quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A vontade está a passar por aqui, e nós vamos dar a volta a isto no dia 4 de Outubro



 
Os portugueses passaram a conhecer melhor a CDU ao longo da pré-campanha e dos debates nas televisões e rádios. E terão ficado com a idéia de que a CDU, ao contrário da generalidade das outras foças políticas, se distingue também por não aparecer só nas eleições. Nestes 4 anos, dia após dia, dirigentes e activistas da CDU, estiveram com trabalhadores, moradores, pais, reformados e muitos outros sectores sociais particulares, em cada canto do país. Apoiando lutas, animando reflexões, perspectivando caminhos e aprendendo, sempre, com cada opinião ou experiência concreta.
Em resultado disso, a CDU vai aumentar a sua votação em 4 de Outubro.

Esta maneira de fazer política oferece confiança. As mulheres e homens da CDU são coerentes. Não são como outros políticos, de promessa fácil que logo não é cumprida. Têm comportamentos éticos no exercício de funções públicas e nas suas vidas profissionais e familiares. Isto não quer dizer que não haja noutros partidos quem assim seja mas a postura desses partidos, como escolas de formação e de atitudes é a da “carreira” política, da promiscuidade entre serviço público e interesses privados, do acesso ao” tacho” e boas remunerações no estado, como trampolim para empresas que beneficiam desses comportamentos no aparelho do estado.

O retirar do homem do centro da economia, como dizia há dias o Papa Francisco, é típico das opções que comandam dirigentes de muitos estados. O trabalho é continuamente desvalorizado, os multi-milionários crescem à medida que a precariedade e a pobreza avançam, as alavancas económicas do país são vendidas vendidas, enfraquecendo a soberania já tão desbaratada no desvario de um projecto dito europeu mas que nos arrasta para o abismo.

As propostas do PCP e da CDU vão em sentido contrário porque este povo e este país vão continuar. São ilusões dizem PSD, CDS e PS. Desilusões são as que se somam uma atrás da outra. E certo que é regra as contra-revoluções sucederem às revoluções mas a vontade está a passar por aqui, e nós vamos dar a volta a isto.

Vamos à campanha e a um grande resultado para a CDU!

domingo, 13 de setembro de 2015

Portugal na cauda da Europa do bem estar dos mais idosos

       





         Júlio Machado Vaz

    Portugal é o terceiro pior país da Europa Ocidental a assegurar o bem-estar social e económico das pessoas com 60 ou mais anos de idade, só à frente de Malta e ...Grécia, alcançando a 38.ª posição a nível mundial. Lusa/Sol.
    Os dados constam do Índice Global AgeWatch 2015, que classifica os países de acordo com o bem-estar social e económico das pessoas mais velhas, e que é realizado pela HelpAge, uma rede global que promove os direitos e as necessidades das mulheres e dos homens mais idosos.
    Entre os 96 países do mundo avaliados, Portugal aparece em 38.º lugar, ou seja, entre os quarenta melhores e acima do meio da tabela, mas quando a análise é feita tendo em conta os 19 países da Europa Ocidental, Portugal é remetido para a base da tabela, sendo o terceiro pior, só à frente de Malta e da Grécia.
    Os primeiros lugares, entre os países da Europa Ocidental, são ocupados pela Suíça, Noruega, Suécia e Alemanha, países que ocupam os mesmos lugares na tabela a nível mundial.
    Comparativamente com o Índice de 2014, Portugal cai uma posição, mas olhando para 2013 a queda é de quatro lugares.
    Por indicadores, o pior resultado de Portugal é em matéria de capacitação, que inclui o emprego e a educação entre as pessoas mais velhas, em que fica em 83.º lugar, quatro lugares abaixo da 79.ª posição conquistada em 2014.
    Para este lugar contribuem as elevadas taxas de desemprego, já que, segundo o relatório, dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostram que Portugal tem a terceira taxa de desemprego mais elevada para os trabalhadores com idade entre os 55 e os 64 anos, chegando aos 13,5% em 2014, e só superando a Espanha e a Grécia.
    Por outro lado, a taxa de emprego entre os portugueses mais velhos está nos 46,9%, nove pontos percentuais abaixo da média para a região.
    Para além da capacitação, o Índice avalia os resultados em matéria de rendimentos, saúde e ambiente favorável e é neste último indicador que Portugal alcança o segundo pior resultado, com um 51.º lugar.
    Neste indicador, o relatório refere que a "proliferação" de lares ilegais "está a tornar-se um grave problema em Portugal", apontando para estimativas que dão conta de que cerca de 20 mil idosos vivem em 3 mil lares ilegais e para um estudo que diz haver mais de 39 mil idosos que vivem sozinhos ou isolados.
    Refere também o facto de o Governo ter reduzido as tarifas para os mais idosos nos transportes públicos ou de os idosos portugueses serem frequentemente vítimas de fraudes ou vários tipos de violência.
    Em matéria de saúde, Portugal consegue um 23.º lugar e aqui é referido que o setor da saúde continua a ser um pilar forte, que providencia serviços de qualidade e a preços razoáveis, com os quais a maior parte da população conta.
    "No entanto, as medidas de austeridade contribuíram para a deterioração (...) e um exemplo está nos doentes oncológicos de zonas rurais isoladas, que são forçados a parar o tratamento por causa dos cortes no orçamento da saúde para os transportes", refere.
    Segundo o Global AgeWatch 2015, aos 60 anos de idade, os portugueses têm a expectativa de viver mais 24 anos, 18 deles com saúde, e 86% das pessoas com mais de 50 anos sente que a sua vida tem sentido.
    A melhor posição que Portugal conseguiu foi no indicador Estabilidade no Rendimento, com um 11.ª posição, onde a população idosa portuguesa aparece descrita como tendo sido fortemente afetada pelas medidas de austeridade e como uma taxa de pobreza a rondar os 7,8% apesar de todas as pessoas com mais de 65 anos terem acesso a uma pensão.
    No global, a Suíça ocupa o primeiro lugar, enquanto o Afeganistão permanece no último lugar da tabela. Tal como em 2013 e em 2014, os 19 primeiros lugares são ocupados por países industrializados.

