terça-feira, 23 de junho de 2015

Os projectos secretos de Israel e da Arábia Saudita

A resposta de Telavive e de Riade ás negociações entre os Estados Unidos e o Irão situa-se no prolongamento do financiamento da guerra contra Gaza em 2008 pela Arábia Saudita : a aliança de um Estado colonial e de uma monarquia obscurantista. No momento em que o Próximo-Oriente se apresta para viver uma mudança para os próximos dez anos, das suas regras do jogo, Thierry Meyssan desvenda aqui o conteúdo das negociações secretas entre Telavive e Riade

Desemprego: nós estamos perto de si...


O DN de hoje "Subsídio de desemprego. Estado paga cada vez menos e a menos pessoas"

Em Maio, cada desempregado recebeu em média 448 euros por mês, o valor mais baixo desde 2006, devido à quebra nos salários e aos limites introduzidos à prestação.
 


Há menos desempregados inscritos nos centros de emprego do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), mas o valor do subsídio também está a cair. Em maio, cada desempregado recebeu, em média, 448 euros por mês. São menos 18 euros do que em maio de 2014 e quase menos 50 euros do que o valor pago no início de 2012. É necessário recuar a julho de 2006 para encontrar um valor mais baixo. Só para esbater o efeito da inflação desde esse ano (15% em termos acumulados), o subsídio deveria ser hoje de 504 euros. Ou seja, em termos de poder de compra, é como se os atuais desempregados recebessem menos 56 euros por mês.
A razão para o subsídio mais baixo é a queda dos salários, o facto de o governo ter baixado o teto máximo do subsídio para 1048 euros e o corte de 10% aplicado ao fim de seis meses de prestação.
O subsídio chegou a 279 563 pessoas, longe do máximo de 419 360 beneficiários contabilizados em fevereiro de 2013. A diminuição deste número reflete a queda do desemprego. Mas os dados agora revelados pela Segurança Social mostram também que estas prestações sociais chegam a um universo cada vez mais pequeno de pessoas sem trabalho.

Nota - "Queda do desemprego" é expressão que não reflecte a realidade. Contribuiram para esses números, sim, o aumento da emigração e do desemprego de longa duração, ou estrutural, que já não tem direito a subsídio de desemprego. É uma expressão usada pelo governo e jornalistas e comentadores que lhe fazem o frete.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Em apoio da Grécia contra a pressão brutal para que os gregos ajoelhem


Não é comum ver a pressão que os mais poderosos da União Europeia estão a fazer sobre a Grécia para poder dizer ao mundo que a fizeram ajoelhar e que bem fizeram governos como o português que fizeram afundar o nosso país.
Importa ter em conta que estas pressões já foram antecedidas por outro ajoelhar, esse de anteriores governos gregos que aceitaram um programa de "reajustamento" que provocou um vendaval entre os direitos dos trabalhadores e a economia grega.
Para que se informe e então se avalie, para que se questione e depois se questione o governo grego e os seus negociadores, para que possa elogiar ou criticar, caso pretenda lamentar ou exaltar, Varoufakis leu e apresentou na reunião de Eurogrupo de quinta-feira, que acabou como começou: em desacordo. A leitura é longa, mas recomendável e necessária para se perceber o que a Europa rejeitou e o que a Grécia pediu.
Atenas volta a exigir na rua o fim da austeridade e chantagem. Manifestação Praça Syntagma, ontem, 21 junho
Nota de Varoufakis no seu blogue pessoal, onde disponibilizou o discurso: “O único antídoto para a propaganda e para as 'fugas' malévolas é a transparência. Depois de tanta desinformação em torno da apresentação que fiz no Eurogrupo da posição do governo grego, a única resposta é publicar exatamente as palavras que proferi. Leiam-nas e julguem por si mesmos se as propostas do governo grego constituem ou não uma base para um acordo”. 

Colegas, 

Há cinco meses, na minha primeira intervenção no Eurogrupo, disse-vos que o novo governo grego enfrentava uma tarefa dupla: 
Temos de ganhar uma moeda preciosa sem desbaratar um importante capital.  
A moeda preciosa que tínhamos de ganhar era um sentimento de confiança, aqui, entre os nossos parceiros europeus e junto das instituições. Para obter essa moeda necessitaríamos de um pacote de reformas significativo e um plano de consolidação fiscal credível. 
Quanto ao capital  importante que não podíamos dar-nos ao luxo de desbaratar, esse era a confiança do povo grego, que teria de ser o pano de fundo de qualquer programa de reformas acordado que pusesse fim à crise grega. O pré-requisito para que esse capital não se perdesse era, e continua a ser, um só: a esperança tangível de que o acordo que levamos para Atenas:

. é o último a ser forjado em condições de crise;
. compreende um pacote de reformas que põe fim a uma recessão ininterrupta de seis anos;
. não atinge selvaticamente os pobres como as anteriores reformas atingiram;
. torna a nossa dívida sustentável, criando assim perspetivas genuínas do regresso da Grécia aos mercados, terminando a nossa dependência pouco digna dos nossos parceiros para pagar os empréstimos que deles recebemos.

