quarta-feira, 18 de maio de 2016

Comentário a escrito de Bernardo Pires de Lima sobre a Venezuela

Bernardo Pires de Lima tem por vezes escritos ou declarações equilibradas. No que respeita a este escrito do Diário de Notícias de ontem dia 17, sobre a Venezuela isso não aconteceu
 
 
Isso suscitou-me o seguinte comentário no DN:
 
 
A questão da carência na distribuição de bens alimentares pelos grandes distribuidores é ou não um acto de sabotagem, já que a produção de bens alimentares existe?
A paragem da produção em empresas privadas resulta ou não de decisão patronal não fundamentada?
A queda dos preços do petróleo resulta ou não de uma decisão política em que participaram EUA e Arábia Saudita com vista a influir no crescimento de países produtores como a Venezuela, Brasil, China e Angola, entre outros, mas com particular incidência nestes?
Esta arma tem ou não sido utilizada no quadro de outras condições para a reali
zação de golpes constitucionais, sem (obrigatória) intervenção militar, com outras como o domínio dos principais media pelos grupos económicos, sua capacidade de propagação no mundo "ocidental" com silenciamento que também intervêm como grupos de pressão anti-constitucionais, uma instrumentalização política de decisões judiciais?
A arma do preço do petróleo tem ou não sido usado nas últimas décadas pelos grandes países produtores por razões estritamente políticas que não têm nada a ver com a oferta-procura?
Chamar-lhe-ão chavismo/madurismo, lulismo/dilmismo, correaismo, luguismo, evomoralismo, até o castrismo ou o kircherenismo? Mas estamos a falar de quê? Não são opções populares desses povos através de eleições livres e democráticas? Não têm como traços comuns a elevação social das populações, a concretização dos direitos à saúde, educação, segurança social, a libertação do domínio do grande vizinho do norte?
E nada disto terá a vêr com o aparecimento de uma nova realidade planetária no início dos seus efeitos, os BRICS, ou com a fuga ao dólar como única base, logo manipulável, das relações comerciais, com a criação de um banco internacional de investimento em infraestruturas que reduzam o abismo com os países mais ricos? E que a que os EUA querem pôr fim?
A História ainda foi escrita há pouco tempo mas promete ser uma das realizações humanas mais empolgantes das últimas décadas.