sexta-feira, 29 de abril de 2016

Frase de fim de semana, por Jorge

Float like a butterfly, sting like a bee."

"Pairar como borboleta, ferrar como uma abelha."


Muhammad Ali
pugilista americano, nascido Cassius Clay em 1942

A crise no Brasil, de Perry Anderson

Não estando envolvido na realidade brasileira, bem por dentro, é difícil avaliar sobre a justeza de todas as considerações do autor neste extenso e documentado artigo.
A necessária solidariedade internacional de modo algum pode viver sem reflectir sobre considerações como a que ele nos apresenta.
O sistema político e eleitoral no Brasil, a corrupção dos governos anteriores aos do PT, os compromissos também deste em actos ilícitos, a esperança com Lula e Dilma, os erros cometidos no seu percurso que os afastaram dos trabalhadores brasileiros e aproximaram dos partidos da corrupção que começaram por os aplaudir para depois lhes tirar o tapete, os novos movimentos proto-fascistas encubados na contestação popular são temas sobre os quais nos fala.
Por isso aqui vos deixo este trabalho no blogue onde originalmente foi publicado no passado dia 14.
 
 
Com 79 anos, Perry Anderson, nasceu na Inglaterra e formou-se na Universidade de Oxford.
Foi influenciado pela obra de Jean-Paul Sartre e, depois pelas de Gramsci, Luckacs e Althusser.
Ensaísta político e professor de História e Sociologia, na UCLA, nos Estados Unidos, foi editor da New Left Review , importante revista de esquerda do mundo anglófono.
Depois da derrota do Maio de 68, dedicou-se ao estudo do Estado burguês nos países desenvolvidos, de que resultou a publicação dos livros "Passagens da Antiguidade ao Feudalismo" e "Linhagens do Estado Absolutista", ambos de 1974, além de uma obra não concluída sobre as revoluções burguesas.
A essas investigações somam-se inúmeros artigos publicados na New Left Review no anos 60 sobre o caráter da sociedade e da cultura inglesas, onde polemizou vivamente com E. P. Thompson. Nos últimos anos sua obra procedeu à análise do marxismo oficial, iniciada com a publicação de "Considerações sobre o Marxismo Ocidental", em 1976, e "A crise da crise do Marxismo", em 1983.
Em 1962 publicou também "Portugal and the End of Ultra-Colonialism", onde estudou a estrutura do império colonial português e previu o seu fim.

O 1º de Maio no caminho de Abril


O 1º de Maio, que este ano assinala 130 anos da luta abnegada e do massacre dos operários de Chicago que se batiam pelas oito horas de trabalho, realiza-se num novo quadro político que, ainda com alcance limitado, permitiu concretizar importantes aspirações dos trabalhadores.
Como salientou a CGTP-IN no seu manifesto para este Dia do Trabalhador, isso foi possível pela luta e pela intervenção e iniciativa dos partidos que, numa nova relação de forças, constituem maioria na AR, salientando
– a reposição dos quatro feriados,
– o fim progressivo da sobretaxa do IRS,
– o anúncio das 35 horas para os trabalhadores da Administração Pública,
– o descongelamento de pensões,
– a reposição de complementos de reforma e do direito de transporte para trabalhadores das empresas
   públicas de transportes
– o alargamento do abono de família,
– o aumento do salário mínimo nacional, do complemento solidário para idosos e do rendimento
mínimo.
No plano interno o CDS estrebucha, procurando recuperar apoios com o linguarejar populista e tentando meter uma cunha nos entendimentos assinados pelo PCP com o PS. Também a Comissão Europeia não disfarça nas suas atitudes o incómodo com as inovações políticas no nosso país, acentuando perdas de soberania e atitudes dirigistas. Os riscos de uns e outros podem e devem ser reduzidos com o acentuar das novas atitudes governamentais pela recuperação de salários pensões e outros direitos e uma nova política económica que aposte na produção, no desenvolvimento e dê robustez à libertação do garrote das dívidas e dos deficites.
A consciência que vários sectores da nossa sociedade  dos riscos para a continuidade da pátria soberana por razões  internas que podemos trabalhar e outras externas que poderemos tentar influenciar, terá que ser clara no que respeita aos consensos que defende. Consensos já o país viu e ao que nos fizeram chegar. Mas a seriedade, o carácter popular do que se defende e um patriotismo exigente, poderão dar outro sentido a palavras que como essa se desgastaram nas ilusões perdidas.
Para que se dar novo fôlego à confiança nas lutas de todos os dias, vamos sair às ruas, depois daquelas que terão sido das maiores manifestações do 25 de Abril.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A crise dos refugiados para a Europa


