quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O que só Edgar Silva tem, publicado ontem por António Santos

 
A grande notícia de ontem foi que Edgar Silva é o candidato à Presidência da República com o maior orçamento de campanha. Os jornalistas, como ainda não podem adjectivar a deixa com «escandaloso!», fazem-no com a melodia da voz, com a entoação e com as pausas no discurso, levado ao histriónico da náusea e do rancor.

E, apesar da dimensão da campanha, o «candidato apoiado pelo PCP» que, ao contrário de Marisa Matias, Marcelo Rebelo de Sousa ou Maria de Belém, é o único apresentado pela sigla partidária, permanece invisível aos holofotes mediáticos. Porque será? A resposta é que a candidatura de Edgar Silva tem algo que mais nenhuma tem. Algo que assusta muita gente.
1 - Uma vida de solidariedade verdadeira


Ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa que, já não podendo passar férias na bonita mansão de Ricardo Salgado, continua a cultivar com este uma bonita amizade, Edgar Silva é um homem que conheceu a pobreza na pele e o único candidato que se pode orgulhar de um percurso de vida ao lado dos mais fragilizados da sociedade. Enquanto a juventude de Marcelo Rebelo de Sousa, filho de ministro fascista e afilhado de ditador, foi passada no mais obsceno luxo, a escrever cartinhas a Salazar e ao outro Marcelo, Edgar Silva dedicou os seus melhores anos a salvar da mendicidade e da pedofilia as crianças da Madeira.
Já a vida política de ambos não é menos reveladora. Enquanto liderou o PSD, Marcelo distinguiu-se por duas coisas: a paixão por Cavaco, que ajudou a levar ao poder, e a defesa fanática dos cortes salariais, das isenções fiscais para banqueiros e grandes empresas e do roubo de direitos dos trabalhadores. Para o cargo de chefe do Estado, precisamos de alguém cujo percurso de vida se paute pelos mais elevados critérios de honradez e rectidão. Edgar Silva provou com a biografia que é um homem justo.
2 - Um compromisso com a Constituição
 
Edgar Silva é o único candidato a colocar a Constituição como eixo central do exercício dos poderes presidenciais. Independentemente de concordarmos ou não com o seu projecto, a verdade é que mais nenhum candidato ousa identificar-se na íntegra com o texto que o Presidente jura cumprir integralmente.

Só Edgar Silva tem a coragem de lembrar que a Constituição prevê, por exemplo, a dissolução dos blocos militares e a gratuitidade da saúde e da educação. Do mesmo modo, Edgar Silva é, à data desta publicação, o único candidato que assume frontalmente que as 40 horas na função pública atropelam a lei suprema da República.
3 - Uma candidatura coerente


Contra Edgar Silva podem-se tecer as corriqueiras acusações a que todos os comunistas estão habituados, mas ninguém disputa a coerência de Edgar Silva, exemplificada pela frontalidade com que criticou a patranha do BANIF. Como em todos os actos eleitorais, a coerência é um bem caro.

Já a montante, pulula a incoerência e a contradição: Maria de Belém, que não vê qualquer conflito de interesses entre ser consultora do BES Saúde e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde; Marcelo Rebelo de Sousa, que não tem pejo em presidir simultaneamente a uma fundação monárquica e à República; Sampaio da Nóvoa, que, assumindo causas justas, mantém uma ambiguidade dilacerante sobre tudo o que venha de Bruxelas, refugiando-se na fraseologia para escapar aos ditames da União Europeia.

4 - Uma ligação profunda ao mundo do trabalho

Percorrendo as fábricas, as empresas e os locais de trabalho de Norte a Sul do país, Edgar Silva vem somando o apoio de milhares de trabalhadores e líderes sindicais. A determinação de Edgar Silva em querer conhecer a vida dos funcionários públicos, dos operadores de call-center, dos operários, dos imigrantes, dos enfermeiros, dos trabalhadores das limpezas, dos investigadores, dos lojistas e de todos os trabalhadores demonstra bem o que é e ao que vem esta candidatura.

