sábado, 19 de março de 2016

Povo e democracia encheram as ruas do Brasil


Mais de um milhão de pessoas nas 30 manifestações em 27 estados do Brasil. Aqui na Avenida Paulista, em S. Paulo.
Veja muito mais sobre o dia de ontem em http://www.vermelho.org.br/
 
E apoiemos o povo brasileiro na sua luta contra o golpe, pela normalização democrática, por uma política económica menos dependente dos grandes grupos empresariais que deitaram as garras de fora e de maior resposta às carências e exigências populares.  

sexta-feira, 18 de março de 2016

Frase de fim de semana, por Jorge

"Jeder dumme Junge kann einen Käfer zertreten.
Aber alle Professoren der Welt können keinen herstellen."

"Qualquer miúdo idiota pode desfazer uma carocha,
mas nem todos os professores do mundo juntos vão conseguir criar outra."

 Arthur Schopenhauer
filósofo alemão (1788-1860)

quinta-feira, 17 de março de 2016

Amanhã sai às ruas no Brasil a coragem dos que querem deter o golpe


Amanhã, sair à rua contra o golpe!
 
Amanhã, movimentos populares, sociais e sindicais estarão nas ruas de várias capitais brasileiras. Pela democracia e em defesa do Brasil para todos os brasileiros e onde todos tenham voz, independente de género raça ou classe social. Segundo os organizadores, “com a bandeira verde e amarela, estarão bandeiras de várias cores num ato em que nenhuma cor é proibida e a diversidade é muito bem vinda”. Estarão nas ruas “aqueles que lutam lutam por um país mais justo e solidário”.

E afirmam “Nós carregamos o vermelho em nossas bandeiras históricas em memória do sangue derramado daqueles que lutaram em defesa da liberdade e dos direitos. Mas também nunca deixamos de levar a bandeira do nosso pais, para nós o verde e amarelo é símbolo de um povo de luta em defesa das riquezas deste país, potências capazes de transformar para melhor a vida de milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras”.
Para os organizadores, os lideres dos que foram para as ruas no dia 13 protestando, supostamente contra a corrupção, são os mesmos que pedem a entrega da riqueza nacional a empresas estrangeiras deixando o povo brasileiro mais explorado, mais pobre, e com menos direitos.
É significativo que há dias um dos alegados mais corruptos do Brasil, envolvido em múltiplos processos, o presidente da Câmara dos Deputados, tenha feito a maioria da Câmara  aprovar o início das privatizações das grandes empresas públicas.
Para a Central Unida dos Trabalhadoras, uma das organizações que convocam estas manifestações, é preciso ir à luta “para o bom combate contra a ofensiva conservadora, reacionária e fascista que aposta no retrocesso económico, político, social e dos direitos humanos”.

Dilma, a propósito da divulgação da escuta telefónica entre a Presidente e Lula da Silva, diz que Moro violou a lei e que tomará as medidas adequadas
A presidenta da República, Dilma Rousseff, divulgou ontem uma nota, transcrita a seguir,  em que acusa o juiz Sérgio Moro de afrontar a lei, ao divulgar uma escuta telefónica que a atinge. Ela também anunciou que, a propósito,  tomará todas as medidas judiciais adequadas.
 
Tendo em vista a divulgação pública de diálogo mantido entre a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumpre esclarecer que:

1 – O ex-Presidente Lula foi nomeado no dia de hoje Ministro-Chefe da Casa Civil, em ato já publicado no Diário Oficial e publicamente anunciado em entrevista coletiva;

2 – A cerimônia de posse do novo Ministro está marcada para amanhã às 10 horas, no Palácio do Planalto, em ato conjunto quando tomarão posse os novos Ministros Eugênio Aragão, Ministro da Justiça; Mauro Lopes, Secretaria de Aviação Civil; e Jaques Wagner, Ministro-Chefe do Gabinete Pessoal da PresidênciadaRepública;

3 – Uma vez que o novo ministro, Luiz Inácio Lula da Silva, não sabia ainda se compareceria à cerimônia de posse coletiva, a Presidenta da República encaminhou para sua assinatura o devido termo de posse. Este só seria utilizado caso  confirmada a ausência do ministro.

