terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Maduro: não há tempo para tristezas mas sim para lutar
Maduro reconheceu a derrota
eleitoral do passado domingo. Os militares não saíram à rua como vaticinaram
alguns comentadores dos nossos painéis televisivos e radiofónicos.
Desde que o governo de Maduro foi
empossado, após a morte de Chávez, até domingo, ficaram por resolver questões
essenciais como a política económica de um país muito dependente das receitas
do petróleo, por isso muito sensível às variações nas suas vendas feitas em
dólares, como a corrupção que atravessa todo o país ou como a insegurança que
se vive nas ruas. Apesar da queda de mais de 50% dos preços do petróleo
impostos pelos EUA e agora acentuada na recente cimeira da OPEP, o governo de
Maduro fez questão de não afectar os programas sociais.
Importa, porém, ter em conta que,
para além da agressão militar contra a revolução sandinista nos anos 80, nunca
depois do governo de Unidade Popular de Allende no Chile, qualquer outro país
sofreu uma tão violenta e persistente desestabilização, incluindo uma
tentativa falhada de golpe militar em Fevereiro deste ano – a operação Jericó.
O domínio por redes de traficantes
da fronteira com a Colômbia fez desaparecer os produtos de primeira
necessidade, que passaram a ser vendidos a preços mais altos do outro lado da
fronteira e desapareceram dos supermercados na Venezuela. Esta fronteira passou a ser
dominada por uma amálgama de contrabandistas dos dois países e organizações
mafiosas, de oposicionistas de extrema-direita, de criminosos venezuelanos e
paramilitares, que se relacionavam e entreajudavam. À perseguição a estas
realidades, EUA e União Europeia e o governo socialista francês opunham-se em
nome dos “direitos humanos”. A que se juntaram também os ex-torcionários
colombiano Álvaro Uribe e mexicano Felipe Calderón.
Os casos de ajuda a estes e
outros criminosos e a outros como Guzman Loera (“El Chapo Guzman”) por parte
dos EUA e países “amigos” foram muito além disso. Quando os EUA se queixavam da
falta de combate à corrupção na Venezuela, faziam aliás um silêncio ruidoso
sobre a presença nos EUA de grandes delinquentes que o governo de que este país
pedia, sem resposta, a extradição, como os casos bem conhecidos de corrupção do ex-juiz do
Supremo Tribunal, Luís Velasquez Alvaray ou de Rafael Isea, ex-ministro das
Finanças de Chávez e governador do estado de Aragua, ou do ex-juiz Eladio Aponte,
envolvido no narcotráfico.
Não aconteceu por acaso o assassinato do secretário-geral
da Acção Democrática (AD) do estado de Orituco, Luís Manuel Diaz, a onze dias
das eleições com diversos disparos a partir de um carro que se pôs em fuga. A
atribuição deste crime ao partido do presidente (Partido Socialista Unificado
da Venezuela – PSUV), tese subscrita por Le Monde on-line que acabou por
acolher na edição em papel que, de facto, como tinham referido as autoridades venezuelanas,
o crime se devera a “um ajuste de contas entre bandos rivais”. Apesar disso, a
União Europeia, Rajoy, os EUA, subscreveram a tese inicial. Mas no funeral do
criminoso nenhum dirigente da oposição teve coragem de comparecer…
Vargas Llosa, em 14 de Junho, no
El País vaticinava que, o partido de Maduro dificilmente perderia as eleições
porque procederia a uma fraude eleitoral e recorreria a um banho de sangue
colectivo. Vargas Llosa, intelectual da direita é hoje conhecido por “Marquês”,
por ter recebido essa graça do ex-rei de Espanha, Juan Carlos, após ter
renunciado à sua nacionalidade para se nacionalizar espanhol. Lilian Tintori,
mulher do dirigente do partido da extrema-direita Vontade Popular, Leopoldo
Lopéz, condenado em 13 anos e meio de cadeia, por tentar um golpe de estado em
2014, passou a clamar “que a queriam matar”, recusando qualquer protecção
policial. O correspondente da RTP, Pacheco Miranda, deu tempo de antena a esta
senhora. Mas não referiu que em resultado da guerrilha urbana, entre Fevereiro
e Maio foram mortas por terroristas quarenta pessoas, oito das quais polícias. Ou
ao assassinato em casa de Victor Serra, jovem dirigente do PSUV, em 1914, por
um paramilitar colombiano, que viria a ser julgado por isso com 16 polícias
venezuelanos polícias. Mas espalhou o boato de 17 de Novembro de que Maduro
estaria envolvido num caso de tráfico de cocaína e o presidente da Assembleia,
também militante do PSUV, deteria um cartel de droga
Isto e as campanhas e sondagens
criadas a partir dos media “de referência” na Europa e Estados Unidos, em
articulação com a poderosa rede mediática da oposição venezuelana, dariam bons
filmes.
