segunda-feira, 7 de março de 2016

Melhorar a ADSE para liquidar o Serviço Nacional de Saúde?


A ADSE e também outros subsistemas públicos de saúde, objetivamente importantes para os seus beneficiários que dele recolhem algumas vantagens em relação a algumas áreas do SNS, têm vindo a ser usados para viabilizar financeiramente o sector privado. Este facto, aliado ao desinvestimento no serviço público tem levado ao aparecimento de novas unidades dos grupos económicos do sector lá onde a oferta pública recua. O alargamento do número de beneficiários da ADSE preparado por Passos Coelho tem que ser reconsiderado, por poder levar à liquidação do SNS. A fuga de utentes da ADSE para seguros de saúde depois do aumento das contribuições de 1,5 para 3,5%, seria “compensada” por um alargamento a mais beneficiários que saíram do SNS (desde filhos a outras “gerações” de utentes, atualmente afetos ao SNS) . E estes daqui a uns meses passavam novamente para os seguros de saúde até ao esvaziamento do SNS, que daria origem ao fim do SNS pela sua transformação numa ou várias grandes empresas de seguros que continuariam a trabalhar sempre com privados (porque sempre o fizeram) ou a sua extinção e passagem dos ativos para a ADSE. Era enfim uma privatização cheia de cinismo, hipocrisia, que inviabilizaria o direito à saúde como configurado na Constituição da República Portuguesa.

No início do ano passado, o Secretário de Estado do Orçamento de Maria Luís Albuquerque, Hélder Reis, aprovou o Plano de Atividades da ADSE para 2015, enquanto a tutela do organismo passava para o Ministério da Saúde, com Paulo Macedo.

No documento, o novo director-geral de então, Carlos Liberato Baptista, dizia que desde o ano anterior a ADSE passara a ser alimentada apenas pelos descontos dos seus beneficiários (3,5% do salário), tendo os serviços públicos deixado de contribuir para o sistema. Assim propunha “repensar o paradigma existente, lançando novos desafios na área da protecção social e na redefinição do esquema de benefícios e nos estudos que permitam equacionar o alargamento da base de beneficiários”.

Atualmente, a ADSE destina-se essencialmente à generalidade dos funcionários públicos e aposentados da Caixa Geral de Aposentações e a alguns dos seus familiares. O “primeiro objetivo” para 2015 seria desenvolver estudos que permitissem propor à tutela o alargamento da base de beneficiários titulares, para que “os trabalhadores do sector público empresarial, que preencham os necessários requisitos legais, possam também passar a inscrever-se como beneficiários da ADSE”.

Além disso, também perspetivava que os cônjuges e membros de união de facto, que então não se podiam inscrever porque trabalhavam no sector privado e beneficiavam de outro regime de segurança social obrigatória, pudessem usufruir do sistema, “mediante desconto legal complementar”.

Adicionalmente, referia que ia “ser equacionada a hipótese” de os filhos com mais de 26 anos poderem continuar a beneficiar da ADSE, também “mediante uma determinada comparticipação financeira”.
 
 

O plano baseou-se no diploma que aumentava a comparticipação dos beneficiários para 3,5%.

Funcionários públicos e pensionistas do Estado passariam a descontar 3,5% sobre os seus vencimentos e pensões para os subsistemas públicos de saúde, um aumento de um ponto percentual. Tendo em conta que esta subida seria a terceira desde Julho – quando a taxa estava nos 1,5% - os descontos dos beneficiários mais do que duplicariam em sete meses.

A opção de agravar os descontos para a ADSE surgiu como uma das medidas para “compensar” o chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões.

Cavaco Silva não promulgou o diploma mas governo insistiu e ele acabou por ser promulgado.

No diploma introduziu-se uma alteração substancial da forma como a ADSE tinha funcionado até então, equacionando-se a “criação experimental” de unidades de cuidados de saúde primários e a prestação de serviços de medicina no trabalho-áreas apetecíveis para os privados. O objetivo era cativar novos beneficiários e conter as desistências, que tinham disparado em 2014, com 2965 desistências, sete vezes mais do que as 428 saídas voluntárias verificadas em 2013. E no início de 2015 o abandono do sistema estava a ocorrer a um ritmo acima do normal, tendo desistido 246 pessoas em Janeiro.

