Segundo o China Daily da passada
2ª feira, três departamentos responsáveis pela implementação de políticas de
planeamento familiar foram substituídos na nova estrutura da Comissão Nacional
de Saúde (CNS).
Os departamentos foram
substituídos por um novo enfoque na monitorização populacional e no
desenvolvimento da família, e serão responsáveis por apresentar conselhos sobre
políticas de nascimento.
E três novos departamentos foram
criados para cuidar da família, dos idosos e da saúde ocupacional.
A CNS especificou ainda 14
responsabilidades particulares da comissão após a reestruturação organizativa,
incluindo a formulação de políticas nacionais de saúde, a coordenação e o
aprofundamento dos cuidados médicos e as reformas do sistema de saúde, prevenção
e controle de doenças e formulação de políticas farmacêuticas.
Enfatizou a importância de construir um
sistema abrangente de prevenção de doenças e de enfrentar os desafios
decorrentes do envelhecimento da população.
Em Março, o "planeamento
familiar" foi retirado do nome da comissão como parte de uma ampla reforma
do governo para reformar os departamentos oficiais e reduzir a burocracia.
"A reestruturação não
significa que o planeamento familiar deixe de existir" segundo Yuan Xin,
especialista em estudos da população da Universidade Nankai, da cidade de
Tianjin.
"Mas na nova era, as
principais tarefas deixam de ser o controlo de nascimentos, proporcionando a
prestação de serviços reprodutivos abrangentes no desenvolvimento das
famílias."
Em 2017, 16,2%por cento da
população tinha 60 ou mais anos
Cerca de um terço da população do
país terá mais de 60 anos em 2050, segundo o Comitê Nacional de Trabalho sobre
Envelhecimento da China.
Em comparação, o número de
pessoas em idade activa deverá cair para 700 milhões - um declínio de quase um
quarto.
Alarmado pelo envelhecimento da
população e pela redução da força de trabalho, o governo abrandou a política de
planeamento familiar, que foi introduzida em 1979, e implementou uma política
para dois filhos em 2016."
Yuan referiu ainda que "O
estabelecimento do novo departamento para corresponder ao envelhecimento da
população mostra a atenção do governo para os idosos. Mas as questões
relacionadas com o envelhecimento da população não podem apenas ser resolvidas
aumentando a taxa de natalidade. Em vez disso, temos que aumentar a nossa
competitividade no mercado global e manter um crescimento económico estável é a
solução.
Além da CNS, vários outros
departamentos ministeriais emitiram recentemente planos de reestruturação, como
o Ministério da Cultura e Turismo e o Ministério de Ecologia e Meio Ambiente.
Fica aqui registada a intervenção
do delegado permanente da Síria nas Nações Unidas, Bashar al-Jaafari, na
sequência do relatório mensal sobre as armas químicas da OIAQ na Síria, no
passado dia 6, e de discussões entre os membros do Conselho de Segurança
presidido pela representante dos EUA.
Bashar al-Jaafar no Conselho de Segurança da ONU no passado dia 6
Obrigado, Senhora Presidente.
Ai intenções de alguns sobre
armas químicas na Síria são enganosas e irresponsáveis porque não existem armas
químicas na Síria, desde que, aqui mesmo neste Conselho de Segurança, o
declarou Sigrid Kaag, em 2014.
Na sua intervenção de hoje de
hoje, a Sra. Nakamitsu - Alta Representante para Assuntos de Desarmamento da
ONU - saudou a destruição de todas as 27 instalações de produção de armas
químicas sírias e a assinatura dum documento tripartido autorizando o Bureau de
Projetos Especiais a continuar seu trabalho na Síria.
Parece que suas palavras não
foram ouvidas por alguns colegas que, nesta câmara, persistem em se incomodar
em esperar por Godot, perdidos por décadas no teatro do absurdo de Samuel Beckett.
A linguagem de guerra não é digna
deste Conselho, Senhora Presidente. É inútil especialmente quando é praticado
pela sua presidência. Nós somos diplomatas. A nossa missão é impedir guerras,
proibir ameaças e procurar soluções diplomáticas para as crises internacionais.
