domingo, 19 de fevereiro de 2017

As eleições legislativas de 15 de Março na Holanda


No que respeita às eleições legislativas na Holanda, de 16 de Março, o actual primeiro-ministro, Mark Rutte (VVD), tem sido um defensor acérrimo das orientações da UE sendo penalizado com as consequências sociais que isso acarretou mas também lhe são assacadas importantes promessas eleitorais não cumpridas como o não alívio fiscal para os rendimentos mais baixos, ou a melhoria da qualidade dos cuidados para os mais idosos.

A coligação de centro que actualmente domina as decisões parlamentares é formada pelo Partido Popular pela Liberdade e pela Democracia (VVD), partido liberal, de centro-direita, adepto da desregulação dos mercados, que lidera a coligação de governo, e pelo Partido Trabalhista (PvdA), partido político social-democrata que se reclama do centro-esquerda.


Outros partidos holandeses são:

O Partido da Liberdade (PVV), partido de extrema-direita, conhecido pelas suas posições anti-imigração e anti-UE, o Partido Socialista (SP), o Partido Esquerda Verde (GL, Groen Links), formado em 1989 a partir da fusão de quatro pequenos partidos políticos de esquerda (o Partido Comunista da Holanda, o Partido Socialista Pacifista, o Partido Político dos Radicais e o Partido Popular Evangélico), o Apelo Cristão-Democrático (CDA), democrata-cristão, de direita, os Democratas 66 (D66), de centro, liberal e democrata, radical, a União Cristã (UC, Christen Unie), de direita, cristão reformado, o 50PLUS, que se dedica aos direitos dos reformados  e o Partido Político Reformado (SGP), de extrema-direita, calvinista ortodoxo.

As sondagens publicadas na Holanda nos passados dia 5 e 12 deste mês, confirmam que o PVV, de Geert Wilders deverá ser o partido mais votado nestas eleições legislativas com 30-32 lugares no Parlamento Twede Kamer), de 150 lugares, duplicando a sua representação desde as últimas eleições, em virtude de uma permanente exploração dos efeitos da crise decorrente da integração na UE e da crise imigratória, assacadas ao governo e UE.

Atrás, com 23-24 lugares está o Partido Liberal (VVD, direita liberal), do actual primeiro-ministro (antes com 41) e depois a Esquerda verde com 17, que quadriplica a representação (antes com 4)

Seguem-se-lhes o D66 com 14, o SP 12, o PvdA 11 (antes 38), o 50Plus com 10 (antes com 2), o Christen Unie, UC, com 5 (mantem), o art vd Di ren com 4 (antes 5) e o SGP mantem os 3 lugares.

 

A coligação actual terá de alargar-se a outros partidos para formar governo já que, como se espera, o Partido da Liberdade (PVV) terá dificuldade em formar governo com outros partidos.

Nas eleições de 2012 o PVV tinha descido bastante, depois de provocar a queda do governo, mas tem vindo a capitalizar diversos descontentamentos na Holanda, nomeadamente os que atrás referimos.

Há seis meses o jornal britânico The Independent referia declarações de Geert Wilders em que afirmava querer banir todos os símbolos islâmicos, incluindo mesquitas, escolas e centros de asilo islâmicos e o próprio Corão, enfim a “desislamização” total do país.

E defendia também a saída da União Europeia, o corte de despesas com ajuda externa e o crescimento de verbas a afectar à polícia e à segurança. Um apoiante do Partido da Liberdade afirmava então a esse jornal “O Islão está cheio de violência. Por que é que a comunicação social está a chamar radical a Wilders? Ele está apenas a dizer a verdade. É uma loucura que os políticos, com base nos direitos humanos, estejam a fazer crescer a islamização na Europa. O islamismo é contra a democracia, contra os direitos humanos, contra a livre escolha do pensamento. Não é segredo que a pena por deixar o Islão é a morte. Mesmo os pais matam os seus filhos. A educação e assimilação não vão funcionar em muçulmanos que se não querem tornar ocidentais. Isso já fez prova de não funcionar com muitos muçulmanos que vivem há muito tempo em França, Alemanha, Reino Unido, etc. Se a política de Merkel vencer, isso contribuirá para a liquidação da civilização ocidental. Já hoje muitos Europeus são mortos pelo Islão. Merkel é a líder mais idiota dos países ocidentais ao longo dos últimos 70 anos”.

E como se não bastasse o Ministro do Interior, no início deste mês, anunciou que os votos das eleições legislativas vão ser contados à mão para prevenir a fraude eleitoral, numa altura em que há "indícios do interesse da Rússia" no processo eleitoral (!!!). Medida não inocente que, sem o dizer, insinua que o governo russo apoiaria Wilders…Campanha semelhante está a acontecer já em relação às eleições da Alemanha…

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