quarta-feira, 20 de junho de 2018

Duas semanas de excepcionais acontecimentos, por António Abreu


Alguns acontecimentos destas duas semanas criam um conjunto complexo de interações que deixam prever mudanças significativas ao nível das relações internacionais nos próximos tempos, com um agravar de crises no mundo capitalista ocidental e algumas perspectivas promissoras no território mais amplo da Eurásia. É certo que as geoestratégias sofrem ajustamentos mas os movimentos e sabedoria populares também têm influência neles.
As decisões da Fed e do BCE no que respeita a taxas de juro, com o BCE a anunciar o fim para este ano dos apoios às economias pela compra das dívidas soberanas e as consequências disso para Portugal, e a adiar para 2019 a subida das taxas de juros.
O fracasso da cimeira dos G7 no Quebeque e o início de guerras comerciais em torno das taxas aduaneiras entre os EUA e vários países de todos os cantos do mundo.
A soma de vários fracassos da União Europeia, agora com o novo episódio de refugiados subsaarianos e a tentativa de uma fuga para a frente da França e da Alemanha, com posicionamentos diferenciados, no aprofundamento desta integração europeia, virada para um Orçamento comum. Terem acertado entre si listas transnacionais para as eleições no PE em 2024 é novo grau de afastamento de eleitores e eleitos e alienação das responsabilidades nacionais destes.
O eixo franco-alemão debilitado no que respeita às dinâmicas de ambos, já não tem o mesmo peso numa EU esfrangalhada. A “fuga para a frente” destas condições é duplamente uma aventura de aprendizes de feiticeiros. O Conselho Europeu dos próximos dias 28 e 29, em Berlim, tem uma agenda pesada de pontos contraditórios. A política anti-imigração do novo governo italiano,

 
justamente criticada, não apaga que os restantes países europeus não se comprometeram com as cotas de acolhimento acordadas entre si enquanto a Itália recebera até aqui 15 mil imigrantes. Numa demonstração fatal da hipocrisia da humanidade dos chefes do velho continente…a UE parece querer ignorar e o “eixo” parece, em matéria de imigração, só querer avançar para o reforço policial das fronteiras (diz Merkl “Não devemos deixar aos traficantes a decisão sobre quem vem para a Europa”…que se pode interpretar de várias maneiras: só os queremos com uma certa formação, os traficantes que continuem mas respeitando isso, etc.).
A desumanidade da administração Trump na separação de filhos de pais imigrantes. A saída dos EUA da Comissão da ONU para os Direitos Humanos (por esta ser hostil a Israel…) na sequência da anterior saída da UNESCO, depois de deixar de pagar à agência. De novo pela mesma razão do “antissemitismo” e por não aceitar um árabe na sua presidência.
Os EUA rejeitaram a subida dos preços do petróleo pela OPEP. Mas não se lembraram que isso será útil para parte dos países produtores equilibrarem os seus orçamentos, incluindo alguns contra os quais os EUA decretaram, no passado, sanções comerciais (Irão e Venezuela).
O impacto da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai OSC) e o contraponto que fez com o

A verde os países membros da OSC, a azul osobservadores
desaire dos G7 afirmaram a pujança relativa da organização. Depois da adesão da Índia e do Paquistão, a OSC tornou-se o maior organismo regional do mundo, em termos de cobertura geográfica e população, abrangendo todo o continente eurasiático com mais de 3 mil milhões de pessoas. As economias destes países juntas constituem a maior economia regional do planeta e têm metade da população mundial


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