Não pretendemos com estas
palavras interpretar a causa destes maus resultados eleitorais. Isso cabe a
quem viveu estes dezasseis anos heróicos criando um regime que procurou dar
melhores condições de vida aos que delas precisavam.
A nós cabe a denúncia do que
poderá acontecer às condições económicas e sociais do povo da Venezuela e o
estímulo que este resultado, na sequência do das eleições recentes na
Argentina, poderá dar ao imperialismo para ameaçar os regimes progressistas que
restam na América Latina.
Como a
Telesur referia hoje , Maduro falou de um “debate integral, para fortalecer a
revolução e procurar soluções para as questões do país”, um debate para “fazer
mais revolução”.
O chefe de Estado venezuelano fez o apelo, na companhia dos ministros e ex-candidatos às eleições parlamentares. Disse que o debate não é para o chavismo se “autoflagelar”, como “quer a embaixada norte-americana e o imperialismo”, mas para “reconstruir nova maioria revolucionária”. Acrescentou que será feita “uma grande jornada de debate, de consulta e de elaboração da estratégia de ação” face à nova etapa que começa na revolução bolivariana.
“Vocês não sabem a dor que levamos no coração depois deste revés eleitoral, de como a burguesia fez danos ao povo, não apenas economicamente, mas também confundindo importantes setores de nossa sociedade, do nosso amado povo, ao qual dirigimos uma mensagem: Nós somos vocês”, disse Maduro. Segundo ele, “não há tempo para tristezas”, mas para “lutar” e procurar a união entre os chavistas.
O chefe de Estado venezuelano fez o apelo, na companhia dos ministros e ex-candidatos às eleições parlamentares. Disse que o debate não é para o chavismo se “autoflagelar”, como “quer a embaixada norte-americana e o imperialismo”, mas para “reconstruir nova maioria revolucionária”. Acrescentou que será feita “uma grande jornada de debate, de consulta e de elaboração da estratégia de ação” face à nova etapa que começa na revolução bolivariana.
“Vocês não sabem a dor que levamos no coração depois deste revés eleitoral, de como a burguesia fez danos ao povo, não apenas economicamente, mas também confundindo importantes setores de nossa sociedade, do nosso amado povo, ao qual dirigimos uma mensagem: Nós somos vocês”, disse Maduro. Segundo ele, “não há tempo para tristezas”, mas para “lutar” e procurar a união entre os chavistas.
domingo, 6 de dezembro de 2015
"The many faces of Billie Holiday"
O Jorge propõe-nos aqui um documentário sensível e inteligente sobre a vida de Eleanora Fagan, uma negra pobre nascida em Filadéfia em 1915, que, depois de arrancada à prostituição, se havia de tornar uma das figuras máximas do jazz com o nome de Billie Holiday, Lady Day para os amigos.
O que querem os EUA e a UE da Síria?
A “grande coligação” como Hollande chama ao pretender que a Rússia se junte aos EUA, Inglaterra, França e talvez Alemanha, nos ataques ao Daesh na Síria não tem objectivos inocentes. Até à Rússia passar a eliminar cirurgicamente as bases e membros do grupo terrorista, alguns destes países faziam outras coisas. Fizeram alguns bombardeamentos “faz-de-conta” que nem provocavam cócegas, antes cobriam outros apoios ao grupo terrorista Os EUA apoiavam logisticamente as operações do Daesh na Síria.