    Lusa/SOL

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Em 4 de Outubro votar para mudar de governo e de políticas


 
As reflexões que se seguem não são novas mas foram-me suscitadas a propósito de uma conversa com um cidadão, futuro eleitor no dia 4 (que espero que acabe por votar bem).

Os direitos sociais, económicos e culturais são três das vertentes da democracia tal como uma boa parte da esquerda a entende. Não foi sempre assim. A democracia foi encarada como o direito de propriedade pelo menos até ao final da 1ª Guerra Mundial, e quando muito como o direito de votar em eleições muito limitadas nas capacidades de eleger e ser eleito e no direito de propaganda política sem discriminações.

Por influência da Revolução Socialista de Outubro e de fortes movimentos sindicais e intelectuais nesse sentido, é que as vertentes sociais, económicas e culturais passaram a ser consideradas no mundo capitalista, e ainda assim de forma limitada. A liberdade económica que começara por ser o direito mercantil da burguesia, acabou por ser uma livre concorrência, em que esta era condicionada pela concentração capitalista, financeira e monopolista, e mais tarde se alienou na especulação crescente que retirou o homem e a economia do centro da vida dos países capitalistas, para dar lugar à especulação bolsista. A liberdade sindical foi exercida e suportada por fortes lutas de classe. A liberdade cultural tornou possível, para além de novas expressões da cultura popular, o consumo, de forma diferenciada, de acordo com as classes sociais. A liberdade política passou a existir não apenas em eleições mas na capacidade, conquistada a pulso, da existência permanente de associações, e nos movimentos de direitos das mulheres.

A 2ª Guerra Mundial consolidou essas vertentes da liberdade pela observação de como elas eram progressivamente realizadas de forma progressista na nova Europa socialista de leste. Os dois blocos entraram numa emulação nem sempre positiva mas que colocaram o campo socialista, entretanto alargado à China e a Cuba e mais tarde ao Vietname, numa posição cimeira em diversos planos da vida internacional.

O peso das ideias de esquerda na vida cultural, as diversas vertentes da liberdade, a luta contra o fascismo, a consolidação e apuramento ideológico dos sindicatos, um longo período de paz assente na coexistência pacífica e na contenção na corrida aos armamentos, a consolidação de empresas de dimensões diversas, a criação do Estado Social, assente nas funções sociais do Estado, com destaque para o Ensino, a Saúde e a Segurança Social públicas. As descolonizações sucederam-se. O Programa do MFA de 1974 e a Constituição de República de 1976 expressam bem essa dinâmica de novas realidades.

Depois da derrocada do socialismo a leste, Hayek, patriarca do neoliberalismo, alertou para o facto de que a teorização e a presença no Ocidente destes direitos remetiam à influência, por ele considerada nefasta, da "revolução marxista russa".

Ele sabia o que estava a dizer como o sabiam outros que lhe executaram as ideias como Ronald Reagan, Margaret Thatcher, João Paulo II (depois da estranha morte do antecessor).

As guerras regressaram em força deslocando milhões de pessoas no planeta.

O significado histórico da Revolução Russa de 1917 é hoje recuperado ao longo deste mesmo planeta, mesmo que as pessoas já não relacionem as conquistas civilizacionais que, em parte se mantêm e fazem parte da estrutura mental de muita gente, nomeadamente entre a juventude.

Só recearia o futuro se perdesse as minhas raízes, todo esse capital histórico e não tivesse uma grande confiança nas mais jovens gerações.