Cinco meses passaram, o fim da estrada está à vista, mas este derradeiro ato de equilíbrio não se materializou. Sim, no Grupo de Bruxelas estivemos quase. Quase é quanto? Do lado dos impostos, as posições são realmente próximas, especialmente para 2015. Para 2016, o fosso restante representa 0,5% do PIB. Propusemos medidas paramétricas de 2% contra os 2,5% em que as instituições insistem. Esta diferença de meio por cento propomos eliminá-la através de medidas administrativas. Seria, digo-vos, um erro tremendo deixar que esta minúscula diferença causasse danos massivos na integridade da Zona Euro. A convergência foi também alcançada num vasto leque de questões (ver na íntegra na íntegra o blogue pessoal de Varoufakis, atrás assinalado) que o Expresso traduziu e editou.

domingo, 21 de junho de 2015

Vá ao food court do slide urbano da Urban Splash


Um vizinho meu, hoje pelas nove horas, vinha esbaforido e revoltado por causa de um “evento” que, ocupando parte considerável das Ruas Neutel de Abreu, inviabilizava o sentido de trânsito na descida da Av. dos Lusíadas para o Alto dos Moínhos. Mas que também inviabilizava a saída para a R. dos Soeiros, da rua Frederico Freitas, da rua do Alto dos Moínhos , e da rua que serve o Hospital da Luz

Razão: um evento radical, viral (!!) da Junta de Freguesia e da empresa Urban Flash.
Tendo ele perguntado a alguém da organização “Então é assim? Cortam-se acessos essenciais e não se avisam os moradores que se têm que deslocar de automóvel?” Resposta “Mas está tudo no site da Junta de Freguesia…Não foi lá ver?”. Para não ser malcriado ainda respondeu:  “Eu é que vos mandava para aquele site!”
Fui lá ver. Filas de pessoas que tiveram que comprar a 2 euros uma bóia foleira, aguardavam em filas mas já gente descia na correnteza. Uma criança urban flasher já atrapalhada, lá foi ajudada por uma rapariga da empresa de segurança, Anthea, que apresenta na sua carteira de clientes distintos a Mota-Engil, Câmara Municipal de Torres Vedras (PS), Media Capital´

Uma roulotte de fritos, um bar e esplanada da Sagres e outro de gelados…completavam as atracções.

Também vi Polícia Municipal e centenas de barreiras metálicas da CML (quem pagou? Ou a CML também é patrocinadora?
Um transeunte também surpreso, disse-me “ Este presidente é primo do António Costa”
…E eu que não sabia! “Desculpa lá ó Costa, isto já não tem nada a ver contigo, é com o Medina”.

Apontou-me o presidente da JFSDB, António Cardoso, do PS, que parecia estar satisfeito. Segundo o linguarejar escorreito do site da Urban Splash, a quem a Junta adjudicou o “evento”, “O presidente marcou presença nesta apresentação que pela primeira vez em Portugal apresenta um slide urbano que vai revolucionar o Verão e durante o qual vai haver muita música com DJ’S convidados, batalhas épicas de balões de água, food court (como?) e muita dança! ".

Ao abrir o Publico no café, zás! Um texto promocional do “evento”, assinado por uma jornalista (?) dava conta das maravilhas que se iriam passar. E também dos preços.”

Os bilhetes para participar no evento variam entre 12,50 euros (duas descidas no escorrega, um kit de balões de água para uma "mega batalha" e uma pistola de água) e os 50 euros (acesso ilimitado ao escorrega durante o dia inteiro). Famílias com dois adultos e uma criança pagam 30 euros e têm direito a duas descidas por pessoa. A iniciativa inclui música, comida, animações e uma "mega guerra de balões de água".