4 – Assim, em que pese o teor republicano da conversa, repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República.

5 – Todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas para a reparação da flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento (divulgação da escuta)

Em  conluio com sectores da oposição, o juiz responsável pela operação Lavajato e três procuradores de S. Paulo, a rede Glogo, a maioria da Câmara dos Deputados, o seu presidente e as confederações patronais tentam avançar com  o golpe. 

O PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, tem tido um comportamento  irresponsável. Insuflou o ódio e a fulanização da política. Alimentou um discurso macarthista. Rapidamente, o denuncismo e a fulanização atingiram os próprios FHC, Aécio Neves, Renan Calheiros, Eduardo Campos, num rosário de acusações que foi alimentando a convicção sobre a degradação do sistema partidário. A manifestação do passado domingo revelou que o PSDB perdeu o controle das manifestações de domingo passado.  
A Operação Lava Jato, com o juiz Sérgio Moro à frente, ultrapassou todos os limites da legalidade e do estado de Direito. Mesmo quando o ex-presidente Lula já não estava sob a sua jurisdição, pois já havia sido nomeado ministro, Moro divulgou a escuta de uma conversa entre o ex-presidente e a presidenta Dilma.
Realizar a escuta a uma presidenta da República, remeter a conversa para a Rede Globo e não para o Supremo Tribunal Federal (STF) é ato criminoso. O STF, ontem mesmo, rejeitou a previdência cautelar  que pretendia  a nomeação de Lula da Silva como ministro, fundamentada na suposta blindagem que a nomeação faria ao esclarecimentos a denúncias feitas por um “arrependido” da referida Operação. Desta forma o STF não colocou quaisquer reservas à posse de Lula como ministro, que entretanto, já se realizou.

Ver o acórdão do TSF na íntegra em http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/AC4130.pdf  

quarta-feira, 16 de março de 2016

Pintura de Alvaro Cunhal


A nova governação do Ártico

Sobre este livro, que foi publicado no mês passado na Universidade de Oxford, aqui ficam algumas palavras em jeito de convite à leitura.
 
Apesar de muitas previsões em contrário, o Ártico surge nos dias de hoje como uma zona de cooperação. No centro da estabilidade e segurança regional está uma arquitetura emergente de cooperação em torno do Conselho do Árctico. Esta nova ordem não se baseia na força militar ou numa corrida para controlar os recursos, mas na busca multilateral de interesses comuns. Este livro centra-se em compreender e explicar como surgiu a cooperação no Árctico através da exploração pelos principais estudiosos e especialistas sobre a região de um conjunto importante de questões que estão interligadas. O que constitui a atual forma de governação do Árctico? Como se explica o aparecimento dessa forma de governação no Ártico? Quais são as dinâmicas emergentes e atores que hoje estão afectos à governação regional?
 
Numa altura em que muitas regiões do mundo enfrentam confrontos crescentes e até mesmo conflitos, os autores perguntam se da experiência da governação multilateral e cooperativa e pacífica no Ártico não pode servir de referência para outras zonas do mundo. Olhando para o futuro, a questão de vulto será explorar a sustentabilidade das tendências de governação atuais no Ártico. Em que medida é a cooperação no Ártico o resultado de problemas específicos da região hoje? As relações e instituições atuais serão duradouras à luz da concorrência e até mesmo do confronto noutras partes do mundo entre os principais intervenientes no Ártico ? Que medidas podem ser tomadas para consolidar a cooperação como dinâmica política e de segurança central no Ártico?
 
