quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Os EUA e a vaga migratória na Europa


A vaga migratória actual, recheada de episódios dramáticos e de terror, de incapacidade da União Europeia e os países mais ricos assumirem as suas responsabilidades, exige medidas imediatas que não podem esperar pela cimeira da UE de daqui a duas semanas, impondo-se com urgência

- O acolhimento que aloje, conforte e dê condições dignas aos milhares de seres humanos que acorrem às portas da União Europeia fugindo da guerra que esta mesma UE ajudou e ajuda a fomentar;
- Medidas de apoio ao desenvolvimento dos países do norte de África atingidos pela guerra, parando o apoio à guerra e apelando ao diálogo e a uma solução política para as crises.

 Mas os EUA e a NATO, a Arábia Saudita, Israel e grupos terroristas que criaram e apoiam são os responsáveis não só pelas chacinas directas mas também pela emigração que parte das costas da Líbia, organizada por traficantes, que  espoliam os que fogem e os despacham sem condições. Essa mesma canalha que o “Ocidente” apoiou para assassinar Kadhafi e transformar em ruínas um país que tinha um avançado estado moderno para a generalidade dos países da região.

Talibans, Jihadistas, Al-Qaeda, Irmandade Islâmica, Daesh, Estado Islâmico, “rebeldes sírios”, Boko Haram são nomes, que se converteram uns nos outros em alguns casos, que recrutaram mercenários para pôr a ferro e fogo países como a Síria, o Iraque, o Egipto, a nação curda, o Donbass, a Nigéria, o Sudão do Sul, a Somália, o Iémen. Os que fugiram e agora correm para os países mais ricos da Europa, através de Itália, Grécia, Turquia, envolvendo os restantes países balcânicos e da Europa Central. Estes assassinos foram criados pelos EUA, têm apoios logístico, de formação militar, de armamento, de inteligência militar fornecidos pela Arábia Saudita, Israel e a Turquia.

A hipocrisia do invocado combate norte-americano e turco em bombardeamentos contra o Estado Islâmico está desmascarado. Os voos, a partir de bases turcas, destinam-se a massacrar o PKK e as populações curdas.
De acordo com um relatório do ACNUR, 60 milhões de pessoas foram deslocadas à força no final de 2014. Em termos globais uma em cada 122 pessoas são requerentes de asilo, refugiados ou pessoas deslocadas internamente. Mais de metade dos refugiados do mundo são crianças.

Em 28 de Agosto deste ano, o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) disse que mais de 300 mil refugiados e requerentes de asilo cruzaram o Mediterrâneo para chegar à Europa até agora neste ano – um número muito superior em 219 mil ao valor de 2014. Uma enchente humana que se pode aproximar de meio milhão no final do ano, provavelmente centenas de milhares mais em 2016, podendo o êxodo continuar nos anos seguintes.

Milhares de outros morrem ou são dados como desaparecidos. Em 27 de agosto, centenas podem ter morrido depois de duas embarcações sobrelotadas ter naufragado ao largo da costa da Líbia. Dezenas de refugiados sírios foram encontrados sufocados até a morte num camião estacionado numa estrada austríaca, já com os seus corpos em estado de decomposição. Outras histórias de horror repetem-se com regularidade preocupante.

Os EUA devem pagar as consequências das suas guerras no mundo!


A agenda dos EUA não passa pela resolução das crises nem pela Paz. Até na actual corrida presidencial norte-americana, todos os candidatos se apresentam como guerreiros imperiais – nenhum deles é defensor da paz e da estabilidade. E, portanto, depois de Obama, as coisas continuarão como dantes ou com tendências de agravamento, tanto mais se se desenvolver o belicismo contra a Rússia e a China.





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