Essa é a nossa concepção de diplomatas e embaixadores. O Conselho de Segurança
não é uma arena de guerra. Ele cometeu erros em várias ocasiões,
particularmente no que diz respeito ao Iraque e à Líbia. É hora de aprendermos
com os nossos erros.
Senhora Presidente
Desde que a minha delegação e
algumas outras delegações tomaram conhecimento do programa de trabalho previsto
para este mês, as análises e convicções partilhadas são que alguns membros
permanentes do Conselho de não reconhecem a sua missão de proteger o paz e
segurança internacionais e estão agora prontos para ir ao limite da exploração
do Conselho de Segurança, das instituições da ONU e de instituições
internacionais, para obter benefícios políticos para si mesmos à custa de suas
missões.
Sucintamente, continuamos a
considerar que os governos de alguns estados, membros permanentes do Conselho
de Segurança, abandonaram suas responsabilidades e se tornaram política, moral
e legalmente incapazes de defender a paz e a segurança internacionais.
E para ser mais preciso no que
digo, aqueles que protegem e cobrem o arsenal nuclear, biológico e químico de
Israel, que inventam falsos pretextos para manter o seu próprio arsenal
químico, que destruiu o Iraque usando a mentira das Armas de Destruição
Massiva, que se retiraram do acordo internacional com o Irão, que suspenderam os
financiamentos para a UNRWA, que se retiraram da UNESCO, que continuam a
pressionar a ONU pela via do seu financiamento, que ameaçam retirar-se da
Organização Mundial do Comércio... Digo que quem comete tudo isso não tem o
direito de fazer acusações falsas e fabricadas sobre o uso de armas químicas
para com o meu país, a Síria, especialmente porque a sua própria história é
rica em provas reais e não comprovadas do uso de armas nucleares, químicas e
biológicas contra civis em muitas partes do mundo.
Fuga de cidade libertada das mãos dos terroristas que fazem reféns, enquanto podem, a população residente
Quanto a mentiras e
falsificações, sempre me lembro do relato desavergonhado e ridículo, preparado
pelo correspondente da CNN Arwa Damon, durante sua reunião na Turquia sobre
supostas vítimas que fugiam do chamado ataque químico da Duma, em Abril de
2018. O pretenso ataque químico serviu de pretexto para os governos dos Estados
Unidos, Grã-Bretanha e França realizarem um ataque tripartido contra a Síria no
sábado, 14 de Abril de 2018, após o qual solicitamos a reunião de este
Conselho.
Este relatório filmado mostra a
correspondente da CNN, uma jornalista, a meter o nariz numa mochila escolar, em
pleno território turco, a centenas de quilómetros da Duma e uma semana depois
do suposto incidente. Ela cheira e o seu olfato é activado para a fazer dizer
nos écrans da CNN, apesar de uma semana de diferença e centenas de quilómetros
do local do suposto ataque químico, sem sinais visíveis de qualquer
desconforto, que ela sentiu o estranho cheiro de produtos químicos. Ela disse
"fedorento", em inglês.
Um relatório divulgado como parte
da justificação da agressão militar na Síria. Veja-se o nível de regressão
política e mediática!...
Senhoras e Senhores
Como todos sabem, a Síria e seus
aliados lutaram muito e conseguiram um sucesso real na guerra contra
organizações terroristas, incluindo o Daesh, a al-Qaeda e outras organizações
terroristas suas associadas. E todos vocês estão convencidos, conduziu batalhas
ferozes e alcançou sucesso real na guerra contra organizações terroristas, em
primeiro lugar Daesh, e Al Qaeda (a Frente Al-Nusra) e outras organizações
terroristas associadas. E vocês estão todos convictos, aberta ou
implicitamente, que nunca tivemos e ainda não temos nenhuma necessidade de usar
armas proibidas internacionalmente para eliminar o terrorismo. Além disso, vocês
não tendes nenhuma dúvida em absoluto de que os que iniciaram esta guerra
contra o terrorismo internacional, em vez dos vossos povos e dos vossos
governos, se possa submeter hoje à chantagem política escandalosa ou ameaças de
agressão militar directa pelos governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e
França, cujos governos se comprometeram rodos os actos proibidos na Síria,
começando pelo apoio ao terrorismo, dando instruções para a organização da
Frente Al-Nusra (Al Qaeda) e outras organizações suas filiadas, começando pelos
" Capacetes Brancos", convidando-os a usar armas químicas contra
civis sírios para acusar o governo sírio e criar um pretexto para uma nova
agressão militar.
