sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Em 4 de Outubro votar para mudar de governo e de políticas


 
As reflexões que se seguem não são novas mas foram-me suscitadas a propósito de uma conversa com um cidadão, futuro eleitor no dia 4 (que espero que acabe por votar bem).

Os direitos sociais, económicos e culturais são três das vertentes da democracia tal como uma boa parte da esquerda a entende. Não foi sempre assim. A democracia foi encarada como o direito de propriedade pelo menos até ao final da 1ª Guerra Mundial, e quando muito como o direito de votar em eleições muito limitadas nas capacidades de eleger e ser eleito e no direito de propaganda política sem discriminações.

Por influência da Revolução Socialista de Outubro e de fortes movimentos sindicais e intelectuais nesse sentido, é que as vertentes sociais, económicas e culturais passaram a ser consideradas no mundo capitalista, e ainda assim de forma limitada. A liberdade económica que começara por ser o direito mercantil da burguesia, acabou por ser uma livre concorrência, em que esta era condicionada pela concentração capitalista, financeira e monopolista, e mais tarde se alienou na especulação crescente que retirou o homem e a economia do centro da vida dos países capitalistas, para dar lugar à especulação bolsista. A liberdade sindical foi exercida e suportada por fortes lutas de classe. A liberdade cultural tornou possível, para além de novas expressões da cultura popular, o consumo, de forma diferenciada, de acordo com as classes sociais. A liberdade política passou a existir não apenas em eleições mas na capacidade, conquistada a pulso, da existência permanente de associações, e nos movimentos de direitos das mulheres.

A 2ª Guerra Mundial consolidou essas vertentes da liberdade pela observação de como elas eram progressivamente realizadas de forma progressista na nova Europa socialista de leste. Os dois blocos entraram numa emulação nem sempre positiva mas que colocaram o campo socialista, entretanto alargado à China e a Cuba e mais tarde ao Vietname, numa posição cimeira em diversos planos da vida internacional.

O peso das ideias de esquerda na vida cultural, as diversas vertentes da liberdade, a luta contra o fascismo, a consolidação e apuramento ideológico dos sindicatos, um longo período de paz assente na coexistência pacífica e na contenção na corrida aos armamentos, a consolidação de empresas de dimensões diversas, a criação do Estado Social, assente nas funções sociais do Estado, com destaque para o Ensino, a Saúde e a Segurança Social públicas. As descolonizações sucederam-se. O Programa do MFA de 1974 e a Constituição de República de 1976 expressam bem essa dinâmica de novas realidades.

Depois da derrocada do socialismo a leste, Hayek, patriarca do neoliberalismo, alertou para o facto de que a teorização e a presença no Ocidente destes direitos remetiam à influência, por ele considerada nefasta, da "revolução marxista russa".

Ele sabia o que estava a dizer como o sabiam outros que lhe executaram as ideias como Ronald Reagan, Margaret Thatcher, João Paulo II (depois da estranha morte do antecessor).

As guerras regressaram em força deslocando milhões de pessoas no planeta.

O significado histórico da Revolução Russa de 1917 é hoje recuperado ao longo deste mesmo planeta, mesmo que as pessoas já não relacionem as conquistas civilizacionais que, em parte se mantêm e fazem parte da estrutura mental de muita gente, nomeadamente entre a juventude.

Só recearia o futuro se perdesse as minhas raízes, todo esse capital histórico e não tivesse uma grande confiança nas mais jovens gerações.

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