domingo, 12 de julho de 2015

A dívida pública grega é um mega esquema de corrupção

O resultado desta auditoria à dívida pública é revelador do papel do sistema bancário grego, sob os governos do PASOK e da Nova Democracia, em fazer crescer uma dívida pública sem benefício para a Grécia. Os acordos, que revelam só poder assentar numa verdadeira corrupção em larga escala, ainda exigiam que a Grécia tivesse que transformar os seus activos públicos em forma de pagamento dessa dívida e correspondentes encargos, isto é em privatizações que só poderiam ser também em larga escala...
Ter em atenção que "billions" deve ser traduzido por "milhares de milhões e não biliões.



sábado, 11 de julho de 2015

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Trás a névoa vem o sol /
trás um tempo vem outro"
Jorge Ferreira de Vasconcellos
cortesão, escritor e comediógrafo,
1515-1585 
in
"Comédia Eufrosina"
- Coimbra, 1560

Reviravolta do governo não agrada ao gregos que votaram contra mais austeridade

O governo grego entrou num campo de cedência em matéria de agravamento da austeridade, apesar de serem positivas muitas outras medidas propostas no plano de resgate que avançou.
Atenas enviou ontem aos credores as suas propostas em troca de um resgate financeiro de 53,5 mil milhões de euros, que foi aprovado em plenário do Parlamento grego nesta madrugada, com uma negociação com a Nova Democracia para obter os seus votos que lhe foram negados pelos sectores mais à esquerda do Sirysa.


O Eurogrupo está em reunião para avaliar as propostas do governo grego, mas à entrada, o presidente do Eurogrupo foi já ameaçando com muitas dificuldades.

Parece haver uma larga rejeição destas medidas na Grécia, tanto mais que violam o resultado do referendo. Também não se percebe o porquê desta reviravolta. Houve ameaças novas de saída não só do euro como da própria UE? O recurso ao apoio financeiro para resolver os problemas imediatos da Grécia esgotava-se num novo plano de resgate? Que ameaças foram recebidas sobre o eventual recurso a um empréstimo russo (que o “Ocidente” quer evitar por considerações de geo-estratégia)? Era esta a única forma de salvar os interesses do povo grego?
Depois dos deputados de Atenas, o documento tem de ser validado por outros parlamentos, incluindo o alemão.

O documento é omisso em relação ao perdão da dívida, impagável e castradora de qualquer política de crescimento económico. Se bem que Tsipras tenha referido ontem no parlamento que as novas propostas gregas tinham desbloqueado a discussão não só das taxas dos empréstimos que contribuíram para a dívida, como dos prazos e do perdão de parte da dívida. Passos Coelho, o presidente do Eurogrupo, o governo alemão estão entre os firmes opositores a tal reestruturação.
Num documento de 20 páginas, o executivo de Alexis Tsipras requer o acesso a ajuda financeira ao abrigo do Mecanismo Europeu de Estabilidade, comprometendo-se a pôr em prática a partir de segunda-feira uma série de medidas de natureza fiscal e nas pensões. Segundo o Correio da Manhã essas medidas são, em síntese:

Orçamento rectificativo para 2015 e estratégia fiscal 2016-2019 para chegar a 2018 com um excedente primário de 3,5% do PIB

1) Reforma do IVA:
  • taxa generalizada de 23% incluindo restauração

  • taxa de 13% para alimentação básica, energia, hotéis e água

  • taxa super-reduzida de 6% para medicamentos, livros e espectáculos, medidas que serão revistas em 2016.

  • Suspensão gradual dos benefícios fiscais para as ilhas, começando pelas mais ricas e turísticas, até ao final de 2016. A partir daí os habitantes mais pobres terão acesso a medidas de compensação. 