Refugiados, imigração de substituição?
Em 2001, a Divisão da População das Nações Unidas publicou um estudo sobre as migrações de substituição, isto é as carências de imigrações vindas de outros países para evitar a diminuição e envelhecimento da população de um grande número de países que apresentavam taxas de fecundidade e de mortalidade reduzidas, a partir de um estudo em oito países (Alemanha, EUA, Rússia, França, Itália, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul) e duas regiões (Europa e União Europeia), e fazendo projeções.
A ONU concluía então que:
·         Durante os 50 anos seguintes, a população da maioria dos países desenvolvidos diminuiria e envelheceria em resultado dos níveis de fecundidade e mortalidade;

·         É necessário manter certos níveis de imigração para evitar o decréscimo populacional em todas as regiões e países referidos no estudo.
Porém
·         O número de imigrantes necessários para evitar o decréscimo da população, é consideravelmente maior do que o projectado pela ONU;

·         O número de imigrantes necessários para evitar o decréscimo da população activa é mais elevado do que o necessário para evitar o decréscimo global dessa população e, em termos relativos, a Alemanha e a Itália precisariam de um número mais elevado de imigrantes para manter o tamanho da sua população activa;

·          Os níveis de imigração necessários para evitar o envelhecimento da população são várias vezes mais elevados do que os requeridos para evitar o decréscimo da população total.

Na ausência de imigração, os quocientes de dependência potencial podiam manter-se nos níveis actuais se se deslocasse a idade de reforma aproximadamente para os 75 anos. Esta seria a resposta que se conformaria com as políticas que permitiram que aqui se chegasse.

O neoliberalismo provocou o decréscimo acentuado da população pelo decréscimo dos níveis de vida (salários, desregulamentação do trabalho, na sua precarização, na exigência e deslocações de residências, pensões e apoios sociais às populações, educação, saúde, segurança social, preços dos transportes, entre outros, com consequências evidentes na fuga de diplomados para outros países, mais ricos, redução do número de filhos por casal, etc..

Depois dos atentados às Twin Towers em 2001, o Pentágono e a NATO usaram isso para justificar perante a comunidade internacional o blitzkrieg contra o Médio Oriente, começando pela invasão do Afeganistão, e depois do Iraque. Criaram os talibans para se oporem ao regime democrático de Kabul e, depois, à discutível presença militar soviética, mesmo que a pedido do governo legítimo. Foram criados outros grupos militarizados com formação terrorista que foram usando diferentes designações ao longo dos anos.

A partir de 2011 foi a chamada “primavera árabe” que levou à queda dos regimes do Egito, Tunísia, Líbia, Iémen e Bahrein. Só na Síria não conseguiram. Têm-no tentado até ao momento, socorrendo-se de países como a Arábia Saudita, Turquia e Israel.

A questão dos refugiados na Europa: factos, teorias e necessidades prementes
A questão dos refugiados em direção à Europa nestes dois últimos anos tem assumido grandes proporções, passagem de responsabilidades para terceiros de alguns dos que têm a responsabilidade nos acontecimentos que estão na sua origem, declarações comunitárias ineficazes, autoridades aduaneiras incapazes de despachar com celeridade milhares de casos, condições de acolhimento provisório muito deficientes e, mais recentemente, um acordo vergonhoso com o ditador turco – um dos principais responsáveis por esse êxodo pelo apoio continuado que deu ao Daesh na Síria.