A França jogava com a Arábia Saudita, a Turquia e Israel na formação, armamento, compra do petróleo vendido pelos terroristas de poços sírios roubados à sua soberania, a metade do preço, para financiarem a sua actividade. O abate de um caça russo envolvido nos bombardeamentos às bases terroristas perto da fronteira norte com a Turquia, não provocou protestos da França num contraste gritante com os protestos iniciais destes países e dos EUA por os ataques russos estarem a atingir “forças rebeldes anti-Assad”, incluindo operacionais ocidentais que trabalhavam com eles, como se não fossem do Daesh…
1. Destruir
a Síria e fazerem dela o que fizeram no Iraque e Afganistão, alargando o
projecto do “caos” que garanta aos EUA um espaço ainda maior para a expansão
dos seus actos de guerra e para controlar a definição de gasodutos em relação à Europa.
Numa intervenção que seria sempre ilegal se o governo sírio os não convidasse para esse efeito como tinha feito ao convidar a Rússia.
Porém, as potências ocidentais aproveitaram uma iniciativa russa para a paz no Conselho de Segurança da ONU para imporem na resolução 2249 a possibilidade de ingerência das grandes potências a pretexto de lutar contra o Daesh. E é claro que esta intervenção não pretende reconstituir a soberania síria no norte do seu território mas para aí proclamarem um estado independente sob a autoridade curda, na linha de criar tantos estados independentes, com base em etnias únicas, tantos quantos lhes dê jeito tal como aconteceu com o Kosovo, depois do desmembramento da federação jugoslava;
Numa intervenção que seria sempre ilegal se o governo sírio os não convidasse para esse efeito como tinha feito ao convidar a Rússia.
Porém, as potências ocidentais aproveitaram uma iniciativa russa para a paz no Conselho de Segurança da ONU para imporem na resolução 2249 a possibilidade de ingerência das grandes potências a pretexto de lutar contra o Daesh. E é claro que esta intervenção não pretende reconstituir a soberania síria no norte do seu território mas para aí proclamarem um estado independente sob a autoridade curda, na linha de criar tantos estados independentes, com base em etnias únicas, tantos quantos lhes dê jeito tal como aconteceu com o Kosovo, depois do desmembramento da federação jugoslava;
2. Criar uma emigração massiça, em que a parte mais culta e com mais habilitações técnicas, especialmente da Síria, Iraque e Afganistão, pressionando os respectivos mercados de trabalho, e deixando os restantes noutros territórios como o Líbano, o Iraque, a Grécia ou Itália;
3 Insistirem
ainda no objectivo de afastarem Assad do poder, onde está por vontade democraticamente
expressa do seu povo, enquanto criam com a progressão novos “grupos rebeldes”, mercenários destinados ao Daesh mas que já não tivessem o seu selo,
para tomarem o poder em Damasco.
Cientes de que não conseguiam derrotar a Síria, mesmo com o Daesh, na criação de um Sunistão, agora apostam na cartada curda, como apostaram em 2012 na criação do Sudão do Sul;
Cientes de que não conseguiam derrotar a Síria, mesmo com o Daesh, na criação de um Sunistão, agora apostam na cartada curda, como apostaram em 2012 na criação do Sudão do Sul;
4 Criação
de um Curdistão que só em 30% do território corresponde ao Curdistão histórico e onde os curdos estão em minoria. Importa ter em conta que nem EUA nem UE reagiram à kurdização à força das populações não-curdas do norte da Síria, realizada este ano, que provocou levantamentos entre os árabes e cristãos assírios e a ira de Damasco. O mesmo tinha acontecido quando da anexação dos campos petrolíferos de Kirkouk pelo governo regional curdo do Iraque no ano anterior. Nessa altura as grandes potencias também não condenaram esse governo e propuseram-se fornecer-lhe directamente armas, a pretexto da luta contra o Daesh. É bom lembrar que o governo regional curdo do Iraque é uma ditadura, dirigida com mão de ferro por Massoud Barzani, que se manteve no poder depois de terminar o mandato em 2013, agente da Mossad israelita e posto no cargo pela Inglaterra e pelos EUA.;
5 Distrair
a opinião pública das consequências do estados de emergência decretado na França a
pretexto de ataques terroristas (feitos por nacionais de países europeus) , como a limitação das liberdades e a expulsão
dos estrangeiros e a rejeição em aceitarem refugiados das guerras provocadas pelos seus amigos americanos.
A esse propósito é de referir aqui a declaração do Dr. Paul Craig Roberts, anterior Secretário Adjunto do Tesouro dos EUA sobre a posição de Paris:
A esse propósito é de referir aqui a declaração do Dr. Paul Craig Roberts, anterior Secretário Adjunto do Tesouro dos EUA sobre a posição de Paris:
"Os povos europeus
querem ser franceses, alemães, holandeses, húngaros, checos,ou ingleses. Não querem que os seus países sejam outra Torre de Babel criada pelos milhões de refugiados das guerras de Washington.