2) Medidas estruturais orçamentais:
  • aumentar o IRC de 26% para 28%;
  • aumentar a sobretaxa de solidariedade;
  • ajustar taxas sobre propriedades para garantir a receita fiscal prevista; combate à fraude; melhorar a transparência orçamental; 
  • simplificar tabela de IRS;
  • reduzir tratamento diferenciado da indústria armadora; aumentar impostos sobre embarcações de recreio e luxo;
  • reduzir o preço dos medicamentos em 32,5% e 50% caso se tratem de medicamentos
    genéricos ou não;
  • reduzir preço dos exames de diagnóstico;
  • reduzir o tecto máximo de gastos com defesa em 100 milhões de euros este ano e 200 milhões no ano que vem. Contra uma redução de 400 milhões proposta pelos credores;
  • introduzir taxa sobre a publicidade televisiva, vender licenças de sinal de televisão, gerar receitas das licenças de 4G e 5G
  • alargar taxa de 30% a terminais de lotaria electrónica. 
 3) Reforma de pensões:

Poupança entre 0,25% e 0,5% este ano e 1% no próximo e seguintes, através de: 

  • desincentivo às reformas antecipadas; 
  • passar a idade de reforma para os 67 anos até 2022; ou 62 com 40 anos de contribuições;
  • aumentar as contribuições dos pensionistas para a saúde de 4% para 6%;
  • subsídio para as pensões mais baixas (EKAS) deve terminar no final de 2020, altura em que está prevista a criação de novas ajudas;
  • eliminam-se também, gradualmente, as pensões complementares, até dezembro de 2019;
  • a partir de janeiro de 2016, legislar no sentido global de atingir a sustentabilidade do sistema. 

4) Função Pública, Justiça e luta anti-corrupção

  • reformular a grelha salarial do Estado a partir de 1 de Janeiro; 
  • alinhar suplementos pelas práticas europeias;
  • promover a mobilidade
  • .criar sistema de avaliação de desempenho de funcionários públicos;
  • reformar o Código Civil;
  • limitar riscos de corrupção nos concursos público;
  • publicar uma análise estatística da corrupção no país (em particular na saúde e trabalho no sector público). 

5) Fisco
  • criar uma agência de impostos independente; 
  • remover o tecto de 25% sobre salários e pensões em caso de penhoras e tecto de 1.500 euros nos vencimento;
  • melhorar o sistema informático da administração fiscal;
  • combater o contrabando de combustíveis;
  • identificação de depósitos não declarados na banca grega e estrangeira; levantamento sigilo bancário em casos específicos, trocar informações com países europeus sobre bens detidos por gregos, acabar com amnistias;
  • promover o uso de pagamentos electrónicos.  

6) Sector Financeiro: 
  • adoptar alterações no caso de insolvência para separar os casos de falsa falência do caso de devedores com boa-fé.   

7) Mercado de trabalho: 
  • revisão e reforma das leis laborais tendo em conta as melhores práticas europeias;  
  • negociação entre o governo e os parceiros sociais deve estar concluída até ao fim do ano;  
  • combate ao trabalho não declarado  

8) Mercado de produtos e serviços
 
  • liberalizar acesso a profissões (engenheiros, advogados, oficiais de justiça); 
  • desregulamentar o mercado de alojamento turístico;
  • reduzir burocracia e encargos sobre as empresas com ajuda da OCDE;
  • criar balcões únicos;
  • privatizar a empresa de distribuição de electricidade.

 9) Privatizações:
  • vender todos os activos detidos pelo fundo público HRADF; 
  • fim da privatização dos aeroportos regionais e dos portos do Pireu e Salónica - medida que já antes estava prevista e que já tem potenciais interessados, oriundos da China.
  • Neste capítulo, o governo grego não se compromete com mais nenhumas privatizações.

 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Putin: Onde estava a Comissão Europeia quando os anteriores governos da Grecia violavam as leis?


Segundo Putin, a Comissão Europeia devia ter ajustado a actividade económica da Grécia, acrescentando que a União Europeia não devia ter fixado tais taxas de juros e empréstimos sem ter em consideração o endividamento do país
“Claro que agora todas as culpas são para os gregos. Mas se houve violações na sua acção, onde esteve a Comissão Europeia? Porque é que não pressionaram alterações à política económica dos anteriores governos gregos?”