A possibilidade de renunciar à ADSE está prevista na lei desde 2011 e, desde então, qualquer beneficiário pode deixar o sistema, uma decisão que é irreversível. Mas se até 2014 o número de saídas era reduzido, com o aumento dos descontos de 1,5 para 2,5 e depois para 3,5%, passou para níveis recorde.

O aumento dos descontos terão levado muitos beneficiários a fazer contas e a deixar a ADSE, preferindo seguros privados. Um estudo desenvolvido pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), então divulgado, concluía que, com o aumento dos descontos, havia funcionários públicos para quem era compensador, do ponto de vista financeiro, abdicar deste subsistema e optar por seguros de saúde privados.

A ADSE passou então a ser ainda mais a segurança social dos mais ricos.

 

O estudo pretendeu ver qual o espaço que existia para o crescimento dos seguros de saúde em Portugal e adiantava que existia conceptualmente, três grandes áreas de intervenção do seguro privado quando se tem um Serviço Nacional de Saúde num país:

a) o seguro de saúde voluntário privado pode ser substituto do Serviço Nacional de Saúde, na modalidade de opting-out (direito de opção do beneficiário), em que cobre os mesmos riscos de saúde que o Serviço Nacional de Saúde;

b) o seguro de saúde voluntário privado é complementar ao Serviço Nacional de Saúde, no sentido em cobre riscos e cuidados de saúde que não são cobertos pelo Serviço Nacional de Saúde ou dá cobertura de seguro aos pagamentos directos das famílias;

c) o seguro de saúde voluntário privado duplica a cobertura do Serviço Nacional de Saúde, como forma de assegurar um acesso mais rápido a cuidados de saúde.”

Passos Coelho fez assim o frete às seguradoras que, por vias como esta, procuram captar recursos do Estado e dos particulares que a este confiam, para prosseguir com a destruição do Sistema Nacional de Saúde

Este decréscimo de beneficiários e consequente redução de serviços contratados pela ADSE a hospitais e clínicas particulares provocaram reações destes que, apesar de já beneficiarem de apoios diretos do Estado, viviam também desse privilégio com a ADSE. Para um governo com as “preocupações sociais” como o de Passos Coelho, era evidente que ir em socorro dos privados era decisivo para mandar elaborar o estudo para o alargamento da ADSE a novos beneficiários para captar novas receitas para a ADSE, que, entretanto passou também, por via da perda desses beneficiários por grande turbulência interna com a fuga de quadros superiores.
 

 
Em Julho, numa conferência no ISCTE, Passos Coelho reagiu a uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC), que fez saber que o aumento da taxa de desconto da ADSE para 3,5% em 2014 tinha sido "excessivo" e que apenas resultou da necessidade do Governo em reduzir o financiamento público, por imposição da troika. O primeiro-ministro acusou estas alegações de serem falsas. E que o dinheiro dos beneficiários não seria desviado para outros fins.

O relatório do TdC considerava que seria apenas necessário aplicar 2,7% para cobrir os custos e não 3,5%.

E Passos reagiu. "Na altura precisávamos de atingir um determinado objetivo para o défice público e foi considerado que o Estado deveria deixar de ser contribuinte da ADSE, ou seja, os beneficiários deveriam financiar na totalidade o seguro de saúde" (…)."O aumento para 3,5% destinava-se para dar sustentabilidade à ADSE, que tem um número de funcionários públicos mais envelhecido”.

Passos Coelho admitiu nessa altura, com cinismo (conhecia a situação da ADSE) que se a médio e longo-prazo a "ADSE vier a acumular excedentes superiores aos que são necessários para no futuro fazer face às suas necessidades, nesse caso a própria ADSE pode decidir se quer melhorar o tipo de serviço ou reduzir e baixar a contribuição dos beneficiários".

Importa relembrar que a criação da ADSE por Salazar em 1963, surgiu de pressões sentidas entre trabalhadores para estabelecer um serviço de assistência à semelhança do que já tinha sido criado em anos anteriores anos antes, as “caixas de previdência” ligadas a várias profissões de sectores privados

O “Relatório sobre as Carreiras Médicas”, divulgado em 1961, e que teve como redator-principal o Prof. Miller Guerra, propôs um sistema de saúde específico para os funcionários públicos.

Em 2008 Teixeira dos Santos fez um acordo com um dos principais grupos privados na saúde, que poderia servir de percursor do financiamento dos principais grupos privados da saúde em Portugal.