Espero que tudo corra bem. Mas para a próxima avisem os moradores dos cortes de trânsito.

sábado, 20 de junho de 2015

Os EUA vão perdendo a supremacia estratégica e disfarçam-na com ameaças de guerra contra a Rússia

Jogos de guerra
Os estrategas dos EUA sentem a história próxima futura a fugir-lhes de entre os dedos como areia fina.
Há novas realidades políticas, económicas, culturais que lhes afectam uma estratégia de domínio do mundo.
A Rússia lidera o movimento pelo que cada vez mais nações se preparam para abandonar o dólar norte-americano. A Rússia retaliou e atingiu o Ocidente que apoiou as sanções dos EUA.
Obama e os media norte-americanos procuram dar uma idéia de uma Rússia isolada. Nada mais falso! A Rússia  trabalha com os países BRICS, na Organização de Cooperação de Xangai e em outras alianças. Sem dar sinal algum de "empobrecimento", a Rússia está a comprar ouro, enquanto os EUA se afundam em dívidas e desemprego. Os responsáveis dos EUA são cada vez mais conhecidos em todo o  mundo como incapazes de jogar limpo. E na Europa cresce a antipatia com os EUA, por terem privado os europeus do comércio com a Rússia.

Essa história começa na 2a. Guerra Mundial, e no ódio cego contra a Rússia. Talvez também termine na mesma absoluta irracionalidade. Se o desespero dos responsáveis dos EUA levarem o país a uma guerra contra a Rússia, na Ucrânia ou em algum ponto da fronteira russa, onde a OTAN vive de jogos de guerra e provocações, é possível que essa história, do enlouquecimento dos EUA, seja a última narrativa que a humanidade poderá vir a ouvir sobre si própria.

Dirigentes do PSD/CDS da nova REFER/EP gastam 130 mil euros dos portugueses a fazer almoçarada de campanha eleitoral

Assim mesmo, numa espécie de assembleia de seita religiosa
(agora levantem todos as bandeirolas!...)
Segundo o JN de hoje é referido que no repasto, com cerca de 1300 participantes, foram servidos leitões, espetadas de fruta e vídeos promocionais. Nem faltou um humorista.
A festa foi anunciada em convites enviados aos 3800 funcionários que integravam as empresas públicas REFER - Rede Ferroviária Nacional e Estradas de Portugal, tendo em vista a "apresentação da marca da nova empresa Infraestruturas de Portugal". Deslocaram-se ao novo Museu Nacional Ferroviário entre 1300 e 1500 pessoas, segundo as fontes do JN.
Então a fusão das duas empresas não era para conter as despesas? O dinheiro veio do cofre cheio de dinheiro nosso que a Ministra Maria por lá tem?
O muito sério Primeiro-Ministro e o impagável Paulo Portas em quantas destas já vai em apoio da campanha eleitoral da sua coligação?

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Quem não espera o inesperado
não vai dar por ele"

Heráclito
filósofo grego de Éfeso
535-475 aC

terça-feira, 16 de junho de 2015

Cipriano Dourado


Conheci o artista plástico pela sintonia política com meu pai nos movimentos da oposição e na sua casa na Rua Augusto Gil, onde vivia com a sua companheira e o filho. Não faltavam às passagens de ano que os meus pais organizavam,  na nossa casa, ali também para os lados da Avenida de Roma, com o contributo de todos, com dezenas de amigos da oposição - estou certo que muitos deles militantes do Partido, como o Cipriano.
A sua simplicidade no trato marcou-me.

Cipriano Dourado nasceu em Penhascoso, Mação, em 1921. Começou a trabalhar muito jovem, como desenhador-litógrafo, mas o seu talento e vocação para as artes plásticas levaram-no a sonhar mais alto. Assim, anos mais tarde, frequentou a Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, como aluno do curso nocturno.

Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière ( Paris).
E veio a destacar-se através da gravura e da aguarela.
Cipriano Dourado foi um dos pioneiros da Gravura Portuguesa Contemporânea e teve intensa actividade como gravador e membro fundador da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956).
Auto-retrato

A mulher e a terra são as temáticas mais recorrentes da sua obra, que se enquadra claramente no movimento estético neo-realista.com influências líricas.

Desde 1947 foi participante assíduo das Exposições Gerais de Artes Plásticas.

Em 1953, a partir do Ribatejo, juntamente com Júlio Pomar, Rogério Ribeiro, António Alfredo e Alves Redol, participou na experiência colectiva, que ficou conhecida como Ciclo do Arroz.

Em 1957 esteve presente na Bienal de Gravura de Tóquio.

Leccionou na Escola de Artes Decorativas António Arroio.

Morreu em Lisboa, em 1981.

Cipriano Dourado encontra-se representado no Museu de Arte Contemporânea e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Plantadoras de arroz