quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Algumas reflexões sobre a "crise" da imigração na Europa

 1. Sem aparente vontade para acolher os imigrantes económicos e refugiados de  guerra, o Conselho Europeu marca passo e, dia após dias, os países da UE erguem novos muros. Há dias o Parlamento Europeu rejeitou várias propostas do PCP que concretizava esse apoio. Apesar das certezas e das dúvidas que possam estar a montante da questão presente dos migrantes, havia que fazer face ao afluxo de imigrantes.Porque rejeitou o PE essas propostas?

2.  O José Goulão, jornalista que muito considero, referia há dias um documento dos serviços de informações militares austríacos, segundo o qual o afluxo de refugiados  não seria uma consequência acidental dos conflitos no Médio Oriente alargado e em África, mas um obectivo estratégico dos Estados Unidos. O pagamento exigido pelos traficantes de emigração económica clandestina a partir da Turquia era no início do ano de 10 mil dólares por pessoa. Nas vésperas do início da presente crise passou para 2 mil dólares. Quem pagou o diferencial? O Info Direkt, revista nacionalista austríaca, ligada aos meios militares, nada avança de concreto, mas na semana passada garantiu que foram os norte-americanos que organizaram os emigrantes na sua saída.

3.  Estes imigrantes não colocam problemas de identidade. Fazem falta nos países de origem. Na sua maior parte são imigrantes económicos, sendo cerca 30% os que fogem de guerras (nomeadamente sírios, afegãos e iraquianos). O controlo de identidade dos que se afirmam sírios por serem portadores de passaportes sírios é complicado na medida que não foram certificados pelos consulados da UE na Síria porque a UE simplesmente retiros os seus representantes deste país. Isso é agravado com o facto de haver uma prática anterior da Turquia de passar passaportes falsos sírios a terroristas para melhor entrarem na Síria e aí poderem ter o estatuto de "rebeldes".

4.  A Alemanha tem feito o papel de grande humanista por receber imigrantes sírios. Porém isto corresponde a necessidades objectivas da sua economia, em expansão que beneficia de profissionais com uma certa preparação a quem vai pagar menos que aos trabalhadores alemães, e a uma população envelhecida, bem como a uma ameaça futura aos valores das pensões.
Isso gera uma contração na xenofobia que com as restrições à integração tem sido uma das grandes características da Alemanha. Se bem que seja também verdade, como ontem  referiu no DN um imigrante há anos radicado na Alemanha que a designação ainda em uso de "alemães biológico" poderá esbater-se na medida em que hoje 30% das pessoas da Alemanha com idade inferior a 15 anos têm antecedentes de imigração, podendo funcionar como um seguro anti-racista e anti-segregacionista.
 
5.  Uma última questão que gostaria de colocar, por hoje, respeita à concentração que está a ser feita pelos media na consideração dos imigrantes como sírios e à utilização de imagens de destruição na Síria sem identificação dos responsáveis.
A NATO ferve a informação com estes acontecimentos. A Inglaterra e a França anunciaram a vontade de combater o Estado Islâmico, bombardeando a Síria (leia-se as tropas do regime sírio...). Por isso nos parecem acertados os novos passos que a Rússia dá para intervir contra os verdadeiros terroristas, armados pela Turquia com recursos ocidentais. Isso poderá pôr a NATO em sentido e obriga-la a castigar os terroristas, como aliás ficou previsto nos recentes acordos entre os EUA e o Irão, e a conter a "teoria do caos", que os ideólogos do Pentágono há uns anos prepararam para este tipo de situações, associada à imigração massiva, como forma de os EUA garantirem os seus jogos de guerra e domínio nestes territórios.
 

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