quarta-feira, 1 de maio de 2019

Uma vez mais um golpe da extrema direita é derrotado na Venezuela, por António Abreu


Na madrugada de ontem (30), forças golpistas acompanhadas por Juan Guaidó , contando com cerca de trinta militares e polícias tentaram tomar a base militar de La Carlota, na Venezuela, mas foram impedidos disso por forças leais ao governo de Nicolás Maduro. A comunicação social “ocidental” inicialmente procurou confundir a população afirmando que a intentona golpista teria tido sucesso. Antes convidou a população a aderir

Apoiantes de Guaidó retiraram um dirigente oposicionista preso que estava em prisão domiciliária, por promover a violência para se juntar a ele no palanque de onde fez o apelo ao golpe para as televisões internacionais. Toda esta operação decorreu num único ponto exterior à base militar de La Carlota, junto de um distribuidor de transito. Daí Guaidó fez um apelo patético para as forças armadas se juntarem a ele.
Santos Silva, MNE português, disse então em Pequim que estava a acompanhar a situação e convidando os lusodescendentes 
da Venezuela a não sair às ruas de Caracas por estarem muito perturbadas com os acontecimentos…Santos Silva devia pedir desculpa porque os conflitos promovidos por este grupo golpista ocorreram apenas no local referido e no resto da cidade nada aconteceu nem os correspondentes estrangeiros deram conta disso para poderem gravar imagens e recorrendo
O grupo, com pedras e gás lacrimogénio tentou entrar no perímetro da base, mas a guarda nacional impediu-o, recorrendo a conversas com ele. Quando a ação desses cerca de cento e cinquenta golpistas se tornou mais agressiva, os guardas em quatro veículos blindados fizeram uma aproximação deles, mas o grupo, com cocktails molotov, incendiou um dos veículos e um outro carregou sobre manifestantes ferindo seguramente alguns dos golpistas. Destes não saíram só pedras. Houve ouve espingardas e metralhadoras. Um autocarro foi incendiado
Vinte cinco dos “seus militares” e o dirigente da oposição libertado por eles, pediram asilo em embaixadas, abandonando os seus num gesto de cobardia política.
Por essa altura Santos Silva já pedia que não houvesse excesso de força contra os oposicionistas, mas antes da derrota da tentativa golpista não acautelou para o banho de sangue a que poderia ter dado origem onde os lusodescendentes seriam, certamente envolvidos.
Guaidó não teve apoiantes nem as forças armadas, e hoje falou num novo palanque para um número reduzido de pessoas enquanto em apoio da revolução se manifestaram em Caracas centenas de milhares de pessoas no 1º de Maio valorizando o papal dos trabalhadores na revolução Chavista.
A cobertura mediática[   em Portugal foi miseravelmente  parcial, mentirosa e até nos faz vergonha ter um José Rodrigues dos Santos a fazer diatribes como a da abertura do telejornal de ontem à noite. Um autêntico palhaço…
Os recentes movimentos de Guaidó mostram que ele perdeu dinâmica e força depois do golpe a propósito da ajuda humanitária americana que o governo não aceitou com o descontrole cum que tinha sido preparada, mas principalmente desde que desafiou o líder venezuelano Nicolas Maduro como presidente interino autodeclarado em janeiro.
Agora é a vez da administração norte-americana ser mais assertiva no tocante a uma invasão para tirar Maduro do poder. E ter os seus homens nos locais certos depois de umas supostas eleições por eles organizadas quando tivessem feito correr rios de sangue. Se é que tal coisa se pudesse realizar depois das posições de solidariedade com o governo venezuelano por parte da Rússia, da China, do Irão, da Turquia, de Cuba, da Bolívia.
O governo venezuelano pediu já à Procuradoria Geral da República que destacasse procurados para apurar reponsabilidades pelos aconcimentos com vista a decorrerem os processos judiciais contra os responsáveis.


