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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Bom fim de semana, por Jorge

"Procurei escrupulosamente não rir, 

não chorar, nem detestar as ações humanas, mas entendê-las"  

   

Baruch Espinosa 
filósofo racionalista holandês de origem portuguesa  (1632-1677) 
em Tratado Político ed. Temas e Debates, 2012.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

O AUKUS prepara, a prazo, a guerra nuclear contra a China

  

1.No passado dia 15 de Setembro, os EUA, Reino Unido e Austrália anunciaram um tratado entre eles que criava o AUKUS,…,explicitamente para combater a influência da China, ficando claro que pretende ser instrumento de guerra nuclear contra este país.

O AUKUS não é apenas um cão raivoso. Nem uma estirpe de vírus. Nem tão pouco uma variante pós-moderna de monstros primitivos. Nem uma recriação de poderio perdido pelo Reino Unido depois do Brexit através de uma nova “anglosfera”. Nem apenas o “tratado dos submarinos nucleares. Nem apenas uma nova “NATO” para a região do Indo-Pacífico. Mas poderá ter de tudo isso um pouco.

Nem é apenas uma punhalada da Austrália à França com desvio de mais de 56 mil milhões de euros de um negócio da França com a Austrália de venda de 12 submarinos para negócio semelhante, mas com os EUA…É, sem dúvida, um negócio também tanto mais mafioso quanto a França não terá sido consultada para a rutura do contrato e que fará entrar a Austrália no domínio do armamento nuclear.

E também se anuncia como não tratando apenas de dotar a Austrália com submarinos de propulsão nuclear, mas também de a equipar com mísseis Tomahawk e Hornet, e de a fazer participar nas pesquisas em matéria de mísseis hipersónicos, capazes de rivalizar com os mísseis nucleares russos.

Já anteriormente tinha sido lançado o Diálogo de Segurança Quadrilateral (QUAD) – integrado pelos EUA, Austrália, Japão e Índia, também visando o confronto na região do Indo-Pacífico.

Tal como o PCP referiu “a agressividade do imperialismo, mais do que força, traduz debilidade face à crise estrutural do capitalismo e ao declínio relativo dos EUA e de outras potências capitalistas, que estes procuram contrariar por todos os meios” (1).

 

2.Numa primeira reacção, o governo da China salientou que os EUA sancionaram noutras alturas e unilateralmente outros países por desenvolverem tecnologia de enriquecimento de urânio, mas pouparam a Austrália, o que certamente trará o risco de proliferação de tecnologia nuclear e materiais nucleares e impactará o sistema internacional de não proliferação nuclear.

O Primeiro-Ministro da China foi taxativo: "Os submarinos nucleares são forças de segurança estratégicas com capacidade para entregar armas nucleares. A ação da Austrália quebrará o equilíbrio estratégico regional e transformará o compromisso assumido ao assinar o Tratado de Zona Franca Nuclear do Pacífico Sul em letra morta" (2).

Até agora, apenas os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas dispunham de submarinos de propulsão nuclear. A Índia tornou-se o sexto e a Austrália deverá ser o sétimo. 

A oposição ao projeto vem também de organizações internacionais de cientistas, que dizem “esperar a proliferação de tecnologia nuclear militar muito sensível nos próximos anos, com toneladas de novos materiais nucleares em circulação, livre ou sem salvaguardas internacionais, em rutura com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) que apenas permite que países sem armas nucleares produzam urânio altamente enriquecido para combustível de reator naval e que no entanto, o acordo para transferir tecnologia de submarinos nucleares dos EUA ou do Reino Unido, incluindo possivelmente urânio altamente enriquecido, foi descrito como um ato de proliferação nuclear” (3)

A China e os restantes países da ASEAN e de outros países da região ao longo do tempo, dotaram a região de grande dinamismo, que se traduziu no crescimento mais rápido do mundo. No seu seio vários países mantinham alguma tensão com a China nomeadamente na disputa de fronteiras marítimas. O aparecimento do AUKUS aproveitou-se disso e avançou para criar novas tensões regionais. Lançou uma sombra sobre a paz, estabilidade e desenvolvimento da região. E dificultará a construção de uma zona livre de armas nucleares no Sudeste Asiático.

