela de José Peixoto e Filipa Pais (2004).
Foi autor, em 2005, do disco das Vozes da Rádio de nome genérico Mulheres, e participou, com João Gil, nos discos da Filarmónica Gil. Para além destes trabalhos, tem escrito para Rui Veloso, Ana Sofia Varela, Mísia, Camané, Luís Represas, Carlos do Carmo, etc. Em 2006 escreveu Crua, disco com letras sobre fado tradicional, para a fadista Aldina Duarte de que também foi produtor musical.
Durante 2006 escreveu, em parceria com Manuel Paulo, parte significativa do disco Mentiroso Normal da Ala dos Namorados. Em 2008, também com Manuel Paulo, realiza o projecto O Pássaro Cego. Este projecto, para além da componente musical para a qual Nancy Vieira dá a voz, conta igualmente com a colaboração do pintor João Ribeiro. Em 2009, em parceria com João Gil, compõe o disco Fados de Amor e Pecado, interpretado pela fadista Ana Sofia Varela, sendo então agraciado com o Prémio Amália para melhor disco de fado. Em 2010, de novo em parceria com João Gil, escreve o disco Baile Popular contando com a colaboração de Paulo Ribeiro, José Emídio, João Paulo e Luís Espinho nas vozes e dos músicos Mário Delgado, Alexandre Frazão e Miguel Amado.
Em 2011 estreia a peça, de que é autor, A LUA DE MARIA SEM. Esta peça, que incide sobre fados de Alfredo Marceneiro, tem como director musical José Peixoto, encenação de Maria João Luís e as interpretações de Maria João Luís e Manuela Azevedo. Em 2012 recebe o prémio Amália na qualidade de Letrista e o Teatro da Terra estreia a sua peça CHÃO DE ÁGUA (a partir de As Troianas de Eurípides) com encenação de Maria João Luís, premiado pela SPA/RTP como melhor texto de teatro português representado em 2013.
A 3 de Outubro de 2014, o Teatro da Terra estreia a sua peça A ABETARDA em parceria com o Município de Castro Verde e a participação de mais de 80 intérpretes desta localidade.
A 7 de Setembro de 2012, foi apresentado na Culturgest o Quinteto Lisboa que conta com a sua autoria nos textos a par das composições de João Gil. O disco feito em Março deste ano teve a sua apresentação pública na Culturgest em 8 de Abril.

A conversa ter-se-ia prolongado mas já estava presente, a convite do meu colega Coutinho Duarte, Guilherme Fonseca-Statter para uma conferência sobre “A globalização e o Tratado Transatlântico – Estados Unidos e União Europeia.