domingo, 22 de julho de 2018

Para alguns dos meus companheiros de lutas e de ideias, por António Abreu

      1.     A situação internacional - sempre com reflexos no nosso país - está
           a    sofrer alterações assinaláveis, não necessariamente de sentido negativo  como
           alguns de nós podem estar a assumir como definitivas, apesar da enorme perplexidade
           que provocam.


2.       Importa ter em conta que o “politicamente correcto”, as nossas sensibilidade padrões de comportamento político, o valor facial de declarações teatrais que facilitam a sua condenação e ridicularização, são avaliações necessariamente passageiras porque dialeticamente influenciadas pelo real.

3.       Já tereis compreendido que estou a falar de desenvolvimentos políticos que envolvem um novo personagem vindo dos EUA – Donald Trump.

AEP






 
4.       O que é grave nas suas atitudes são aspectos graves como as atitudes racistas, anti ambientais, sexistas, contradições de afirmações anteriormente feitas, etc., mas que são susceptíveis de terem uma evolução.

5.       Mas o que me parece ser o mais relevante é o seu confronto com uma classe dominante transnacional, ao questionar realidades que condicionam negativamente os EUA como país e nação. A saber os G7, a UE, a NATO, a OMC, alguns tratados como o NAFTA.

6.       Na sua “guerra” com a UE sobressai a condenação da Alemanha por esta ter acordado num novo atravessamento do seu território por um novo gasoduto russo - o Nord Stream 2 – que irá reforçar o abastecimento alemão e da Europa do Norte. Mas Putin já lhe propôs poderem competir mas trabalhar juntos no mercado de energia, dizendo que a Rússia e os EUA são concorrentes nas exportações de petróleo e gás, mas que há espaço para cooperação na regulamentação do mercado de energia.

7.       O confronto com essa classe dominante financeira assenta numa perspectiva de regresso revalorizado ao capitalismo no seu país que abandonou a faceta produtiva em benefício quase exclusivo da sua componente financeira.

8.       Confronto que passa por assumir como amigos Vladimir Putin ou Xi Jinping, como potencial amigo Kim Jong-un. E que, mesmo na “guerra comercial” com a China, ou com o tom perigoso do confronto verbal com os dirigentes do Irão, se adivinham possibilidades de acordos entre as partes, sendo que neste último caso pesa negativamente em tais perspectivas o papel de Israel e da Arábia Saudita.

9.       Neste confronto de Trump com esta classe dominante transnacional há resistências e muitos estão a trabalhar numa tentativa de impeachment ou mesmo de golpe de estado. Altas patentes dos serviços secretos e do Pentágono, alguns dos principais grupos de media, Obama e John McCain, alguns senadores e congressistas republicanos, estão envolvidos nisso e os sinais são muito claros. Sim, Obama o presidente dos EUA que abriu e se envolveu em várias frentes de guerra, que fez com que morressem centenas de pessoas em ataques com drones a cinco países de África e do Médio Oriente.

10.   Não me prolongando mais, queria referir duas coisas para rematar.

A primeira é que esta linha de pensamento, que se foi desenvolvendo ao longo de meses, é da minha inteira responsabilidade e não compromete mais ninguém.

A segunda é que adivinho críticas dos meus amigos mas também os convido a uma reflexão que rejeite clichés não inocentes que se foram instalando como irrecusáveis.

2 comentários:

  1. No essencial e fundamental concordo! Porque é a guerra entre as diversas facções do imperialismo!

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  2. "Le dialogue constructif entre les Etats-Unis et la Russie offre l’opportunité d’ouvrir de nouvelles voies vers la paix et la stabilité dans notre monde" a déclaré Trump "Je préfère prendre un risque politique dans la poursuite de la paix plutôt que de risquer la paix dans la poursuite de la politique".
    Le Gran Soir info

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