Os autores
 
Linda Jakobson (Finlândia) é uma investigadora independente sobre o Leste Asiático e as questões do Árctico. Até 2013 foi Diretora do Programa da Ásia Oriental no Instituto Lowy de Política Internacional, de Sydney, tendo liderado a investigação do SIPRI em Pequim até 2011. Antes de se mudar para Sydney em 2011, viveu e trabalhou na China durante 20 anos. Publicou seis livros sobre as sociedades chinesa e do leste asiático e tem muitas publicações sobre a política estrangeira da China, a segurança energética, as políticas de ciência e tecnologia e o Estreito de Taiwan.
 
Dr Neil Melvin (Reino Unido) é investigador sénior no SIPRI, onde se especializou no estudo de conflitos e gestão de conflitos, particularmente na Eurasia. Antes de entrar para o SIPRI desempenhou funções de conselheiro sénior no Secretariado da Carta da Energia e na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Trabalhou em vários institutos de política líderes na Europa e tem um extenso conjunto de publicações sobre questões de conflito.
 
Dados para eventual encomenda do livro
 
Editora: Oxford University Press
ISBN 978-0-19-874733-8 - capa dura
fev 2016
Este livro pode ser encomendado a partir de todas as boas livrarias e livrarias on-line ou diretamente à OUPOUP Global
 
ttps://global.oup.com/academic/product/the-new-arctic-governance-9780198747338
(capa dura)
 
© Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa da Paz de 2013. Termos e condições de uso SIPRI, Signalistgatan 9, SE-169 70

Sobre a manipulação dos preços do petróleo e como estes terão que subir

 
      Se optar pelo full-screen perde em nitidez mas lerá melhor as legendas desta entrevista
      na Russia Today (RT)



terça-feira, 15 de março de 2016

Nicolau Breyner (1940-2016)

Conheci Nicolau Breyner quando, antes do 25 de Abril, fazia alguns turnos de segurança com os seus cães, na sede da CDE no Campo Pequeno, depois de termos tido algumas "visitas" de pides.

O seu percurso é conhecido de todos nós. Foi um artista muito completo no teatro, cinema e televisão, onde mais se fez sentir a sua capacidade de inovação. Alguém deveria escrever um livro, para além do que já foi editado e da entrevista que a RTP lhe fez, sobre o que o país beneficiou com a sua obra, particularmente na televisão e cinema. Essa seria, com o não deixar cair no esquecimento, as melhores homenagens que nós e gerações vindouras lhe poderão prestar.
 
Não o Panteão, façam favor de o respeitarem como ele respeitaria a memória de outros artistas destas três áreas que não puderam beneficiar do conhecimento público a que pôde ter acesso como Fernando Gusmão, José de Castro, António Pedro, Fernando Amado, Mário Feliciano, Luzia Maria Martins, Carlos Porto, Fernanda Alves, Fernanda Lapa, Carlos Fernando, Artur Ramos, João Villaret, Fernando Ribeiro, António Feio, Raul Solnado, Mário Barradas, Carlos Wallenstein, Isabel de Castro, Mário Jaques, entre outros.

O golpe e o fascismo pairam sobre o Brasil

O presidente estadual de S. Paulo do Partido Comunista do Brasil, também deputado, Orlando Silva, repudiou o vandalismo contra a sede estadual do partido no decurso da manifestação contra Dilma e o seu governo de que faz parte o PCdoB, referindo nomeadamente
“O PCdoB vem de longe e tem história de luta. Nós atravessamos muitos invernos e sabemos que a primavera sempre chega. Não nos intimidarão. Fascistas não nos intimidarão. Golpistas não passarão!”.
Há dias uma reunião de sindicalistas metalúrgicos nas suas instalações foi interrompida por uma invasão policial…
As manifestações de há dois dias, estão directamente ligadas às declarações de um de três procuradores da Justiça deste estado,  que “justificou” a condução coerciva pela polícia do ex-presidente Lula para prestar declarações (!), ao arrepio do Código de Processo Penal, já que Lula nunca fora intimado e, depois, com o pedido da prisão preventiva (!) por parte do Ministério Público de São Paulo, que aguarda deliberação judicial.
A saída de Lula de sua casa, rodeado de polícia, foi um acto preparado mediaticamente, em articulação nomeadamente com a Globo, da família Marinho, para poder ser uma humilhação. As declarações do referido procurador não tiveram nada de jurídico, sendo apenas um despropositado ataque político ao ex-presidente. Para um comentário sobre a cobertura mediática, ver