A favor da AUKUS, além dos autores, estão até agora Taiwan e as Filipinas. Os restantes países da região estão contra ou mantêm um distanciamento crítico ou ainda não se pronunciaram.

 

3.O distanciamento da UE ficou logo expresso pela Presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, que discursava sobre o Estado da União (no próprio dia de anúncio do Pacto AUKUS), que declarou ter ficado “em choque”. Ela evocava, então, a sua nova estratégia na zona do Indo-Pacífico, quando os britânicos lhe tiravam o tapete debaixo dos pés…

Numa declaração posterior de Joseph Borrell foi por ele afirmado que o desenvolvimento das relações com a China é uma agenda importante da UE e é muito importante para os dois lados manterem uma comunicação próxima e tranquila, disse o ministério. A UE, continuou ele, está disposta a trabalhar com a China para se preparar para a próxima fase de intercâmbios de alto nível entre as duas partes.

A UE sempre segue a política de uma só China, que é uma pedra angular importante de suas relações com a China e a UE não realizará intercâmbios oficiais com a região de Taiwan, disse ele.

Borrell acrescentou que o bloco está pronto para continuar a fortalecer a cooperação com a China no combate ao COVID-19, mudança climática e conservação da biodiversidade.

Emanuel Macron terá saído humilhado ao receber a carta do primeiro-ministro australiano Scott Morrison a horas de ser anunciada a decisão de cancelar o contrato firmado em 2016 para comprar 12 submarinos convencionais do Grupo Naval da França em favor de submarinos nucleares construídos com tecnologia dos EUA. Humilhado também o foi porque a França é a única nação europeia presente na região com perto de dois milhões de cidadãos e mais de 7 mil militares…e porque os EUA mandaram às malvas…

Como se sabe, a França não está restrita ao território europeu, antes dispondo de uma constelação de territórios em todo o mundo, e faz dela o segundo maior domínio marítimo mundial (depois dos Estados Unidos). Na região do Indo-Pacífico, ela possui os departamentos da Reunião e de Mayotte, as comunidades da Nova Caledónia e da Polinésia Francesa, o território de Wallis e Futuna, as Terras Austrais e Antárcticas francesas (TAAF). O conjunto é habitado por 1,6 milhões de franceses.

Para muitos analistas estes factos levantam uma questão mais geral sobre a relação entre a Europa e os Estados Unidos, que está a “afastar-se” e não parece importar-se muito com a opinião “europeia”. O sistema de “consultas transatlânticas” está a entrar em falência e afecta, uma vez mais, a já tão depauperada fiabilidade dos EUA entre os seus “aliados” europeus.

Entre nós Nuno Severiano Teixeira, (só mesmo ele…) sempre ao dispor da falcoaria atlantista, publicou um escrito que mais parecia um press-release da própria novel organização. (4).

 

4. Este afastamento dos EUA de decisores europeus faz emergir de novo as opiniões entre estes que, face aos fracassos sucessivos da NATO, as estruturas e forças desta deveriam passar em assumir em exclusivo o comando destas forças.

De novo a questão do exército europeu esbarrará na oposição dos EUA e Reino Unido.

Mas este exército, face às atitudes conhecidas dos estrategas militares europeus, traria uma acentuada dependência da soberania, e alargaria o quadro das missões em que Portugal e outros países teriam de participar.

Os principais dirigentes europeus têm declarado que querem este exército para confrontar a “ameaça russa”, para defender valores e direitos próprios da sua “civilização”.

Borrel celebrizou-se com as entradas de leão contra a China, para logo sair delas, de sendeiro no jeito mas não nas ideias.