Inversamente, Marisa Matias prefere a companhia de: Rita Ferro Rodrigues, fervorosa apoiante da campanha da genocida e corrupta Hillary Clinton e empregadora de trabalho escravo; Fernanda Câncio, paladina anti-comunista que defende que os jornalistas do Avante! e do Esquerda.net deviam perder a carteira profissional, que assume sentir «asco» do PCP a que chama «partido zombie» sem lugar na sociedade portuguesa e que acha que os cartazes do PNR não fazem mal a ninguém (embora os murais da JCP sejam um caso de polícia)... entre muitas outras estrelas e famosos da televisão.
5 - Um projecto de esquerda, por Abril
Esta é uma campanha de intenções dissimuladas: Marcelo Rebelo de Sousa tenta fingir que não é o candidato do PSD/CDS-PP, da austeridade e de Cavaco; Sampaio da Nóvoa repete, incansável, que a sua candidatura não é de esquerda nem de direita; Maria de Belém finge não conhecer José Seguro.

A candidatura de Edgar Silva, sem olhar a votos, não esconde aquilo que é: um projecto de esquerda, profundamente ligado aos ideais de Abril. Sistematicamente acusado de «ter um programa de governo», o que Edgar Silva tem é uma visão para um país mais justo. Patente em nenhum lado como na sua Declaração, há um conjunto de valores, posições e princípios que não se escondem.
Que não se vendem.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O governo venezuelano responde ontem, na Cimeira do Mercosul, à ingerência do presidente argentino

Realizou-se ontem a XLIX Cimeira do Mercosul, em  Assunção no Paraguai, que além da decisão de conceder ao Uruguai a presidência seguinte deste organismo , evidenciou  claros sintomas de distanciamento entre alguns governos do Mercosul.Na sessão plenária da Cimeira o recém-eleito presidente argentino Mauricio Macri pediu a libertação dos presos políticos na Venezuela e uma democracia participativa e inclusiva. De imediato a  chefe do governo venezuelana  Delcy Rodríguez, reagiu com uma resposta contundente, afirmando que os poderes públicos  do seu país, devem ser respeitados pela comunidade internacional, e que Macri ao defender Leopoldo López, está a defender as manifestações violentas onde os direitos cívicos da população do seu país foram atingidos,  sem contar as mortes ocorridas no decurso dos referidos protestos.
Veja essa resposta de Delcy Rodriguez nesta reportagem da zur.org.uy
 
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vendo, ouvindo e lendo, não queremos ignorar


 
Esta manhã empenhado em tarefas domésticas  ouvi na Antena Um (a minha rádio para o bem e para o mal) o Dr. Rui Ramos, historiador e professor universitário, que numa reflexão de passagem de ano disse mais ou menos que “o presente foi determinado pelo passado e o futuro só pode ser projectado a partir do presente”. A reflexão é pobre para comentador de serviço que deve ser remunerado para o efeito. Desta vez não lhe saiu arremedo reacionário como noutras alturas. Ficou tão só a banalidade.
Melhor me dispôs um escrito de outro historiador, Diogo Ramada Curto, hoje, no Público, que de forma muito fundamentada lhe permitiu afirmar que “As declarações de Lula da Silva sobre o atraso no ensino brasileiro e a ligação deste com o legado colonial português fizeram tocar tambores nacionalistas deste lado do Atlântico, mas Lula não andou longe da razão histórica” e ainda que “Só acabando com a manipulação dos factos do passado se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros”. Recomendo vivamente.
Na RTP a repetição de notícias de um dia para o outro ultrapassa os limites. Dizia o pivot do telejornal das 13 h de hoje que "Foi encerrado nas últimas horas o maior negócio entre um clube de futebol e uma operadora de telecomunicações (F.C. Porto e Meo)".
Fi bem, no Expresso digital, Nicolau Santos ao afirmar que “não há peru, rabanadas e lampreias de ovos que me façam passar o engulho da fatura que neste final do ano veio parar outra vez aos bolsos dos contribuintes por mais um banco que entrega a alma ao criador, no caso o Banif, no caso mais 3 mil milhões. É de mais, é inaceitável, é uma ignomínia para todos os que estão desempregados ou caíram no limiar da pobreza por causa desta crise e mais uma violência brutal para os que continuam a pagar impostos (e que são apenas cerca de 50% de todos os contribuintes) ”. Importaria ter desenvolvido a forma da decisão do governo, com a qual não concordo, ser outra e que interesses iria beliscar.
 