Segundo Honofre Gonçalves, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)  referiu no dia das manifestações “A direita tem usado um grande aparato para bloquear o poder democrático que o povo construiu ao longo dos anos, que garantiu benefícios a classe trabalhadora, tirou milhares de brasileiros da miséria e que incomoda a elite brasileira. A direita fala em moralidade, mas nós sabemos que o que está por trás do pano são planos estratégicos norte-americanos para controlar o país e derrubar uma presidenta democraticamente eleita”.
A onda de ódio que se alastra contra tudo que soa a progressista está a recolheras apoios numa certa burguesia urbana que passou a ter que dividir o assento do avião ou o banco da universidade com os pobres, com o acesso destes à saúde e educação e outros apoios sociais. Mas a questão é mais complexa.
Parte do poder judicial também defronta a pressão popular para uma justiça não classista e entende isso como a invasão do seu estatuto, não de autonomia e isenção, mas de superioridade.
O aparato repressivo do Estado, especificamente as polícias militar, civil e federal (além do mercado da segurança privada), sempre foi formada para se opor às reivindicações elementares dos direitos dos cidadãos.
O Parlamento foi também alvo de uma tentativa de golpe político- constitucional que milhões de brasileiros na rua e o Supremo Tribunal rejeitaram.
Nestas últimas manifestações contra Dilma, os dirigentes da oposição já não conseguiram aproveitar-se delas, sendo inclusivamente vaiados. Mas estiveram presentes muitas saudações fascistas e o apelo explícito ao golpe militar. Também o grande patronato patronato reforçou a sua presença na tentativa golpista, com a Fiesp (Federação das Indústrias do estado de S. Paulo) que já tinha apoiado o golpe militar de 1964. Fiesp que, curiosamente é presidida por um “empresário” sem empresa.
Este movimento golpista no Brasil pode estar a querer “justificar” o estado de excepção, um golpe maior, apoiado em interpretações extravagantes, ao arrepio das normas jurídicas constitucionais. É um golpe querer tirar a presidenta eleita democraticamente, que tem um mandato de quatro anos, mas esse golpe maior, está a caminhar ao arrepio do estado democrático de direito.

Uma outra causa que  está por detrás deste movimento golpista foi a integração do Brasil nos BRICS, o apoio à criação de um Banco Mundial de Desenvolvimento,  que ameaçou seriamente os interesses da Nova (Velha, de facto) Ordem Mundial.  Esta ordem, ano após ano, está a  traduzir-se na clivagem entre países ricos e pobres através da globalização e processos de integração económicos e políticos e a destruir o sistema produtivo de muitos países, a que se quer reservar o papel de mercados a serem inundados pela produção estrangeira, com medidas políticas coercivas que impedem a expressão da soberania dos povos e os mantêm presos ao garrote de dívidas impagáveis e juros colossais.


O cientista político e historiador Moniz Bandeira denunciou a acção do Departamento de Estado dos EUA na escalada desestabilizadora e no clima de ódio galopante no país, enquanto mais de 120 biliões de reais vão para os juros da dívida pública. Leia-se capital rentista. Para ele a  nação está a ser levada, meticulosamente, de forma planeada, para a confrontação geral, à deposição da presidente da República, para a instauração de um regime e um modelo econômico que desarticule a cadeia produtiva nacional, promova o saque das riquezas naturais, e a completa dependência à Nova Ordem, ao capital rentista.

