sábado, 26 de novembro de 2016

Hasta la victoria, siempre!


Há homens que, pelo seu trabalho e exemplo, nunca morrem. O grande revolucionário, que impulsionou a libertação da América Latina e muitos povos do mundo, não o é apenas de um tempo passado nem presente mas do futuro. Hasta la victoria sempre!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Bom fim de semana, por Jorge

"Id est vera perfectio hominis quaerere imperfectis."
 
 

 "O indagar do homem acerca da sua imperfeição
é a sua verdadeira perfeição"
 
 
 
 
Agostinho de Hipona
filósofo e teólogo,
354-430

Visita do presidente Al-Sissi a Portugal. O Egipto e Djibuti

Registo a importância da visita de Abdel Fattah Al-Sissi, presidente do Egipto a Portugal nestes dias. A visita foi oportunidade para abordar as vias e os meios que permitam reforçar as relações políticas e diplomáticas entre os dois países, e dar melhores perspetivas à cooperação nos domínios económico, da pesquisa científica e da defesa. O desenvolvimento das trocas com Portugal podem alargar-se muito com o Canal do Suez alargado, que também permite a passagem de mais navios pelos portos portugueses.

Com mais de 85 milhões de habitantes, o Egito é um dos países mais populosos da África e do Médio Oriente, sendo o 15.º mais populoso do mundo. A população está concentrada, sobretudo, nas margens do rio Nilo, que é a única região não desértica do país. Cerca de metade da população egípcia vive nos centros urbanos, em especial no Cairo, em Alexandria e nas outras grandes cidades do delta do Nilo, de maior densidade demográfica.
Entre outras características gere o canal mais famoso o mundo: o Canal do Suez, cujo alargamento permitiu reduzir de 11 para 3 horas a travessia de 72 km que separam o Suez no Mar vermelho de PortPort Saïd, no Mediterrâneo.A expansão do canal, a primeira desde o início da sua existência, consistiu numa nova via paralela com 37 quilómetros, e no alargamento e aprofundamento da via original, de 72 quilómetros, numa extensão de 35 quilómetros.
Previa-se poder aumentar de 49 para 97 o número de navios a passar diariamente pelo canal e que o tempo de navegação fosse reduzido de cerca de 20 para 11 horas.
A inauguração desta expansão ocorreu há dois anos.
A obra foi executada pelo exército egípcio para estimular a economia egípcia e consolidar a popularidade do próprio presidente. O Canal, antes do alargamento, dava um lucro de 3,9 mil milhões de euros ao Egito e com a nova via, projecta-se um aumentado dos lucros para 10,5 mil milhões euros em 2023.

 O Canal do Suez tem 147 anos e foi nacionalizado por Nasser, em 1956, contra os acionistas franceses e britânicos.
Em 1975, reabriu, depois de oito anos de fecho na sequência da Guerra dos Seis Dias. Foi então que apareceram os grandes cargueiros de contentores.
 
 O alargamento teve um custo total calculado em 3 mil milhões de euros. Para o financiar, o Estado emitiu obrigações do tesouro que podiam dar a ganhar até 12% do investimento inicial. Só os egípcios residentes as puderam comprar. Este inédito modelo de financiamento da obra permitiu ao Estado arrecadar 7,8 mil milhões de euros. 
Objecto de uma das primeiras “revoluções coloridas”, dirigidas pela administração norte-americana (através dos apoios da National Endowment for Democracy) em 2011, levou à demissão do presidente Mubarak (episódios da Praça Tahrir). Os Irmãos Muçulmanos, radicais de correntes jihadistas, realizaram então um golpe de estado, tomando o poder e, após as eleições presidenciais de 2012, e pressionaram a Comissão Eleitoral Presidencial para que o seu dirigente Mohamed Morsi fosse por ela proclamado como presidente eleito.
A deriva islamista da sua acção contrariou o anterior laicismo do Estado e provocou grandes confrontos na sociedade egícia. Morsi concentrou poderes e fez aprovar uma Constituição islâmica.
Mais de 3 milhões de egípcios saíriam à rua para exigir o fim do governo Morsi enquanto desencadeava a violência contra os seus adversários. Em 2 anos, o número de pessoas vivendo abaixo do limiar da pobreza aumentou, pelo menos 50%, as reservas em divisas diminuíram para metade. A economia ficou num caos.