O papelda China na economia mundial foi desenvolvida no project-syndicate.org por dois economistas norte-americanos, e traduzida para a edição de hoje do Negócios. A China, como referem vários outros economistas, tem cumprido bem ou razoavelmente com os quatro "arquétipos" da inovação: 1. foco no consumidor; 2.orientação para a eficiência;3. com base na engenharia; 4.com base na ciência.
E Martin Neil Baily e Jonathan Woetzel afirmam que “O abrandamento económico da China dominou as notícias económicas no mundo este ano – e por um bom motivo. Além de ser a segunda maior economia do mundo, a China é o maior produtor de matérias-primas; por isso, qualquer sinal de enfraquecimento aí são más notícias para a economia mundial. Mas, enquanto os receios em torno do crescimento merecem atenção, devem ser vistos no contexto da trajectória económica de longo prazo da China, em especial na sua emergência como centro mundial de inovação”.

domingo, 27 de dezembro de 2015

A arte da guerra ou como a NORAD se apoderou do Pai Natal

 
Todos os anos, se diz às crianças que o Pai Natal dá a volta ao mundo num trenó voador, puxado por renas. Mas quem cuida de sua segurança? É o Norad (Comando da Defesa Aeroespacial Norte-Americano).
No dia 24 de Dezembro, na sua sede de Peterson (Colorado), é activado um  verdadeiro centro operacional, o Centro de Operações de NORAD do Pai Natal  que, com uma equipe de 1.200 especialistas e voluntários, fez uma simulação: seguir a trajectória  Pai Natal de minuto em minuto, reportando-o ao Google Earth; e responder a todos os que pedem informações (
http://www.norad.mil/). Assim, desde que o Pai Natal descola do Pólo Norte -explica o Norad- ele está localizado pelos radars do comando aeroespacial, seguindo seu caminho com satélites que esztão em órbita geoestacionária, equipados com sensores infravermelhos e camaras digitais sofisticadas.
Quando o trenó do Pai Natal se aproxima da América do Norte, descolam  caças-bombardeiros canadianos e norte-americanos (CF-18, F-15, F-16, F-22), neste caso, não para o derrubar mas para o escoltar. Encena-se uma grande fábula, utilizando um  centro operacional real e, referenciando-se, na simulação, aos satélites militares e aviões reais usados para a guerra. Uma grande operação de imagem, que começou em 1955, e que se transformou depois da Internet numa campanha de propaganda à escala planetária.
"Nas vésperas de Natal, segundo Charles Jacoby, as crianças em todo o mundo confiam na NORAD para que que o Pai Natal possa  realizar o seu trabalho em segurança...." A mensagem publicitária é clara: a missão da Norad não é a guerra, mas a segurança global, com a garantia de um testemunho excepcional: o Pai Natal. Que não se estreou em deveres deste tipo. Nos EUA, o  mítico personagem, que emigrou da Europa, em 1863 foi usado na guerra civil pelos Yankees para trazer presentes para os soldados na frente, vestido com a bandeira estrelada dos EUA.
Depois, na década de trinta, foi contratado pela Coca-Cola, a multinacional que o tornou famoso em todo o mundo com a sua imagem atual. No mapa do Google Earth do Paoi Natl da Norad, ele paira sobre o mundo, largando  pacotes de presentes com uma bonita fita vermelha . Mesmo no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Líbia, para o deleite das crianças, que até agora só viram os aviões norte-americanos a largar bombas. Até  no Irão e na Síria, onde nos pacotes segue o presente de uma nova guerra em preparação (NT-O texto é de 2011)
No mapa não apareciam pacotes contra os políticos e os militares que fazem as guerras. No entanto, eles aguardam ansiosamente porque, como dizem os psicólogos, em cada um de nós se  esconde uma criança. Para estas crianças crescidas e mal-educadas, o Pai Natal trará presentes caros, pagos com dinheiro público. Como o F-35 Lightning, o bombardeiro caçador caça de quinta geração que irá levantar voo para escoltar o trenó do Pai Natal 25 de Dezembro, mostrando assim a todo o mundo que "garantiu a segurança das futuras gerações", e para bombardear, nos dias seguintes, os países onde o Pai Natal do NORAD deixou os seus pacotes de presentes.
Refletindo sobre tudo isto, alguns concluem que não podemos confiar no Pai Natal e é melhor escolher o Presépio. Mas já não vão encontrar a Sagrada Família, detida por um posto de controle israelita.
 
Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011, edição do il manifesto
(tradução de António Abreu)

sábado, 26 de dezembro de 2015

Let it be, por Joan Baez, em 1973


O Natal em Damasco na procura da paz e da reconstrução da Síria

 
 
Vários foram os correspondentes estrangeiros que puderam testemunhar as festividades de Natal em Damasco
A Síria já sofreu mais um ano de guerra civil devastadora. No entanto, milhares de civis em Damasco foram tentando viver uma vida tão normal quanto possível, celebrar o Natal e descansar torneando o caos.
As coisas não têm sido fáceis para os cristãos que vivem na Síria nos últimos cinco anos, desde o início da guerra. Perseguidos pelo Daesh ou Estado Islâmico, como por outros grupos terroristas, os cristãos em Damasco conseguiram afastar essas nuvens, durante pelo menos um dia.
Dezenas de milhares de pessoas participaram nas celebrações e numa delas encontrou-se uma sensação geral de esperança de que as coisas vão dar uma volta para melhor no futuro próximo.
Havia um espírito ecuménico de celebração que se fosse promovida por muçulmanos se adivinhava poder ter corrido em termos semelhantes.
O exército e a polícia presentes ajudavam à sensação de conforto.
Centenas de milhares de cristãos procuraram refúgio em Damasco devido a perseguição religiosa noutras partes do país e os moradores acolheram os seus compatriotas que foram forçados a sair de suas casas em busca de segurança.
A cena era de alegria e empatia. Bandas de música tocavam, enquanto as crianças estavam vestidas como anjos e eram muitos os chapéus vermelhos de Natal. Alguns muçulmanos também quiseram beneficiar deste espírito de Natal. As pessoas não se importavam se eram sunitas, muçulmanos ou cristãos. Prevalecia, sim, a vontade de celebrar e de recuperar a Síria tal como era e de todos poderem ser o que querem ser.
Os sírios recordam tempos mais felizes antes da devastadora guerra civil, mas ao celebrar festas como o Natal, tentam impedir que o derramamento de sangue e as atrocidades lhes tirem o melhor de si mesmos e provar que pessoas de todas as fés podem ficar juntas e lutar por um Síria unida, com paz e serenidade.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Frase de fim-de-semana, por Jorge

One of the saddest lessons of history is that,
if we’ve been bamboozled long enough,
we tend to reject any evidence of the bamboozle,
we’re no longer interested in finding out the truth."

"Uma das lições mais tristes da história é que,
se fomos trapaceados durante suficiente tempo,
tendemos a rejeitar as provas da trapaça
e já não nos interessa encontrar a verdade"

Carl Sagan
astrofísico
e divulgador científico americano,
1934-1996
em Um Mundo Infestado de Demónios (1995)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Porque hoje é Natal



Se hoje é Natal,
porque o não é para todos?

Porque esses não tiveram sucesso,
nem abriram portas de oportunidade,
porque não queriam trabalhar,
nem criaram um negócio para exportação?
Não tiveram ambição, coitados.

Não trabalharam, é certo sem direitos,
para que quando ambos foram despedidos,
e se viraram contra nós, vossos patrões,
que nunca vos desprotegeram,
isso ter constituído para nós grande injustiça?

Sois ingratos, coitados

Porque quiseram viver de subsídios?
Viciaram-se nisso, coitados.
E não preferiram minar a sustentabilidade
da segurança social
a que não tinham direito
por não terem descontado,
e um sistema de saúde
que também lhes não era devido?

Foi assim, foi, coitados.

Porque não quiseram ser empreendedores,
candidatando-se a deputados
e fazer aí a ascensão social,
e em gabinetes, em lugares de governo,
que lhes viabilizaria um cargo de gestor.
e reformas de sucesso?

Sabe-se lá, coitados.

Porque não quiseram
fazer uso da liberdade de ensino
para ter em os filhos em colégios religiosos,
com garantia de bons diplomas
em universidades maçónicas?

Não quiseram não, os coitados

Mas não fiquem assim,
aceitem a nossa solidariedade,
Num pão e num copo de vinho
que vos realçam as virtudes
e vos aproximam do Divino.

Não aceitam?
Paciência, coitados.

Vamos pensar em vós
na Consoada de logo nas Seicheles
para estarmos longe do vosso olhar,
que recusa a súplica,
comeremos lagosta, suada de vos fugir,
não deixaremos de pensar em vós, ingratos,
para vos desejar paz e amor.

Assim será, coitados.

António Abreu