Não pode deixar de se sublinhar que muita da comunicação social portuguesa, com destaque para os grandes canais de televisão e de rádio , estão empenhados neste confronto com o governo do país irmão e em que este golpe se desenvolva...

O Conselho Europeu de ontem não contribuiu para garantir a sobrevivência das explorações e a produção nacional


 As grandes manifestações de suinicultores e produtores de leite portugueses destes últimos dias exprimem o receio de colapsos que se aproximam em importantes sectores da produção nacional.
O Conselho Europeu da Agricultura de ontem dedicou-se  á questão do leite. Como sempre dominado, pelos países mais fortes que garantem condições de escoamento aos seus produtos, decorreu, sob a "lógica do mercado" em que sobrevivem uns e outros são inexoravelmente liquidados. Os seus resultados são um sério golpe nas expectativas dos produtores portugueses.
 
A defesa da economia de cada país carece que a produção nacional seja defendida e protegida dos burocratas de Bruxelas. E o governo deve defender os produtores nacionais. O Conselho só tratou do leite mas as mesmas considerações são feitas ao mercado da carne.
 
São necessárias medidas concretas no âmbito europeu e nacional que restaurem um nível mínimo de sustentabilidade económica da produção de leite. E há que tomar medidas quanto aos donos da distribuição que estão a contribuir para a ruína da produção já que os preços de venda ao público não refletem os seus custos.

A questão complicou-se como fim das quotas leiteiras na UE em 2015 e a ausência de um mecanismo alternativo e o início do embargo russo aos produtos comunitários, em resposta ao embargo que a UE decidiu à Rússia, devido à situação na Ucrânia. Também alguns mercados tradicionalmente importadores, particularmente a China, assim como os países produtores de petróleo, reduziram significativamente as encomendas como resultado da quebra de receitas que tiveram na sequência da descida dos preços do crude imposta pelos maiores produtores de petróleo e que têm causado grandes quebras de receitas a países como Angola, Brasil, Rússia e Venezuela que são obrigados a ver os respetivos crescimentos económicos e desenvolvimentos internos atrasados de forma sensível e consequências nas relações com terceiros.

A incapacidade do mercado em absorver o aumento descontrolado da oferta de leite e de carne na Europa, levou a uma quebra abrupta dos preços à produção e, a uma redução dramática dos rendimentos dos produtores nacionais.

Quanto às “nossas” muito cotadas empresas de distribuição, mantiveram a importação de sobras de leite e produtos lácteos da EU, apesar do nosso país ser autossuficiente em termos estruturais.
Durante o ano de 2015, Portugal importou 480 milhões de euros de leite e produtos lácteos, em particular por via das marcas das grandes superfícies, quando existem capacidades produtivas e industriais subaproveitadas em Portugal.
A opção pela produção estrangeira da grande distribuição (Continente, Pingo Doce, Jumbo, etc.), que a vende a preços inferiores aos oferecidos pela produção nacional, é feita frequentemente sem identificação de origem.

É de reter o que escreveu há dias o presidente da CNA:
“A crise do Leite e da Carne está mais uma vez a pôr a nu a “irracionalidade” deste sistema que é esta PAC, dentro desta UE. Bom, dissemos “irracionalidade” mas, de facto, este sistema é assim porque “alguém” quer que assim seja. É que há os interesses dominantes do sistema – as multinacionais e outras grandes empresas do agro-negócio --, há os respectivos mandantes…e há os seus “executivos” no caso a maioria dos governantes assessorados pelo exército de burocratas que enxameiam as Instâncias nacionais e sobretudo as Instâncias comunitárias. É assim como que uma “fileira integrada” – a funcionar estilo rolo compressor - a confluir para a destruição - programada - das pequenas e médias Explorações Agro-Pecuárias. Ou seja, o sistema não é “irracional. É perverso e implacável, isso sim. In http://www.cna.pt/

domingo, 13 de março de 2016

Começam amanhã as conversações de paz sobre a Síria na cidade de Genebra, sob a égide da ONU