 
Esta situação levou a que as forças armadas o destituíssem, com o apoio da generalidade dos partidos políticos, incluindo o Partido Comunista do Egipto, à excepção dos Irmãos Muçulmanos, em Julho de 2013. Seguiram-se novas eleições presidenciais em 2014, ganhas pelo actual presidente, Al-Sissi, que teve mais 10 milhões de votos que Morsi obtivera no ano anterior.
 
Em 14 de Agosto de 2013, centenas de civis e militares confrontaram-se no Cairo durante um protesto contra a destituição de Morsi, que assumiu as proporções de um novo golpe. Quase duas mil pessoas foram presas e 529 condenadas à morte, num país onde o recurso a esta pena é frequente. O que gerou protestos que foram levando à libertação sucessiva de presos.
 
As  referências feitas em Portugal, agora nesta visita de Sissi, a que Morsi foi o primeiro presidente eleito democraticamente não contemplam os factos fundadores do Egipto moderno. A Constituição referendada em 1956 e a respectiva eleição do Presidente Nasser selaram democraticamente a revolta popular e de militares de patente intermédia que derrubaram o Rei Faruk e depois a monarquia, constituindo a República em 1953. Nasser foi eleito para três mandatos. Foi eleito sem oposição  nos referendos de 1956, 1958 e 1965.
O presidente Abdel Fattah Al-Sissi, na entrevista de 21 deste mês à RTP, garantiu o percurso democrático do país. Depois da entrevista à RTP as agências internacionais anunciavam já a decisão judicial egípcia de repetição dos julgamentos de Morsi e centenas de membros da Irmandade Muçulmana. Também manifestou o apoio a uma solução política na Síria, sem a presença de forças armadas estrangeiras e a liquidação do terrorismo.
No ponto oposto do Mar Vermelho, Djibuti torna-se num grande entreposto comercial e militar, uma nova porta de África
O Djibuti, pequeno país de 23.200 m2  e com 820 mil habitantes, cuja capital tem o nome do país, está transformado num grande entreposto comercial com uma diversificada presença militar de vários países, por força da competição internacional no tráfego de petróleo e não só. No decurso das transformações que estão a ocorrer, o país poderá tornar-se numa nova “porta de África”. Com um relacionamento com todos os países do mundo, só o não tem com a Eritreia que mantem um conflito de fronteira com a Etiópia.
 
Obras de envergadura no porto, realizadas por americanos e chineses, coexistem com bases militares de ambos os países, que irão fazer deste entreposto milenar uma nova realidade geo-estratégica. É neste território, com uma área que é um quarto da de Portugal, que Pequim está a instalar a sua base militar mais afastada do Mar da China. Outros países pretendem instalar-se aqui também. A Arábia Saudita assinou este ano um acordo com Djibuti para a instalação também de uma base militar. A Rússia viu negada tal pretensão mas está a negociar para lhe ser permitido que os seus navios acostem no cais controlado pela China.
 
 
Num raio de menos de 30 km, já se encontram a base dos EUA, onde estão sediadas as suas operações clandestinas no Corno de África e np Iémen. Também aí estão instladas a do Japão, que é a sua primeira-base no estrangeiro depois do pós-guerra, os campos e bases franceses, restos da sua presença colonial e, numa fase posterior à independência em 1977, potência estrangeira dominante, e também a única base no estrangeiro de Itália. A Alemanha está presente também mas sem este tipo de equipamentos.
 
A Etiópia tem em Djibuti, cuja economia abastece, uma saída natural das suas exportações que aumentarão com a potassa(1) que será produzida em fábricas que a China lá vai instalar. A principal atividade económica do Djibuti é a reexportação de produtos de países africanos sem acesso para o mar. O país importa a maior parte dos bens de consumo e de produção: máquinas, veículos, alimentos, produtos têxteis e derivados de petróleo, procedentes da França, Etiópia, Japão e vários países europeus.
 