Segundo o Russia Today (RT) o governo grego apresentou agora à EU um plano que foi rejeitado no referendo do passado domingo. E vai levar a manutenção na EU à Assembleia Nacional.
De acordo com o presidente russo, quando uma moeda forte circula em países de diferentes níveis económicos, estes países acabam por não conseguir controlar as suas finanças e a política económica. Os problemas da Grécia não afectam directamente a Rússia mas influenciam indirectamente toda a Europa, incluindo a Rússia, em resultado das grandes trocas comerciais entre a Rússia e a EU.

Putin insistiu em que a Rússia pode ajudar qualquer outro estado. Mas a Grécia não pediu até ao momento qualquer apoio financeiro. Apesar de não dar esse apoio financeiro directamente, a Grécia assino, no mês passado, um acordo de 2 mil milhões de gás no Forum Económico Internatcional Economic de S. Petersburgo, que ajudará a Grécia a sair da sua crise de dívida.
A Russia e a Grécia assinaram um acordo de criação de uma empresa mista para a construção da conduta do Turkish Stream no seu atravessamento da Grécia. A conduta tem uma capacidade de 47 mil milhões de metros cúbicos e os custos da construção são cerca de 2 mil milhões de euros. Em Dezembro de 2014, a Rússia acabou por cancelar o projecto da conduta do South Stream que iria abastecer toda a Europa com 63 mil milhões de métricos cúbicos, depois dos percursos através da Ucrânia terem sido inviabilizados.       

Pintura de Modigliani



Amedeo Clemente Modigliani , nasceu no Livorno (Itália) em 12 de Julho de 1884.
Artista plástico e escultor  viveu em Paris, onde trabalhou muitos anos. Faleceu ainda jovem com 35 anos, na pobreza e muito doente.
Artista principalmente figurativo, tornou-se célebre sobretudo por seus retratos femininos caracterizados por rostos e pescoços alongados, à maneira das máscaras africanas.

«Jardins» de Santa Apolónia: a acção convergente e articulada de PS, PSD e CDS


jardinsantapoloniaA CDU realizou hoje uma acção de propaganda na Estação de Santa Apolónia, alertando para as intenções de destruição desta Estação e denunciando os objectivos e a prática convergente de PS, PSD e CDS, «há 39 anos ao serviço da especulação imobiliária». A CDU considera que é preciso uma ruptura com o caminho que está a ser imposto e deixou um apelo claro: «Você sabe o que precisa de fazer para que isto mude. Faça-o! Dê mais força à CDU!» 

"Tomoko Iemura no banho", foto de Eugene Smith (EUA, 1918-1978), por Jorge

Denúncia dos efeitos do mercúrio de Minamata


quinta-feira, 9 de julho de 2015

O Qipao, vestido nacional das mulheres chinesas

Na Dinastia Qing, o Cheongsam era o vestido da nobreza da etnia Manchu da China. O Cheongsam moderno nasceu nos anos 20, em Shanghai, e teve bom acolhimento pelas mulheres chinesas nos anos 30 e 40. Em particular nos anos 30, o desenvolvimento de Cheongsam chegou ao seu apogeu e tornou-se popular em todo o país. Naquele período, por causa do estilo de vida ocidental em Shanghai, o Qipao mais moderno apareceu na cidade, como uma combinação do Cheongsam tradicional chinês com características de vestido ocidental. Desde essa altura o Qipao tornou-se o “vestido nacional” para mulheres chinesas em múltiplos e muito belos estilos.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Com o oxi popular à austeridade, a Grécia vai ter que ser uma vez mais firme face ao directório de Bruxelas

Foi com grande satisfação que grande parte dos portugueses assistiram ao NÃO dos gregos à austeridade. Os gregos não estão sós, os portugueses também não. A Europa abalou, a UE e o euro perderam terreno. O sinal global é muito positivo.
Desta vez as brutais ingerência e chantagem da troika não tiveram o resultado das cambalhotas eleitorais a que obrigaram irlandeses, holandeses e dinamarqueses foram obrigados "democraticamente" pelos protagonistas não eleitos de Bruxelas.
 