 

A Síria e os países vizinhos
O enviado especial da ONU para a Síria
anunciou esta sexta-feira, em Moscovo, que as Nações Unidas vão organizar eleições presidenciais e legislativas no país, no prazo de 18 meses a partir de segunda-feira. Staffan de Mistura falava à agência noticiosa russa Ria Novosti sobre os principais temas em discussão para pôr fim a cinco anos de guerra na Síria nas próximas negociações de paz, que vão decorrer em Genebra entre 14 e 24 de março, depois do cessar-fogo desde 27 de Fevereiro passado.
Segundo de Mistura irão ser discutidos um novo governo inclusivo, uma nova Constituição e novas eleições, que devem realizar-se no prazo de 18 meses a contar do início das negociações", que se iniciam amanhã segunda-feira.

 
Este processo não tem sido fácil. Teve avanços e recuos e a sua própria realização a partir de amanhã não oferece garantias de um sucesso final. Depois do cessar-fogo de dia 27 de Fevereiro é certo que os combates se terão reduzido em 80 ou 90% mas as acusações de violações cruzaram-se. Não se vê, porém, que haja outro caminho senão trabalhar para a paz na base de compromissos aceites por todas as partes. Ao papel importante que a Rússia e os  EUA têm tido, juntam-se amanhã o governo sírio e cerca de cem grupos que aceitaram participar nas negociações. As perturbações irão existir do exterior e a cobertura mediática ocidental irá confundir várias questões. Ainda há pouco, ouvia na Antena Um, que sempre confundiu os seus ouvintes, que um dirigente da oposição (sem identificação pessoal nem de grupo) declarara que "Assad tem que sair, vivo ou morto, mas tem de sair". Esta será a posição do Estado Islâmico (Daesh) ou da sucedânea da Al Qaeda, a Frente Al-Nusra, que não estarão nas negociações, tal como foram excluídos do cessar-fogo pela ONU e que continuam o terrorismo na Síria, pelo que não foi questionado que esses grupos fossem combatidos pela Síria, a Rússia e os EUA.
Os compromissos a que se chegar coexistirão, não sem algumas contradições, com os acordos importantes que o Irão e os EUA estabeleceram e que transcendem as relações bilaterais
 
O petróleo e as questões geo-estratégicas são motivações omnipresentes.

 
O domínio da exploração do petróleo e da distribuição deste (crude) e do gás natural no M. Oriente, na Europa e no mundo, por potências regionais e outras ocidentais que detêm contratos para o efeito, é, em última análise,a grande causa dos conflitos presentes.
Mapa étnico e religioso da Síria
A Rússia que, como outros, tem os seus interesses (fronteiras seguras, comercialização do gás natural para a Europa, petróleo), o mesmo se passando com o Irão (fim do embargo), com a Síria (que há décadas não se submete a interesses neocoloniais da França e do Ocidente em geral, e que tem tido na Rússia e antes na URSS um aliado de décadas) ou como o Iraque (destruído, vítima da Al-Qaeda e do Daesh, que combate, com  apoio norte-americano que às vezes não convence), onde ainda ontem o Daesh provocou mortes com o uso de armas químicas, tendo o governo prometido "vingança". Ou os de vários grupos de curdos da Síria, Iraque e Turquia, que se têm mantido autónomos, apesar de serem instrumentalizados para formar um grande Curdistão, com base em territórios desses três países, e procurando neles aprofundar as autonomias.
Mas também com Israel. Enquanto a Arábia Saudita e os outros países árabes ricos  ainda  dominam a produção e os preços. A família Saoun decidiu adquirir a bomba atómica a Israel. E a Turquia, de Erdogan, cada vez mais uma férrea ditadura
Campo de refugiados sírios na Jordânia
, com sonhos imperiais fracassados, que foi o grande apoiante do Daesh na Síria e beneficiou de muito petróleo que ele saqueou. E que há dois dias queimou habitantes curdos até à morte em Cizre.
Os interesses dos povos de uma série de países foram esmagados devido à passagem de repúblicas modernas e de razoáveis condições de vida para um inferno de destruição, morte e grandes carências, depois de invasões destruidoras e das chamadas “primaveras árabes que levaram a “crise dos refugiados” às dimensões atuais, tornando-se, em si mesma, um muito sério problema internacional.
 
