sábado, 8 de outubro de 2016

Deutsche Bank: uma questão não resolvida (2)



A redução concreta da dívida do Deutsche Bank ao Departamento de Justiça dos EUA não está garantida. Nem garantido está que os problemas no Deutsche Bank só façam cócegas ao sistema financeiro português.

Apesar de Merkl já ter dito anteriormente que não iria apoiar o banco alemão, o que é certo é que na semana passada a Reuters dava conta de reuniões entre responsáveis dos dois governos para obter um resultado que não deixe as suas acções irem de novo por água abaixo.

Par além desse apoio, Merkl, atendendo à proximidade de eleições, não quer sugerir qualquer tipo de resgate, pela rejeição que isso provocaria nos contribuintes, com a profissão de fé que isso não virá a ser necessário.

Se em Julho o economista-chefe do Deutsche Bank, Folkerts-Landau, afirmou ao Die Welt que as instâncias europeias deviam começar a preparar um plano de resgate e que a recapitalização do sistema bancário podia chegar aos 150 mil milhões de euros, hoje o presidente do banco está em linha com a atitude de Angela Merkl.

Particularmente exposto está o Novo Banco com eventuais recuos de compradores potenciais ou em caso de cenário mais grave a generalidade dos bancos que realizaram negócios de derivados com o banco alemão.

Na semana que passou, o CEO John Cryan, citado pela Bloomberg escreveu em nota interna que a “confiança é a base do sector financeiro”, que “algumas forças do mercado estão a tentar prejudicar esta confiança”, e que “o Deutsche Bank tem muitos problemas, mas a liquidez não é um deles”.

Em resposta Sigmar Gabriel, Ministro da Economia e Vice-Chanceler de Merkl, disse "Não sei se ria ou se chore com o facto de o banco que teve um modelo de negócio baseado na especulação diga, agora, que é vítima de especulação”.

Citado pela Reuters e pelo Financial Times, o ministro da Economia sublinhou ainda a sua preocupação com os 100 mil trabalhadores do banco alemão. "O cenário são milhares de pessoas que vão perder o seu trabalho. Vão pagar o preço da loucura dos dirigentes irresponsáveis", disse Sigmar Gabriel.

A revelação no passado dia 27 pela Bloomberg que dez fundos que recorriam ao DB para fazer a negociação de contratos derivados, usando-o como contraparte na garantia das transacções, estavam a “fugir” do banco alemão, disparou a volatilidade em mais de 15% em Nova Iorque, com reflexos imediatos na Europa. O Commerzbank, que, “acidentalmente”, deixou no dia seguinte publicar que estava em vias de preparar uma mega-reestruturação, agitou as bolsas, invocando o banco estar a sofrer grandes prejuízos com as taxas negativas que o BCE estava a aplicar aos depósitos.

Entre nós, está particularmente exposto o Novo Banco com eventuais recuos de compradores potenciais ou em caso de cenário mais grave a generalidade dos bancos que realizaram negócios de derivados com o banco alemão. 

Já anteriormente o FMI referira “entre os bancos globais de importância sistémica [G-SIB], o Deutsche Bank aparenta ser o maior contribuinte líquido para riscos sistémicos, logo seguido do HSBC e do Credit Suisse”, pelo que se recomenda uma “monitorização apertada”.

À espera das eleições alemãs e norte-americanas, a questão vai adensar-se. Passos Coelho continuará a não entrar em linha de conta com o que se passa “lá fora”, e esquecerá que os seus amigos políticos estiveram no centro do furacão. Sugerir-lhe-ia o pedido de um milagre a Nossa Senhora, que embora de difícil realização, lhe daria um outro crédito para as próximas adivinhações.

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