Mas, poucas horas depois já os mandantes da UE mostram os dentes, parecendo falar ainda mais grosso, com à procura da revanche sobre os gregos, resultante da sua desautorização.
Roubada ao José Goulão no Mundo Cão de hoje
 O encontro de soluções que não aprofundem a austeridade por parte do governo grego no quadro desta UE e do euro, no antidemocrático desenho que sucessivos tratados lhe conferiram nos últimos anos, é uma equação de difícil solução. Mas é o mandato popular que tem, terminado que foi no passado dia 30 o 2º resgate da  autoria do anterior "arco da governação".
Varoufakis ter sido sacrificado para "facilitar" novas negociações, não foi acompanhado da queda do brutal e autoritário ministro alemão das Finanças ou do irritante e pérfido presidente do Eurogrupo nem do boçal presidente do Parlamento europeu, "socialista", nem da presidente do FMI, de perfl galinácio.
 
Dizem que é a Grécia que deve tomar a iniciativa de nova proposta e tudo se perfila nesse sentido. O que digo a seguir não é meter a foice em seara alheia. É a minha opinião com base naquilo que julgo conhecer.
 
O Siryza e o governo grego terão que contrariar a tendência dos anteriores resgates em que o PASOK e a Nova Democracia ofenderam gravemente os salários e pensões, o emprego e a produção fazendo cair o PIB em 25% e deixando subir a dívida para valores não susceptíveis de ser pagos.
 
Importa  reestruturar a dívida, com cortes elevados nos seus valores e com maturidades e taxas, que permitam deixar disponíveis recursos para investimentos produtivos e não para pagar dívida.
 
O recurso ao Banco de Investimento em Infraestruras chinês, de que a Grécia é sócia, assim como os restantes países da União Europeia, concentrando os empréstimos do BCE no funcionamento do sistema bancário, enquanto não encontrar alternativas, como mo Banco Central Russo, sob boicote da UE e enquanto a Grécia aceite os prejuízos resultantes da quebra comercial com esse parceiro natural.
 
A procura interna terá que ser estimulada, com a recuperação do poder de compra dos salários, pensões e outras prestações sociais, com vista a acompanhar esses investimentos produtivos.
 
A redução das despesas de funcionamento do Estado não devem gerar desemprego e privatizações mas afectar o que é social e economicamente mais supérfluo nestas circunstâncias
 
As receitas deverão ser procuradas entre os que mais têm e empresas que mais lucros apresentam, no esforço de exportação (equacionando a ruptura com os boicotes à Rússia, para além das receitas que advirão da construção do novo gasoduto russo, vindo das Grécia). Indo buscar aos grandes grupos económicos para canalizar para a agricultura, pescas e indústria mais vocacionada para exportação.
 
Se a UE continuar com a agressividade actual, Atenas terá que abandonar o euro, passando a imprimir um novo dracma, e expondo a situação difícil daí decorrente ao povo grego (custo da desvalorização face ao euro e inflação) durante talvez uns dois anos até poder respirar melhor numa soberania recuperada.
Este caminho suscitará alterações mais de fundo na UE, num futuro que não será brilhante a curto prazo mas que evitará o afundamento da Europa e do seu papel junto de outros polos de desenvolvimento.
 
Desculpem a ousadia.

domingo, 5 de julho de 2015

Não, não estou velho!!! Não sou é suficientemente novo para já saber tudo!

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.
E lembro-me do texto de Jorge de Sena….
Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.
Sou dos que acreditam na invenção desta crise
 
Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.
Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.
 
Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se
 
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida.
E ainda têm que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.
Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue, 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
Há carros topo de gama para sortear e autoestradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.
Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.
Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
E aprendemos neologismos como “in conseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.
Mas há os penaltis escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.
E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…
Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.
E as mães que vão ao banco alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.
É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.