O Djibuti é governado pela atual constituição promulgada em 1992. O sistema de governo adotado no país é a república presidencialista. Esmagadoramente habitada por muçulmanos de duas diferentes etnias, tem hoje uma situação interna estável
Dos muitos acordos que o Djibuti tem com muitos países, os de maior envergadura são, de longe, com os chineses, com quem assinaram acordos para 14 mega-projectos, no valor global de 8,9 mil milhões de dólares.

 
(1) A palavra potassa é usada em geral para indicar o carbonato de potássio (K2CO3), que pode substituir a soda no fabrico de vidro. A potassa foi originalmente obtida pela lixívia de cinzas de madeira queimada fervidas em solução em grandes caldeirões abertos. A potassa a partir da lixívia é usada na preparação de sabão cru. O carbonato de potássio é preparado comercialmente a partir do minério silvita, um composto quase puro de cloro e potássio.
É o nome comercial dado ao carbonato de potássio e ao cloreto de potássio utilizado como adubo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica ao ensaio de Jorge Sampaio

(entre aspas vão passagens do ensaio)


 
Como muitos de vós, li o ensaio de Jorge Sampaio que há dias o Publico publicou.

No essencial o ensaio pretende o relançamento do europeísmo, embora “seja hoje consensual o estado de crise crónica do projecto europeu” e que “ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona, para alterar a ortodoxia financeira dos credores ou para criar as condições institucionais e orçamentais que tornem possíveis programas de reforma nas economias mais frágeis”. Mas continua a constatar que hoje, de uma forma já muito generalizada, existe uma “ erosão da confiança na Europa, no seu funcionamento, na sua capacidade de cuidar dos bens públicos europeus e de responder às expectativas dos cidadãos”.

E, a propósito, estabelece que “se exige da Europa e dos países europeus a determinação de se constituir como uma alternativa sólida, por um lado, à financeirização da economia (parecendo não aceitar a crítica ao neo-liberalismo, que, apesar de ir perdendo gás como teoria económica, continua a determinar o pensamento e acção da maioria dos dirigentes europeus) e, por outro, alternativa também ao capitalismo autoritário de “valores asiáticos (não fica claro se com esta última expressão se rejeita o relacionamento económico consistente com a China, o desenvolvimento da gestão do seu capitalismo ou ainda o planeamento da actividade económica).

Não põe em causa a própria “Europa” - termo impreciso onde cabe muita coisa - desígnio que, para além da rejeição da financeirização, deveria explicitar opiniões, pelo menos, sobre a falhada Constituição Europeia, as “deficiências” do euro, tratado orçamental, a austeridade socialmente desigual, o tratado transatlântico TTIP, ou a NATO. E limita-se a afirmar o óbvio “devemos reconhecer que a Europa tem um problema imediato para resolver, e que são as deficiências da moeda única. Há um conflito entre países em torno do cumprimento do Tratado Orçamental, do reforço da união bancária e da definição de elementos de união política. “.

Essa ausência de reflexões, e outras considerações que faz permitem levá-lo a concluir que, de debate em debate sobre o “futuro da Europa” (as aspas são do ensaísta), o Brexit e outros movimentos que considera “populistas” foram ganhando terreno na opinião pública e na mudança de realidades, se pudesse concluir que não se deveria ter discutido a Europa…para se referir de seguida aos “radicalizados (sic!) que à esquerda ou à direita, apelam ao fim do projecto europeu e ao regresso do protecionismo e dos nacionalismos”.

A questão da imigração, resultante das guerras que os EUA e a “Europa” promoveram no Médio Oriente e Norte de África, seja imigração de quem foge às grandes violências nestas guerras, seja a dos que chegam por razões económicas, apenas lhe merece a identificação nela de um “polo de fricções e de clivagem no seio das sociedades europeias, designadamente devido às migrações descontroladas do ano passado, à questão da repartição e integração dos refugiados, que continua por resolver” e que seria resultante da má gestão europeia da questão que, parte dos seus dirigentes ajudaram a criar

Juntou ainda os riscos da eleição de Trump às preocupações, que muitos temos, com eleições do próximo ano na França e Alemanha. Mas para concluir que é necessário restabelecer a confiança e reinventar a democracia, combinando “a liberdade que vem do liberalismo com a estabilidade, o bem-estar e a equidade social que vêm da social-democracia”. Esquecendo, assim, que foram o liberalismo e a social-democracia os responsáveis nas últimas décadas pelas políticas cujas consequências sociais, a que não quiseram fazer frente, entregaram à extrema-direita extensas camadas de deserdados, desempregados, flexibilizados. É à esquerda e não a esse bloco central da nossa desgraça que caberá fazer frente às novas hordas.