Senhora Presidente
Na Síria, estamos lutando al
Qaeda no nosso solo, não em Washington, Londres ou Paris. Estamos lutando
contra a mesma Al Qaeda que perpetrou os ataques de 11 de setembro em Nova
Iorque. Lutamos contra a mesma Al Qaeda que realizou ataques em Paris, Londres
e muitas outras capitais europeias. E a nossa recompensa foi que vocês se
transformaram em força de apoio da Al Qaeda contra nós, nós que a estamos a
combater em vez de vocês e dos vossos povos.
Perguntem a vós mesmos, vocês que
são garantes da soberania do direito internacional e legitimidade da Carta:
• O que poderia pressionar a
Síria a fazer uso de armas internacionalmente proibidas que já não tem e sem
qualquer valor militar, a não ser o fornecer às três forças agressoras citadas
o pretexto de conduzirem agressões, umas atrás de outras, contra nós?
• Como é que a arma química
alegadamente usada atinge apenas mulheres e crianças, sem beliscar os
terroristas?
• Como e porquê essas três forças
agressoras são as únicos capazes de prever a localização, hora e tipo de armas
químicas que serão utilizadas na Síria?
• Porquê tal capacidade de
previsão milagrosa é compartilhada pelos três governos assaltantes e
terroristas da Frente Al Nusra (Al Qaeda) e dos "Capacetes Brancos"?
• Por que é que o Conselho de
Segurança e a OIAQ até agora não conseguiram levar em conta as informações
contidas em 156 cartas enviadas pela Síria nos últimos anos?
A este propósito, informações
sobre substâncias químicas tóxicas que foram recebidas por organizações
terroristas armadas, armazenadas, embaladas e usadas contra civis para acusar o
exército sírio. Essas 156 cartas, aqui estão elas. Nós as enviamos para vocês e
também para a OIAQ. Mas ninguém as leu. Ninguém as quis ler. E ninguém quer
cooperar com o governo sírio para lutar contra o terrorismo e impedir que os
grupos terroristas usem armas químicas. Porquê? Porque algumas pessoas não
querem resolver o problema na Síria. Porque alguns exploram o terrorismo.
As perguntas são muitas e as
respostas são conhecidas. Em relação ao tempo que me foi atribuído e com
confiança no vosso julgamento, direi apenas que estes três governos falharam
nos últimos oito anos para conseguir o que queriam, apoiando o terrorismo. É
por isso que agora, de forma mais límpida, lideram uma agressão militar
directa, instalando ilegalmente as suas forças armadas em partes do território
de meu país. Eles impedirão o progresso do processo político em Genebra, Astana
e Sochi. Eles tentarão impedir a eliminação do que resta do terrorismo em Idlib
e noutros lugares. Continuarão a impor um cerco económico sufocante ao povo
sírio. Trabalharão para bloquear o financiamento da reconstrução, a recuperação
do país e o retorno de pessoas deslocadas e refugiadas aos seus lares para aí
viverem com dignidade, segurança e paz.
Senhora Presidente, gostaria de
salientar que, na sequência da destruição das duas últimas instalações
mencionadas pela senhora deputada Nakamitsu e da verificação feita pela OIAQ
sobre a destruição e evacuação dos destroços, a Síria cumpriu todos os seus
compromissos em relação aos locais de produção de armas químicas.
Finalmente, o Governo do meu país
afirma ter enviado aos membros do Conselho de Segurança, anteontem, uma carta
oficial contendo informações precisas e credíveis sobre os preparativos dos
grupos terroristas armados presentes em Idlib e nos campos de Latakia e Aleppo,
pelo uso em larga escala de produtos químicos tóxicos contra civis com o
objetivo de impedir a operação militar antiterrorista nessas áreas.
E para concluir, Senhora
Presidente, digo que é absolutamente escandaloso e muito lamentável que alguns
delegados de Estados membros, permanentes deste Conselho, incluindo a
Presidente, tenham confundido a questão da sessão de hoje com a da sessão de
amanhã (a ser continuado...).