Percebendo a sua vulnerabilidade, é perfeitamente possível que os dirigentes franceses tomem a decisão, para manterem a sua permanência no poder, de um ataque de falsa bandeira que lhes permitiria fechar as fronteiras da França e, assim, privar Marine Le Pen do seu trunfo político principal. "
A RTP na América Latina durante anos com a voz de um verme
![]() |
| mariposa calcarifera ordinata que, como todos os vermes, não tem coluna dorsal, mas é muito venenosa, apesar de colorida |
Durante anos, a RTP (todos nós) tem mantido como correspondente em Caracas, no Rio de Janeiro ou em Buenos Aires um servidor dos interesses norte-americanos que desinformou Portugal e desinformou os emigrantes portugueses no Brasil, na Venezuela e, em geral na América Latina.
Tem sido um peão da estratégia norte-americana contra esses países. Sendo certo que os EUA e alguns países "amigos" mais próximos fizeram o mesmo com os seus correspondentes.
Chama-se João Pacheco de Miranda e negou aos portugueses o direito a serem informados de forma isenta e equilibrada, ouvindo todas as partes, e a receberem informação que não fosse pura propaganda mas que pudesse ter alguma investigação à mistura. E isto talvez por não dispor de coluna dorsal como os referidos animais.
Bem sentado, sem levantar o dito cujo para ir à procura da realidade, e diversidade de fontes, este Pacheco limitou-se a receber dicas de uns alguens para fazer um péssimo trabalho profissional, que já o deveria ter remetido para funções de menor responsabilidade na RTP e com o dito cujo sentado aqui em Lisboa e não na América Latina. Porque isto de correspondente custa caro.
Hoje, dia em que os emigrantes portugueses estão a votar na Venezuela que os acolheu e que nos honram com o seu trabalho, o verme para durante 15 minutos segregou veneno.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Ignoro tudo, acho tudo esplêndido,
até as coisas vulgares:
extraio ternura duma pedra."
Raul Brandão,
no prefácio de Memórias vol.I (1915)
Manutenção ou subida da produção do petróleo, arma política contra terceiros por parte da Arábia Saudita e seus aliados mais próximos
Embora de no dia de hoje vários media terem afirmado que as empresas norte-americanas que exploram o xisto são o principal alvo da decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), dominada pela Arábia Saudita, de manter a produção no nível atual ou aumentá-la, responsáveis de outros países produtores de petróleo sustentam que estas medidas são de natureza política com vista a desestabilizar países com grande dependência do petróleo para elaborarem os seus orçamentos.Entre esses países estão o Brasil que já foi muito afectado, que defronta uma crise que a direita cavalga preparando um golpe de Estado institucional contra Dilma. Ou a Rússia, principal alvo da NATO. Ou Angola onde persistem dificuldades, também aproveitadas para provocar situações de natureza insurrecional. Ou a Venezuela, que vive permanentemente um confronto com grupos económicos que procuram sabotar a economia e afectar a distribuição de alimentos. Ou a Nigéria para favorecer viragens políticas do interesse da coligação saudita-turca-israelita.Segundo especialistas na produção de petróleo, o potencial de larga escala da exploração de xisto nos EUA - com baixos custos de capital e curto prazo para iniciar produção - torna a atividade no país um alvo improvável para a Opep.
Aldrabar até ao fim ou como se fazem metas para não cumprir...
Comentando o recente relatório da UTAO, João Oliveira,
líder do grupo parlamentar comunista disse hoje que "as metas não são
incumpridas porque o Governo tenha dado resposta aos problemas do país, dos
trabalhadores e do povo", pois "a resposta aos problemas sociais
continua por dar". Uma vez demitido o Governo PSD/CDS, vão descobrir-se
todas as artimanhas e falsidades da propaganda do anterior Governo, que já
tinha falhado todas as metas que tinha fixado, quer para o crescimento
económico, quer para o défice orçamental, em todos os anos.