A ADSE passaria a ter a missão de principal via de financiamento dos grupos privados.

O aumento atual da percentagem de descontos para a ADSE e a passagem da sua tutela para a Saúde poderia operacionalizar de forma mais célere essa missão.

A partir do momento em que o governo de António Costa retomou a questão, referindo o alargamento dos beneficiários, os hospitais e clínicas privados, que são alimentados pelos serviços contratados pela ADSE, saudaram esse alargamento preparando-se para adquirir novos equipamentos, reforçando o seu pessoal e diversificando os seus serviços para com isso lucrarem mais. Importa que que o governo reconsidere quer este alargamento quer a descida dos atuais 3,5% nos descontos, e proponha decisões que defendam o Serviço Nacional de Saúde da sua transformação num seguro obrigatório para todos os cidadãos em nome de uma suposta “liberdade de escolha”.

domingo, 6 de março de 2016

Parabéns ao PCP nos seus 95 anos

Este é o partido que nasceu na 1ª República, se tornou num grande partido revolucionário a partir dos anos 30, que manteve uma estrutura clandestina de quadros e recursos múltiplos ao longo do fascismo, atingida pela repressão mas sempre reerguida, para organizar as lutas dos trabalhadores pela defesa dos seus interesses, e com papel determinante nas lutas da oposição democrática, perspetivando uma Revolução Democrática e Nacional nos anos 60, que tinha no horizonte o socialismo e a realização do ideal comunista.
Este foi o partido que "adivinhou" o 25 de Abril a partir de então, que nele participou, que influenciou as decisões mais importantes do período revolucionário, ombro a ombro com as lutas dos trabalhadores e as suas exigências revolucionárias, que esteve com eles combatendo a contra-revolução e criando um regime democrático, sem paralelo nos países capitalistas.
Este foi o partido que se não resignou nem escondeu bandeiras quando dos revezes do socialismo, e no decurso dos retrocessos históricos assinaláveis desde então.
Este é o partido de Álvaro Cunhal, que foi de grande importância para o partido e o país, como é reconhecido pelos comunistas, por muita gente de diferentes correntes de opinião e ainda muitos outros que em nenhuma se filiam.
Este é o partido que, com os trabalhadores, derrotou Passos  Coelho e contribuiu para viabilizar um novo governo na base de compromissos firmados com o PS, com medidas que já se iniciaram de importante significado no plano social e que deverão inverter a política realizada pela direita, promovendo o investimento produtivo e o emprego e defender a nossa soberania.
É justo, por isso, saudar o PCP por estes 95 anos.

A Irmã Guadalupe, missionaria em Aleppo, e a sua experiência numa perspectiva estritamente cristã


sábado, 5 de março de 2016

Lúcio Lara (1929-2016)

Lúcio Lara foi um dos mais destacados dirigentes do MPLA, desde a formação deste. Filho de mãe angolana e pai português, em Portugal integrou o MUD-Juvenil e foi dirigente da Casa dos Estudantes do Império, onde foram activistas outros destacados futuros dirigentes dos movimentos de libertação das colónias portuguesas.
Sobre a saudação do PCP na altura da sua morte e um obituário mais desenvolvido feito na altura da sua morte pelo The Guardian, aqui ficam as suas respectivas localizações na net.
 

Frase de fim de semana, por Jorge

"It takes a great deal of bravery
to stand up to our enemies,
but just as much to stand up to our friends."

"É preciso uma certa dose de coragem
para aguentar
com os nossos inimigos,
mas também outro tanto para os nossos amigos"

J.K. Rowling
escritora inglesa
criadora de Harry Potter, n.1965

sexta-feira, 4 de março de 2016

Será que Passos Coelho vai continuar a visitar feiras e fazer declarações a jornalistas nos próximos tempos?



A entrada de Maria Luís Albuquerque para a empresa inglesa de compra de dívida pública que tinha comprado dívida e créditos malparados em bancos do nosso país quando M. L. A era Ministra das Finanças e do Estado de Passos Coelho, e mantendo-se ainda agora como deputada, é mais uma das já muitas escandaleiras que caracterizam o exercício de funções públicas em articulação com empresas que podem beneficiar das decisões políticas.
E que, depois, absorvem nos seus quadros esses políticos para aí continuarem a trabalhar com certeza contra o interesse público.
 