Até se criou um organismo, o Frontex. O orçamento do Frontex, apesar de ter sido aumentado depois do início de funções, espelha bem a hipocrisia da União Europeia. A agência funciona em dois pisos sem condições num arranha-céus de Varsóvia. A contrastar com esta realidade, desenvolveu-se, dentro do Frontex, um dispositivo chamado Eurosur que concentra a maior parte do investimento em drones, helicópteros e satélites, destinados a rastrear pessoas que tentam migrar para escapar da “opressão” e da “miséria” (agressão e grandes carências, digo eu) no seu país de origem.
Sobre esta questão levantam-se inúmeras perguntas e algumas teorias da conspiração, para não falar das movimentações das organizações de natureza fascista, cavalgando este problema para fins eleitorais e criação de situações de insegurança interna.
Há factos com consequências indesmentíveis
As chamadas “primaveras árabes”, uma promovida com intervenção militar directa da NATO na Líbia, e outras através da organização pelos serviços de informação ocidentais de golpes de estado com movimentações populares associadas na Tunísia e no Egipto. A porta aberta a refugiados do Mali …?Ou outras intervenções como a secessão do Uganda do Sul, prolongada em acções de guerra civil para o regresso do antigo ditador. A continuada intervenção militar pela Arábia Saudita e uma coligação de países árabes do Golfo no Iémen, na Somália e na Eritreia (?). Os de maior envergadura resultam da guerra contra a Síria por parte de organizações com apoio ocidental para derrubar pela força Bashar Al-Assad ou das continuadas agressões da Al Qaeda e da Al-Nustra no Iraque.

 
Uma primeira teoria da conspiração
Nicolas Bonnal (1) analisou no diário Boulevard Voltaire, as declarações de um agente de informações austríaco segundo as quais o surto dos refugiados resultantes de intervenções dos EUA no Médio Oriente teve como objectivo uma verdadeira invasão da Europa.

E, fazendo uma retrospectiva histórica, referiu que desde os mandatos de 1913 a 1921 do presidente norte-americano Woodrow Wilson, os EUA, com o apoio da França e do Reino Unido, realizaram agressões em intervenções a que atribuíram um carácter messiânico, garantindo uma moeda de reserva, que bem poderiam ter aproveitado para revelar ser a forma dos EUA não pagarem a consequências das suas guerras.

Fizeram-no provocando situações caóticas no continente africano e, depois, viraram-se para o europeu. E põem, assim, em prática os princípios maquiavélicos de Leo Strauss (2) e de estrategas ao estilo de Wolfowitz (3) que encontram políticos europeus que acabam por estar de acordo em governar introduzindo situações caóticas e privar esses países das suas realidades humanas e das suas identidades históricas e culturais, acabando por os converter em territórios para instalação de bases, com os territórios vazios, povoados de centros de refugiados ou de drogados.
Hungria fecha fronteira com a Sérvia para impedir chegada de refugiados
 Outra teoria

Um dos principais problemas da política de imigração da Europa decorreria, segundo Slavoj Zizeck (4), de uma perspectiva neocolonial que se foca no “fardo do homem branco” e da “culpa”, negando quaisquer tipo de responsabilidades aos refugiados nesta crise.

Os que fingem ser os mais abertos para os imigrantes ou refugiados seriam os que os tratam efectivamente de uma forma abertamente racista.

Quando sabemos estar criado um novo “eixo do mal” que integra a Turquia, a Arábia Saudita e Israel, com múltiplos recursos e agindo particularmente contra os seus opositores xiitas, é espantoso o acordo entre a UE e a Turquia. Serem entregues à Turquia 6,8 mil milhões de dólares para voltar a receber os migrantes que chegam à Grécia, e acabaremos vistos para cidadãos turcos em viagem para a Europa a partir de Junho constitui uma vergonha

O acordo não pode ignorar que a Turquia finge combater o terror na região pois a sua única acção militar é para combater os curdos turcos, que com características diferentes são os únicos que combatem o Daesh no norte da Síria com conselheiros militares dos EUA.

O futuro é negro para a democracia na Turquia. Pela perseguição aos curdos como para os que, em geral, se opõem a Erdogan.

Zizek elaborou um novo conceito para lidar com este problema, que designou por “militarização”, não do espaço europeu, mas das zonas quentes de emigração em guerra. Na sua opinião, os Estados europeus devem estabelecer uma base militar para "organizar pontes aéreas regulares da imigração" da Síria e da Líbia.

E designou a situação actual como "um fiasco político da Europa...um escândalo", acrescentando que os imigrantes "apenas estão a fluir de forma desordenada." Para ele, os refugiados devem ser ajudados, mas não desta forma caótica. Se as coisas continuarem como estão, daqui a cinco anos a Europa não será mais Europa, não no sentido de se dar uma islamização, mas no sentido da predominância da população anti-imigrante”.

