sábado, 2 de junho de 2018

Debate "O movimento estudantil no Técnico entre 1967 e 1974, por António Abreu

A sessão-debate, realizada no passado dia 29 de Maio, e organizada pela AEIST, a Ephemera, alguns ex-dirigentes da AEIST desse período e  pelo IST tinha como tema “O movimento estudantil no Técnico entre 1967 e 1974”.



 O Pacheco Pereira introduziu o debate, situou-o como integrado num projecto que integra outros debates, uma exposição e uma publicação, referiu a dimensão ímpar da AEIST no movimento associativo português, com um orçamento equivalente a 20-30 milhões de euros, a sua capacidade de mobilização dos estudantes e a sua crescente politização.            Seguiram-se no uso da palavra três antigos presidentes da AEIST António Redol, Fernando Sacramento e Carlos Costa, sendo este o último antes do 25 de Abril.

O António Redol sublinhou que a ruptura definitiva entre os estudantes ocorrera a partir de 1962, com a crise universitária e não apenas a partir de 1967. A orientação do MUD juvenil a partir do final dos anos 40 para a dinamização das associações de estudantes (AAEE), contribuiu para isso, sendo a luta geral nas universidades contra o decreto-lei 40900, acompanhada pelo próprio corpo docente até à sua derrota. Referiu também a importância da criação do CDUL, em cuja direcção as AAEE tinham uma participação maioritária, e a criação do INDU (Instituto Nacional para o Desporto Universitário). E em 1961 o 1º Dia do Estudante foi assinalado com uma participação de 3 mil estudantes. Nesse ano ocorreram o assalto ao Forte de Beja, o assalto ao paquete Santa Maria, a invasão de Goa pela União Indiana. Não sendo, por tudo isto de estranhar a elevada politização em torno da crise académica de 1962. Esclareceu que a defesa da AEIST face à repressão se baseava na ligação aos estudantes, no assegurar de serviços essenciais como a cantina, as folhas para suporte das aulas, a prática desportiva (natação basquetebol, etc.)

O Fernando Sacramento fez uma longa dissertação sobre os novos olhares da escola mas fundamentalmente sobre o seu próprio percurso pessoal numa série de instituições em que participou essencialmente depois do 25 de Abril.

O Carlos Costa referiu as lutas na escola em 1972-1973, a presença da polícia no seu interior, o sacrifício que foi colectivamente assumido pelos estudantes com a perda de um semestre na greve aos exames e as negociações para o fim da greve. Nestas participaram representantes da AEIST, para a qual tinha sido eleito presidente, dos assistentes, de professores e do director que tinha contacto com o governo no desenrolar dessas negociações. Referiu ainda o derrube pelos estudantes de uma câmara para os filmar em plenários, instalada na cobertura do pavilhão de Química. Fez referência à influência crescente, desde 1969, da corrente associativa em que participara. E terminou com o funeral de Ribeiro dos Santos, assassinado pela PIDE no ISCEF, que teve algumas expressões de sectarismo, não muito visíveis para quem observava o funeral.

Pedi para intervir e atribuí esse período de confrontações a dois factos. O primeiro, a sucessiva divisão de vários grupos maoistas que, além de atacarem o PCP, se digladiavam entre si. O segundo, a noção por parte desses grupos que a influência comunista se recuperava depois de as organizações estudantis do PCP terem sido fortemente abaladas com as prisões de 1964-1965. Nas vésperas do 25 de Abril as associações cujas direcções tinham uma influência maioritária do PCP eram a grande maioria em Lisboa.

Lembrei, para além deste episódio a agressão a Violante Saramago, no ISCEF, por um activista da respectiva AE que lhe partiu o nariz depois de lhe ter retirado propaganda que levava consigo.

A propósito da questão do sectarismo vivido principalmente nos anos de 1972 e1973, e porque estava presente na sala o principal agressor de José Manuel Jara, de que falo num outro post, interpelei o Pedro Ferraz de Abreu e, com 46 anos de atraso, acusei-o dessa agressão e de outros factos numa reunião da RIA no ISCEF (a que chamávamos ”Económicas”, tal como o IST era conhecido por “Técnico”). O Ferraz de Abreu respondeu-me, ainda com ar de gozo, que "só lhe tinha dado um tabefe" (!) e apresentou uma narrativa do que se passara bem diferente da que eu avançara.
 
 

 


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