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Bom fim de semana, por Jorge


"The brain is wider than the sky"                      


"O cérebro é mais vasto do que o céu"

Emily Dickinson (poetisa americana, 1830-1886) 

lema da excelente exposição da Gulbenkian, 
a ver até 10 junho

Um debate com quase um século e as mentirolas recentes de Alan Greenspan, por António Abreu


Entre 1920 e 1950, ocorreu um debate que definiu o futuro da economia capitalista na segunda metade do século XX.
De um lado estavam John Maynard Keynes e Frank Knight. Do outro, Frank Ramsey e Jimmie Savage.
Knight e Keynes acreditavam na omnipresença da "incerteza radical". Não só não sabíamos o que iria acontecer, mas tínhamos uma capacidade muito limitada de descrever as coisas que poderiam acontecer. Eles distinguiram o risco, que poderia ser descrito com o auxílio de probabilidades, da incerteza real que não poderia. No mundo de Knight, tais incertezas deram origem às oportunidades de lucro que eram a dinâmica de uma economia capitalista. Keynes viu essas incertezas como a raiz da inevitável instabilidade nestas economias.
Os seus oponentes insistiram, contrariamente, que todas as incertezas poderiam ser descritas em termos probabilísticos. E estes seus oponentes venceram, até porque o seu mundo probabilístico era conveniente: poderia ser descrito axiomaticamente e matematicamente. É difícil exagerar a consequência prática do resultado desse argumento técnico. Reconhecer o papel da incerteza radical é derrubar as fundações da teoria das finanças e da macroeconomia modernas. Mas o consenso reinante está envolvido em fraquezas gritantes.
Segundo o analista de economia John Kay, estes anos revelaram que Keynes e Knight estavam certos e que os seus oponentes estavam errados. E o reconhecimento disso é uma questão prévia necessária à reconstrução de uma teoria económica mais relevante.

Dentro desta linha de pensamento dominante, e já depois dos colapsos a que conduziu a globalização capitalista, o mundo teve que passar pela crise da bolha imobiliária. O ex-presidente do Fed (1), Alan Greenspan, foi identificado como o principal culpado na criação de condições para a crise financeira, em particular por se opor a uma maior regulamentação e promover uma bolha imobiliária. Hoje, Greenspan já está no Capitólio. E desta vez fala em termos que todos nós podemos entender: admite alguma responsabilidade, mas furta-se à culpa final.
Em afirmações recentes, declarou que estava "em estado choque de descrença" com a crise financeira, um "tsunami de crédito que ocorre em cada século". O deputado Henry Waxman, perguntando a Greenspan se ele tinha cometido um erro e se sua ideologia tinha falhado com ele. Greenspan admitiu que "cometeu um erro" ao acreditar que as empresas financeiras poderiam administrar seus riscos, sendo "mais capazes de proteger os seus próprios acionistas". Em particular, disse estar errado sobre o perigo representado pelos contratos swap de crédito (2).
O colapso “chocou-me", disse. "Eu ainda não entendo completamente por que isto aconteceu. E, obviamente, onde isso aconteceu e por que devo mudar os meus pontos de vista. Se os fatos mudarem, então mudo."
Como se vê o mea culpa de Greenspan e é muito limitado. Ainda por cima por não aceitar a ideia de que suas políticas ajudaram a promover uma bolha. E quando pressionado sobre seus comentários públicos exaltando a atratividade das hipotecas de taxa ajustável, ele disse que nunca disse que tais empréstimos não eram arriscados ou preferíveis a empréstimos com taxas fixas...
Mais tarde, Greenspan disse que ficou claro para ele que os Estados Unidos estavam com uma bolha imobiliária no início de 2006 e que não previam um declínio significativo nos preços dos imóveis porque "nós nunca tivemos esse problema". O que é certo é que os economistas vinham alertando sobre a bolha imobiliária há vários anos, e a bolha em alguns relatos estalou em 2006. Como pode um presidente da Reserva Federal mentir tanto e enjeitar tanto a incapacidade (?) de tomar medidas atempadas?…
A explosão dos empréstimos subprime, especialmente o tratamento febril na securitização desses empréstimos, foi a raiz do problema, argumentou Greenspan, mas disse que isso não era óbvio para os reguladores da Reserva Federal. " Como pessoas não fomos suficientemente espertos e não conseguimos prever os acontecimentos com muita antecedência. E é muito difícil dizer retrospetivamente por que o não conseguimos."
É importante não "esperar infalibilidade" dos funcionários do governo, disse Greenspan, ele próprio um ex-funcionário do governo…
E é a tais políticos norte-americanos que nomeiam tais presidentes da Fed que o mundo deve continuar exposto?