A dependência do poder político em relação ao poder económico exige legislação, a sua regulamentação, a sua aplicação com corpos especiais adequados e penas muito severas contra os que têm participação em negócio e lesam em milhares de milhões de contos os contribuintes e os resultados da atividade produtiva.
 
Esta contratação de M. L. A. foi conhecida ao mesmo tempo que esta aparece associada a uma deliberação ruinosa para o país, por recente deliberação de um tribunal também inglês, que põe ainda mais de rastos a governação do PSD/CDS e Passos Coelho.

De facto, o Metropolitano de Lisboa, a Carris, o Metro do Porto e a STCP foram condenados pelo Commercial Court de Londres a pagar 1,8 mil milhões de euros ao Santander Totta no âmbito do processo avançado pelo banco espanhol contra as quatro empresas públicas por quebra unilateral dos nove contratos swap celebrados pelo governo José Sócrates entre 2005 e 2007, e o novo governo ainda não descobriu se havia tal verba para pagar o resultado negativo do julgamento agora enunciado, e que decorreu enquanto M. L. A. era ministra.
Quanto ao gestor da Parparticipadas Bruno Castro Henriques, que promoveu, com o ámen da ex-Ministra Maria Luis Albuquerque, a venda do Banco Efisa, deixando para o Estado encargos entre 80 e 130 milhões de euros. e que agora vai trabalhar para a empresa compradora, é interessante repescar algumas passagens do currículo publicado no linkedin pelo próprio.

"Desde Agosto de 2012 que Bruno é presidente e CEO da Parparticipadas e membro do Conselho de Administração da Parvalorem e Parups - 3 empresas estatais irmãs que foram incorporadas para comprar ativos do antigo Grupo BPN, para permitir o sucesso do processo de reprivatização do banco BPN (Banco Português de Negócios)."
"A Parparticipadas SGPS SA é uma holding das seguintes empresas: (i) Banco Efisa SA (Banco de Investimento); (ii) BPN Crédito (Banco de Crédito do Consumidor); (iii) Real Vida Seguros (Life Insurance Company); (iv) BPN Brasil (Banco em São Paulo, Brasil); (v) BPN IFI (Banco de Cabo Verde); (vi) Imofundos (Real Estate Fund Management), entre outros."
"A Parparticipadas está a liderar diversos processos de M & A para reprivatizar a maioria de suas filiais.
Por isso Bruno também é membro dos Conselhos de Administração da maioria destas empresas."
"De 2005 a 2006 Bruno foi CFO de uma empresa portuguesa do sector da saúde contratada para garantir serviços de saúde no trabalho e de higiene e segurança do trabalho em empresas de transporte públicas CP, CARRIS, METRO, REFER, STCP, FERNAVE, TRANSTEJO"
"Anteriormente, trabalhou como assessor da administração de um grupo de stands de automóveis e como analista de riscos de crédito na Divisão Corporativa da Caixa Geral de Depósitos (CGD)".

A maioria da Assembleia da República e o Governo têm que tomar medidas pesadas para que a esperança não ceda a estes comportamentos!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Bin Laden "está vivo e vive bem, nas Bahamas", diz Edward Snowden



Originalmente publicado no jornal Moscow Tribune, e depois reproduzido por outros jornais, estas declarações nunca chegaram ao conhecimento dos portugueses. Snowden promete para Setembro a publicação dos factos, acompanhados de toda a documentação a que teve acesso.
Aqui se reproduz a notícia original.

