sábado, 10 de fevereiro de 2018

EUA e Israel bombardeiam a Síria e querem impedir a paz que está a ser negociada em Sotchi


Nos últimos dias, ocorreram acontecimentos de carácter contraditório relativamente ao processo de paz na Síria.

1. Por um lado, por iniciativa de Vladimir Putin, e com o patrocínio do Irão, da Rússia e da Turquia, realizou-se o Congresso do Diálogo Nacional Sírio na cidade de Sotchi.
Este reuniu cerca de 1500 delegados sírios de todas as origens, confissões e quase todos os pensamentos políticos. Só o “Comité das Negociações (pró-saudita) e o YPG (pró-francês)
Se bem que não ...tenha posto fim ao conflito, marginalizou os grupos que pretendem representar os sírios por conta de alguns países ocidentais. O consenso traduziu-se na criação de uma comissão constituinte. As bases para a paz foram colocadas mas sem a presença de países ocidentais.
Ao contrário de várias expectativas, o representante especial do secretário-geral da ONU, Stefan de Mistura, esteve em Sotchi, reconheceu a legitimidade do Congresso e deu o seu apoio à comissão constituinte. Se não reconsiderar esta posição, isso seria um passo decisivo para se poder aplicar o Plano al-Assad. De 12 de Dezembro de2q01\2, adoptada pela comunidade internacional como resolução 2254 do Conselho de Segurança. Isso seria, ao mesmo tempo, uma derrota do nº 2 da ONU, Jeffrey Feltman que corre em pista própria há seis anos (e mesmo antes, durante 13 meses, noutras funções) para obrigar a República Árabe Síria. E que foi o autor do “plano Feltman”, do tempo de Obama, que defendia a abolição da soberania do povo sírio, a revogação da Constituição, a destituição do Presidente, a dissolução da Assembleia Popular, a interdição do exercício de funções políticas a 120 dirigentes, a dissolução de todos os organismos de defesa da República, a libertação dos presos acusados de terrorismo que considerava como presos políticos e a criação de um “Órgão” de direcção provisória do país.


2. Por outro lado o bombardeamento pela Força Aérea dos EUA de uma coluna de militares sírios e aliados que causou cerca de cem mortos, com o pretexto de que ia atacar posições da SDF, onde estavam conselheiros militares de países ocidentais.
É de notar que os norte-americanos e os franceses actuam militarmente no território sírio, apoiando e dando cobertura aos grupos que combatem o governo sírio, hoje já integrados por um número considerável de terroristas do ISIS. E fazem-no ilegalmente pois não foram convidados pelo governo do país, ao contrário do que acontece com as forças russas e apoiadas pelo Irão, estas sim convidadas pelos órgãos de soberania sírios.

Caça F-16 israelita abatido quando bombardeava alvos na Síria

3. No dia de ontem um avião F-16 israelita foi abatido pelo fogo anti-aéreo sírio e veio a despenhar-se no lado israelita da fronteira. Isto aconteceu quando os caças israelitas destruíam alvos sírios e do Hezbollah.

A Rússia e a ONU manifestaram preocupações quanto a este ataque de Israel que configura uma operação conjunta com os EUA. Os dirigentes russos manifestaram que é sua preocupação a ameaça de escalada de tensão dentro e ao redor das zonas de desagravamento do conflito na Síria, cuja criação se tornou um factor importante para a redução da violência no solo sírio. As quatro zonas, incluindo uma no sul da Síria, são um mecanismo apoiado pela Rússia, Turquia e Irão, destinado a esvaziar o potencial de conflito na Síria e levar a uma transição pacífica negociada.
Moscovo acrescentou que militares russos estacionados na Síria e que considerava inaceitável qualquer ameaça para suas vidas.
Em Agosto passado Netanyahu esteve com Putin, em visita à Rússia.
Ia preocupado com vários objectivos que vira derrotados, como a queda da Síria e de Assad, à mão de terroristas da al-Qaeda e do ISIS e a derrota do “ eixo da resistência” Irão-Síria-Hezbollah. E queria reverter parcialmente essa situação. Só que Moscovo não aceitou intervir na retirada da presença iraniana junto das suas fronteiras ou suspender o fornecimento de armas ao Hezbollah.
O dirigente israelita estava com debilidades evidentes: em Israel há resistência à preparação de uma guerra, o domínio dos céus da Síria e do Líbano já não é seu exclusivo,  conta com duas novas grandes potências perto das suas fronteiras, vários grupos que actuam no terreno apoiando a Síria adquiriram grande formação do Hezbollah,  e este movimento já detém e usa armamento avançado e, pese embora a investida dos EUA e Israel a guerra no Médio Oriente, que tão cara era aos dirigentes de ambos os países, caminha para um final.
O que, resumidamente, deveria conduzir a que Israel se adaptasse às novas realidades do “Eixo da Resistência” e da Rússia junto a ele.

1 comentário:

  1. É mais que claro e evidente que o "americanismo" e o "sionismo" são parte integrante e constitutiva do actual imperialismo!

    ResponderEliminar