Não é de estranhar, pois, que Jorge Sampaio manifeste preocupações com “ o relacionamento transatlântico, tão essencial à própria dinâmica intra-europeia, [que] está hoje suspenso por um pesado conjunto de incertezas, resultantes quer de todas as incógnitas e indefinições que rodeiam a próxima administração americana, quer, do lado europeu, das consequências do "Brexit" na redefinição dos equilíbrios intra-europeus e do seu impacto geral nas relações de cooperação, num vasto plano de matérias, incluindo a segurança e a defesa e nomeadamente com a NATO”.

Para Jorge Sampaio, um dos grandes desafios que se nos colocaria hoje seria reforçar o sentimento de pertença dos europeus, e fortalecer o sentido dessa identidade partilhada, revigorando o orgulho de ser europeu. Tudo à frente do sentimento de pertença dos portugueses e do orgulho nacional, que decididamente não quer reconhecer como alavancas da melhoria da vida dos portugueses e para o relançamento da economia, da nossa identidade nacional, da educação e da cultura, da projecção de Portugal no mundo.

Como europeu, acima de qualquer outra condição, é na adesão à CEE que vê o alfa e o ómega da nossa história contemporânea, instando-nos a garantir uma participação “de qualidade” na União Europeia. E mostra-se preocupado com as divisões que separam os europeístas e os atlantistas, e as cada vez mais fortes posições nacionalistas contra a integração europeia, incluindo o Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, na ausência de uma força populista de direita. Não sendo claro os inclui na categoria de “radicalizados” (expressão que não pode ignorar se tem aplicado aos que percorrem o caminho da formação como terroristas…).

Meu caro amigo, não me saem da memória tempos em que os alinhamentos políticos eram outros, no movimento estudantil que arrecadou vitórias ao fascismo, na experiência de uma coligação inovadora em Lisboa que modernizou a cidade, correspondeu aos anseios dos munícipes e a projectou internacionalmente ou ainda numa presidência da república que impediu projectos negativos da direita. Tal como não me esqueço que, em todos estes três casos, o aceder ao protagonismo que o Jorge Sampaio pôde ter se deveu muito àqueles que parece hoje designar por “radicalizados”…

Terá sido certamente como europeu, acima de qualquer outra condição que, não fez uma única referência aos portugueses.

Mas essas memórias iniciais continuarão a ser as que mais pesam na imagem que mantenho de si.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Efeito de estufa e expansão das zonas verdes terrestres


O “efeito de estufa” ocorre naturalmente na atmosfera. Nele estão envolvidos gases que permitem que a luz do sol penetre na superfície terrestre, mas que impedem que a radiação e o calor voltem ao espaço, mantendo assim um nível de aquecimento óptimo para a manutenção da vida. Os principais gases de efeito estufa são: o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), os clorofluorcarbonetos (CFCs) e outros halocarbonetos, o ozono (O3) e o óxido nitroso (N2O).


As emissões de carbono estão, porém, a aumentar – e mais depressa do que “a maioria dos cientistas previam”. Mas muitos alarmistas das mudanças climáticas (1) parecem afirmar que todas as mudanças climáticas são piores do que o “esperado”. E isso ignora que uma parte dos dados é realmente menos catastrófica do que o “esperado”.

Al Gore apareceu em 2005 com o documentário “Uma verdade inconveniente”. O documentário servia uma futura candidatura presidencial mas reflectia também o receio do império de que os países emergentes, com grandes taxas de crescimento do PIB, passassem a constituir, como veio a acontecer, contraponto à influência global dos EUA, e não era alheio aos interesses multinacionais de algumas empresas ligadas às “tecnologias limpas”. Isso implicava começar a contestar os consumos energéticos desses e de outros países (consumos que são indicadores de crescimento económico e desenvolvimento), sobrevalorizando o medo das alterações climáticas que daí adviria.

