domingo, 20 de dezembro de 2015

Horas depois foi bombardeado um bairro residencial dos subúrbios de Damasco para matar um libanês, dirigente do Hezbolah, que tem cooperado com a Síria no combate contra o Desh. A Síria atribui o bombardeamento a Israel.


Assad e Asma visitaram ontem o ensaio de um coro de uma igreja cristâ de Damasco


Uma mensagem do Papa Francisco no Natal

 
 
A notícia chega-nos pela France Press (AFP).
 
Orar no Natal é o pedido do papa aos cristãos
No momento em que homens se matam por conta da fé ou do dinheiro produzido pela fé caberia ao Cristão "comemorar" a festa natalina? Para o mais popular papa da história recente do Catolicismo a resposta é "não!" Para ele, as festas de Natal são uma farsa na medida em que o cristão se preocupa com presentes, cartões, comida farta e presépios enquanto ignora a dor de milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente das vítimas da intolerância. Francisco diz que os Cristãos deveriam orar e manter discrição nas festas natalinas. 
O Papa afirmou, nesta última quinta-feira, numa homilia no Vaticano, que as festas de Natal se tornam vazias e soam a falso perante um mundo que escolheu "a guerra e o ódio", noticia a AFP.

"Estamos perto do Natal: haverá luzes, festas, árvores iluminadas, presépios. mas é uma farsa. O mundo continua a fazer as guerras. Não escolheu o caminho da paz", lamentou o Francisco, na homília da missa matinal.
"Hoje há guerras em toda a parte e ódio. (...) E o que resta? Ruínas, milhares de crianças sem educação, tantos mortos inocentes, tantos. E tanto dinheiro nos bolsos dos traficantes de armas", denunciou o Papa, após o pior ataque terrorista na história francesa, a explosão de um avião russo, um duplo atentado suicida no Líbano e uma série de outros ataques mortais. 
O Sumo Pontífice defendeu que a guerra é a escolha de quem prefere as "riquezas" ao ser humano. 
"Devemos pedir a graça de chorar por este mundo, que não reconhece o caminho para a paz. Para chorar por aqueles que vivem para a guerra e que têm o cinismo de o negar", acrescentou o Papa, dizendo que "Deus chora, Jesus chor
a".
 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Um ser humano nunca está esgotado"

Luandino Vieira

escritor e patriota angolano,
preso durante 10 anos nas prisões
de Luanda e do Tarrafal,
que rejeitou o prémio Camões em 2006,
 n.1935

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Véspera de Natal, de Carl Larsson, 1904


Cuidadinho com o que dizem!


Desde que a contagem descendente começou, Cavaco Silva não se conforma em estar calado.
E fala como presidente honorário da coligação que perdeu as eleições e que ainda vive no ressabiamento do resultado
Diz que se deve ter cuidado com o que se diz a propósito do Banif para não se criarem inseguranças que afectem o sistema bancário, mas no mesmo discurso inventa um suposto risco de falta de poio ao sector exportador que poderia afastar o investimento e os empréstimos externos…Em tempos (lembram-se?) foi tão cauteloso quanto ao BES quando deu garantias aos depositantes? Para ter cuidado, não devia ter dito outra coisa? Estes cuidados estará S. Exa a recomendá-los também a Passos Coelho por ter ido meter medo a Bruxelas quanto aos entendimentos à esquerda que estiveram na base do actual governo?
Defende que o apoio à exportação seja feito às empresas com capacidade de gerar mais-valias e alto valor acrescentado com bom nível de inovação. E às outras exportadoras não? E as tais boas, com que receitas comparticipam na redução da dívida, depois da importação de componentes necessárias à sua actividade?
Diz Cavaco que a poupança interna, escassa, já não gera capacidade de investimento e que se tem de recorrer ao crédito e à exportação. Então não acha que a melhoria das condições de vida podem gerar alguma poupança e crescimento da produção para consumo e serviços e elevação do PIB para reduzir o denominador do déficite?
É inevitável que a economia desapareça para que a espiral da ditadura do déficite dos programas de resgates nos leve ao fundo?

Stiglitz: o capitalismo está a revelar-se um fracasso


Joseph Stiglitz, tal como outros laureados com o Nobel e outros prémios internacionais, com uma experiência que vai actualizando, tem percorrido várias capitais em todo o mundo, como aconteceu há semanas em Lisboa, desmultiplicando-se em conferências.
Na passada segunda-feira, em Montevideu, capital do Uruguai, declarou que "um sistema económico que não fornece o bem-estar de uma parte muito importante da sociedade é um sistema económico que fracassa".
Segundo revelou, a sua origem operária levou-o a ser marginalizado, e que conheceu o racismo e a pobreza, que em tudo contrastava com a idéia que lhe era transmitida de que uma mão invisível regulava os mercados de forma perfeita.
Depois centrou-se nos bancos de desenvolvimento multilaterais que poderiam redefinir o seu papel para contribuir para reformar os mercados financeiros e para actuarem a longo prazo e serem intermediárias entre os aforradores e as necessidades de investimento, dado que a globalização não permitiu essa intermediação, que o sector privado, os fundos de pensões e os fundos soberanos de investimento, apesar de terem milhões de milhões de dólares não o fazem. Segundo o Nobel da Economia, os bancos multilaterais têm uma visão mais holística e menos mecanicista para poderem desempenhar esse papel.

