sábado, 24 de outubro de 2015

Grândola "resistiu" à invasão do Alentejo pela NATO...

No momento em que se forma governo em Portugal, a NATO  veio cá fazer manobras mas atascou as suas viaturas em areias alentejanas.
Há rumores de que a Presidência da República  estará a apurar da responsabilidade dos comunistas para reforçar a sua tese de que aquele partido não pode participar em soluções de governo.
Os militares norte-americanos que participaram num exercício da NATO, que contou com fuzileiros portugueses, depararam-se com dificuldades que não esperavam. As embarcações anfíbias não conseguiam subir o declive da praia alentejana de Pinheiro da Cuz, e as viaturas blindadas que acabaram por sair da embarcação ficaram atoladas na areia.
O embaixador norte-americano esteve presente.


As maiores manobras da NATO desde o fim da guerra fria foram motivo de protesto por parte do PCP e CGTP-IN
No total dos três países - Portugal, Espanha e Itália - o Trident Juncture 2015 junta mais de 36 mil militares de 30 nações. Portugal vai receber, até ao final do exercício, mais de 10 mil efetivos de 14 países.
Além dos militares que participam diretamente no exercício (940 integrados na Força de Resposta da NATO e 2.016 e 2.220 nos meios complementares, Portugal disponibiliza ainda mais 3000 militares para funcionarem como forças de apoio, totalizando em cerca de 6.000 os efetivos portugueses envolvidos neste exercício.
Para poderem arranjar-se imagens com alguma pinta, lá se arranjaram uns soldados para abrir à força de pá um carreiro para que três blindados subissem uma rampa com ljgeira inclinação. Depois de muito acelerar e queimar mais gasóleo que um Volkswagen de 2015, lá se subiu a rampa. Um aviso – “It’s time to go” marcou o início da fase sigilosa do resto da desatascação das viaturas, tendo os jornalistas sido impedidos de ver o resto, o que os levou a aproveitar para ir comer um ensopado de borrego, segundo as nossas fontes.

O exercício integra a componente naval da “Trident Juncture 15” da NATO, que começou nesta terça-feira e vai durar até 6 de Novembro nas áreas de Beja, Santa Margarida, Tróia e Setúbal, com militares portugueses, norte-americanos, espanhóis, franceses, holandeses e alemães.

 

 

Os passos, os portas e os cavacos há 145 anos...


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ferro Rodrigues põe Cavaco Silva em sentido

"Assim como não há deputados de primeira ou de segunda, também não há grupos parlamentares de primeira ou de segunda, nem coligações aceitáveis e outras banidas".

" Se à Assembleia da República se exige um respeito escrupuloso pelo papel dos restantes órgãos de soberania", nesse sentido, "temos o direito de exigir o respeito pela soberania da Assembleia da República".

"À Assembleia da República exige-se hoje em particular que saiba cumprir bem os seus deveres constitucionais, mas que saiba também ir além dos seus métodos tradicionais. Exige-se ao parlamento que saiba estar à altura do momento que vivemos e dos sinais que os portugueses nos estão a dar."

"Os níveis de insatisfação com a democracia são preocupantes. Essa insatisfação deve-se à insatisfação com a própria situação económica e social do pais. O processo de ajustamento económico que vivemos deixou feridas sociais que importa sarar com urgência, estou a pensar na pobreza, no desemprego, nas desigualdades e na emigração indesejada."
(Ferro Rodrigues, novo presidente da Assembleia da República)



"A Assembleia da República expressou, de modo inequívoco, a vontade de que esta legislatura seja de mudança, uma legislatura de mudança e de construção”. (António Costa, PS).

"Fiquei com a sensação que as garantias de isenção e de imparcialidade que devem estar na base do exercício da função de presidente da Assembleia da República estão ainda longe de ser garantidas.” (Luis Montenegro, PSD)

"Em democracia mandam os votos, e não as tradições. Não há nenhuma destas estátuas que seja dedicada às tradições parlamentares." (Pedro Filipe Soares, BE)

 "O novo Presidente  da Assembleia da República não começou bem o mandato, porque não vestiu o fato de presidente da Assembleia da República no seu primeiro discurso". (Nuno Magalhães CDS/PP)
 "A eleição de Ferro Rodrigues tem significado político, mas também simbólico, porque dá expressão à nova correlação de forças". (João Oliveira, PCP)

"As legislativas de 4 de outubro serviram para eleger 230 deputados, e não um primeiro-ministro".
(Heloísa Apolónia, PEV)

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"The greatest pleasure in life is doing
what people say you cannot do."
"O maior prazer na vida é fazer
o que as pessoas dizem que não se consegue"
Walter Bagehot
jornalista e ensaísta britânico
1826-1877

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Vamos lá então virar a página!