Mas em 2005 o Juiz do Supremo Tribunal de Justiça Britânico, Michael Burton, caracterizou o filme de Al Gore como “alarmista e exagerado no apoio a uma sua tese política”. O tribunal dava razão assim a uma acção movida por um pai, e determinou que o filme era “unilateral” e não poderia ser exibido nas escolas britânicas, a menos que contivesse orientações para equilibrar a tentativa de Gore em promover a sua “doutrinação política”. O Juiz baseou a sua decisão nas chamadas nove inverdades de Al Gore que aparecem no filme e que ficaram demonstradas nos autos, com a inexistência de evidências científicas que as pudessem validar (2).  

A emissão de gases com efeito de estufa, geograficamente desigual, ao longo de mais de um século foi reflexo do que que tornou possível que uns países fossem mais ricos que outros ou garantissem maiores padrões de vida para os seus habitantes, apesar das grandes discrepâncias desses padrões internamente em cada país no mundo capitalista. E desde antes da revolução industrial até aos dias de hoje (mais de 160 anos) a temperatura média subiu 1%.

Assim, os mais poluidores historicamente terão que reduzir as suas emissões de gases poluentes, e mais dos que não beneficiaram disso. A China, hoje o país mais poluidor com 20% das emissões, comprometeu-se em reduzi-las no país em 18% até 2020. Os EUA são os segundos com 18% e ainda não assumiram compromissos …E, além disso, devem apoiar as alterações a realizar nos países emergentes e outros países em desenvolvimento para que neles o desenvolvimento industrial se baseie menos na queima de combustíveis fósseis e possam dispor de indústrias mais “limpas” e renováveis. O que exige investimento e tecnologia a que têm dificuldade de aceder. Nestas COPs foi referido um valor de financiamento de mais de 200 mil milhões de euros.

Mas dois anos depois deste documentário, um outro era produzido por 19 cientistas de diferentes países (3) que apontava para um arrefecimento global. 0 jornal britânico Express dava conta na passada 3ª feira de estudos recentes que sugerem que a atividade solar está a diminuir a um ritmo mais rápido do que em qualquer outro momento na história. Os estudos que não identifica, prevêem que essa tendência vai continuar ao longo dos próximos quatro anos, levando a Terra a uma mini idade do gelo, com consequências desastrosas para o planeta.

O meteorologista e astrofísico britânico Piers Corbyn prevê que a Terra vai enfrentar nos próximos anos uma mini era do gelo que irá ter consequências devastadoras para o planeta, informa o jornal britânico Express.

Estudos recentes sugerem que a atividade solar está diminuindo a um ritmo mais rápido do que em qualquer outro momento na história. Os cientistas prevêem que essa tendência vai continuar ao longo dos próximos quatro anos, atingindo um mínimo entre 2019 e 2020, e que até 15 anos terão que passar para que o sol volte a uma atividade normal.

Agora foi de novo difundido em muitas televisões do mundo e noutras plataformas um outro documentário “Antes do Dilúvio” apresentado por Leonardo di Caprio que, numa concepção catastrofista semelhante ao precedente nos trouxe outra catadupa de adivinhações que devem muito pouco ao conhecimento científico e experimental (4)

A Conferência de Paris de 2015 aprovou conclusões não vinculativas sobre limites das emissões poluentes e o arranque de compromissos quantificados da sua redução país a país. Hoje já 190 países o fizeram. Agora, na Conferência de Marraquexe, as questões mais difíceis em aberto são como vai ser financiada a reconversão das economias e quem e como poderá monitorizar os resultados das duas questões. O objectivo de redução a partir de 2020 do aumento da temperatura média de 2-2,5% já nesta conferência se pretende que seja substituída por 1,5-2%.

Para o investigador Alfredo Rocha, investigador do Departamento de Física e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, “O ciclo de produção/destruição de gases com efeito de estufa é complexo e envolve contribuições naturais e humanas. Vários processos de retroacção entre as várias componentes do sistema climático resultam numa relação não linear entre as emissões de gases com efeito de estufa de origem humana, a concentração desses gases na atmosfera e a consequente variação da temperatura do ar próximo da superfície da Terra (e outras alterações climáticas). A resposta da temperatura a alterações das emissões também não é imediata mas sim retardada.

Desta forma, a alteração climática que se observa actualmente não resulta das emissões actuais mas sim do histórico de emissões, sobretudo desde o início da revolução industrial. Conclusão: “o mal está feito”!