E esta intervenção seria na maior parte dos casos com fins não meramente humanitários, mas também de domínio de riquezas minerais e outras e de controlo do território que poderia facilitar intervenções de outros organismos internacionais contra governos locais, afectando seriamente as soberanias. E isto não são suposições. Já tem sido realizado nomeadamente em vários países do Sahel, à boleia do antigo domínio colonial francês e das referências francófonas de uma parte do continente africano. E os ingleses também intervêm noutras zonas “da sua influência”.

 






 


(1) Comunicado do Comité Central de 28/09/21.

(2)https://news.cgtn.com/news/2021-09-28/Wang-Yi-AUKUS-nuclear-submarine-deal-poses-hidden-dangers-13VRWyKyfC0/index.html

(3)https://thebulletin.org/2021/09/the-new-australia-uk-and-us-nuclear-submarine-announcement-a-terrible-decision-for-the-nonproliferation-regime/

(4) Publico, 06/10/21.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Até já!


Durante cinco meses não pude estar em contacto convosco.

Regressarei dia 15 deste mês.

Até já, então.

(pintura de Roberto Chichorro)

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Bom fim de semana, por Jorge



                            "Life is ours to be spent, 

                                not to be saved."




                      "A vida é nossa para ser gasta, 
                        não para ser economizada."

                                  D.H. Lawrence (escritor inglês, 1885-1930)



sexta-feira, 14 de maio de 2021

Bom fim de semana, por Jorge

 


"Che non men di saver, dubbiar m’aggrata" 

"Não me agrada menos duvidar do que saber."




Dante Alighièri 
poeta italiano, 1265-1321 
no Inferno, canto XI

Prosseguem as agressões israelitas contra palestinianos





Conflitos em grande escala estão a ocorrer desde 7 de maio entre palestinianos e a polícia israelita, levando à maior escalada na Faixa de Gaza nos últimos anos.

A responsabilidade pelo desencadear da violência foi da responsabilidade de Netanyahu que, talvez queira sair desta provocação em escalada como defensor do povo judeu ameaçado, que lhe garanta apoio no Knesset para formar governo, o que não tem estado a conseguir.

Os incidentes começaram em duas áreas de Jerusalém Oriental ao mesmo tempo. Continuar aqui.

A primeira foi perto da Mesquita Al-Aqsa.

Mais uma vez a perseguição aos fiéis palestinianos no Domo da Rocha - domo da mesquita – com espancamentos e tiros, levaram à entrada da polícia na mesquita, que provocou destruições que, prontamente os palestinianos repararam. Esta cena repete-se há anos. Só que desta vez a violência foi maior. A ocupação também impõe restrições ao povo de Jerusalém e impede-o de realizar as orações e praticar o culto na Mesquita de Al-Aqsa. A polícia israelita passou a receber ordens para impedir que jovens e crianças lá vão, e às vezes impõe apenas aos maiores de 60 anos a permissão de entrar na Mesquita. A deportação de Jerusalém é praticada periodicamente e por decisões dos tribunais alinhados com o governo. Por exemplo, o sheik Raed Salah, que assumiu a prefeitura do município de Umm al-Fahm, vem sofrendo repetidas ordens de afastamento da mesquita de Al-Aqsa e prisões periódicas, devido à sua descoberta das escavações a que a mesquita está sujeita e à sua posição contrária às medidas de profanação de Jerusalém e de judaização sionista.

Na figura em baixo figura a mesquita e também,em baixo à esquerda, o muro das lamentações judaico.

Desde que o projeto sionista teve início na Palestina, e desde a ocupação britânica há cerca de cem anos, a mesquita Al-Aqsa está ameaçada de judaização, mas o povo de Jerusalém e da Palestina e os seus apoiantes têm travado essas conspirações.

Jerusalém, entretanto ocupada por Israel, e, em particular, a Cidade Velha e a Mesquita de Al-Aqsa, são expostas diariamente a múltiplas formas de racismo.

Esta mesquita, bem como o Domo da Rocha, tornaram-se símbolos do movimento nacionalista palestiniano. Mesmo quando o estado de Israel conquistou Jerusalém Oriental em 1967, e procedeu à reunificação da cidade, manteve a administração da mesquita nas mãos dos muçulmanos

A tentativa israelita de fazer judeus e muçulmanos partilharem a mesquita de Al-Aqsa como local de culto vai contra as normas e tradições internacionais. A Mesquita de Al-Aqsa é dos palestinos, e os ocupantes sionistas não tem direito nenhum a ela.