A entrada em funcionamento do novo governo, com apoio maioritário na AR, é uma esperança aberta para os injustiçados dos 4 anos da coligação de direita.
Embora o conteúdo dos acordos entre os três partidos que o suportam ainda espere pelo tempo próprio para ser revelado, a existência de uma base programática entre partidos como os que os estão a concluir, inspira uma grande esperança.
Não se tratará, como se vai percebendo, de um governo com elementos dos três partidos. Nem de um acordo, que não tenha que ir sendo observado para consolidar a garantia dada à partida de um governo estável e duradouro.
A propósito da futura tomada de posse, da rejeição de um governo da coligação que os portugueses derrotaram nas urnas, caso seja indigitado Passos Coelho, para dar lugar a um governo do PS com apoio maioritário, a direita, incluindo algumas vetustas figuras, a quem não doeu a austeridade, e que receia perder alguma gamela, irá atirar-se ainda mais ao ar.
Irá atiçar ainda mais do que até aqui a violência verbal nas rádios, televisões e jornais, contra o que consideram um governo contranatura, perigoso, passível de quebras de disposições de investimento de terceiros, pondo a mexer diabos e magarefes, bruxos e almas penadas que foi buscar aos alçapões bafientos do anticomunismo salazarento. Se tivessem essas possibilidades recorreriam à Mocidade Portuguesa, à Legião, aos torcionários da PIDE. Mas já não têm.
Podem derramar insultos e esconjuros. E até puderam hoje "fechar" a venda da TAP que os partidos, então na oposição, disseram ir fazer reverter
A direita troglodita foi mais uma vez derrotada. Uma significativa maioria de eleitores deu a vitória aos partidos à sua esquerda. Uma Assembleia da República, com apoio maioritário de deputados à sua esquerda, vai parir um governo que se anuncia como de ruptura com a política da direita nestes anos.
Os portugueses mereceram este resultado que premiou a luta nos mais diferentes sectores contra a destruição da direita. Face às ameaças e provocações, terão da nossa parte a serenidade de uma grande firmeza. Vamos lá então virar a página.

22 de Outubro - dia de memória contra o esquecimento

Hoje faz 70 anos que a PIDE-DGS foi criada.
A PVDE passou a designar-se PIDE, Policia Internacional da Defesa do Estado, através do Decreto-Lei 35 046, de 22 de Outubro de 1945.
Foi então atribuída à polícia política a instrução escrita dos processos criminais de natureza política e é-lhe permitido deter para averiguações durante 180 dias os suspeitos de actividades contra a segurança do Estado”.
desenho de João Abel Manta
Jamais esqueceremos as atrocidades, a censura, a aniquilação da liberdade, os crimes, as denúncias, as prisões, as torturas, as mortes que, ao abrigo da “defesa do Estado” se realizaram. Jamais esqueceremos as paredes de dor da António Maria Cardoso, do Aljube, em Lisboa, na Rua da Angra do Heroísmo, no Porto, no Tarrafal ou noutros locais improvisados, alguns dos quais conduziram directamente à morte de trabalhadores e de militantes clandestinos.
Não deixaremos de contar aos mais novos como se derramou o sangue dos que queriam pão e liberdade.

domingo, 18 de outubro de 2015

Canto Geral, de Mikis Theodorakis e Pablo Neruda (1981) na versão integral


Ainda sobre a Síria


A França é nestes dias a principal potência que propõe a derrota da República árabe síria. Entretanto A Casa Branca e o Kremlin realizam reuniões reservadas para encontrar a maneira de se desembaraçarem dos jihadistas. Paris continua a acusar o “regime de Bachar” de ter criado o Daesh (!) e declara que depois de eliminar o Estado Islâmico, há que acabar com a “ditadura alaouita” (ramo do xiismo em que se filia Bachar). Neste objectivo a França está acompanhada pela Turquia, a Arábia Saudita e pelos serviços secretos de Israel. Para eles a saída do presidente sírio é condição obrigatória para conseguir uma eventual solução política no conflito que dilacera este país árabe desde 2011.
Nas vésperas do início deste conflito, em 2010, a Síria mantinha-se dependente dos setores petrolífero e agrícola. O petróleo era então responsável por cerca de 40% das receitas das exportações. E várias expedições marítimas comprovaram que existem grandes reservas de petróleo no fundo do mar Mediterrâneo, entre a Síria e Chipre.

Os extremistas do Estado Islâmico (ISIS), criaram um auto-denominado califado no nordeste da Síria, tomando conta da maioria dos campos de petróleo do país, que se encontram principalmente nesta região. Isso privou Damasco de uma das suas principais fontes de divisas, quando estava empobrecido pela diminuição das exportações e a luta em todo o país.
O governo sírio tem acusado o ISIS e a Jabhat al-Nusra, ou Frente al- Nusra, filial síria da al-Qaeda , de perfuração clandestina, de roubar o petróleo e o vender para reduzir os preços em países vizinhos, principalmente na Turquia, para financiar as suas operações. Os números do Ministério do Petróleo sírio mostram que mais de 20 poços de petróleo foram incendiados, enquanto 128 outros foram roubados. Os números também apontam para cerca de 8,5 mil milhões de barris que estão a ser roubados numa média diária de cerca de 40.000 barris.