Independentemente das nossas acções actuais no sentido de reduzir (realisticamente) emissões, a concentração atmosférica de gases com efeito de estufa irá aumentar durante as próximas décadas e as alterações climáticas irão fazer-se sentir durante um período mais longo do que os próximos anos /décadas ou um século). As nossas acções imediatas poderão, sim, atenuar essas tendências e invertê-las num horizonte temporal menor do que o previsto se nada for feito mas que, mesmo assim, será de muitas décadas” (5).


 “É um segredo bem guardado, mas constatou-se que 95% dos modelos climáticos que teoricamente provavam a ligação entre as emissões humanas de CO e o aquecimento global catastrófico estão errados”, escreveu Maurice Newman, que presidia ao Conselho Consultivo Empresarial do então primeiro-ministro Tony Abbott, em 2015 (6). O cientista denunciou ainda mentiras de agências meteorológicas que apresentavam dados “homogeneizados” para vir em apoio das narrativas manipuladoras (7). A respeito do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da ONU, que analisa e avalia os trabalhos científicos relevantes para mudanças climáticas, Newman afirmou que este tinha sido denunciado repetidamente por várias comunidades científicas por “declarações falsas e métodos de má qualidade”.

Filipe Duarte Santos, Professor de Física, da Universidade de Lisboa já referia, antes da Conferência de Paris de 2015, que era “necessário incentivar e investir na investigação científica e na inovação tecnológica para melhorar o nosso conhecimento sobre o sistema climático, as alterações climáticas antropogénicas e as medidas de adaptação e mitigação mais adequadas. É necessário diminuir a incerteza associada aos cenários climáticos e socio-económicos futuros. Em simultâneo, é preciso informar e sensibilizar os agentes envolvidos na problemática das alterações climáticas” (8).

A comunidade científica de vários países está hoje muito dividida quanto a considerar essencialmente antropogénico (com origem na acção do homem) o efeito de estufa e as alterações climáticas e quanto às previsões dos níveis para elas apontados por alguns cientistas e por resultados de modelos em computador.

Com base nisto, Trump poderá ter encontrado apoio às suas intenções manifestadas em campanha eleitoral de alterar anteriores compromissos dos EUA de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa no país e de apoiar a reconversão das emissões de outros países. Isso comprometeria os sucessos da Conferência de Paris nesta Conferência de Marraquexe.

As alterações climáticas continuam a ser motivo de múltiplas simplificações para efeito mediático mas as hipóteses fiáveis sobre a sua ocorrência carecem de uma recolha de dados durante pelo menos durante 30 anos.

Dentro desse padrão, em Abril deste ano, cientistas chineses apresentaram na Academia Chinesa de Ciências os resultados do seu trabalho de investigação sobre a evolução da vegetação terrestre no período 1982-2009 (9).


O relatório destes cientistas revela que essa evolução se traduziu na expansão da vegetação da Terra, numa superfície que é o dobro da dos EUA, e verificando-se no sudeste dos EUA, no norte da Amazónia, na África Central, no Sudeste Asiático e na Sibéria, enquanto a redução dessa área só aconteceu em 4% da superfície do planeta (ver gravuras).

O recurso aos satélites ajudou na deteção desse crescimento. Desde os anos 1980, os satélites foram equipados para verificar como a vegetação se desenvolvia ao longo do tempo. No decurso das suas órbitas foram captando os raios infravermelhos refletidos pela superfície da Terra e também os raios que, ao atingir a superfície de uma folha verde, são absorvidos e refletidos de forma diferente daqueles que atingem o solo. O seu comprimento de onda pode determinar a massa de folhas num determinado local e desta forma são obtidos mapas de florestação da Terra.

No Canadá e no hinterland russo da Sibéria, desenvolveram-se florestas de coníferas na tundra, onde anteriormente só existiam relva e arbustos. Nos EUA, as florestas de faias espalharam-se pelo norte do país. O planalto tibetano está agora coberto de pastagem. Na região da montanha chinesa de Shangnan são os pinheiros que se desenvolveram e na Noruega as árvores de flores. No sul do Sahara cresceram árvores e nos trópicos tem-se intensificado a cobertura florestal.