Os habitantes de Jerusalém sofrem com a falta dos direitos mais básicos, de modo que a ocupação lhes impõe, por exemplo, taxas que chegam a centenas de milhares de dólares para conceder uma licença de construção, sem falar que a espera por esta se arrasta por muitos anos. A ocupação também impõe restrições ao povo de Jerusalém e impede-o de realizar as orações e praticar o culto na Mesquita de Al-Aqsa. A polícia israelita passou a receber ordens para impedir que jovens e crianças lá vão, e às vezes impõe apenas aos maiores de 60 anos a permissão de entrar na Mesquita de Al-Aqsa. A deportação de Jerusalém é praticada periodicamente e por decisões dos tribunais alinhados com o governo. Por exemplo, o sheik Raed Salah, que assumiu a prefeitura do município de Umm al-Fahm, vem sofrendo repetidas ordens de afastamento da mesquita de Al-Aqsa e prisões periódicas, devido à sua descoberta das escavações a que a mesquita está sujeita e à sua posição contrária às medidas de profanação de Jerusalém e à judaização sionista.

 

A segunda área de incidentes foi no bairro palestiniano de Sheikh Jarrah, onde várias famílias árabes estão a ser despejadas para nesses locais serem construídos colonatos judeus. Esta decisão, baseada na consideração de que no passado tinham ali vivido judeus, quando da formação do estado de Israel, em 1948, passando a zona a ser ocupada pelos palestinianos. Este “direito” foi judicialmente contestado e o tribunal israelita que a está a julgar a questão adiou uma decisão, o que foi encarado pelos palestinianos como uma pequena vitória. Os palestinianos manifestaram-se nas ruas de Sheik Jarrah contra este novo roubo de terrenos palestinianos, a que a polícia respondeu com repressão e tiros. No local, junto à Porta de Damasco (porta norte da cidade velha) realizou-se também uma manifestação de centenas de judeus fundamentalistas em resposta ao apelo “Morte aos árabes!”, slogan que foi repetido ao longo de horas.

 

Depois disto na faixa de Gaza, o Hamas, que foi eleito democraticamente para dirigir este território, tem lançado rockets sobre várias cidades de Israel. Nesta sexta-feira em que escrevo já morreram dezenas de palestinianos e doze judeus. Israel atacou na quinta-feira por ar e por terra junto a Gaza, tendo usado 160 aviões (!!).

Os israelitas estarem a ser atingidos em várias cidades provocou já o medo, resultante disso e das manifestações dos israelitas árabes, em solidariedade com os palestinianos, em várias cidades, com múltiplas situações de violência de parte a parte, que lhes retira a segurança em que têm vivido, lado a lado com os árabes.

Netanyahu quer esmagar os palestinianos mas já ele e outros o tentaram antes. E apesar das muitas mortes e sofrimentos atrozes, não o conseguiram.

O Secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken e a chanceler alemã, Angela Merkl, referiram-se a estes incidentes como reconhecendo o direito de Israel se defender. Mas não foram tão compreensíveis com o direito dos palestinianos se defenderem das agressões israelitas.

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Bom fim-de semana, por Jorge

 "O que hoje não sabemos amanhã saberemos"






Garcia de Orta (médico português, 1501-1568)


Cubadisco 20/21

 


A grande discoteca de Cuba - a Feira Internacional do Cubadisco, decorrerá de 15 a 23 de maio na sua 

edição de 2020-21, que contempla produções fonográficas e audiovisuais de dois anos, e se valida como 

autêntico presente, de e para quem ama e defenda música cubana. 


Uma Mesa Redonda tratou da sua importância e repercussão na dinâmica de desenvolvimento da indústria 

musical cubana.

Solidariedade com a India: Mais de 12 milhões de infectados e quase 212 mil mortos