A acção da França e da Inglaterra tem alguma coisa a ver com a compensação aos regimes árabes do Golfo do pagamento das campanhas eleitorais de Holande e Cameron mas também vem na linha de atitudes colonialistas de há mais de um século.
Com Estados Unidos a dar-lhes apoio, vários países europeus (França e Reino Unido) e alguns governos do Médio Oriente (Turquia e Arábia Saudita), insistem na saída do presidente sírio como condição para conseguir uma eventual solução política ao conflito que sofre este país árabe desde 2011.

Querem enganar-nos quando falam de uma "guerra civil", quando na realidade a Síria resiste e enfrenta uma agressão internacional, onde participam mercenários de mais de 50 países, financiados, armados e treinados, entre outros, pela França a Turquia e a Arábia Saudita. Também não referem às discussões de paz surgidas no calor da crise, que levou à mesa de negociações o governo de Damasco e os principais agrupamentos políticos opositores que dentro do país também repudiam a intromissão estrangeira nos assuntos internos sírios.
 
Durante mais de quatro anos, em mais de 400 frentes de combate e com perdas humanas que superam 50 mil homens, o Exército Árabe sírio, dirigido por Bashar Al-Assad, tem resistido à investida de quase 300 mil homens armados e pagos precisamente pelo Ocidente.


Com a decisão adotada pela Federação Russa, de aceitar a solicitação formal de ajuda militar feita pelas autoridades de Damasco, caiu o mito da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que em mais de um ano de bombardeios sistemáticos, pouco fizeram contra os grupos terroristas nos territórios da Síria e do Iraque enquanto a ocupação territorial do ISIS alastrava.
A presença russa na Síria tirou do caminho os verdadeiros gestores do conflito, que até ao momento tinha custado a vida de 250 mil pessoas e que agora procuram parar a ação militar do gigante euro-asiático, que está decidido a pôr fim, em cooperação com o exército sírio, a este brutal flagelo.
Para além dos salões de reuniões europeus, a NATO não passa de vagas declarações ameaçadoras. Os Estados Unidos retiraram seus mísseis Patriot da Turquia, e na União Europeia começam a ouvir-se outras vozes que buscam terminar este calvário. Enquanto o exército sírio, apoiado pelos temíveis aviões de combate russos, continua a sua ofensiva contra o terrorismo, empenhado em devolver a paz ao seu povo.
 
 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Neste naufrágio, os ratos gordos não querem largar o barco. Mas vão ter que saltar.

Há 2 dias apanhei um taxi e o motorista, guardando ainda alguma imagem minha de um passado recente, disse-me "Já viu que eles andam todos aos saltos, gritam, esperneiam. Parecem ratos...só que são uma espécie de ratos bem gordos que, apesar de terem naufragado o barco não querem de lá saltar!". E mais não disse nem era preciso depois de tão sábia observação.
 
Directores de jornais, directores de informação das grandes rádios, comentadores encartados, personagens que tinham cultivado um certo verniz democrático andam numa roda viva a descobrir todos os "grandes e imprevisíveis perigos dum governo liderado pelo PS, com o apoio do PCP e do BE". O chorrilho de disparates, de ameaças muito pouco veladas, de apelo às reacções negativas de mercados e investidores que eles gostariam que viessem por aí abaixo numa muito pouco patriótica atitude, de há muitos anos nunca vistas.
 
Estão com medo porque vão sair do poder, porque há perspectivas de melhoria das condições de vida dos portugueses que, durante 4 anos pisaram, deixando um país mais pobre, com uma legião de desempegados, particularmente entre os jovens e destes dos mais qualificados.
Mas não quiseram de deixar, quando pressentiram a derrota, de nomear correligionários para lugares da administração em vez de os enviarem para as empresas dos Hortas Osórios, que os apoiam.
 
Quem associa estabilidade ao PSD/CDS depois desta instabilidade permanente? Estabilidade virá de um governo de esquerda em que os três partidos acordem no que é essencial para a mudança de política. Não é desta "estabilidade" que tem falado o Papa Francisco para os homens e mulheres de bem da Igreja.
 
As eleições de 4 de Outubro não foram eleições para 1º Ministro (figura não contemplada na Constituição). Foram eleições para deputados que estabelecerão acordos entre si para formação de governos com apoio maioritário. É a partir deste facto que o Presidente da República procederá a contactos com vista a tal governo. Qualquer outro entendimento e o bloqueio a que conduziria, arrastava a solução de governo numa dinâmica de golpe de estado constitucional.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"The people I distrust most are those
who want to improve our lives
but have only one course of action in mind."

"De quem mais desconfio é dos
que querem melhorar as nossas vidas,
mas só de uma determinada maneira."

Frank Herbert
escritor americano de ficção cientifica
1920-1986