sexta-feira, 14 de abril de 2017

Judeus de quem Israel não gosta


Marino Boieira
(publicado no Pravda de26 de Março de 2017)

Uma das grandes mentiras, que já tem 70 anos, é de que o Estado de Israel vive ameaçado pelos árabes na Palestina. Goebbels já dizia que uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade. Os pobres palestinianos os foram expulsos de sua terra pela maior potência militar do Médio Oriente...

Os pobres palestinianos foram expulsos da sua terra pela maior potência militar do Médio Oriente, que inclusivamente dispõe de armas atómicas e apenas tem o apoio apenas formal dos governos árabes corruptos da região e, mesmo assim, o lobby judaico no mundo inteiro, transformou-os num perigo para a paz na região.

Ainda bem que existem intelectuais judeus que se recusam a pactuar com essa mentira histórica. Vamos lembrar aqui alguns deles, começando por Noam Chomsky, o mais conhecido deles todos.
 
 
Avram Noam Chomsky nasceu em 1928, na Filadélfia, é linguista, filósofo, cientista e professor emérito do Instituto Tecnológico de Massachusetts e, apesar de todos estes títulos, está proibido de visitar Israel, por causa das suas críticas ao governo israelense, como numa comparação que fez sobre a política do apartheid na África: 

"Nos territórios ocupados, o que Israel está a fazer é muito pior que o apartheid. (...) os brancos sul-africanos precisavam da população negra. Era a sua força de trabalho. Tinham que os sustentar. Os "bantustões" eram horríveis, mas a África do Sul precisava deles. (...) A relação de Israel com os palestinianos é diferente. Israel simplesmente não quer os palestinianos. Israel quere-os fora da sua terra ou, pelo menos, na prisão".
Bombardeamento israelita em Gaza em 2009
 

Sobre o Hezbollah: "Foi fundamental para expulsar os israelitas do Sul do Líbano, e por isso é classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista "

Sobre o Hamas: "Eu sou contra as políticas do Hamas em quase todos os aspectos. No entanto, devemos reconhecer que as políticas do Hamas são mais próximas e mais propícias a uma solução pacífica do que as dos Estados Unidos ou de Israel"

Shlomo Sand nasceu em Linz, na Áustria, em 1946 e é professor da História na Universidade de Telavive. O seu livro mais famoso,” A Invenção do Povo Judeu”, deita por terra o mito fundador do Estado de Israel de que os judeus actuais são descendentes dos antigos hebreus que viveram na Palestina durante o Império Romano e, por isso mesmo, teriam direito exclusivo às terras que os árabes ocuparam depois.

Sand argumenta que é provável que os antepassados da maioria dos judeus contemporâneos sejam essencialmente de fora da Terra de Israel (Eretz Yisrael) e que uma "nação-raça" dos judeus, com uma origem comum, nunca existiu. Assim como os cristãos mais contemporâneos e muçulmanos são descendentes de pessoas convertidas, e não dos primeiros cristãos e muçulmanos. O judaísmo era originalmente, assim como seus dois primos, um proselitismo religioso. Muita da população judaica mundial dos dias de hoje é descendente de europeus, russos e grupos africanos.

Sand ataca também outra história cara ao judaísmo, a de que, depois da revolta de Bar Kokhba, os judeus foram expulsos da Palestina pelos romanos. Diz ele que a maioria dos judeus não foi exilada pelos romanos e muitos deles se vieram a converter ao islamismo após a ocupação da Palestina pelos árabes no século sétimo.

O sionismo, segundo Sand, foi mais um dos movimentos nacionalistas surgidos na Europa no século XIX que sonhavam com uma hipotética "idade do ouro", existente no passado. Os judeus seriam então descendentes de um mítico reino de David, o que significaria uma base étnica comum, quando o que os unia, na verdade, era apenas a religião comum.

Norman Gary Finkelstein, nascido em 1953, em Nova Iorque, filho de pais sobreviventes de Auschwitz, doutor pela Universidade de Princeton e professor da Universidade de Nova York, é mais um dos intelectuais judeu s proibidos de entrar em Israel, principalmente por causa do seu livro "A Indústria do Holocausto - Reflexões Sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus" onde afirma que ""o organizado judaísmo americano explorou o Holocausto nazista para desviar as críticas de Israel e suas políticas moralmente indefensáveis

Segundo Finkelstein, depois da Segunda Guerra Mundial, as organizações judaicas dos Estados Unidos, as mais poderosas do mundo - sempre com o apoio de publicações como "New York Times" e "Washington Post", os dois jornais mais conhecidos do país, além de revistas, como "Time" e "Newsweek" -, esqueceram praticamente o Holocausto, porque a Alemanha se tornou num aliado fundamental no confronto dos EUA com a União Soviética.