Obrigado, Senhora Presidente.
Dr. Bashar al-Jaafari, Delegado
Permanente da Síria para as Nações Unidas, em 2018/09/06
Esta pressão cíclica para a "legalização" da prostituição tem por detrás a pretensão de legalizar os chulos (masculinos e femininos) e os transformar em respeitáveis empresários, com o apoio do sector do turismo (daí a posição da CML/Robles). A prostituta não teria mais direitos dos que hoje já usufrui em virtude do 25 de Abril. As prostitutas que hoje não são perseguidas mas passariam a ficar vinculadas a um patrão que, se serviria desse suporte institucional, para alavancar o tráfico de mulheres jovens. E até se poderiam formar sindicatos patronais para ajudar à festa. A prostituição carece de mais apoios à mulher que a reorientem para outras formas de viver mais humanas e dignas.
1. A situação internacional - sempre com reflexos no nosso país - está
a sofrer alterações assinaláveis, não necessariamente de sentido negativo como
alguns de nós podem estar a assumir como definitivas, apesar da enorme perplexidade
que provocam.
2.Importa
ter em conta que o “politicamente correcto”, as nossas sensibilidade padrões
de comportamento político, o valor facial de declarações teatrais que facilitam
a sua condenação e ridicularização, são avaliações necessariamente passageiras
porque dialeticamente influenciadas pelo real.
3.Já
tereis compreendido que estou a falar de desenvolvimentos políticos que
envolvem um novo personagem vindo dos EUA – Donald Trump.
AEP
4.O
que é grave nas suas atitudes são aspectos graves como as atitudes
racistas, anti ambientais, sexistas, contradições de afirmações anteriormente
feitas, etc., mas que são susceptíveis de terem uma evolução.
5.Mas
o que me parece ser o mais relevante é o seu confronto com uma classe dominante
transnacional, ao questionar realidades que condicionam negativamente os EUA
como país e nação. A saber os G7, a UE, a NATO, a OMC, alguns tratados como o
NAFTA.
6.Na
sua “guerra” com a UE sobressai a condenação da Alemanha por esta ter acordado num
novo atravessamento do seu território por um novo gasoduto russo - o Nord
Stream 2 – que irá reforçar o abastecimento alemão e da Europa do Norte. Mas
Putin já lhe propôs poderem competir mas trabalhar juntos no mercado de
energia, dizendo que a Rússia e os EUA são concorrentes nas exportações de
petróleo e gás, mas que há espaço para cooperação na regulamentação do mercado
de energia.
7.O
confronto com essa classe dominante financeira assenta numa perspectiva de
regresso revalorizado ao capitalismo no seu país que abandonou a faceta
produtiva em benefício quase exclusivo da sua componente financeira.
8.Confronto
que passa por assumir como amigos Vladimir Putin ou Xi Jinping, como potencial
amigo Kim Jong-un. E que, mesmo na “guerra comercial” com a China, ou com o tom
perigoso do confronto verbal com os dirigentes do Irão, se adivinham
possibilidades de acordos entre as partes, sendo que neste último caso pesa
negativamente em tais perspectivas o papel de Israel e da Arábia Saudita.
9.Neste
confronto de Trump com esta classe dominante transnacional há resistências e
muitos estão a trabalhar numa tentativa de impeachment ou mesmo de golpe de
estado. Altas patentes dos serviços secretos e do Pentágono, alguns dos principais
grupos de media, Obama e John McCain, alguns senadores e congressistas
republicanos, estão envolvidos nisso e os sinais são muito claros. Sim, Obama o
presidente dos EUA que abriu e se envolveu em várias frentes de guerra, que fez
com que morressem centenas de pessoas em ataques com drones a cinco países de
África e do Médio Oriente.
10.Não
me prolongando mais, queria referir duas coisas para rematar.
A primeira é que
esta linha de pensamento, que se foi desenvolvendo ao longo de meses, é da
minha inteira responsabilidade e não compromete mais ninguém.
A segunda é que
adivinho críticas dos meus amigos mas também os convido a uma reflexão que
rejeite clichés não inocentes que se foram instalando como irrecusáveis.