Por agora, as políticas da UE estão a criar divisões entre vizinhos europeus. Esses países da Europa Ocidental estão jogando jogos sujos. A chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou-se muito aberta à imigração, mas depois, quando havia muitos refugiados, não quis fazer o trabalho sujo de dizer “stop”. Em vez disso, foi deixado aos países dos Balcãs fazer esse trabalho tão discreto quanto possível de parar o fluxo de refugiados.

 

(1)  Escritor e ensaísta francês.
(2)  Leo Strauss é um filósofo norte-americano de origem alemã, principal inspirador da corrente neocon  (neoconservadores) que dominou durante anos uma parte significativa do pensamento político norte-americano (gravitando, não apenas em redor da Administração Bush, como por vezes surge referenciado, antes se posicionando em vários campos, incluindo o democrata).
(3)  Professor e político norte-americano. Ex-presidente do Banco Mundial, arquiteto da política externa do governo de George W. Bush e da Guerra do Iraque.
(4) Filósofo esloveno, psicanalista marxista, investigador sénior do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, diretor internacional do Instituto de Humanidades Birkbeck da Universidade de Londres.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Hoje, no desfile da Avenida da Liberdade

Uma indisposição impediu-me de ir este ano ao desfile. Fiz-me representar pelo meu neto, que completou um mês de idade mas já fecha o punho à PCP e levou um bonito cravo na "lapela".

Metropolitano de Moscovo

Estação Kievskaya (radial)

domingo, 24 de abril de 2016

Amanhã na Avenida da Liberdade celebraremos Abril, sempre esse Abril, sempre renovado


Obama diz que Merkl “é a guardiã da Europa” mas há contradições à solta...


O Ministro da Economia alemão e número dois do governo, Sigmar Gabriel, na véspera da chegada hoje a Hanover de Obama, alertou-o para que pode não haver acordo sobre o TTIP. Também ontem mais de 35 mil manifestantes se opuseram ao TTIP nesta cidade. Já no passado dia 14, François Hollande tinha falado em termos semelhantes. Ao aterrar em Hanover Obama chamou a Merkl “guardiã da Europa” e elogiou os esforços alemães em receber refugiados, referindo a “coragem” de Merkl no acordo com o regime ditatorial da Turquia. E aproveitou para “pôr os britânicos na ordem”, dizendo-lhes que se fossem para o brexit, no referendo de Junho, ficariam em “último lugar” nas negociações com os EU. Não sei o que Hollande e Cameron sentiram na alma se ainda lhes resta alguma ou se viraram cepos de todo…
Obama declarou no início da semana anterior ao alemão Bild Zeitung que sendo certo que há tensões entre o sul e o norte da Europa, mais fortes são as tensões no leste europeu com a “agressividade” da Rússia. E referiu que a senhora Merkl tinha “falado na nossa obrigação moral para com o povo, incluindo as famílias e as crianças, sofrendo condições horrorosas, como a do regime de Assad na Síria ou a do Daesh”…
Amanhã Obama terá uima reunião com os dirigentes da Alemanha, França, Inglaterra e Itália sobre o TTIP mas não só.

Para além das acusações alemãs sobre a não suficiente abertura do mercado norte-americano ao comércio e serviços dos grandes europeus, a que nos referiremos adiante, o que importa sublinhar é que para esta 13ª ronda de negociações, a começar amanhã em Berlim, ambos os países se reservam o papel de grandes interlocutores “europeus” num dos mais sigilosos tratados inter-imperialistas até hoje negociados, e que teria as mais graves consequências para as economias e para as condições de vida e soberania dos povos da Europa.

O “le Monde” do passado dia 20 deixava claro o que sobre a matéria se pensa no governo francês “ Paris não teria nada a perder em deixar as negociações que lhe não são favoráveis mas teria tudo a ganhar no plano político ao denunciar um acordo cada vez mais impopular na Europa e na França.” Para este jornal, atacar o TTIP não requer considerável coragem política. A contestação contra ele sobe em vários países que prevê baixar as barreiras aduaneiras nos dois lados do Atlântico, mas também garantir uma forma de convergência da regulamentação e padrões na indústria e nos serviços (incluindo a banca, digo eu). “
Na Holanda, esta contestação poderá levar mesmo à convocação de um referendo sobre o assunto.
Segundo a imprensa portuguesa, o Ministro da Economia alemão referiu que os americanos não querem abrir os seus concursos públicos às empresas na Europa. Isto é o oposto do livre comércio, na minha opinião", e se os americanos mantêm esta posição, não é necessário um tratado de livre comércio e o TTIP irá falhar.

