terça-feira, 27 de outubro de 2015

Com Angola no coração

A decisão de Luaty Beirão de pôr fim à greve da fome é uma boa notícia. Se isso não tivesse acontecido, eu próprio teria hoje aqui feito um apelo às autoridades angolanas para libertarem os angolanos que com ele estão presos. Para se evitar um desfecho trágico e um capital de crítica a Angola, e não por estar convencido de não haver matéria que leve à sua incriminação.
 
 
Não me passa pela cabeça que esse grupo de cidadãos angolanos tivesse sido preso por estarem...a ler um livro num apartamento. Tenham vergonha os que assim desafiam a nossa inteligência. Outras notícias referiam que a "leitura" era dum manual dum operacional norte-americano que "trabalhou" na eclosão das "primaveras árabes" - que tiveram o resultado que sabemos. E que começaram com os "actos" que importa não esquecer.
 
José Eduardo Agualusa, um dos angolanos que com outros circulam de Angola para cá e lá regressam, que dispõem de blogs e meios pessoais com duras críticas ao Estado Angolano, têm sido presos, visto limitado o exercício da sua liberdade de informação?
Ainda Agualusa ontem dizia que com esta acto "se ia iniciar a luta pela democracia em Angola". Agora? E a luta anticolonialista e independência não fazem parte desse activo? E o vencer de dezenas de anos de guerra interna que deixaram marcas profunda em várias gerações e atrasou o processo de desenvolvimento também não? E o ousado processo e reconciliação nacional depois disso, que integrou na sociedades e nas forças armadas  todo o pessoal da UNITA, que fez com que tenha sido nomeado Chefe do Estado Maior das Forças Armadas um militar da UNITA ou levado a Provedor da Justiça um destacado jurista da UNITA também não conta? E o arranque do crescimento, o desenvolvimento da educação e do sistema de saúde ou a utilização da riqueza petrolífera para o desenvolvimento também não contam? A existência de eleições livres a que concorrem diferentes partidos políticos que assim conformam o estado angolano com o histórico recente do país não conta? E a reacção à intencional descida dos preços de petróleo provocada pelos EUA e a Arábia Saudita para causar problemas a países como Angola também não conta?
Agualusa parece  ignorar os retrocessos que isso pode provocar ou talvez não porque, em entrevista que ouço neste mesmo momento , encara como auspiciosa a perspectiva de "rebeliões" que isso poderá provocar e que o regime angolano tem medo com casos como o de Luatyr Beirão neste ambiente. Não deveria se tivesse bases concretas de acusação?
 
Esperemos os termos da acusação para o julgamento marcado para dentro de poucas semanas e o exercício do contraditório, um funcionamento normal da Justiça, em Angola independente do poder político.

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