Chove na Mãe África


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Síria: os passos seguintes da República Síria e seus aliados

 
O projecto norte-americano de conquista da Síria através do Daesh falhou face à acção coordenada do governo da Síria, da Rússia e do Hezbollah. Foi um período longo, cheio de humilhações, barbaridades, temores que provocaram uma emigração para a Turquia (mas também para o Iraque) que esta tem gerido com a NATO, de que faz parte, articulando depois com os traficantes de seres humanos que os levam para a Grécia para demandarem a Europa, que não está a recebê-los como declarações grandiloquentes dos seus dirigentes fizeram, mas criando um seriíssimo problema aos próprios e aos países de destino.
A força aérea russa bombardeia os terroristas desde 30 de Setembro e projecta continuar a fazê-lo, pelo menos, até dia 6 de Janeiro, no sentido de destruir os bunkers e demais logística. Raros são os sírios que tenham acolhido a idéia do pretenso "Califado". Por essa altura, o exército árabe sírio e os seus aliados pretendem preparar levantamentos populares nas zonas ainda ocupadas pelo Daesh, de molde que os mercenários deste fiquem apenas a vaguear no deserto e não em zonas urbanizadas.
A Marinha russa já realizou há cerca de um mês exercícios com os seus aliados sírios no Mediterrânio e depois alvejou com mísseis, a partir de um submarino, o Daesh na Síria. Na sequência destas acções, vários aeroportos foram fechados total ou parcialmente no Líbano, Chipre e Iraque. Os russos parece terem conseguido a inibição das comunicações e dos comandos da NATO. Estando a apoiar-se em dois aeroportos sírios irão construir um terceiro de maneira a cobrir o território sírio.
 
Por outro lado um submarino do Irão está ao largo de Tartous.
 
O Hezbollah, com capacidades particulares em operações de comandos prevê preparar o levantamento das populações xiitas enquanto o exército sírio fará o mesmo em relação aos sunitas.
Sob o controlo das Nações Unidas os jihadistas que restavam em Homs saíram da cidade depois de terem acordado isso com o governo sírio. As cidades de Damasco, Homs, Hama, Lattequié e Der ez-Zor estão hoje completamente seguras, faltando recuperar Alepo, Idlib e Rakka (actual capital do"Califado").
 
Ao contrário do que alguma imprensa ocidental tem referido, a Rússia não tenciona deixar o norte do país à França, Inglaterra e Israel que aí criariam um falso Kurdistão, baseado na perseguição a outras etnias que até são aí maioritárias.

A direita pretende fazer regressar o neo-liberalismo à Argentina

O regresso da direita, apoiada pelos grandes capitalistas, à Casa Rosada de Buenos Aires, na pessoa do empresário Mauricio Macri, pode fazer regressar o neo-liberalismo ao país.
É sintomático que o governo já tenha decidido que o preço da eletricidade e do gás aumentarão a partir de janeiro na Argentina,  sendo retirados subsídios, enquanto avalia a implantação da emergência energética, depois de uma série de interrupções no fornecimento da energia eléctrica.
E que, por outro lado, tenha reaberto negociações com os "fundos abutres", que reivindicam milhares de milhões de dólares de dívidas que o governo anterior se recusou a pagar mesmo quando parte delas foram reconhecidas num tribunal norte-americano (!).
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Depois de no passado dia 9 a direita ter ganho as eleições, importa importante relembrar aqueles tempos que terminaram em maio de 2003 com a chegada à presidência do até então governador da província de Santa Cruz, Néstor Kirchner."Venho propor-lhes um sonho. Reconstruir nossa própria identidade como povo e como Nação... a construção da verdade e da justiça", disse "o homem que veio do sul" ao inaugurar seu mandato e assim o cumpriu.
"Fiz parte de uma geração dizimada, castigada com dolorosas ausências. Aderi a lutas políticas acreditando em valores e convicções  que não penso deixar na porta principal da Casa Rosada", afirmou na sua tomada de posse, em declaração dirigida ao país. contando com a presença de presidentes estrangeiros, entre os quais Fidel Castro (Cuba), Hugo Chávez (Venezuela) e  Lula da Silva (Brasil), que assistiram ao histórico acontecimento.
O fim da impunidade dos ditadores militares e da justiça para com as suas vítimas, a ruptura com o Fundo Monetário Internacional, o confronto com os poderosos círculos económicos e financeiros e o resgate de recursos nacionais de todo tipo ocuparam o centro das ações empreendidas pelas novas autoridades. Isso lhe valeu o ódio dos mais poderosos.

Mais tarde a sua mulher Cristina Kirchner viria a suceder-lhe, continuando os seus projectos com uma atitude aguerrida, internamente e em diversas instâncias internacionais
Quando o povo se despediu dela na noite de dia 9 com a Praça de Maio cheia com 700 mil pessoas, foram relembrados os 12 anos de um projeto popular nacional que levou o país a níveis superiores, apesar da não aceitação dessa situação pelos adversários.
Hoje a Argentina tem maior prestígio internacional, possui uma indústria mais sólida, direitos civis e humanos consolidados, substanciais avanços em múltiplas frentes, exemplares programas de saúde como o de vacinação nacional e avanços tecnológicos em campos como o nuclear e o espacial.
Nessa circunstância Cristina referiu que "Para industrializar um país é necessário o investimento social e o apoio da classe operária trabalhadora", quando se referia a uma das atitudes do seu Governo para consolidar a economia do país.