(1)  O Sistema de Reserva Federal (em inglês, Federal Reserve System, também conhecido como Federal Reserve ou simplesmente como The Fed) é o sistema de bancos centrais dos Estados Unidos.
(2) Os contratos swap são contratos de cobertura de risco no financiamento que fixam uma taxa de juro a pagar por um empréstimo, ficando uma das partes obrigada a pagar a diferença entre a taxa fixa e a variável, implicando assim perdas para uma das partes.

sábado, 13 de abril de 2019

Bom fim de semana por Jorge



"A formiga, com raiva da barata, votou no inseticida. 
Todos morreram, inclusive o grilo que se absteve do voto." 

Frase de campanha de Fernando Haddad, 
candidadto do PT nas últimas eleições brasileiras

A prisão de Assange e Manning: um golpe para a liberdade de informar e ser informado, por António Abreu


Julian Assange é acusado pela justiça norte-americana de ter conspirado com Chelsea Manning para a ajudar a descobrir uma password que lhe daria acesso a um computador do governo dos EUA em março de 2010.
Segundo o Departamento de Justiça de EUA, Assange ajudou Manning, uma militar norte-americana, antiga analista dos serviços de informação, a descobrir a password que permitia que ela acedesse aos computadores do Pentágono. Chelsea Manning foi condenada nos EUA por espionagem, num tribunal militar, depois de ter entregue milhares de documentos secretos à WikiLeaks, a uma pena de prisão de 35 anos, que viria a ser reduzida pelo presidente Barack Obama em 2010.


Apesar de ter sido acusada, não lhe foi permitido falar com um juiz e, ficou presa, sem qualquer possibilidade de exercer o seu direito de requerer o habeas corpus.
As condições de detenção de Manning na base militar de Quantico (no estado de Virgínia) foram consideradas desumanas e ilegais, tendo sido equiparadas a tortura, pela Amnistia Internacional. Um Relatório publicado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, emitido após investigação, reafirmou que as condições de detenção eram cruéis e desumanas. Manning foi submetida a privação de sono, nudez forçada e diversas formas de tortura psicológica.

Se um político da oposição russa fosse arrastado por policias armados e em três horas fosse condenado com uma longa sentença de prisão, todos nós sabíamos a reação que teriam os órgãos de comunicação social ocidentais a esse tipo de crime invocado pelo juiz. No entanto, isso foi o que exatamente aconteceu em Londres com Julian Assange…
A tentativa dos EUA de processarem o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é um ataque rancoroso às liberdades civis. É uma perseguição a um homem, que envergonhou os EUA ao expor publicamente a brutalidade de Washington no Médio Oriente. Os EUA são a maior superpotência do mundo que luta para manter esse seu domínio. No campo da informação, no domínio tecnológico, no domínio cultural. E o WikiLeaks foi um escolho a tudo isso.
O juiz Michael Snow considerou Assange culpado por não se ter apresentado em tribunal em 2012, quando procurou asilo político na embaixada do Equador.
O juiz distrital Michael Snow mostrou o preconceito mais claro e aberto contra Assange nos 15 minutos que levou para o ouvir no caso e declarar Assange culpado. Julian Assange não disse nada durante todo o processo, a não ser para se declarar “inocente” duas vezes. No entanto, o juiz Michael Snow condenou Assange como "narcisista que não consegue superar o seu próprio interesse egoísta".
Não houve nada que tenha acontecido na breve audiência de Snow que pudesse ter dado origem a essa opinião nem isso era matéria de natureza criminosa. Era claramente algo que o juiz tinha levado consigo para o tribunal, lido ou ouvido na mídia tradicional. Trata-se de preconceito. O "juiz" Michael Snow e o seu julgamento sumário são uma vergonha total.
Um dos advogados de Assange, no início do dia, Jen Robinson disse que “foi preso não apenas por quebra de condições de fiança, mas também em relação a um pedido de extradição dos EUA”. Esta perseguição deveu-se a uma mudança política ocorrida no Equador, na sequência das últimas eleições presidenciais e porque o novo presidente do Equador foi ele próprio alvo de suspeitas de corrupção pelo WikiLeaks
Por seu lado, outro dos seus advogados, Geoffrey Robertson, disse que ele pode enfrentar uma pena pesada de prisão se for extraditado para os EUA. "A América está decidida a colocá-lo na prisão por muito tempo para impedir aqueles que publicam material sobre o comportamento de suas forças armadas”, disse ele à BBC News. As acusações de Assange levariam até 45 anos de prisão, na prática a pena de morte sua atendendo à sua idade e problemas de saúde".
Logo o Departamento de Justiça dos EUA, para facilitar a extradição de Assange do Reino Unido para os EUA, veio a declarar que Assange poderia enfrentar uma pena máxima de 5 anos de prisão.