A questão central é como parar a deslocalização de populações do interior e nele recriar as redes económicas e sociais e condições de vida que se aproximem da modernidade só acessível no litoral.
foto Lusa
Não andando ao ritmo de acontecimentos e declarações retomo, um mês depois, o tema de um artigo de opinião do Presidente da República publicado num jornal diário, no passado dia 16 de Junho1, em que expressa a sentença de que «se Portugal não corrigir as assimetrias regionais até 2023, falhámos como país» (!).Estabelecia, assim, a próxima legislatura como meta para Portugal acabar com as desigualdades entre o interior e o litoral do país.Lido desta maneira, o Presidente quase parece apontar o caminho de uma revolução, que coloque entre parênteses o capitalismo ou o meta na gaveta. As assimetrias regionais, o abandono do interior, são características inseparáveis do capitalismo. Mas para Marcelo bastaria conviver com ele q.b., fazendo crescer a relevância do sector público no desenvolvimento, e dando ao Estado um papel acrescido e eficaz para o garantir, não só no plano legislativo, mas na realização de programas cofinanciados. Mesmo assim, o problema não ficaria resolvido em seis anos…
Mas esta não é a atitude política de Marcelo.
A questão central é como parar a deslocalização de populações do interior para o litoral e nele recriar as redes económicas e sociais e condições de vida que se aproximem da modernidade só acessível no litoral.
Tudo terá que começar com a regionalização.
A regionalização impõe-se com órgãos de governação, eleitos directamente pelas populações, com competências ao nível da definição de estratégias de desenvolvimento regional e de políticas públicas de investimento. Mas as regiões têm que ter recursos. E ter uma dinâmica que envolva todas as entidades locais. Tudo assente em novas políticas centrais e regionais, que rompam com o que foi a prática de sucessivos governos desde 1976.
E passará também pela transferência de competências para as autarquias locais, ensaiada há décadas por sucessivos governos como se de uma descentralização se tratasse, mas que se tem traduzido na desresponsabilização do Estado por funções que lhe competem, transferindo encargos para as autarquias, sacudindo para cima do Poder Local a justa insatisfação da população pela ausência de resposta na saúde, na educação, na cultura, no património, nos transportes e em alguns outros domínios.
O presidente não ignora certamente, porque se tem declarado solidário com a intervenção do governo na UE, que a proposta da Comissão Europeia de Quadro Financeiro para o período 2021-2027, que está em debate e em negociação, a ser aceite iria aprofundar injustiças e desigualdades. Com um corte no financiamento a atribuir aos países que têm sido mais prejudicados com as consequências da vinculação ao Euro e às políticas da UE, como é o caso de Portugal. E que essa mesma proposta prevê um aumento de rubricas nas áreas da defesa e da indústria militar e em políticas ditas de segurança, em vez de canalizar tais verbas para a política de coesão e a Política Agrícola Comum. E que, em conformidade, tem uma palavra a dizer em vez de pressionar os partidos que à esquerda têm viabilizado a actual solução governativa.
Para a declaração não ser encarada como populista ou de grande ingenuidade política, importaria que o Presidente, em sintonia com os restantes órgãos de soberania – até porque a Presidência da República no nosso sistema não é um poder executivo – pudesse ser fonte inspiradora de uma acção governativa central e regional, envolvendo as universidades, os representantes patronais e sindicais, da indústria e da lavoura, que aprovassem um planeamento de acções no âmbito da economia e em áreas como a saúde, educação, acção social, transportes públicos, de acesso a outros serviços públicos (dependências bancárias, rede multibanco, mini-lojas dos cidadãos, correio e telecomunicações), de políticas florestais, de medidas de apoio a uma agricultura com recursos que a modernizem e adaptem às necessidades da nossa soberania alimentar e de exportação, com margens de valor que não sejam esmagadas pelos cartéis das empresas de distribuição, que respeitem a valorização dos produtos nacionais na oferta aos consumidores.
Com tal declaração de Marcelo não seria de esperar que, no final desses cinco anos, viesse carpir, com lágrimas de crocodilo, como Miguel Cadilhe fez há dias2, dissertando também sobre o interior: «Não há uma causa tão difícil, tão nobre e esquecida». Cadilhe e outros poderão chorar lágrimas de crocodilo mas foram eles que, com as suas políticas acentuaram a desertificação. Quem, depois de Vasco Gonçalves, em São Bento, se preocupou com isso?