Os grandes capitalistas dos dois lados do Atlântico salivam com a criação de uma grande área de livre comércio e investimento entre os dois blocos, que juntos representam quase metade do Produto Interno Bruto mundial e um mercado de 800 milhões de pessoas. Esta área abarcaria mais de um terço do comércio mundial.

A liberalização do comércio internacional tem vários objectivos : a redução dos custos unitários do trabalho e o consequente aumento da taxa de exploração; e o alargamento do campo onde se pode exercer o processo de acumulação capitalista, com o avanço do mercado sobre cada vez mais esferas da vida económica, social e cultural; o condicionamento das trocas com outros países do mundo, nomeadamente daqueles que foram adquirindo particulares capacidades para concorrer com as economias da UE e dos EUA e em termos menos hegemónicos e conflituantes com terceiros; a liquidação por esta via dos BRICS e das perspectivas que estes auspiciavam de um menor influência negativa do dólar e do Banco Mundial; e a redução ainda maior do que resta das soberanias dos mais pequenos estados europeus que seriam cilindradas pelo acordo.

Este acordo já esteve previsto ser assinado no final do ano passado mas a contestação popular e as contradições reais entre as partes não o permitiram. As mudanças próximas de inquilino na Casa Branca não alterarão substancialmente os dados do jogo. No início das primárias Donald Trump não sabia (literalmente) o que era o acordo e Hillary Cinton, ferrenha atlantista” designava-o como a “ NATO da economia”…Bernie Sanders opunha-se a ele.

Os interesses dos grandes grupos falam mais alto e há uma urgência das potências europeias e norte-.americana de saírem da estagnação económica com crescimento insignificante que é reflexo da crise de sobre-produção e de sobre-acumulação do capital. Como dizia o eurodeputado comunista João Ferreira no início deste ano, “ o inaudito grau de concentração e de centralização do capital conduz a novas necessidades e exigências. Os monopólios americanos e europeus, que nos respectivos espaços de integração económica foram colonizando mercados, do centro às periferias, precisam de novos instrumentos para satisfazer os seus interesses, a sua pulsão imperial, as suas taxas de lucro”. Um delas é a presente ofensiva para a conquista de mercados através do TTIP. Outra é a guerra com a generalização das já existentes no Médio Oriente e em África aí e estendendo-as a outras partes do mundo. E a saída delas dos EUA com um novo plano Marshall alargado.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Quinta Coluna

A Comissão Europeia continua ao ataque contra o Orçamento de Estado aprovado por Portugal e a
quinta coluna euro-federalista já prevê cobras e lagartos por parte dela a propósito da aprovação hoje em Conselho de Ministros dos programas de Estabilidade e Nacional de Reformas.
Desde a tomada de posse do governo até hoje com pequenas brancas de objectividade a palavra de ordem dos grandes mídia portugueses é malhar
Ainda hoje, a Antena Um trouxe José Sócrates para o combate contra o governo. Quando não chegam os da casa vai buscar-se fora.
Não me cabe defender as opções do governo nem entrar nas polémicas a propósito do ex-primeiro ministro, que deixei de comentar quando caiu sob a alçada da lei. Limito-me a registar factos que não considero casuais.
Enquanto os trabalhadores lutam em defesa dos seus postos de trabalho e o desemprego se mantem alto enquanto baixas se mantêm as condições de vida dos portugueses, há grupos económicos, grandes patrões, jornalistas e comentadores que não querem, em uníssono com a Comissão Europeia, que o salário mínimos seja aumentado, que sejam repostos gradualmente os cortes sofridos na Função Pública ou que as pensões sejam actualizadas.
No quadro da crise económica na Europa que, nos entra pela porta dentro, a quinta coluna certamente estará também contra as reivindicações de produtores de leite e de carne suína e desejará que os grandes da Europa continuem a despejar os excedentes para os hipermercados dos grupos económicos "portugueses".
A luta vai continuar e a  esperança de 4 de Outubro prosseguirá.