Apoiar a perseguição de Assange nestas circunstâncias é apoiar a censura absoluta do estado da Internet.
É apoiar a alegação de que qualquer jornalista que receba e publique material oficial que indique irregularidades do governo dos EUA, possa ser punido por sua publicação.
É o perigo que a prisão representa para os jornalistas em todo o mundo e a possibilidade da sua extradição para os EUA.
Além disso, essa reivindicação dos EUA terá um efeito tremendo para a jurisdição à escala universal. Assange não estava sequer perto dos EUA quando publicou os documentos, mas mesmo assim os tribunais dos EUA estão dispostos a reivindicar jurisdição. Esta é uma ameaça à liberdade de imprensa e na internet em todos os lugares.
Apesar do susto que tudo isto provoca nos dias de hoje, esses poderão também ser momentos inspiradores para não deixar passar estes perigos

A história da perseguição a Assange e do que o WikiLeaks revelou pode encontrar-se em muitas publicações e sites como este em

sexta-feira, 29 de março de 2019

Bom fim de semana, por Jorge

"La realtà non è come di appare."
"A realidade não é como parece.

Carlo Rovelli
físico teórico italiano, n. 1956
no título do seu livro de 2014

Há 16 anos, a NATO completou a destruiçao da Jugoslávia


Quando se assinalam 70 anos sobre a formação da OTAN e 16 anos sobre a destruição por esta da Jugoslávia, que se tinha libertado pelas suas próprias forças dos invasores nazis e construído uma forma particular de democracia socialista em que as diferentes nacionalidades e etnias conviviam e partilhavam todas responsabilidades nas funções de direção do Estado, importa relembrar o que foi esta primeira guerra da OTAN contra um país europeu.
Há 16 anos, a OTAN, que hipocritamente se continua a considerar "organização de defesa coletiva", lançou uma guerra ilegal contra a Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), sem base em qualquer resolução da ONU..
A agência noticiosa sérvia, Tanjug, apresentou agora os números que mostram a destruição maciça do país e a perda de vidas.
Anti-aérea de Belgrado contra mísseis da NATO
A Iugoslávia, supostamente responsável pela "catástrofe humanitária" no Kosovo e Metohija, foi atacada depois das chamadas negociações de Rambouillet sobre o futuro estatuto do Kosovo terem falhado. O acordo de Rambouillet previa o destacamento de forças da OTAN para o território da Jugoslávia. A parte iugoslava não queria forças da OTAN no seu território e sugeriu que as tropas da ONU fossem mobilizadas para supervisionar a implementação do acordo de Rambouillet, o que também foi confirmado pelo parlamento iugoslavo. 
Insatisfeita, a OTAN desencadeou uma massiva investida militar contra o pequeno país e seu povo, o que levou à destruição massiva e à perda de vidas. 


