quarta-feira, 2 de setembro de 2015

As razões da China


A China enfrenta desafios muito importantes  depois de nos últimos anos ter realizado reformas que fizeram o país passar de uma economia,  baseada num modelo de acumulação assente em investimentos maciços, para outra que favoreceu a expansão do investimento no mercado interno e o consumo pelos seus habitantes
O Partido Comunista da China definiu como objectivo de longo prazo o aumento do consumo da população e do seu poder de compra quer pelo aumento geral dos salários quer reduzindo a concentração das poupanças. O objectivo tornou-se mais urgente com a contração do investimento das empresas e a quebra da procura externa.












Segundo o Telegraph, há duas semanas atrás,  China tinha já diminuído as exportações em 8,3% em termos anuais, o mesmo se passando com as importações em 8,1%., em linha com o enfraquecimento do comércio mundial, que atingiu o nível mais baixo nos últimos anos. Antes disso foram muitos os comentadores que reconheceram a importância da China para conter a queda da economia mundial.
Mas a China pagou também um preço por isso e começaram a crescer no seu seio as preocupações com as perspectivas mundiais poderem levar a uma deflação generalizada (baixa dos preços típica das recessões) .
Segundo um despacho da Reuters de 7 de Agosto crise deflacionista ia na Grécia, ia já no 29º mês consecutiva com os riscos de contágio que isso provocava à periferia europeia. O novo plano de « ajustamentos » imposto a este país irá agravar a catástrofe e a  Alemanha,, principal impulsionador do garrote à Grécia, poderá ficar também com as barbas a arder. Os chineses não podem ignorar que a Alemanha é o quarto parceiro económico da China e Pequim está a trabalhar arduamente para contrariar as tendências recessivas que gradualmente se aproximam da sua economia e que também, diga-se de passagem, causam preocupações num número crescente de países como a Alemanha, a Inglaterra, o Canadá e países da América Latina como a Venezuela, o Brasil, o México ou a Argentina.
 
A China defronta um outro risco resultante das pressões norte-americanas sobre os bancos centrais da Ásia Pacífico, para uma guerra de divisas, como referiu o New Iork Times na sua edição de 17 do mês passado, levando esses bancos a desvalorizações que « empobrececem-se » a China. E para por em causa os seus convites, até agora feitos com sucesso, para lançar o Banco Asiático de Investimentos em Infraestruturas, o Fundo da Rota da Seda e a Zona de Comércio Livre da Ásia-Pacífico. Segundo o Foreign Policy, do passado dia 11, essas pressões norte-americanas são acompanhadas de pedidos dos EUA a esses países para que alarguem o campo de aplicação  do "Parceria Trans-Pacífico", com vista a relançar a guerra ideológica contra a China, com o apoio militar do Japão.
 
A China tem que ter em conta que na região também se fazem sentir pressões deflacionistas e que a desvalorização do yuan não é aí bem acolhida, atingindo em particular a Coreia do Sul, Malásia, Singapura e Tailândia.
O economista Ariel Noyola Rodriguez avisa ainda, em artigo recente no voltairenet.org http://www.voltairenet.org/ que « ninguém duvide que se trata dum plano dos EUA para impedir a crescente influência da China na Ásia-Pacífico, devendo o governo chinês manter-se vigilante e, acima de tudo, ter em conta as lições do grande Sun Tzu, autor da « Arte da guerra », de que se pode obter uma vitória, não entrando na guerra.
A China tem que ter em conta que na região também se fazem sentir pressões deflacionistas e que a desvalorização do yuan não é aí bem acolhida, atingindo em particular a Coreia do Sul, Malásia, Singapura e Tailândia.
 
O papel da China para a economia mundial é cada vez mais importante. Nela se depositam muitas esperanças para acabar com o ciclo infernal de ser a economia mundial a pagar os custos das guerras conduzidas pelos EUA, no passado e hoje, de forma mais generalizada, com a possibilidade de a Fed estar permanentemente a emitir dinheiro para o efeito, que não resulta da actividade económica, mas que por deter a divisa mundial de referência, faz repercutir nas outras economias "bolhas", como a do Lehman Brothers, que a União Europeia recebeu acrìticamente e aceitou que atingisse os países de economias mais débeis, como Portugal que, de forma quase criminosa foram arrastados para o euro pelos seus governos que lhes impuseram programas de austeridade severos. Este carácter acrítico (logo conivente) estende-se à responsabilidade do presente surto migratório, decorrente das guerras que conduz, através da Arábia Saudita e Israel, bem como dos grupos terroristas que, a seu mando actuam no Médio Oriente e em África. A este tema do surto migratório voltaremos.

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