Já
no relatório de Agosto a UTAO afirmara que o objetivo sobre o qual o Governo
assentou o Orçamento do Estado para 2015 era de um aumento da receita fiscal em
4,3%, longe do verificado na primeira metade do ano.Então,
nas contas da Direção-Geral do Orçamento referia-se que o fisco pagara menos
260 milhões de euros em reembolsos de impostos indiretos até junho - uma
queda de 10,9% face ao que tinha acontecido em 2014, o que ajudou a
empolar a receita com este imposto. O
Ministério das Finanças veio entretanto esclarecer que uma parte do crescimento
previsto com a receita do IVA resultara de um controlo mais rigoroso dos
reembolsos.
No
respeitante às metas decididas pelo governo para as autarquias, os
técnicos da Unidade tinham referido que o objetivo que o Governo inscrevera no
orçamento para a Administração Local era de “um excedente que nunca foi
atingido previamente nos anos anteriores”. Essas
contas falharam logo na despesa registada na primeira metade do ano. A
Administração Local devia reduzir a despesa em 3,2%, mas está na verdade a
aumentá-la em 2%.
Embora
mais pequena que em anos anteriores, o Governo incluiu no
OE de 2015 uma dotação provisional de
533,5 milhões de euros e uma reserva orçamental de 411,9 milhões de euros, que
constituiriam uma "almofada financeira" total de 945,4 milhões de
euros, que serve tipicamente para fazer face a imprevistos que surjam ao longo
do ano. Com esta almofada, Maria Luísa Albuquerque tentou adormecer-nos
e levar-nos ao sonho de um rigor orçamental (de que hoje, já na oposição, ainda
falam!...)
No final de
Setembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou que o défice
orçamental em contas nacionais tinha atingido os 4,7% até Junho deste ano, um
valor superior à meta de 2,7% estabelecida pelo Governo para a totalidade do
ano. A UTAO alertara
que o desempenho orçamental até Junho "colocava em risco o cumprimento do
objetivo anual", calculando que o défice não pudesse exceder os 0,9% no
segundo semestre para cumprir a meta deste ano.
O Governo ocultou despesa que já sabia que
ia ter utilizou a dotação provisional e a reserva orçamental para
fazer face a despesas correntes que já sabia que ia ter, para sustentar aquele
cenário de uma meta de défice abaixo dos 3%, apesar de ter sobrestimado a
capacidade de arrecadação da receita que não corresponde à situação económica
que nós temos.
No presente relatório, a UTAO
informou que, apesar das "evoluções desfavoráveis" da receita e da
despesa até Agosto, o Orçamento do Estado para 2015 ainda "inclui uma
margem que permite acomodar alguns desvios", através da dotação
provisional e da reserva orçamental.
O governo
tentou vender-nos que Portugal iria conseguir cumprir o limite dos 3%, o que
permitiria ao país sair dos procedimentos de défice excessivo.
Agora
a UTAO avisa que entre Janeiro e Novembro foram usados 472,3 milhões de euros
da dotação provisional, “sendo a dotação remanescente para o mês de dezembro já só de
61,2 milhões de euros” (!). Porém o actual Ministro das Finanças garantiu que, apesar das tropelias da direita, o
governo admitia poder cumprir com um valor inferior aos 3%. Vamos lá recorrer a soluções de contabilidade imaginativa...
O que fica disto tudo são os” esquemas”
com que se fizeram previsões orçamentais para cumprir os objectivos políticos
que a direita tinha…
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
A segunda derrota da direita
A direita e os seus dois chefes provaram hoje a sua pequenez com ataques soezes e má criação.
A derrota da sua moção de rejeição estava definida à partida e seria de esperar que fosse ainda em torno do programa de governo que viessem intervenções com algum conteúdo que revelassem a sua coerência como oposição, definindo um estilo que lhes viesse a marcar a legislatura.
Sobre isso nada se viu a não ser que o que se viu fosse isso. E então será de esperar um lamentável arrastamento das mágoas de derrotados, numa ladainha a que não faltarão tiques fascizantes.
Não quero ser despropositadamente contundente com tal afirmação mas das amostras já analisadas o ódio e o espírito de révanche é o que domina o discurso.
PS, PCP, BE e PEV não lhes seguiram as pisadas - como talvez desejassem - e revelaram-lhes o ridículo e a pequenez. O Ministro das Finanças foi pouco alternativo à política feita pela direita e devia ter marcado mais essa distância.
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