Votação do Parlamento Europeu sobre o direito à água


 
Na sequência da iniciativa cidadã sobre o direito à água, o MUSP congratula-se com  a  expressiva  votação  do  Parlamento  Europeu,  que  decidiu  de  forma inequívoca  -  com  363  votos  a  favor  e  96  contra  -  exigir  à  comissão  europeia que legisle sobre o direito à água.
Esta decisão que surge também na sequência da decisão das Nações Unidas de declararem  o  acesso  à  água  como  um  direito  humano,  vem  dar  uma  nova esperança  a  todos  aqueles  que  defendem  o  direito  à  água  e  o  seu  acesso universal.
Sabemos  que  esta  vitória  ainda  não  é  uma  vitória  plena  que  permita  a reversão  dos  processos  de  privatização  de  serviços  de  abastecimento,  mas  é um grande passo nesse sentido.
O acesso à água definido como uma direito universal, reforça a ideia há muito defendida  pelo  movimento  de  que  a  água  não  pode  ser  entendida  com  um  bem comercializável, mas sim como um direito fundamental e um bem escasso que importa preservar.
Desta  forma  o  movimento  gostaria  de  ver  este  assunto  discutido  na  campanha eleitoral  e programas  eleitorais,  definindo  as  diversas  forças  políticas  de forma  clara  a  sua  posição,  sendo  que  o  MUSP  defende  o  voto  nas  forças politicas que, de forma inequívoca, façam a defesa dos serviços públicos.
Este é o momento para todos serem claros em matéria de serviços públicos. É o  momento  para  se  assumirem  posições  em  matérias  que  definem  o  nosso presente futuro coletivo. A água é uma dessas matérias.
Esperamos que as diversas forças politicas esclareçam a sua posição.
 
Lisboa, 9 de Setembro de 2015

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Discussion is an exchange of knowledge;
argument an exchange of ignorance."
"O debate é uma partilha de conhecimento,
a disputa é uma partilha de ignorância"

Robert Quillen
jornalista e humorista americano
1887-1948)

Um debate ausente do País



Não foi com gosto que segui o debate “que poderia mudar o futuro do país”, segundo alguns media, que quase saturaram a paciência dos portugueses com o antes, o durante e o depois, com Sócrates e Macedo à mistura.

Como se percebeu o País não passou por ali.

Teria gostado que neste e noutros debates e entrevistas se tivesse discorrido com o que considero serem as questões sobre as quais diferentes respostas mais interessam aos portugueses saturados de mentiras e trejeitos.

A saber, como combater o desemprego e a desvalorização abissal do trabalho na distribuição do rendimento.

Que fazer com os vínculos à União Europeia que nos retiraram grande parte da soberania e “institucionalizaram” opções neo- liberais na economia que foram liquidando o tecido produtivo, castrando a resposta a uma mais desejável que nunca procura interna.

Como diminuir as desigualdades sociais, a precarização dos trabalhadores e classes médias e como elevar, e com que recursos que estão disponíveis noutras opções políticas, as condições de vida.

Que atitude relativamente ao curso destruidor do Serviço Nacional de Saúde, do sistema público e ensino e da segurança social, pilares de um estado que se queira moderno, deve ser tomada e não se esgote nos ridículos e perigosos “plafonamentos horizontais e verticais”.

Face ao surto migratório pela fuga a diversas guerras de agressão a populações inteiras, que formas de acolhimento dos novos imigrantes e que iniciativas se devem tomar para fazer regressar a paz aos países de onde emigraram, que apoios internacionais à reconstrução e reactivação económica desses países - seriam questões de que os portugueses também teriam gostado de que se falasse.

Não alinho na estória de qual ganhou com o debate porque os portugueses não ganharam com ele. Estar mais agressivo, ao ataque ou à defesa, ter ou não ter rugas na testa, aludirem a programas eleitorais, de que pouco falaram, são matérias muito interessantes para comentadores mas não para País que não passou por ali.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"E depois do adeus", Grande Reportagem, do jornalista Pedro Coelho (RTP-1)

Acabei de o ver agora. Estes programas confirmam-nos que há jornalistas na RTP sensíveis ao que se passa à sua volta.
Partindo do tema "E depois do adeus", da troika entenda-se, sucederam-se uma série de casos de dificuldades graves de pequenos agrupamentos familiares, bolsas de resistência à agressão social generalizada que promoveu este governo. Os casos eram intervalados por declarações emproadas de Passos Coelho que em tudo contrariavam o que nos era dado a ver.
No meio da imensa porcaria com que a RTP enche os seus canais, estas excepções reconciliam-nos com o jornalismo.
Parabéns Pedro Coelho.
 

Pintura de Michel Rauscher e poema de Dina Salústio



Éramos tu e eu
Éramos eu e tu
Dentro de mim
Centenas de fantasmas compunham o espectáculo
E o medo
Todo o medo do mundo em câmara lenta nos meus olhos.
Mãos agarradas
Pulsos acariciados
Um afago nas faces.
Éramos tu e eu
Dentro de nós
Suores inundavam os olhos
Alagavam lençóis
Corriam para o mar.
As unhas revoltam-se e ferem a carne que as abriga.
Éramos tu e eu
Dentro de nós.
As contracções cada vez mais rápidas
O descontrolo
A emoção
A ciência atenta
O oxigénio
A mão amiga
De repente a grande urgência
A Hora
A Violência
Éramos nós libertando-nos de nós.
É nossa a dor.
São nossos o sangue e as águas
O grito é nosso
A vida é tua
O filho é meu.
Os lábios esquecem o riso
Os olhos a luz
O corpo a dor.
A exaustão total
O correr do pano
O fim do parto.
Dina Salústio