Edward Snowden, que tem denunciado informações da Agência de Segurança Nacional , fez uma nova afirmação controversa, dizendo que tinha alguma informação classificada que prova que Osama Bin Laden ainda está vivo.
Snowden, que se refugiou na Rússia após viabilizar que fossem publicados  documentos sobre programas de vigilância da Agência Nacional de Segurança (NSA), fez algumas declarações anteriormente não conhecidas sobre o famoso terrorista Osama Bin Laden, durante uma entrevista com o Moscow Tribune.
De acordo com ele,  Bin Laden não só está vivo está vivo como está a ter uma vida luxuosa, nas Bahamas, graças a pagamentos regulares da CIA.
"Tenho documentos mostrando que Bin Laden ainda está na folha de pagamentos da CIA", afirma Edward Snowden. "Ainda está a receber mais de 100 mil dólares por mês, que estão a ser transferidos através de algumas empresas e organizações de fachada, diretamente para a sua conta bancária de Nassau. Não estou certo de onde ele estará agora mas em 2013, ele estava a viver tranquilamente na sua casa de campo com cinco das suas esposas e muitos filhos. "
Supostamente o líder terrorista Osama Bin Laden foi morto pelos Navy SEALs dos EUA (*) em 2 de Maio de 2011 mas de facto está vivo num subúrbio luxuoso de Nassau.
Snowden afirma que a CIA orquestrou a falsa morte do ex-líder da Al Qaeda, quando na realidade estava a transportar com a família para um local não revelado nas Bahamas.
"Osama Bin Laden foi um dos agentes mais eficientes da CIA por um longo período de tempo", afirmou o famoso denunciante. "Que tipo de mensagem estariam a enviar aos seus outros agentes se deixassem os SEALs matá-lo? Organizaram a sua  falsa morte, com a colaboração dos serviços secretos paquistaneses, e ele limitou-se a abandonar a sua identidade. Uma vez que toda a gente acredita que ele estava morto, ninguém o procurava, por isso foi bastante fácil desaparecer. Sem a barba e a jaqueta militar, ninguém o reconhece. "

Snowden diz que os documentos que provam que Bin Laden ainda está vivo serão integralmente reproduzidos no seu novo livro, que tem lançamento previsto para Setembro.
Motivo de controvérsia, Snowden foi por diversas vezes referido como um  herói, um denunciante, um dissidente, um patriota, ou um traidor, pelas suas revelações de milhares de documentos classificados.
Edward Snowden foi contratado por uma empresa que trabalhava para a NSA em 2013, após ter trabalhado na Dell e para a CIA. No mês de Junho desse  ano, revelou milhares de documentos classificados da NSA a jornalistas.
O governo dos Estados Unidos apresentou acusações de espionagem contra ele logo após as suas revelações virem a público. Snowden tem vivido em regime de asilo em Moscovo, depois de fugir dos EUA para Hong Kong, na sequência das denúncias.
Em 28 de Julho de 2015, a Casa Branca rejeitou a  petição "We the People", para que fosse perdoado, com cerca de 168 mil signatários.

(*) Os SEALs são uma das principais forças de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos e parte do Comando Naval de Operações Especiais (NSWC).

A versão original em inglês no Moscow Tribune só está disponível para subscritores pelo que optei por uma na íntegra e de acesso livre , que traduzi e que pode ser encontrada em
http://www.theindianpanorama.news/united-states-america/bin-laden-is-alive-and-well-in-the-bahamas-says-edward-snowden-57781/

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ana Alcaide em "Luna sefardita", gravada em Samarcanda


Khadafi foi assim tão cruel para com o seu povo?, citação da revista suiça Schweizmagazin

Hoje a Líbia está em parte destruída e é dominada por grupos de bandidos, traficantes de petróleo e de seres humanos, com condições de vida muito inferiores às da primeira década deste século.

Segue-se uma lista das "atrocidades" que os líbios sofreram durante 4 décadas, segundo artigo desta revista em 2011.

1. Não havia factura de electricidade na Líbia. A eletricidade era grátis para todos os cidadãos.

2. Não havia juros sobre empréstimos bancários. Por força da lei, os bancos do estado garantiam a todos os cidadãos empréstimos sem juros.

3. Ter uma casa própria era considerado um direito humano na Líbia.

4. Todos os recém-casados na Líbia recebiam 50.000 dólares. Este dinheiro devia permitir que as pessoas comprassem o seu primeiro apartamento. O governo queria, assim, contribuir para o início de uma nova família.

5. A Educação e Saúde eram gratuitas na Líbia. Antes de Khadafi chegar ao poder apenas 25 por cento dos líbios sabia lêr. Na actualidade, o número era de 83 por cento.

6. Os líbios que quizessem fazer carreira profissional na agricultura, recebiam terras aráveis, uma casa, equipamentos, sementes e gado grátis para um início rápido das suas fazendas e tudo o que a elas respeitava.

7. Se os líbios não encontrassem a formação ou tratamento médico de que necessitavam, tinham a oportunidade de os encontrar no estrangeiro com a ajuda de fundos do Estado. Este garantia 2.300 dólares por mês para alojamento e carro.