Tão positivas mudanças, devida à acção dos seres humanos, foi também verificada com modelos de computador que entraram com variáveis como o CO2, o conteúdo de azoto do solo e as próprias alterações climáticas, tendo chegado a que 70% do acréscimo da vegetação pode ser explicada pelo aumento do CO2 no ar após a combustão do petróleo, do carvão mineral e do gás.

Segundo Sönke Zaehle, do Instituto Max Planck de Bioquímica, estes esforços não eliminar as mudança climáticas. As plantas e o solo retêm cerca de um quarto do dióxido de carbono que é libertado no ar. Segundo este investigador, "o estudo ajuda a compreender para onde o dióxido de carbono (CO2) vai". "E essas são as regiões que se tornaram mais verdes."

Pode, pois concluir-se que a vegetação pode adaptar-se de forma mais eficiente do que os humanos, que têm de lidar cada vez mais com condições meteorológicas extremas, como secas, que destroem colheitas e secam as fontes de água, e grandes inundações e outras catástrofes naturais com efeitos semelhantes (id.).

Todas estas abordagens não são contraditórias com a ocorrência de alterações climáticas. Assim foi o entendimento de diferentes assembleias de governos, instituições científicas e organizações ambientalistas, que durante quase 30 anos têm promovido conferências internacionais para tomar conhecimento de estudos de base científica e tentar tomar as medidas para reduzir, nomeadamente o “efeito de estufa”.

Há que rejeitar o catastrofismo e valorizar as descobertas da comunidade científica, as projecções feitas através de medições reais, para melhorar as condições ambientais em articulação com os processos económicos que suportam o desenvolvimento.



(2)https://agfdag.wordpress.com/2009/10/27/as-nove-mentiras-de-al-gore/

(3)https://www.youtube.com/watch?v=52Mx0_8YEtg

(4)https://www.youtube.com/watch?v=NZ02JpdbzJg

(5)https://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=44788


(7)https://www.globalresearch.ca/global-warming-a-convenient-lie/5086

(8)www.cienciaviva.pt/img/upload/Situacaoactualecenariosfuturos-FDuarteSantos.pdf

(9)http://international.sueddeutsche.de/post/151099503860/earths-expanding-greenery-has-an-unlikely-hero


Este artigo foi originalmente publicado nesta mesma data em www,abrilabril.pt

 

domingo, 13 de novembro de 2016

"La rebelión", de Forough Farrokhzad


A escritora iraniana iraní Forough Farrokhzad (1935-1967) teve uma vida curta mas deixou
 belos poemas de amor, alguns dos quais se podem encontrar na antologia poética trilingue
(iraniano, espanhol, francês) numa coedição de 2011 da “Oreille du Loup” e da Universidade
 Autónoma mexicana de Sinaloa. Deixo-vos um.
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
La rebelión
 

No me impongas el silencio

Tengo una historia para contar

Quítame esta cadena de los pies

Mi corazón es agitado por una pasión


Ven, hombre, egoísta, ven

Abre las rejas de esta jaula

Me hiciste prisionera de por vida

Libérame para mi último soplo

 
Soy ese pájaro

Que desde hace tiempo sueña el vuelo

Mi canto se hizo suspiro

En mi pesado corazón

Mis días huyeron en lamentos


No me impongas el silencio

Debo revelar mi secreto

Hacer oír a todo el mundo

El eco fulminante de mi poema

 