O general Wesley Clark, que liderou a campanha, admitiu no seu livro Modern Warfare que o planeamento e os preparativos para a guerra já estavam em andamento no verão de 1998 e finalizados em agosto de 1998. O que realmente implicou que Rambouillet nunca iria ter qualquer sucesso.



Hoje a "Tanjug" listou alguns números que foram divulgados pelo governo sérvio, que mostram os resultados devastadores e a destruição do país pelo ataque conduzido pela OTAN:


• Mais de 2.500 pessoas mortas, das quais mais de 1.500 civis e 12.500 pessoas feridas
• Um terço da capacidade de eletricidade e energia do país destruída
• Custo total de destruição acima de 100 mil milhões de dólares
• Não existe uma cidade na Sérvia que não tenha sido alvo da NATO.

A extensão dos danos estruturais foram:
• 25.000 casas e apartamentos
• 470 km de estradas
• 595 km de ferrovia
• 14 aeroportos
• 39 hospitais e centros médicos
• 69 escolas,19 jardins de infâcoia e 176 objetos culturais
• 82 pontes

O ataque massivo da OTAN ao pequeno país envolveu:
• 1.150 aviões com 2.300 ataques por aviões
• 1.300 mísseis de cruzeiro
• Lançamento de 37.000 bombas de fragmentação [proibidas]
• Cerca de 22.000 toneladas de bombas e outras munições incluido com urânio empobrecido

Após os esforços diplomáticos, o bombardeio e a agressão cessaram com a assinatura do Acordo Técnico Militar de Kumanovo [Macedónia] em 9 de junho, que previa a retirada do Exército iugoslavo do Kosovo em três dias.
Naquele dia em que o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 1244, cerca de 37.000 soldados da KFOR , a força de manutenção da paz do Kosovo comandada pela OTAN, foram enviados para o Kosovo, com mandato para garantir a paz e a estabilidade e permitir o regresso dos refugiados, até que um amplo estatuto de autonomia fosse negociado para o Kosovo.


Com o apoio dos EUA, da OTAN e da maioria dos Estados da UE, o Kosovo declarou a sua independência em 2008 ...! E foram os mesmos países que em tom empolgado se opõem à autodeterminação da Criméia ou outras partes da Ucrânia ...!Essa analogia do Kosovo com a Crimeia tem sido freqüentemente usada para explicar a hipocrisia dos EUA ao não aceitarem a votação na Criméia,
A independência do Kosovo foi totalmente orquestrado pelo Ocidente para os seus propósitos, armando e usando o KLA (grupo terrorista ligado ao narcotráfico, de que saíram os primeiros dirigentes deste país que se viria a revelar um estado falhado

sábado, 23 de março de 2019

Bom fim de semana, por Jorge

"O dinheiro não traz felicidade 
- para quem não sabe o que fazer com ele.

Machado de Assis (escritor brasileiro, 1839-1908)

O “partido americano” nas instituições da União Europeia, por Manlio Dinucci


O Parlamento Europeu acaba de adoptar uma resolução para que a União cesse de considerar a Rússia como um parceiro estratégico, mas mais como uma inimiga da Humanidade. Ao mesmo tempo, a Comissão adverte contra a ameaça chinesa. Tudo se passa como se os Estados Unidos manobrassem a União para fazê-la entrar na sua estratégia supremacista.

 | ROMA (ITÁLIA)  