Há dois anos o actual governo aprovou o Programa Nacional para a Coesão Territorial, «para abrir uma nova etapa no desenvolvimento dos territórios do interior». O programa era um conjunto de medidas avulsas repescadas de outros programas e nem uns nem outros se traduziram em resultados efectivos para este efeito…
O que tivemos e estamos a ter, ao longo de 42 anos foi a destruição da agricultura, das pescas e da indústria transformadora, que com as portas escancaradas, foram perdidas para a concorrência das empresas de países que têm mais beneficiado da União Europeia, ou pela imposição do fim de actividades que contribuíam para um músculo próprio da nossa economia, apesar de atrasada. Foram os países mais ricos que nos acenaram com uma inflação estável e baixa – que para um significativo crescimento económico não faz sentido – e fundos estruturais – que não beneficiaram, no essencial, aqueles que constituíam a malha essencial da nossa economia. E que, sendo menos hoje, a continuam a constituir.
2. Esta declaração do Presidente estaria, agora, de acordo com opiniões que nunca o vimos defender, e que o levariam a estar de acordo, seguramente, com a promoção de um efectivo desenvolvimento regional, assente no aproveitamento racional dos recursos, numa criteriosa política de investimento público e em outras políticas visando a conservação da Natureza, o combate ao despovoamento e à desertificação, e a um maior equilíbrio territorial e coesão económica e social das várias regiões, o respeito pelo sistema autonómico e pela autonomia das autarquias locais e o reforço da sua capacidade financeira, bem como a criação das regiões administrativas conforme a vontade das populações.
E que essa estratégia fosse integrada e objecto de planeamento. Com medidas de coordenação com as empresas, bancos, autarquias, sindicatos e diferentes associações, associando todos nesses objectivos gerais, que teriam que ser assumidos para o seu cumprimento efectivo.
No âmbito da economia o Estado teria que liderar processos do investimento público e privado, mesmo que algumas almas considerassem que isso era intervencionismo excessivo… O investimento e os grandes projectos públicos, diferenciados de acordo com as regiões, é necessário no quadro de um modelo económico que garanta o crescimento, mas também a distribuição da riqueza, valorizando quem trabalha e quem produz e criando emprego com direitos.
Se uma região não tem uma indústria que se não limite à extracção de matéria-prima, que não disponha de transformação que acrescente valor, há que a criar com apoios do Estado. Através preferencialmente de recursos endógenos e linhas de financiamento bonificados, dadas que fossem garantias de criação de postos de trabalho, incluindo de alta qualificação, a serem absorvidos das universidades, de maior ou menor proximidade, que contribua, com métodos de gestão adequados, salários e outras componentes de qualidade de vida, para a fixação profissional e para uma elevada produtividade e capacidade de concorrência.
Há que recuperar a agropecuária e a indústria, adequadas aos tempos de hoje, em benefício das regiões do interior, e evitar que o turismo substitua a actividade produtiva, apesar de ter também um importante papel na economia.
Mas não é esse o posicionamento político de Marcelo.
3. Tal como na indústria, outras linhas de intervenção terão que ser criadas em relação às explorações agrícolas.
Portugal não pode aceitar os cortes que a Comissão Europeia quer impor com uma grande redução de 15% nas transferências para Portugal do Orçamento da PAC, para o «Segundo Pilar» da PAC, o do chamado «Desenvolvimento Rural», o que dá menos 600 milhões de euros comparativamente com o período desde 2014 a 2020 que está a decorrer.
E isso porque o país tem maior necessidade que outros – sobretudo os do centro da Europa – em apoios públicos ao investimento estrutural, para produzir mais e ainda melhor e defender a sua soberania alimentar. Por outro lado, nestes fundos que, em geral, exigem cofinanciamento do Orçamento de Estado e autofinanciamento pago pelos agricultores, não é aceitável que o governo falhe, como até aqui, nessa comparticipação. O Estado tem de encarar e criar condições para ser ultrapassada esta dificuldade de grande parte dos pequenos e médios agricultores, que estão descapitalizados, para terem a capacidade financeira de aumentar o seu nível de autofinanciamento na execução dos projectos de investimento estrutural na agricultura.