8. Se um líbio comprasse um carro, o governo subsidiava 50 por cento das despesas.

9. O preço da gasolina na Líbia era 12 centavos de dólar, (cerca de 0,10 euros) por litro.

10. Se após a graduação uma pessoa não encontrasse trabalho, o estado pagava o salário médio da profissão em que tinha procurado trabalho até ter encontrado um emprego tecnicamente adequado ..

11. A Líbia não tinha dívida externa e as reservas que totalizavm $ 150.000.000.000 de dólares foram divididos pelas potências ocupantes.

12. Uma parte de toda a venda de petróleo da Líbia era creditada diretamente na conta de cada cidadão da Líbia.

13. As mães que davam à luz uma criança recebiam 5.000 dólares.

14. 25 por cento dos líbios tinham um diploma universitário.

15. Khadafi lançou o "Grande Rio Artificial" (GMMRP ou GMMR) na Líbia. Este foi o maior projeto de canalizar a água potável para um melhor abastecimento de água da população e da agricultura.

Graças a Deus que a NATO e os "rebeldes" livraram os líbios de tudo isto!
 
Para quem souber alemão este artigo encontra-se em

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Grande manif hoje à tarde em Londres contra a renovação dos submarinos nucleares Trident


Milhares de manifestantes, incluindo Jeremy Corbyn, dirigente do Partido Trabalhista, e  líderes de outros partidos percorreram hoje as ruas de Londres, na marcha e manifestação CND Campanha Nacional para o Desarmamento), a maior manifestação  anti-nuclear desde 1983, quando 300.pessoas então reunidas no Hyde Park de Londres protestaram contra a instalação de mísseis de cruzeiro em Greenham Common , em  Berkshire.
Alguns dos participantes vieram de outros pontos do mundo incluindo a Austrália ou o Japão.
Outros vieram da costa oeste da Escócia, onde os submarinos de dissuasão nuclear da Grã-Bretanha estão ancorados.
Quando a coluna enorme de pessoas começaram a  sair de Marble Arch após as 13h, o clima era alegre apesar do frio.
Naomi Young, 34 anos, de de Southampton perguntava: para quê  gastar 100 mil milhões de libras ilhões para comprar uma arma? A menos que se queira destruir a terra... "
Muitos cartazes continham frases como como frases  "Bombas não, livros sim", "Cortem nas despesas de guerra e não no estado social" ou " Trident não, Serviço Nacional de Saúde (NHS) sim".
Muitos participantes referiam a contradição do custo de renovar os submarinos nucleares Trident com a política de austeridade imposta.
Os manifestantes dirigiram-se para Trafalgar Square, onde lhes falaram os líderes do SNP, Plaid Cymru e do Partido Verde. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn fez uma forte intervenção que empolgou todos os presentes.
No palco sob aplausos, disse que ninguém se deve esquecer da "destruição em massa de ambos os lados" que se seguiriam a um ataque nuclear e reiterou seu "horror total pelo uso de armas nucleares contra qualquer pessoa".
Corbyn disse que foi eleito líder do Partido Trabalhista na base de um manifesto onde a oposição à renovação do Trident era uma componente essencial.
E disse que  entrou para a Campanha para o Desarmamento Nuclear, quando  tinha 16 anos, tendo também feito referência aos que questionaram se ele devia mesmo estar no protesto: "Um monte de gente disse que talvez eu não devesse estar aqui , mas eu quero estar aqui porque acredito num futuro livre de armas nucleares. "
No início desta semana, ativistas sindicais da GMB criticaram Corbyn por causa da sua posição sobre Trident, alertando que dezenas de milhares de postos de trabalho qualificados estavam dependentes de apoio parlamentar para a renovação do programa dos submarinos nucleares. Ao que ripostou, dizendo que defenderia re-investir parte do dinheiro alocado para os Trident para a manutenção de postos de trabalho nas áreas afetadas.
A actriz Vanessa Redgrave, Rou Reynolds da  band rock Enter Shikari, e a comediante Francesca Martinez também se dirigiram aos manifestantes. Outros oradores foram o padre Giles Fraser e o escritor Tariq Ali.
A manifestação teve o apoio de bandas como os Young Fathers e Massive Attack. A estilista Katharine Hamnett criou recentemente uima T-shirt "Stop Trident" e Geoff Barrow dos Portishead está a preparar um single para  campanha.
A votação parlamentar sobre a renovação dos submarinos Trident ocorrerá daqui a uns meses.