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Antiga Ministra dos Negócios Estrangeiros da Letónia e antiga Comissária Europeia da Agricultura, Sandra Kalniete trabalha desde a independência de seu país contra a União Soviética. É uma das autoras da Declaração de Praga (2008), condenando os crimes do comunismo. Compara o nazismo ao comunismo através do Grupo de Reconciliação das Histórias Europeias. E hoje prossegue o seu trabalho contra a Rússia.
“A Rússia já não pode ser considerada um parceiro estratégico e a União Europeia deve estar pronta para impor-lhe novas sanções se ela continuar a violar o Direito Internacional”: esta é a resolução aprovada pelo Parlamento Europeu, em 12 de Março, com 402 votos a favor, 163 contra e 89 abstenções [1].
A resolução, apresentada pela deputada letã, Sandra Kalniete, nega principalmente a legitimidade das eleições presidenciais na Rússia, defenindo-as como “não democráticas”, apresentando assim o Presidente Putin como um usurpador.
- Acusa a Rússia não só de “violar a integridade territorial da Ucrânia e da Geórgia”, mas de “intervir na Síria e interferir em países como a Líbia” e, na Europa, de “interferir com o objectivo de influenciar as eleições e aumentar as tensões”.
- Acusa a Rússia de "violar acordos de controlo de armas", atribuindo-lhe a responsabilidade de ter prejudicado o Tratado INF.
- Acusa-a, também, de “extensas violações dos Direitos Humanos dentro dela, incluindo tortura e execuções extrajudiciais”, e de “assassinos cometidos pelos seus agentes, com armas químicas, em solo europeu”.
No final destas e de outras acusações, o Parlamento Europeu declara que o Nord Stream 2, o gasoducto destinado a duplicar o fornecimento de gás russo à Alemanha, através do Mar Báltico, “deve ser interrompido porque aumenta a dependência da UE do fornecimento de gás russo, ameaçando o seu mercado interno e os seus interesses estratégicos”.
A resolução do Parlamento Europeu repete fielmente, não apenas no conteúdo, mas usando as mesmas palavras, as acusações que USA e NATO fazem à Rússia. E, o mais importante, repete fielmente o pedido para bloquear o Nord Stream 2: objectivo da estratégia de Washington visando reduzir o fornecimento de energia da Rússia à União Europeia e substituí-la com o proveniente dos Estados Unidos ou mesmo, de empresas americanas.
No mesmo âmbito, enquadra-se a comunicação da Comissão Europeia aos países membros [2], entre os quais, a Itália, com a intenção de aderir à iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda:
- A Comissão adverte que a China é um parceiro, mas também um concorrente económico e, mais importante, “um rival metódico que promove modelos alternativos de governação”, por outras palavras, modelos alternativos à governação dominada até agora pelas potências ocidentais.
- A Comissão adverte que é necessário antes de tudo “salvaguardar as infraestruturas digitais críticas, de ameaças potencialmente perigosas para a segurança”, derivadas das redes 5G fornecidas por empresas chinesas como a Huawei, banida nos Estados Unidos.
- A Comissão Europeia repete fielmente o aviso dos Estados Unidos aos Aliados.
O Comandante Supremo Aliado na Europa, o General americano, Scaparrotti, alertou que as redes móveis ultra rápidas da quinta geração desempenharão um papel cada vez mais importante nas capacidades bélicas da NATO, de modo que não se admitem “ligeirezas” da parte dos aliados. Tudo isto confirma qual é a influência que o “partido americano” exerce, um poderoso alinhamento transversal que orienta as políticas da União em simultâneo, com as linhas estratégicas USA/NATO.
Ao construir a imagem falsa de uma Rússia e China ameaçadoras, as instituições da UE preparam a opinião pública para aceitar o que os EUA estão a preparar para “defender” a Europa:
Os Estados Unidos - declarou à CNN um porta-voz do Pentágono - estão a preparar-se para testar mísseis balísticos com base em terra (proibidos pelo tratado INF destruído por Washington), isto é, novos mísseis europeus que farão novamente da Europa, a base e ao mesmo tempo, o alvo de uma guerra nuclear.
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sexta-feira, 15 de março de 2019

Bom fim de semana, por jorge


We are close to the tipping point where 
global warming becomes irreversible."
"Estamos perto do ponto de viragem em que 
o aquecimento global se torna irreversível."
Stephen Hawking 
físico e cosmologista inglês, 1942-2018







"Nobody made a greater mistake 
than he who did nothing 
because he could do only a little."
"Não há maior erro que o 
de não fazer nada 
porque só se pode fazer pouco."

Edmund Burke 
político e filósofo irlandês, 1729-1797)