A agricultura faz-se com os agricultores que não podem ser tratados como meros fornecedores de matérias-primas, ao mais baixo preço, para o grande agro-negócio. Há dois meses, no 8.º Congresso da Confederação Nacional dos Agricultores (CNA), foram aprovadas doze medidas de urgência para a contribuição das explorações familiares para a soberania alimentar que deveriam ter uma resposta positiva do governo e o Presidente da República está, certamente, informado delas3.
Decididamente, não encontramos até agora a simpatia de Marcelo Rebelo de Sousa com este tipo de políticas.
4. Não é compatível com esse desígnio que se quer nacional existirem, por exemplo, redes de distribuição que, para ganharem na concorrência esmagam os custos a pagar à produção, liquidando cada vez mais produtores. Se o Presidente valoriza tanto a concertação, compreenderá que certo tipo de «iniciativa privada» tem de obedecer a regras e ao planeamento de uma actividade económica que se quer harmónica. Não gostam assim? Vão distribuir para outros países e aqui se encontrarão soluções empresariais alternativas, se o crédito não descambar. E que algum desafogo, para explorações agrícolas e pecuárias, possa garantir o interesse de continuidade nelas dos jovens de hoje.
Marcelo concordaria? Claro que não.
5. A especulação imobiliária que, a pretexto das exigências dum cosmopolitismo que nos obriga estar nos tops de destinos turísticos nesta e noutras áreas de fortes implicações sociais4, empurra os residentes a abandonarem as suas casas e a inflacionar os custos da habitação, terá que ser impedida.
Importa desenvolver e promover uma política de uso do solo, determinada pelos direitos das populações e não pelos interesses da especulação.
Bruxelas não gostaria? Veríamos como resolver esse «irritante»…
Marcelo também não estaria de acordo.
6. O combate aos incêndios florestais foi o leitmotiv desta intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa.
No âmbito da prevenção e combate aos fogos importa insistir em que no nosso país muitos estudos estão feitos, sendo ainda muito poucas as intervenções que façam reverter as consequências de décadas das políticas governativas do PS, PSD e CDS.
O mundo rural foi muito afectado, no que respeita aos rendimentos das médias e pequenas explorações agrícolas e pecuárias – particularmente as familiares – esmagados pela concorrência estrangeira e pelos monopólios da distribuição, entre si concertados. Errada política florestal, escassez da presença dos organismos do Estado junto das populações, empresas e autarquias, erradas políticas florestais, debilidade no planeamento energético, do ordenamento do território, na demografia, e das infraestruturas – incluindo as comunicações.
Teve como consequências a desertificação do interior, a redução da soberania alimentar e uma prevenção florestal e defesa das populações muito escassa para as necessidades, com grandes debilidades do dispositivo de combate aos incêndios florestais.
Os fundos estruturais foram desequilibradamente aplicados, em benefício essencialmente para as grandes propriedades do sul do país
No que respeita à política florestal, mais do que criar novos grupos de trabalho e novas leis, mais think-tanks para a disputa de audiências mediáticas, há que aplicar a legislação existente, da Lei de Bases da Política Florestal à Estratégia Nacional para a Floresta, da Lei do Sistema de Defesa da Floresta contra incêndios (pese embora as suas insuficiências) à publicação do Inventário Florestal Nacional, entre outras. Aí se encontrarão os meios necessários para se evitarem os conflitos com os agricultores e entre instituições.