Ven a abrir la reja, para que vuele

Al cielo límpido de la poesía

Si me dejas volar

Seré una flor

En el jardín de la poesía

 
Mis labios se impregnan del azúcar de tu beso

Mi cuerpo retiene el olor de tu cuerpo

 
Mi mirada arroja sus chispas contenidas

Y mi corazón canta su dolor sangriento

 
Hombre egoísta

No digas

Tu poesía es una vergüenza

 
El espacio de una jaula es estrecho

Para el alma tomada de pasión

No digas que mi poesía es sólo pecado

 
Dame el vino de este pecado y esta vergüenza

Te dejaré el paraíso

Sus vírgenes y sus fuentes

Alójame en un rincón del infierno

 
Un libro, un lugar tranquilo, un poema, un silencio

Bastan para embriagarme de vida

Ninguna pena si el paraíso se me escapa

Otro también eterno habita mi corazón

 
Una noche que la luna danzaba despacio

En medio del cielo

Dormías y yo excitada con todos mis deseos

Tomé su cuerpo en mis manos

 
El viento del alba me daba mil besos

Y mil besos di al sol

Una noche en la prisión donde eras el guardián

Un beso hizo temblar mi existencia

 
Hombre, detén esta fábula del honor

La vergüenza me colmó de un placer delirante

El dios que me dotó de un corazón de poeta

Sabrá perdonarme

 
Ábreme la puerta

Para que me escape por el cielo límpido

Déjame volar

Y seré una flor en el jardín de la poesía

 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Bom fim de semana, por Jorge

"Die gefährlichste Weltanschauung ist die
Weltanschauung derer,
die die Welt nie angeschaut haben."

"A mais perigosa visão do mundo
é a
visão do mundo
dos que não viram o mundo."

Alexander von Humboldt
naturalista e filósofo prussiano
1769-1859)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Sobre as eleições presidenciais norte-americanas


Todas as situações da envergadura das eleições norte-americanas são complexas. O percurso do conhecimento do que ficou para trás e das suas consequências ainda vai no adro e terá que de coexistir em nós com uma evolução rápida da situação (em baixo a Time Square ontem).
 Mesmo que Trump tenha referido que poderia evoluir para situações de cooperação com a Rússia ou a China, as suas referências anteriores agressivas em relação a situações internacionais, que são pedras de toque de uma efectiva expansão da cooperação internacional, do fim de conflitos e das perspectivas de paz mais duradoura, comportam perigos adicionais enormes. Ninguém esquecerá que há semanas atrás a tensão entre EUA e Rússia nos aproximou de uma nova guerra mundial.
  O conteúdo reaccionário das suas intervenções orais expressou sentimentos enraízados e não meras cedências populistas.
 
  Mas também teve a inteligência de chegar a temas caros aos americanos (mas não só):  o reerguer da economia americana, o regredir na desindustrialização, o criar de milhões de novos empregos, o querer uma relação pacífica e não conflituante com todos os países que tenham atitude recíproca,  o não continuar a apoiar países e instâncias internacionais que estão a contribuir para a quebra de recursos internos dos Estados Unidos (com citações sobre a Arábia Saudita e a Comissão Europeia), o mudar o relacionamento com a Rússia, o pôr em causa o TTIP.
 
  A responsabilidade de os EUA chegarem a esta situação - mesmo, sendo certo, que o sistema eleitoral permitiu mais uma vez que os votos à escala nacional tenham dado um resultado superior a Hillary e uma grande maioria dos membros do colégio eleitoral a Trump - cabe às anteriores administrações Clinton e Bush.
 
  Ambos os partidos aplicaram as teorias neoliberais ao seu comportamento económico e financeiro, dividindo profundamente o país entre os que mais têm, e mesmo os que têm oportunidades, e os deserdados cuja voz calada se fez sentir nas urnas. Ambas as administrações lançaram os EUA e a NATO num novo ciclo de guerras, agressões e ameaças, que, entre outras coisas, provocou um anormal fluxo de imigrantes não documentados da África e Médio Oriente para países europeus e para a América do Norte.
 
  A camada dirigente norte-americana é a grande derrotada destas eleições  as políticas que realizou.
 
  Grande derrotada foi também a esmagadora máquina mediática que pôs em marcha uma campanha à escala (quase mundial) contra o novo presidente.
 
  Mas também saiu derrotada a habitual dominação política da cena política americana pelos tradicionais partidos republicano e democrata, com uma voz nova de uma grande camada descontente, afastada da política e das oportunidades. Ambos irão ter sobressaltos internos e a falência dos partidos tradicionais será uma oportunidade para uma oposição de esquerda ao novo governo se constitua.
 
Em Portugal, os directores de informação da generalidade dos mídia foram também grandes derrotados. Importaram acrìticamente tudo o que lhes impingiram.
 
Ninguém esquecerá que há semanas a tensão entre EUA e Rússia nos aproximou de uma nova guerra mundial.
 
A vigilância e a intervenção são essenciais para encarar uma nova situação potencialmente mais perigosa.