Lembrar o Holocausto nazi levava a etiqueta de causa comunista. As associações judaicas chegaram a fazer vista grossa à entrada de nazis nos Estados Unidos.

Ainda segundo Finkelstein, a partir de junho de 1967, com a guerra árabe-israelita, o Holocausto tornou-se numa fixação na vida dos judeus americanos. Desde a sua fundação em 1948 até a guerra de junho de 1967, Israel não figurou como foco no planeamento estratégico americano. "A indústria do Holocausto só se difundiu depois da dominação militar esmagadora e do florescente e exagerado triunfalismo entre os israelitas".

Diz Finkelstein: "Não foi a alegada fraqueza e isolamento de Israel, nem o medo de um “segundo holocausto”, mas antes a sua comprovada força e aliança estratégica com os Estados Unidos, que conduziram as elites judaicas a produzir a indústria do Holocausto, depois de junho de 1967.

Outro forte motivo por detrás desta farsa era material. O governo alemão do pós-guerra compensou os judeus que estiveram em campos ou guetos. Muitos desses judeus recriaram os seus passados para atender a essas exigências"

Ilan Pappé: nascido em 1954, Haifa, Israel, é um historiador, professor de História na Universidade de Exeter, no Reino Unido. Foi docente em Ciências Políticas na sua cidade natal, na Universidade de Haifa.

É um dos chamados Novos Historiadores, que reexaminaram criticamente a História de Israel e do sionismo. Pappé faz uma análise profunda sobre os acontecimentos de 1948 (criação do Estado de Israel) e dos seus antecedentes. Em particular, defende no seu livro mais importante, “Limpeza Étnica na Palestina” que houve a expulsão deliberada da população civil árabe da Palestina - operada pelo Haganah, pelo Irgun e por outras milícias sionistas.

Pappé considera a criação de Israel como a principal razão para a instabilidade e a impossibilidade de paz no Médio Oriente. Segundo ele, o sionismo tem sido historicamente mais perigoso do que o islamismo extremista.

 Ilan Pappé é um importante defensor da solução de um único estado para palestinos e israelenses.

Em 2008, Ilan Pappé exilou-se na Grã-Bretanha, onde atualmente é professor de História na Universidade de Exeter e diretor do Centro Europeu de Estudos sobre a Palestina.

Antes de deixar Israel, foi veementemente condenado no Knesset, o parlamento de Israel. Um Ministro da Educação pediu a sua demissão da universidade, e a sua foto foi publicada num jornal, como o centro de um alvo. Além disso, Pappé recebeu várias ameaças de morte.

"Fui boicotado na minha universidade e houve tentativas de me expulsarem do meu trabalho. Recebo chamadas telefónicas com ameaças todos os dias. Não estou a ser visto como uma ameaça para a sociedade israelita, mas o meu povo pensa que sou louco ou que a minha opinião é irrelevante. Muitos israelitas acreditam também que estou a trabalhar como mercenário para os árabes.

Judith Butler, nascida em Cleveland, Ohio, em1956, de origem judaica, teve a sua família, pelo lado materno, morta em campos de concentração nazis na Hungria. É professora de Filosofia na European Graduate School, na Suiça, sendo considerada uma das principais teóricas do feminismo no mundo inteiro. O seu livro "Caminhos Partidos: Judaísmo e Critica do Sionismo" a levou-a a ser considerada como antissemita pelo jornal Jerusalem Post, porque defendeu o binacionalismo em Israel, dizendo que "é preciso acabar com a ocupação, que é ilegal e é uma extensão de um projeto colonial".

Judith Butler defende outra tese, que os governantes de Israel detestam ouvir: o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e de suas terras e que eles sejam indemnizados pelas suas perdas.

 
O autor deste texto é Marino Boeira é jornalista, formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Como seu editor e revisor do texto para português de Portugal, entendo emitir a minha opinião de que a utilização pelos que, justamente, criticam Israel, da expressão “indústria do holocausto” tem sido aproveitado por Jihadistas para negar a existência do Holocausto, em prejuízo da verdade histórica e reforço dos lobbies sionistas.

Sem comentários:

Enviar um comentário