quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Viragem à esquerda na Irlanda nas eleições de amanhã?

As eleições de amanhã na Irlanda poderão inverter as maiorias parlamentares e levar à formação de um novo governo que o Sinn Fein, de esquerda, iria tentar formar.
 
As sondagens dão um empate técnico, com vantagem para o Sinn Fein. Os partidos que formam a actual maioria, o Fina Gaël, de direita, e o Partido Trabalhista, coligaram-se após as eleições de 2011 por o primeiro destes partidos ter então tido uma grande queda. Tendo sido, por isso, obrigado a recorrer a uma coligação de “centro-direita”com os trabalhistas para se manterem no poder.

Esta reviravolta política prenunciava-se já com  o plano de resgate, promovido pelos organismos da UE e que o actual governo aceitou. O impacto muito negativo que teve sobre as camadas com menos recursos da população provocaram lutas contra a austeridade muito antes destas eleições. As recentes manifestações contra a aplicação de uma taxa de água “igual para todos”, incluída nos compromissos com Bruxelas, deixava poderia  provocar esse resultado eleitoral, com uma grande subida do Sinn Fein, partido nacionalista irlandês, que no passado teve o IRA como braço militar, mas também de outros pequenos partidos que se opõem à política de austeridade como os Verdes, a Aliança Anti-Austeridade (AAA) e os sociais-democratas.

A receita da austeridade levou à saída de mais de 80 mil jovens à procura de emprego na Reino Unido, na Austrália ou nos EUA. Durante a crise perderam-se mais de 22% de postos de trabalho e a procura interna teve uma quebra de 20%. Depois disso o desemprego jovem manteve-se nos 20%. A crise gerou um movimento muito forte contra o “ajustamento brutal” que criou também uma série de taxas adicionais.
Se, apesar de tudo o Fine Gaël e o Primeiro-Ministro Enda Kenny se mantiverem no poder, a oposição à austeridade irá manter-se. O regresso ao crescimento económico, tão valorizado pelas autoridades europeias, não se traduziu na melhoria das condições de vida. As multinacionais têm beneficiado de um tratamento fiscal privilegiado e contribuíram para o crescimento económico  atendendo ao critério comunitário de que os seus números sejam contabilizados nesse crescimento. Mas têm reforçado as desigualdades ao partir o país em dois em função de quem trabalha ou não para elas. Desta forma o tal crescimento económico não tem nada a ver com as defendidas “reformas estruturais” defendidas pelo governantes, resultando, pelo contrário, da criação de empregos com altos salários.