Como os comunistas portugueses há anos defendem5, «as medidas para valorizar a floresta têm de se centrar no rendimento dos produtores, na defesa dos Baldios e do seu uso e gestão pelos povos, com os apoios necessários, na elaboração do Cadastro Florestal investindo os meios necessários para tal tarefa, na atribuição de mais meios públicos – humanos, técnicos, financeiros e materiais – às estruturas do Estado que intervêm na floresta, na inversão da diminuição do peso relativo do sobreiro e do pinheiro e de espécies autóctones, face ao eucalipto. E, naturalmente, acelerar a preparação e melhorar a capacidade das forças do dispositivo de combate da ANPC e dos Bombeiros, tendo em conta os problemas verificados em 2017» (…)
«Meios para dotar o Ministério da Agricultura dos técnicos capazes de assegurar o apoio aos pequenos e médios proprietários e apoiar o seu livre associativismo. Para reforçar os serviços públicos no mundo rural. Para os investimentos públicos indispensáveis à fixação de pessoas e empresas. Para uma política agroflorestal que possa garantir a sobrevivência das explorações agrícolas familiares, onde tem um papel decisivo a garantia de preços justos à produção».
Marcelo deveria pronunciar-se sobre tudo isto.
7. O investimento em autoestradas para que as importações do estrangeiro chegassem aqui a preços mais competitivos fez secar múltiplos projectos de melhoria das redes viárias secundárias de apoio às populações e economias locais. Há que tirar esses projectos da gaveta e optar, também, pela opção de transporte público ferroviário que ultrapasse as limitações do automóvel e dos escassos, espaçados ou inexistentes horários das empresas de camionagem privadas.
8. Os atractivos para a fixação de médicos e outros profissionais de saúde em unidades de saúde de proximidade, em expansão, teriam de passar por medidas de eficácia verificável.
Importa realizar um investimento estrutural que permita que a média de mais de 4 médicos de família por 1000 habitantes chegue a todos os municípios, quando em muitos esse rácio é de 1 por 1000.
9. Há que acabar com o argumento de que as populações envelhecem ou desaparecem e que isso torna desnecessárias dependências bancárias, extensões de centros de saúde de proximidade, balcões dos CTT, escolas, tribunais de comarca. A garantia desses serviços é essencial para a fixação das populações. Isso exige a correcção desses encerramentos e a melhoria da qualidade dos serviços que prestam. Não invertamos argumentos por alguns querem inverter objectivos.
7. A fixação de jovens no interior não se resolve com uma varinha mágica… Citando Helena Neves: «É necessário planear o desenvolvimento. É necessário construir uma política de justa repartição da riqueza, coordenada com uma estratégia social, educativa e cultural nacional, que vise o desenvolvimento humano integrado de sectores e regiões»6.
O respeito pela juventude tem que deixar de lado os estereótipos degradantes dos pequenos projectos sem desenvolvimentos – tão só para satisfazer alguma procura mediática –, da não dignificação da qualidade de investigador e de bolseiro, dos contratos a prazo. Estamos cheios de competências e cérebros que, na realidade, fogem para o estrangeiro deixando com pena o país onde lhes recusaram as carreiras essenciais para o seu crescimento profissional, e entrega a objectivos nacionais incluindo o da valorização do interior.
E os casais jovens gostariam de ter filhos, de ter mais filhos para contribuir para atenuar os nossos déficites demográficos resultantes de prolongadas políticas que confrontaram até ao limite expectativas que a revolução de Abril justamente criou, porque por elas foi movida.
Marcelo até poderia estar de acordo com isto.
Não gostaria de terminar sem vos dizer que fiquei embevecido-estarrecido com o lancinante apelo de Cavaco Silva para os portugueses desatarem a fazer mais filhos: «Portugal não precisa de mais autoestradas. Portugal não precisa de mais pavilhões gimnodesportivos. Portugal não precisa de mais clubes e campos de futebol. Portugal precisa de mais crianças» (…) «os poderes públicos têm que criar condições para que os casais tomem a decisão de ter mais filhos», «dando força (?) aos casais portugueses para que tragam para o nosso país mais, mais e mais crianças», referiu Aníbal Cavaco Silva em Sernancelhe.
O Prof. Cavaco Silva não fez nada por isso. Bem pelo contrário. O Prof. Marcelo talvez pudesse perspectivar caminhos e acabar com este outro «irritante», agora detectado na instituição presidencial.
4. É o caso do relançamento da tentativa, por parte do BE e de uma parte do PS, da legalização da prostituição, eufemismo pelo qual se designa a legalização do proxenetismo, elevando o chulo ao estatuto de empresário, para facilitar o tráfico de jovens e crianças para melhor corresponder a exigências de tipos desclassificado de turismo e cosmopolitismo.