Para além da questão do petróleo e gás natural, também tem grande influência neste conflito
domínio de uma zona geoestratégica, desde há muitos anos, particularmente depois da exploração do petróleo por diversas potências coloniais. Nos nossos dias os EUA criaram forças especiais do exército para serem usadas em operações de guerra não convencionais, principalmente fomentando tumultos ou assassinando políticos. Washington implantou secretamente essas forças em 78 países e embora negue a sua existência, o orçamento para as suas missões está a crescer em média 10 mil milhões de dólares por ano para o efeito.
O mesmo se passando com a Arábia Saudita, Turquia e Israel que o fazem em relação aos países vizinhos do continente africano, em particular o Corno de África, diretamente ou com o Conselho de Cooperação do Golfo, integrado por países árabes ricos e onde é a voz mais influente. O ataque terrorista de ontem na Costa de Marfim está seguramente acobertado por esta teia de interesses em criar situações caóticas nestes países, que "justifiquem" uma intervenção militar subsequente.
 
A Síria moderna foi nascendo após a Primeira Guerra Mundial durante o mandato colonial francês. Foi o maior Estado árabe a surgir na região do Levante, que antigamente era dominada pelo Império Otomano. O país conquistou a independência como uma república parlamentar em 24 de outubro de 1945, quando a Síria se tornou membro fundador da Organização das Nações Unidas, um ato que legalmente pôs fim ao antigo domínio francês  embora as tropas francesas não tenham deixado o país até Abril de 1946. O período pós-independência foi tumultuoso, com vários golpes militares e tentativas de golpe, com uma presença permanente dos interesses neocoloniais franceses, que abalaram a nação árabe no período entre 1949 e 1971. Entre 1958 e 1961, a Síria entrou em uma breve união com o Egito, que foi posta de parte depois da revolta militar de 1961. A República Árabe da Síria surgiria no final desse ano depois do referendo de 1 de Dezembro, mantendo sempre alguma instabilidade até ao golpe de Estado de 1963, após o qual o Partido Baath assumiu o  poder.  Bashar al-Assad é o presidente do país desde 2000 e foi precedido por seu pai, Hafez al-Assad, que governou a Síria entre 1970 e 2000, e que foi um dos dirigentes árabes mais carismáticos do século passado. Ambos, face às ambições da vizinhança mantiveram uma sólida relação de aliados
Além do partido Baath estão agrupados na Frente Nacional Progressista (FNP) outros partidos: Movimento Árabe Socialista, União Árabe Socialista, Socialistas Unionistas, Sociais Democratas Unionistas, e duas correntes do Partido Comunista da Síria. Têm ainda existência, o Partido Nacionalista Social da Síria e o Movimento do Voto Nacional.
O regime sírio é uma república semi-presidencial, com um partido dominante, o Baath
O Conselho Popular da Síria é o órgão de poder legislativo da Síria. Este parlamento tem uma só câmara e conta atualmente com 250 membros eleitos para mandatos de 4 anos por representação proporcional em 15 distritos eleitorais.
Nas eleições de 2007, a afluência foi de 56%. A constituição do parlamento ficou composta por 170 dos 250 lugares para a coligação no poder, a FNP, dirigida pelo Partido Baath, o qual ficou com 131 desses 170 lugares. Os restantes 80 lugares vêem de outros partidos e de candidaturas independentes.